Da Corrupção e Desonra

Um tema seguro para ventilar e soltar vapor é uma das figuras que tem o condão de me pôr mal disposto quando o vejo, só por olhar para ele, o Trump.

Há um relatório de 400 páginas , resultado de uma investigação minuciosa feita por uma das organizações mais poderosas do mundo que documenta e demonstra que o presidente obstruiu a justiça e que a sua campanha teve relações com potencias adversárias, e  ainda ontem, para que só restassem dúvidas na mente dos cretinos, o Procurador Mueller falou pela primeira vez para dizer que só não constituiu arguido o presidente porque isso não é possível. Não sei se é pela Constituição ou por outra razão, mas um presidente em exercício não pode ser constituído arguido, não fora isso e o homem já estaria a responder por vários crimes.

Isso é uma coisa.

O que se passou ontem no Japão já é de arrancar os cabelos e abandonar a esperança, foi o sinal, para quem ainda precisava de um , que a miséria moral e  a corrupção de princípios e leis alastra , impregna-se, normaliza-se.

A Armada americana tem um destroyer chamado John McCain. Ora, o senador McCain veio de uma longa linhagem de soldados e foi herói de guerra. Era da juventude dourada nos anos 60  mas avançou para servir o seu país no Vietname, era piloto de caça, foi abatido e sobreviveu anos de cativeiro e torturas que lhe deixaram sequelas permanentes porque se recusou a ser libertado para servir a propaganda do Vitecong. Enquanto isso outro membro da juventude dourada da mesma geração, o Donald, cobarde como sempre foi nem sequer teve a coragem de fugir do país para não ser incorporado, ou pelo menos ser capaz de mexer os cordelinhos para ficar numa unidade segura, como o G.W Bush. Não, o papá pegou no livro de cheques e encontrou um médico corrupto que lhe diagnosticou uma condição abstruza que ningúem sabe definir, nem o próprio ( bone spurs)  e repetiu o “exame” e o “diagnóstico”  até ao fim da guerra.

McCain voltou ao seu país para ser governador e senador republicano, Trump nunca saiu e continuou a sua carreira de vigarice e basófia. Passam os anos e o McCain, como homem com honra, quebrou fileiras do seu partido e denunciou a fraude Trump. O homem, mesquinho e vingativo como é, nunca lhe perdoou, chegando ao absurdo de declarar, quando lhe perguntaram como é que era possível ele desvalorizar a opinião sobre defesa nacional de um veterano herói de guerra e líder político, que “preferia os que não se deixavam capturar”. Asco e vómito logo aí, mas ainda havia mais indignidades, entre elas ter feito uma birra porque a família do McCain náo lhe agradeceu o funeral de Estado.

Chega então aquele verme em visita de Estado ao Japão, e o USS John McCain está lá destacado. Ora, à volta de todos os autocratas narcisistas e alienados gravita sempre uma corte de sicofantas rastejantes cuja função na vida é agradar ao chefe, dizer-lhe o que ele quer ouvir, confirmar-lhe as opiniões e atacar os seus inimigos. Os estudiosos dos regimes autoritários chamam-lhe “trabalhar para o líder”.

Estas doninhas viscosas, à vista do USS John McCain e sua tripulação, perceberam logo, e bem, que a vista daquilo ia enervar o líder e potencialmente lançá-lo numa das suas tiradas incoerentes e raivosas. Pediram por isso ao comandante que tapasse o nome do navio e desse licença aos marinheiros  (que usam o nome do seu navio no boné) . Se o pedido  já era inconcebível aqui há poucos anos, o comandante aceder era impensável. Mas a  Marinha, neste caso o comandante do navio, para sua eterna vergonha e ignomínia, acedeu. Já vi fotos da lona a tapar o nome, sempre a parte que leva o orgulho da unidade e da tripulação, sempre conferido para honrar uma memória e inspirar valor. Taparam-no para não incomodar o entulho humano que ocupa o posto de presidente, e quando se chega aqui, quando as Forças Armadas, garante máximo da separação dos poderes e da independência de um país se baixam a este ponto, podemos esperar tudo, tudo de mau.

Já não vale a pena esperar que vozes da razão se levantem nem que “alguns homens bons” tomem uma posição. Basta ler o twitter do homem ou ouvir as suas diatribes diárias  para ver que não há  ali  nenhum espaço para a Razão. A América tem muito que amargar, e o mundo por arrasto.

Anticlimático

Ao fim de longos meses de espera o procurador especial Mueller entregou o seu relatório sobre as relações entre a campanha do Trump e a Rússia. A frase que encheu os jornais e televisões foi “não se provou que houvesse conspiração entre  o Trump e a  sua campanha e os Russos”. A festa entre os trumpistas, liderada, claro está, pelo próprio, foi enorme, em proporção ao desalento em pessoas como eu. Não é grave, porque há várias questões importantes saídas disto.

