Crónica de um Serão

Refiro-me muitas vezes aos hippies num tom de gozo mas o que é certo é que tenho muitos amigos que se podiam classificar na categoria, se é que fica bem ou faz sentido andar a classificar pessoas por categorias.

Não conheço muitos exemplos de hippies que tenham burlado milhões, passado leis iníquas, poluído o ambiente, iniciado guerras, maltratado bichos ou em geral sido prejudiciais ao seu próximo, ao passo que se fosse fazer uma listagem de pessoas que tomam banho todos os dias, usam gravata  e roupas caras, têm educação superior, são bem informadas, vão à missa e que depois tomam decisões e têm acções que prejudicam milhões, tinha para horas.

Às vezes gozo um bocado e critico certas inconsistências e contradições, mas em procurando encontramos inconsistências e contradições em toda a pessoa que tenha uma filosofia de vida consciente, que fale sobre ela e a pratique. Só um cadáver adiado que procrie, alguém que só pense nas tarefas a fazer para receber meios de subsistência e que não tenha realmente opinião formada ou discurso  sobre a realidade e o seu lugar nela é que está livre disso. Há vantagens em  ser amorfo e apático.

Ontem recebi uma mensagem a convidar-me para uma festa de aniversário de um francês que fazia 39 anos, vive ca há pouco mais de dois anos,  com uma alemã da mesma idade e dois filhos. Se os vissem na rua , por exemplo sentados a tocar djembés numa esquina, talvez lhes atirassem  uma moeda, ou então torciam o nariz e seguiam caminho ,  só vagabundos andrajosos,  madraços e drogados , parasitas… Muitas vezes não passamos de olhar a superfície e nem sequer pensamos no que está por baixo.

Se não tenho razões fortes para recusar, tipo compromissos prévios ou um desdém marcado  pela actividade  (sessão de dança interpretativa, por exemplo) vou sempre que me convidam para qualquer coisa. Neste caso tinha o problema de nunca ter ido a casa deles apesar de saber mais ou menos a localização, combinei com outros amigos ir com eles. Esses também cresceram no hipismo e nas militâncias da extrema esquerda e do anarquismo mas já passam dos 40, têm filhos que acreditam não se vão conseguir sustentar de indignação, irreverência  e subsídios estatais, viram muita hipocrisia, inconsequência  e estupidez pura em 20 anos de lutas pelo que se “desradicalizaram”, mantêm hábitos saudáveis e modos de vida respeitadores na natureza  mas abraçam com gosto a maior parte da modernidade e a economia de mercado.

Não são uma família muito “normal” (por exemplo não têm frigorífico e os miúdos lêm livros, falam duas línguas  e não têm smartphones) mas em muitas coisas são como todas as outras: demoraram quase dez minutos a sair de casa. As minhas botas?? Maaaae! Não podes levar esses chinelos! Anda para baixo, já te chamei! Vai buscar o outro casaco!Onde é que está o não sei quê? Vai fazer chichi! Apagaste a luz lá em cima? Não, não podes trazer isso! E todas as coisas que são familiares a…familias e que fazem sorrir pessoas como eu que quando querem sair de casa vestem-se e saem de casa, demora cerca de 30 segundos.

Fomos em dois carros, podíamos ter ido num mas eu nunca vou a lado nenhum de onde não me possa vir embora quando me apetecer ou ficar mais tempo se me apetecer. Parámos os carros perto de uma canada e daí foi quase uma boa meia hora a subi-la, à casa do aniversariante só se chega a pé ou a cavalo e há que não ter medo de um bom   quilómetro de caminho de mato. Eu medo não tenho, mas tenho que parar a cada cinco minutos, especialmente se for íngreme como é o caso, mas não me faz diferença porque a cada pausa, enquanto recupero o fôlego, olho em volta e consolo-me, sei que no Mundo não há muitos sítios tão bonitos como esta ilha.

Ao pé de uma bifurcação na canada, marcada por um crâneo de vaca espetado numa árvore que foi lá posto pelo C, o aniversariante, para marcar o cruzamento, quando já se viam umas luzes e ouviam vozes ao longe, salta-nos ao caminho o Tito, com um haaaa!!!. O Tito é o filho mais velho do C,  tem uns 9 anos, fala francês, alemão e português, é loiro, tem a cabeça rapada menos da parte de trás onde corre uma grande trança. Nunca vi uma mudança tão grande numa criança como no Tito, quando o conheci era um verdadeiro corrécio, olhava para tudo com cara de mau, batia em adultos e miúdos, nunca parava , estragava, gritava, habilitava-se a estalos na cara, resumindo, era um índio que validava  os preconceitos sobre o modo como os hippies criam os filhos. Não sei o que aconteceu nestes dois anos mas hoje o Tito é um doce de um miúdo. Não perdeu energia nenhuma, antes pelo contrário, continua um dínamo, mas trata bem toda a gente, não bate em ninguém, brinca e partilha com os outros, é generoso, obediente, simpático, enfim, já tinha dito aos pais que não sei o que fizeram mas parabéns pelo que fizeram. Eles agradeceram, como todos os pais quando veem os filhos elogiados, e disseram que não fizeram nada. Não houve psicólogos nem ritalina, deve ter sido mais esse estranho método de deixar os garotos serem garotos e andarem à vontade, mas eu não sei nada disso.