-Não ficou estabelecida nenhuma colusão mas há meia dúzia de antigos membros da campanha Trump presos por manobras que incluem encontros com agentes russos e há cidadãos russos arguidos, pelo que se pode dizer que afinal não se vê chama mas a fumarada é bem real.

-Uma parte da investigação era sobre a alegada colusão, a outra sobre obstrução à justiça pelo presidente. O relatório diz que “não pode confirmar nem desmentir” e o Trump, incapaz de falar sem mentir, veio logo berrar em maiúsculas que foi “totalmente exonerado”. Isto é ofensivo porque se ninguém ainda tema cesso ao relatório todos tiveram acesso ao resumo feito pelo Attorney General e o que está lá muito claramente explicado é que “não se retirou uma conclusão, de uma maneira ou de outra”. Isto, para aquela raça de canalhas sem princípios que mentem como respiram, equivale a “exoneração total”, fica registado.

-Fica o fraco consolo de saber que esta que agora terminou foi uma de 17 investigações ao presidente, que deve ser tão investigado por ser boa pessoa, sempre escorreito e honesto. Também há o consolo de ver que o apoio ao presidente não diminuiu nem cresceu, ou seja, ninguém mudou de opinião sobre ele por causa disto.

-O que o público conhece é um relatório de 4 páginas sobre um relatório de 400. Quem compilou essas 4 páginas foi o AG, que além de ser apoiante do presidente já defendeu que este deve estar acima da lei enquanto presidente.  Isto não chega para tranquilizar e encerrar a questão, toda a gente quer ver o relatório completo e há que perguntar bem alto como é que uma “caça às bruxas” como o maníaco, na sua total e completa ignorância sobre História lhe estava sempre a chamar, como é que uma investigação acaba com meia dúzia de tipos presos e trinta e tal acusados pode ser irrelevante , como é que  se tem a lata de dizer que não havia lá nada.

Livre da investigação, o Trump e o seu governo podem agora continuar descansados a tornar a América grande, as duas últimas que ouvi são que vai prosseguir a campanha para desmantelar o Obamacare sem nada de eficaz que o substitua, eficaz no sentido de assegurar cuidados de saúde a todos e uma que parece inventada mas é verdadeira: a secretária da Educação é uma bilionária  que ocupa o posto porque pagou para isso, nada na sua história a indica para seja o que for ligado à educação e como o déficit está a explodir há que “apertar o cinto”, diz a senhora, que tem cinco iates se não estou em erro. Uma das coisas que vai neste apertar de cinto,  necessário entre outras coisas devido aos biliões em reduções de impostos para os milionários, é o financiamento para os Paraolímpicos. Os Paraolímpicos, que são a oportunidade para os deficientes competirem e se realizarem como os outros. Não deve haver no mundo muita gente que consiga ser contra os Paraolímpicos mas a administração Trump consegue, ao mesmo tempo que berra que esta é a melhor economia de sempre vai  retirar 16 milhões ao desporto adaptado. Vale a pena referir que  no contexto de um orçamento dos EUA 16 milhões de dólares  é quase um erro de arredondamento.

Sem a esperança da investigação do Mueller, que nos meus sonhos ia fazer o Trump demitir-se ou pelo menos não se voltar a candidatar, já acredito que ele pode perfeitamente ganhar outra vez para o ano. Não há nenhuma canalhice, mentira, ofensa, desonestidade, incompetência ou absurdo que lhe retirem o apoio que tem, não só dos eleitores como de todos os políticos que têm o seu destino colado ao dele e por isso comem tudo o que ele lhes põe à frente. Há que aguentar, só uma crise económica séria vai tirar de lá aquele tipo,e nem isso é certo. Tenho que me conformar.

Por cá ao menos não temos problemas por ter um presidente criminoso, mentiroso patológico  e semi analfabeto, ao menos isso. O nosso está noutro nível, é só um bocado parvo e inconsequente,  hoje por exemplo achou que era bom escrever para o correio dos leitores de um jornal a explicar em 9 pontos onde andam e o que fazem os seus familiares, para que não se julgue  (mesmo que ninguém lhe tivesse perguntado nada nem acusado de nada) que ele entra em favorecimentos à família. O último ponto é a esclarecer  que ninguém o nomeou para presidente, foi o povo que votou nele. Caso houvesse dúvidas.

 

Sessão de terapia

Lamento mas tenho que ralhar outra vez sobre o Trump e o número de defensores que ele tem no nosso país, número que felizmente já teve uma evolução negativa mas ainda assim persiste. Pessoas como o Nuno Rogeiro continuam a defender o homem e a tentar menorizar os que o criticam e denunciam pensando que a ressalva “mesmo que não simpatize com ele”  lhes limpa a folha e permitirá no futuro dizer “ah, eu nunca simpatizei com ele” como se isso desculpasse o apoio que lhe dão.

Ontem o presidente esteve no Vietname. Curiosamente, grande parte dos seus apoiantes são militaristas que não se incomodam com o facto, provado, de que ele pagou para lhe inventarem uma desculpa médica para não prestar serviço militar com a sua geração na guerra do Vietname. Pior que um desertor ou um refractário, acções que mesmo assim necessitam de alguma coragem, o Trump é um entre muitos que ficou no seu país e no seu conforto de milionário, corrompendo médicos com o seu privilégio  enquanto os outros iam lá malhar com os costados e morrer. É hoje o Comandante Supremo das Forças armadas, eu ainda me lembro da comoção que foi quando se soube que o Bush Jr, na mesma altura , tinha prestado serviço militar na Guarda Nacional na segurança do Texas. Ao menos foi incorporado, fez recruta e prestou serviço numa unidade.

Nesta visita ao Vietname foi encontrar-se com o maluco da Coreia do Norte, ditador hereditário que mantém o seu povo prisioneiro e sub nutrido e manda matar opositores. Se bem estão lembrados aquando da primeira cimeira uma carrada de idiotas veio gritar “estão a ver, o Trump já conseguiu o acordo com o Kim!“. Não conseguiu nada , nem antes nem agora, não há acordo de espécie nenhuma como é fácil de confirmar, o que ontem se ouviu do Trump foi criticar o Obama por não ter conseguido um acordo. Falou também no caso do americano que passou lá 15 anos de trabalhos forçados e torturas e que morreu em consequência disso. O presidente diz que acredita no ditador, que acredita que ele não sabia de nada nem sabe do que se passou. Tal como no caso dos jornalistas assassinados pelos russos ele diz que acredita no Putin e no caso do jornalista  desmembrado pelos sauditas ele acredita no príncipe saudita, mais uma vez, a terceira,  diz que acredita num ditador. Quem é que tem opinião diferente? Os serviços secretos e de informações americanos, que estão naturalmente satisfeitíssimos com um presidente que não só se orgulha de não ler relatórios como os contradiz publicamente porque se acha mais esperto que todos. Por três vezes o Trump prefere acreditar em ditadores, aceita a palavra deles contra as evidências e contra a indicação dos serviços de informações mais poderosos  do mundo, por acaso os seus, e isso é aceitável para os defensores dele. É de trepar pelas paredes acima em desespero.

Na semana passada, há gravações disto, o gabinete falava à imprensa sobre acordos de comércio com a China. O Secretário do Comércio explicou a diferença entre um acordo e um memorando de entendimento, corrigindo o presidente, que ficou visivelmente agastado, corrigiu, ou pensou que corrigiu,  o secretário do comércio de uma maneira absurda  e terminou com este a fazer como se faz com uma criança birrenta para ela se calar: Está bem , de agora em diante não lhe chamamos mais Memorando de Entendimento, chamamos sempre Acordo. E é assim , diz quem lá trabalha, o dia a dia daquele governo. Mesmo quando não sabe, ou sobretudo quando não sabe, ele pensa que sabe e não suporta ser contrariado.

Vão-se fazendo as contas e a última contagem diz que o Trump faz 5 afirmações incorrectas ou falsas por dia, ainda há pouco tempo li um discurso dele em que até sobre cães ele consegue mentir, no caso era sobre as capacidades dos pastores alemães. É patológico e não tem limites, já se passou há muito tempo daquele nível em que se trata das mentiras habituais e esperadas nos políticos, tipo “acabou a austeridade” ou “eu não tinha conhecimento desse problema” para um chorrilho constante de mentiras que entre outras coisas cumprem a função de saturar as pessoas e de já ninguém querer saber ou dar importância. Chegámos ao ponto em que comentadores e políticos encolhem os ombros perante a mentira do dia e dizem, ah , é o Trump a ser Trump, não se pode ligar a essas coisas. Não só pode como deve , e tolerar esta corrosão total da confiança  e da idoneidade que se espera dos governantes é medonho.

O Bill Clinton enfrentou um processo de impugnação por ter mentido sobre as suas relações extra conjugais com uma estagiária Este homem mente sobre tudo, desde a sua declaração de impostos até ao seu passado, passando pelas relação com potencias estrangeiras e incluindo as declarações públicas que faz, e lá vai fazendo o seu caminho de corrupção , enriquecimento e incompetência, é assombroso. Entendo perfeitamente que os republicanos se sintam forçados a apoiá-lo, não só não querem ir contra a base eleitoral dele, quase a mesma que a sua, e muito menos perder os doadores, gente impecável como a NRA, as farmacêuticas e a indústria do carvão. Como são políticos, no dia em que ele cair vão imediatamente dizer que sempre viram as coisas mal encaminhadas e tentaram avisar mas estavam de mãos atadas. Isso é natural.

Agora, que gente como o Nuno Rogeiro (falo dele hoje por causa de uma troca ontem no FB que foi reveladora disto tudo) continue com uma atitude ambígua dando o seu apoio semi velado e temperado pelo disclaimer “mas não simpatizo com ele” já me incomoda mais.