A casa , que muita gente chamaria uma enxovia miserável , é um assombro. Isto porque  não só  é num sítio tremendo mas porque foi feita toda pela mão do C, com os materiais que ali encontrou e preparou, com as suas ferramentas.  O homem, que trabalhou desde miúdo, muitas vezes em trabalhos duríssimos como matadouros, tem uma capacidade de trabalho incrível, pode passar seis horas seguidas a escavar barro , cavou o seu próprio poço  (ao que sei é o primeiro poço desta ilha em 500 anos de povoamento) e se por exemplo precisa de cascalho não vai comprar ou mandar vir cascalho, pega numa marreta e passa oito horas a partir pedra até ter o cascalho que precisa. A casa é principalmente de madeira, árvores enormes, tábuas todas cortadas por ele e tudo revestido de adobe feito por ele, todos os móveis feitos por ele.

Já me tinham dito que era espectacular, eu fiquei impressionado e era de noite, vou lá voltar em breve de dia para apreciar melhor. Não tem electricidade de rede nem precisa, tem paineis solares que chegam para a música e as luzes, e o resto é como na idade média. Também não tem porta nem outras amenidades que se encontram nas casas modernas mas ninguém pode duvidar de que é o abrigo suficiente de uma família feliz. O C tinha uma fogueira enorme no jardim  que num minuto trasformou num tapete de brasas perfeito para grelhar a carne.

-Olha que fazer a festa à noite na rua a 25 de Novembro se calhar não foi muito boa ideia…Comentou outra amiga enquanto nos chegávamos ao lume

-Isto para mim é Primavera. Quando o Tito nasceu estavam 20 graus negativos e vivíamos na roulotte que ficou presa no mesmo sítio por 2 meses . Quando saía tinha que fazer dez quilómetros de bicicleta só para chegar á aldeia mais próxima, nem sabes.

Chegou outro amigo com um balde cheio de carne. Um balde, e pedaços do tamanho de um prato.

-Assim sim, isto  é grelhar carne a sério ,  comentei eu

-Pá , isto aqui é tudo à flintstones, diz o amigo, algarvio e o único outro português da festa.

Havia um bolo, pão caseiro,  quilos de carne grelhada e uma sopa de feijão e lentilhas para os vegetarianos mas acho que foi feita mais por reflexo e hábito porque toda a gente comeu carne. Ultimamente  a espécie mais comum de vegetariano que encontro é o vegetariano que evita comer carne, estou encorajado a começar a dizer o mesmo, porque ser vegetariano tem um certo cachet social e basta-me dizer que sou, que evito comer carne. Evito comer carne até me ser impossível evitar, acontece-me  muitas vezes, quando me apetece muito comer carne não sou capaz de o evitar.

Gosto bastante desta dieta e deste menu de festa, não gosto muito das festas tradicionais em que a maior parte do esforço vai na apresentação de uma mesa farta com trinta e duas  qualidades de coisas em quantidades absurdas cuja metade ou terço fica sobre a mesa no fim da festa, é uma tristeza.

A música  já foi um bocado mais difícil, punk rock e hip hop francês são intragáveis e quando ao tecno trance que também se consome por ali, é um genero de música que acho impossível de suportar sem tomar os medicamentos. Felizmente oscilou-se entre isso e o reggae , que nunca deixa ninguém ficar mal na sua simplicidade, monotonia e uniformidade imbatíveis.

Partilharam-se as novidades e “quadrilhices”, entre elas uma que me deixou alarmado, uma moça pela qual eu tenho um fraco bastante forte foi picada por vespas, tem a cara toda inchada e está em casa com  febre e irritações na  pele pelo corpo todo. Ela e o companheiro (de quem sou amigo) são radicais da natureza e dos remédios naturais e têm uma certa aversão a tecnologias ,  sobretudo à química moderna.

-Então mas está a melhorar? quis saber da minha amiga que a tinha visto.

-Não…

-E o que é que fizeram?

-Olha , fomos consultar o dr. Google e…

Acabei a frase por ela

-Anti histamícos, sim, e foram à farmácia buscá-los??

-Ainda não , estivémos a ver anti histamínicos naturais…

-Ó paciência, e quais são os anti histamínicos naturais?