Então ontem , enquanto o Grande Negociador estava a ser humilhado por mais um ditador no Vietname, em Washington houve umas 9 horas de depoimentos do ex advogado do Trump perante o Congresso. Esse homem foi condenado, até ver, a 3 anos de prisão por coisas que fez ao serviço do Trump, entre elas entregar um cheque a uma actriz pornográfica com a qual o candidato apoiado pelos Evangélicos e a direita religiosa teve um encontro sexual enquanto a sua terceira mulher estava grávida. Tudo normal.

Durante mais de 9 horas esse advogado caido em desgraça confirmou  o que toda a gente atenta, com dois neurónios funcionais e sem palas ideológicas nos olhos já descobriu há anos : o Trump é um racista, mentiroso e vigarista e a sua empresa e negócios funcionam muito como a Máfia. O dr Rogeiro acha que o advogado não tem credibilidade  e não apresentou provas. Porque os arrependidos da Máfia que ajudaram, nos EUA e em Itália, a meter na cadeia dezenas de padrinhos, eram todos pessoas de altíssima credibilidade e foi por isso que foram arrolados como testemunhas. Além disso ao super informado e sagaz doutor da actualidade internacional escapou um ponto, não se tratava ali de um julgamento , era uma audiência congressional, mas isso agora não interessa  nada, como não houve vídeos nem documentos assinados pela mão do Trump a incriminar-se, aquilo não valeu nada. Muito bem.

Por falar em máfia , é o meu consolo e esperança que há um homem nesta altura a trabalhar com toda esta gente e todos estes documentos e todas estas ligações criminosas, um homem de reputação tremenda, carreira admirável e personalidade de aço, o Procurador Mueller. Este homem é o total oposto do Trump, começando logo pelo Vietname: enquanto o Trump se escondia pagando a médicos para lhe inventarem doenças o Mueller, que até por questão de estudos podia ter sido isento do serviço, alistou-se como voluntário e foi lá ser dos mais condecorados e valorosos oficiais da guerra. Foi 12 anos director do FBI e investigou e condenou mafiosos como John Gotti, e por isso conhece bem os meandros e modos de pensar dessa canalha e certamente ri-se quando tentam atacar a credibilidade de um informador arrependido. O Trump nunca se cala e fala da investigação todos os dias, aterrorizado como está por ela. O Mueller nunca abre a boca, só se exprime por meio das comunicações e diligências judiciais . Nesta investigação, que o génio tenta desvalorizar todos os dias, já foram proferidas 37 acusações e já há pelo menos 4 associados do Trump atrás das grades, não está mau para uma caça às bruxas.

Tenho esperança nas instituições americanas, tenho esperança que o homem caia, mas não muita, sei que não há impossíveis nem limites quando se trata de hipocrisia política , corrupção e desinformação. Também sei que se chegar esse dia feliz todos os inteligentes que hoje o desculpam , racionalizam e apoiam vão ser capazes ou de um mortal à retaguarda ou de entrar pelo caminho do golpe, sempre o mais fácil. Uma cabala do “estado profundo”. Muitos irão apontar que ele vai cair por alguma coisa de trivial tipo fuga aos impostos , espero que alguém lembre essas pessoas que foi por uma coisa assim que se prenderam mafiosos como o Al Capone e que quando se luta contra criminosos qualquer dos crimes serve para os arrumar.

O que o Trump é está à vista de todos os que se dêem ao trabalho de olhar. Os que preferem ignorá-lo   por terem  em vista objectivos estratégicos e ideológicos mais largos hão-de pagar por isso. Ou melhor, deviam pagar por isso, mas eu até  vislumbro a possibilidade de ele voltar a ser candidato, ser reeleito e depois fazer eleger o filho em 2024.

Eu sei que há problemas muito maiores para Portugal, para os Açores e para esta ilha, e sei que há coisas muito mais interessantes e histórias que valem muito mais a pena mas isto dá comigo em maluco e escrever estas coisas é uma espécie de terapia.

Países de Merda

Já estive em países de merda, assim à cabeça da lista ocorre-me o Haiti e há mais uns quantos que eu considero nessa categoria mesmo sem nunca lá ter estado, tipo a Eritreia, a Moldávia ou a Arábia Saudita. Já ouvi várias vezes portugueses e estrangeiros chamarem a Portugal um país de merda, eu não partilho da opinião mas consigo perceber como é possível chegar a essa conclusão. Não me chocam essas considerações e se alguém se chocar com as minhas isso é-me  indiferente,  porque pessoas privadas podem exprimir as opiniões que quiserem, a menos que vivam num país sem liberdade de expressão, logo por isso candidato à categoria “de merda”. São meras opiniões.

Se somos uma pessoa com responsabilidades políticas ja não é bem assim, tem que haver um filtro e têm que ser observadas determinadas convenções. Um político, seja presidente de uma junta seja de uma nação, não pode dizer o que lhe vem à cabeça, tem que ter consciência da diferença entre a sua posição enquanto cidadão privado e enquanto representante eleito. Para ter essa consciência é preciso que tenha uma logo de início, e algum discernimento, coisas que faltam ao actual presidente dos EUA, que anteontem se interrogava em público porque é que “tinham  tantos imigrantes de países de merda e tão poucos de países como a Noruega”.

É natural que o cidadão Donald ache que países pobres e de gente escura sejam países de merda, mas referir-se publicamente a eles como tal, enquanto presidente, só mostra a quem ainda não tinha reparado que além de racista o homem é estúpido. De resto, qualquer pessoa que sinta necessidade de vir publicamente assegurar que é muito inteligente, um génio mesmo, deixa bem expostas as suas limitações e inseguranças. Nesta historieta dos “países de merda” , o  fait divers trumpiano do dia , o que é mais engraçado é que logo a seguir a essas declarações os fãs da criatura regozijaram-se por finalmente haver alguém que não tem medo de dizer o que pensa, e que pensa como tanta “gente normal”. No dia seguinte e como de costume o Trump veio negar que alguma vez tenha usado a expressão, ou seja, ele não disse aquilo para agradar à sua base nem para mostrar que tem o toque comum e que diz o que os outros têm medo de dizer. Saiu-lhe, disse-o sem pensar, porque é limitado nesse campo, e depois teve vergonha e negou o que disse, desiludindo a base que no dia anterior lhe louvava a coragem e a frontalidade para depois o ver  a pedalar para trás, expondo bem a dimensão da tal coragem e frontalidade.

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Já disse várias vezes que o que me incomoda mais no Trump não são as as suas políticas, concedendo que ele sabe o que é uma política e tem uma própria. Posso não concordar com elas, é diferente de as considerar   ilegítimas. O que me incomoda mesmo, além do egocentrismo desmedido, da  ignorância  e do vocabulário de adolescente, é esta estupidez constante e a disposição para ofender vinda de quem não sabe medir as consequências do que diz e passa a vida atolado em mentiras.

Quanto à dissecação que se anda a fazer da expressão “países de merda”, ou  “shitholes” , é sintomática dos tempos: como toda a gente vê e sabe o que toda a gente anda a dizer, toda a gente se policía e controla o discurso, não só  o próprio como o alheio. Que se faça isso a presidentes, é fundamental. Que se chateiem cidadãos particulares por acharem que certos países são  países de merda, é ridículo. Há quem ache que o politicamente correcto é um avanço civilizacional porque faz com se evite ofender sensiblidades ou pessoas, eu acho que  querer um mundo em que ninguem ofende ninguém é querer um mundo artificial de pessoas auto reprimidas e condicionadas pelos comités que explicam às massas o que se pode dizer e o que não se pode dizer. Pela parte que me toca, e como não represento nada nem ninguém, se eventualmente ofender  X,  tem que ser X a sentir-se ofendido e a pedir satisfações, se for Y a vir pedi-las em nome de X vai-se embora de mãos a abanar, que esta questão das ofensas não funciona por procuração nem interposta pessoa.

 

O PSD vai hoje a votos para escolher o novo líder. Não vi nenhum debate nem andei a ler programas de um ou de outro,  faço conta de nunca mais votar no PSD, mas tenho a minha preferência, que é Santana Lopes. Isto apenas porque Rio já disse que por ele avançava um Bloco Central , coligava-se com o PS. A haver um governo do PS em  coligação prefiro mil vezes que seja com a extrema esquerda, e isto tem uma razão muito simples: com o Bloco e o PCP na oposição a vida é um inferno de protestos, greves, agitação, imprensa histérica, manifestações e “agitação social”. De luta. Como se vê  desde que a geringonça pegou nisto, estando os comunistas e trotskystas no poder ou perto dele o país acalma logo, os jornalistas são muito mais comedidos, as histórias negativas são contextualizadas,  dá-se tudo aos sindicatos para não haver greves e não há manifs e protestos a encravar a vida ao cidadão. Exemplo concreto, neste Inverno em  15 dias morreram 600 pessoas devido ao frio e à gripe. Há 3 anos teríamos actrizes da política a bradar que a austeridade mata e que o governo tem que cair , hoje se alguém do BE ou PC falar sobre isto será para lamentar e exigir que se tomem mais medidas. Os combustíveis vão voltar a subir para os maximos de 2015, a diferença é que nessa altura eram os neoliberais a destruir o tecido produtivo e a sufocar o cidadão para dar lucros às petrolíferas , hoje é a vida, estamos dependentes das flutuações dos mercados e tal. Em 2014 emigraram de Portugal 134000 pessoas, era o desespero , o drama, o desânimo e a revolta. O ano passado emigraram 97000, é um movimento migratório natural e até tem vantagens em termos de remessas.

Porque prezo muito paz e sossego e abomino histerias e exageros prefiro ver a extrema esquerda a comer à mesa do orçamento com os seus princípios em banho maria e a votar a favor apesar de serem contra, do que ver um governo PS/PSD a brigar pelos despojos do Estado com os comunistas a agitar nas margens, para mim o pior dos cenários. Se o PSD tem alguma veleidade de voltar ao poder devia assumir-se como partido de centro direita, como adversário do PS e que rejeita coligações à esquerda, mas  o mais provável é escolherem Rio, que propõe o caminho mais curto para o poder. Muitos milhares que já votaram PSD, como eu, estão satisfeitos por finalmente haver uma alternativa para  quem não defende o socialismo, o estatismo e os arranjos dos que nos governam desde o fim da ditadura: a  Iniciativa Liberal, , uma hipótese de renovação.Espero que na transição de iniciativa cidadã para partido parlamentar não desiludam.

 

Pesos, Medidas e Trump, outra vez

Quase todos os dias alguma novidade da administração americana me causa um refluxo gástrico. É verdade que me podia preocupar mais com a nossa administração, mas quanto à nossa já cheguei a uma conclusão: os problemas estruturais de Portugal são insolúveis e enquanto o fundamental estiver assegurado (a pertença à UE e ao Euro) o resto são detalhes, as decisões de peso tomam-se noutras paragens e de qualquer maneira a maioria das pessoas não quer saber. 200 euros em gambas contribuem para  um escândalo nacional, 200 milhões da Santa Casa para um banco a falir não incendeiam as redes sociais.  Não há nada como uma pessoa perceber que a situação não tem remédio para deixar de se preocupar. As pessoas acham importante  saber com quem vai casar o neto da rainha de Inglaterra, como está a saúde do Salvador Sobral e coisas do género, e quem se agasta e preocupa com questões políticas , ainda mais estrangeiras, tem as prioridades trocadas. Por cá está tudo bem.

Já a situação nos EUA me assombra não só pelo impacto num país que me era caro e que conhecia bem mas também  porque nem três clones do João Galamba a falar todos os dias conseguiriam atingir um nível tal de mentira, falta de nível, ofensa e  hipocrisia política como o Trump consegue. Todos sabemos que a política é feita de hipocrisias e distorções mas devia haver mínimos, ou máximos a partir dos quais se retirava a confiança aos governantes, especialmente em democracias, mas não, nem que esfreguem este gráfico na cara dos apoiantes do Trump eles vão admitir que este homem não é de confiar . O Obama, em 8 anos de presidência, mentiu confirmadamente 18 vezes. Este em menos de um ano  já vai em   103.

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Mais do que me chateiam  as mentiras e canalhices do presidente irritam-me muitas  opiniões e análises que vou lendo por cá. Nada me fará mudar de opinião sobre o Trump, especialmente porque pessoas daquela idade não  mudam, e o facto de se conseguir desculpar e apoiar um homem com a estatura moral de uma ratazana de esgoto deixa-me doente.

Claro que se pode concordar com as políticas da sua administração (dizer que são dele é admitir que ele seria capaz de delinear e implementar uma política, já está provado que não é) , se formos contra a imigração, a segurança social e a favor de mão pesada da polícia, por exemplo, é normal que se goste do homem, mas há uma coisa que me tem dado um nó na cabeça e que infelizmente ninguém explica nem , que eu saiba, pergunta claramente aos trumpistas nacionais: como é que aumentar o deficit em 1,3 triliões de dólares é saudado como uma coisa boa? É que as pessoas de direita que apoiam o Trump são as mesmas que, por cá e com o meu apoio, exigem déficits menores e controlados. Essas pessoas agora aplaudem uma explosão do deficit porque se baixaram os impostos, e eu não entendo. Déficit grande é mau cá e bom lá? Se calhar é e eu não percebo. Aplaudem estes cortes de impostos que , segundo todas as análises e cálculos, beneficiam desproporcionalmente os muito ricos, indo ao extremo de incluir um benefício fiscal a quem tenha um jacto particular, e o pessoal aplaude. Um senador republicano em fim de mandato, Bob Corker, anunciou que ia votar contra. Introduziram uma emenda que dava mais beneficios fiscais a quem, como ele e o Presidente, tem empresas imobiliárias, ele mudou de ideias e já votou  a favor, e anunciou isso sem vergonha frente às câmaras.Hienas.

Ontem o presidente anunciou a sua primeira comutação de uma pena, prerrogativa presidencial, a possibilidade de reduzir a pena de alguém que se acredite merecê-lo. Os EUA têm talvez a maior população prisional do mundo, nos milhões atrás das grades haverá milhares de casos de penas desproporcionais ou  controversas e reclusos merecedores. Trump decidiu comutar a pena a um milionário condenado por fraude bancária. 

Não há um limite moral? Por mais que se admirem as políticas, será que se pode continuar a apoiar um homem assim, que nem tenta disfarçar os seus instintos e motivações? Outra : por cá a direita, e mais uma vez com razão, do meu ponto de vista, argumentou que o crescimento económico nestes anos da geringonça se devia principalmente às medidas e reformas do governo anterior. Extraordinário que essas mesmas pessoas publicitem que o crescimento nos EUA neste ano é da “economia Trump”, resultado das políticas desta administração. Mas não vêm a incongruência nisso? Como na história dos déficits bons e deficits maus, aqui o crescimento deve-se a políticas passadas, lá deve-se ao governo actual. É demais.

Gostava de escrever mais sobre a ilha, os animais, os barcos, a cerveja artesanal, a época  e coisas assim mas isto enerva-me de tal maneira que tenho que ventilar, e como o cão e o gato não são sensíveis à problemática, é mesmo aqui.

 

Adeus América

Antes do Trump ser eleito presidente já tinha decidido que nunca mais voltava à América, não por ter medo ou me sentir menos bem vindo, ainda tenho mais 8 anos de visto válido se ele não se lembrar de os revogar todos, era mesmo por  já não estar lá muito à vontade e estar cada vez mais desiludido com o país. Por isso e também   porque tenho tudo o que preciso aqui, a minha terra basta-me, as minhas ambições são a esta medida.

Depois do que se passou no fim de semana passado ficou ainda mais claro, no caso de ainda haver quem não percebesse, o caminho que a América  está a tomar. Para quem não sabe, versão curta:

-Decidiu-se retirar uma estátua de um general confederado em Charlotsville, VA

-Os confederados, na guerra civil americana, lutaram pela manutenção da escravatura.Perderam a guerra e contra a sua vontade os escravos foram libertados.Durante mais 100 anos depois disso os pretos foram discriminados e maltratados nas terras da Confederação. Há quem continue a celebrar a Confederação.

– A maior parte dos americanos acha que a História começou em 1776 e muitos acreditaram que retirar uma estátua era apagar a História, como se por não haver estátuas do Hitler ou do Estaline nós não soubéssemos quem eles foram. Ignoram , ou fingem ignorar , que um monumento é uma celebração e que há coisas que não devem ser celebradas.

-A extrema direita convocou uma manifestação contra a retirada da estátua, chegando lá às centenas com bandeiras confederadas , bandeiras nazis, archotes, armas de fogo e a cantar slogans de gelar o sangue como “os Judeus não nos substituirão”. Além da brutalidade destes grunhos sobressai a sua ignorância épica, se alguém está para substituir os wasps certamente que não são os judeus, mas eles são bestas impermeáveis à realidade.

-Houve uma contra manifestação , confrontos,  mortos e feridos.

-O presidente, depois de muita insistência, condenou aquilo mas disse que “houve violência de ambas  as partes” e “havia muita gente boa dos dois lados”, entre outras declarações que terminaram com “tenho uma das maiores vinhas dos EUA, sabiam?”. Este homem    defendeu que se pode marchar ao lado de nazis e ser boa pessoa. Não pode. Uma boa pessoa pode gostar de História, levar a sério monumentos e ser contra a sua remoção, mas no momento em que entram em cena os nazis, uma boa pessoa no mínimo vai-se embora.

Não nos equivoquemos, eles levavam as bandeiras, as fardas, os slogans, não estavam ali para serem discretos ou ambíguos, e quando há nazis e pessoas a lutar contra eles não há dois lados equivalentes. Não há. Os outros podem ser comunistas , anarquistas , hippies seja o que for, mas não estavam lá para promover o socialismo, estavam lá para lutar contra os nazis, que é o que toda a pessoa decente deve fazer.

O Trump mostrou  a sua verdadeira face a quem ainda não sabia e  a quem é estúpido e leva seis meses a perceber uma evidência. Não foi capaz de condenar inequivocamente a extrema direita, mesmo em face de mortos , racismo aberto e violência nas ruas. É este o presidente dos EUA, que agora nomeou para director de comunicações da Casa Branca uma relações públicas ex modelo de 28 anos com um curso de uma universidade religiosa  . Como referências profissionais, a senhora trabalhou a promover a fashion da filhinha do presidente e os seus resorts turísticos, pelo que a aptidão para as mais altas esferas da política é evidente.  A linha do tweeter do homem é um festival de declarações confusas, provocações, meios raciocínios, mentiras claras, ataques mesquinhos, ameaças e basófias, é o preciso inverso do que se esperaria de um estadista.

Tudo isto mete nojo e o homem , que recebe diariamente um dossier de notícias positivas sobre si para o “manter calmo” e não se consegue concentrar num documento de mais de uma página, está claramente numa realidade alternativa, acredita-se formidável quando a parte do mundo que não tem medo dele goza com ele.

Há uma América longe dos noticiários e jornais, uma América pacífica, tolerante, honesta e inteligente, mas com este homem ao leme cada dia essa América está mais sob ataque. Há mais protestos marcados contra retiradas de estátuas, e a aposta certa é que vai haver mais sangue. É de lembrar que o ano passado quando os índios do Dakota protestavam desarmados contra a contaminação da sua água o Estado respondeu com tropas e carros de assalto.Os nazis levam armas , bandeiras do III Reich e fazem a saudação nazi e o Estado manda um cordãozinho policial.

Há nesta falência  moral explícita do Trump uma vantagem: quem o apoia já não tem mais nenhuma desculpa, ele já assumiu as suas convicções mesmo que não percebesse o alcance e significado do que estava a dizer, como acontece frequentemente. Para ele os nazis são tão maus como os anti nazis. Quem o apoia pensa o mesmo, era bom que tivesse a coragem de o dizer  sem vergonha nem ambiguidade , para sabermos com que linhas nos cosemos.

Da minha parte não há mais desculpas, qualquer pessoa que apoie o Donald Trump é ou simpatizante da extrema direita ou um idiota.

 

PS: antes que me venham com os comunistas, espécie que também está na minha lista negra : assim que houver uma marcha de comunistas, lá ou cá,  a gritar insultos raciais e a incitar e defender a violência , trazemos os comunistas ao barulho. Até lá, há que não misturar as coisas e combater um totalitarismo de cada vez.

 

Protestos

Sou 100% a favor de manifestações , de apoio ou repúdio , e acho que um país em que a população não se manifesta regularmente não é muito saudável. Existem manifestações e existem protestos violentos , e para apoiar ou desculpar esses já preciso de estar convencido primeiro de que a situação é desesperada e depois de que a violência pode de facto ajudar a resolver o problema.

Não é o caso da esmagadora maioria de protestos violentos de que vou tomando conhecimento , e não é certamente o caso dos motins que se têm visto de grupos a protestar contra o Trump. O pessoal que acha que está na “resistência” ao presidente vai ser uma das primeiras linhas da sua defesa : “estão a ver como são os que não gostam do Trump? Além  dessa publicidade negativa e de possivelmente adquirirem cadastro  não vão conseguir mais nada ,  vão contribuir para a queda do Trump mais ou menos na mesma medida em que o Que se Lixe a Troika contribuiu para a saída da troika de Portugal.

A América ainda é um país livre com instituições evoluídas ( lembrem-se , este é o quadragésimo quinto presidente em 240 anos , nós vamos em 22 em 107 anos  e desses só 7 foram lá postos em eleições “decentes” , pelo que é preciso cuidado quando criticamos o sistema eleitoral americano , mesmo quando permite eleger figuras extraordinárias e polarizadoras.

É engraçado notar como as eleições americanas entusiasmam as pessoas , e não foi só este ano pelo insólito todo da coisa . Que as pessoas se interessem , opinem e comentem sobre uma realidade que lhes diz relativamente pouco respeito , é normal. Que achem que de alguma forma conseguem alterar , influenciar  ou fazer  diferença pelas suas acções já me surpreende muito mais. Antes das eleições um grupo de celebridades que eu nunca tinha visto ( excepto o F.Alvim) fez um vídeo em que os participantes diziam para a câmara “I give a Fuck”, uma expressão idiomática de calão significando que eles se importavam com o resultado das eleições. Vi o vídeo e deixou-me com uma questão : porquê? além da autopromoção , o que é que eles esperavam alcançar com aquilo, eles que nem votam na eleição? Esperavam que um americano indeciso por acaso visse no youtube uma dúzia de desconhecidos a dizer por outras palavras que não se estão a cagar para o resultado , e isso falo-ia  agir? Não percebo , tal como não percebo a manifestação que vai haver amanhã em frente à embaixada dos EUA em Lisboa . Vai haver uma Marcha das Mulheres em Washington, naturalmente para protestar contra o Trump . Parece-me adequado , no sítio certo e na altura certa e gostava de ver dois milhões de manifestantes nessa marcha.

Ir para a porta da embaixada em Lisboa com um sucedâneo da Marcha das Mulheres é simplesmente ridículo, mas há sempre candidatos e é o que vai acontecer amanhã .

Estou a tornar-me chato com o Trump e voto aqui deixar o assunto por uns tempos bons . Não ouvi o discurso inaugural mas está aqui na íntegra. A palavra de ordem é patriotismo , que como sabemos resvala facilmente para o nacionalismo , que por sua vez , mesmo que venha cheio de intenções nobres , dá sempre cobertura e possibilita  um sem número de malfeitorias.  De resto não há surpresa, há demagogia , análises  trocadas  , promessas e soluções impossíveis, diagnósticos errados. Não há retórica elevada , é um discurso para o mínimo denominador comum e aparece lá, desligada , claramente porque tinha que ser inserida nalgum lado, esta frase :

The bible tells us how good and pleasant it is when God’s people live together in unity” .

” A bíblia diz-nos como é bom e agradável quando o povo de Deus vive junto em unidade” .

Talvez diga , não sei , mas é uma frase que obriga a  pensar no que é que entendemos por “povo de Deus” ,  “agradável” e “unidade” ,  e que sobretudo revela que os que defendem a separação  entre Religião e Estado não podem esperar boas coisas da nova administração.Por outro lado, tenho a certeza de que podemos esperar  um sem fim de ocasiões cómicas e  as sátiras e   polémicas não vão ter descanso . Do  ponto de vista do simples espectador que sou , isso é bom. E poucos sabem isso tão bem como o novo Presidente.

Deixo aqui para os possíveis interessados este documento relativo ao dossier mais importante que ando a analisar neste momento aqui no mundo real , o prazo está a chegar  , está a ocupar-me muito tempo em cálculos e comparações e a decisão está difícil .

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