-É o não sei quê e o chá de não sei quê…

Nem ouvi bem. Fico fora de mim . Se fosse outra pessoa qualquer dizia, olha incha para aí com o teu chazinho,  mas esta  não. A moça vai ficar  a sofrer a esfregar-se com ervas , e ou a situação melhora no triplo do tempo que demoraria se tomasse um comprimido ou agrava-se de tal maneira que vai acabar por ir para o centro de saúde tomar o tal comprimido.  Uma suíça que por aí anda veio juntar-se à conversa, a oferecer um anti histamínico natural mas como ela mal fala outra língua que não o alemão suíço ninguém percebeu o que era. Sem dúvida outra erva fervida. Aqui há um mês foi  a mesma conversa com ela por causa de outro amigo, florentino, que está a morrer com a doença de Crohn.

-Procuraram remédios naturais?

-Remédios naturais para a doença de Crohn?

-Sim…

-Sabes o que é a doença de Crohn?

-Não estou bem a ver.

-Então não digas asneiras.

Às vezes metem-me nervos com as  ervas, decocções e placebos vários que mal aliviam uma constipação e depois andam a sugerir curas para doenças que nem compreendem. Quando arranjarem uma erva para o enfizema pulmonar avisem que estou interessado, e também  me interessa ver o primeiro caso de  um remédio natural a curar dois cancros seguidos. Já sei, há uma conspiração capitalista que abafa isso tudo, claro. Milhares de pessoas acreditam em mezinhas e bruxedos cujo principal princípio activo é o poder de sugestão, e depois olham com superioridade e desdém para a ciência, até ao dia em que precisam mesmo dela.  Uma alimentação saudável e natural (no sentido de não levar químicos) protege o corpo e o sistema imunitário e há muitas plantas que têm imensos benefícios para a saúde. Capacidade curativa, especialmente de condições severas,  é uma coisa muito diferente. A relação entre a evolução da ciência médica e da farmacologia e o aumento da esperança média de vida no mundo é ignorada pelo  pessoal da homeopatia, que nos sugere que usemos as mesmas terapias do tempo em que se vivia até aos 35 em media.Era natural.

Essa suíça tem um certo interesse na minha pessoa e apesar de eu não fazer esforço nenhum a disfarçar que não é recíproco, ela não atinge e insiste em cada ocasião em que nos encontramos, felizmente são poucas. Não percebo, deve ser mais estúpida do que parece, eu  consigo perceber se uma mulher não tem interesse em mim, por exemplo nunca falar comigo nem olhar para mim, mostrar zero interesse no que eu estou a dizer ou   afastar-se quando eu me aproximo são  indicações razoáveis de falta de interesse, registo e afasto-me, é simples. Esta anda há anos nisto e insiste, e eu já não sei o que mais hei-de fazer para ela não me vir melgar com olhos de carneiro mal morto. Ignorou a minha expressão de enfado e começou a falar-me no seu português macarrónico de um movimento colectivo da juventude Suíça que foi reprimido pelo Estado nos anos 80.

-Acredita, foi verdade!!

-Acredito perfeitamente, mas não me interessa nada.

Nem assim o raio da mulher percebe, não posso ser mais directo, às vezes incomoda-me, parece que está a tentar vencer-me  pelo cansaço, não sei.

Falou-se de mais isto e aquilo, o fogo foi esmorecendo, os garotos começaram a adormecer, daquelas alturas que há em todas as festas em que um diz “bom , está na minha hora” e meia dúzia aproveita a deixa e vai também. Hora de descer o monte, fui com os meus amigos com quem tinha ido, à frente o miúdo mais velho com uma lâmpada daquelas ecológicas que se alimenta à manivela, que são muito giras mas têm pouca intensidade luminosa, fazem muito barulho e obrigam a estar sempre a dar á manivela, pelo que saquei o telemóvel do bolso e iluminei o caminho com ele, a pensar “ora aqui esta uma boa metáfora para  estas questões da tecnologia”.

Cheguei a casa seria uma da manhã, o cão não estava. Quando vou a estas “ocasiões sociais” nunca o levo porque há sempre outros cães e o Rofe não se dá com outros cães. Como não gosto de lhe apertar muito a coleira e ele é esperto, já sabe que quando chove a coleira escorrega melhor e encontra maneira de se escapar.Normalmente quando se escapa está à  minha espera à porta. Esperei meia hora, nada.Ele dá as suas voltas à vizinhança mas nunca leva mais do que quinze minutos. Fui procurá-lo e chamá-lo, nada. Peguei no carro e corri a freguesia toda devagarinho, nada, e aí já estava a começar a ficar ralado. Mais uma volta, regresso a casa, três da manhã.O cão nunca andou a passear tanto tempo, pode ter-se perdido, já deliro e penso que mo roubaram. O que é que eu vou fazer sem o meu cão? Pus o pedido obrigatório no facebook, eram três da manha e quase imediatamente duas pessoas das Lajes o partilharam. Há sempre gente ligada aquilo. Passada meia hora aparece o animal, como se não fosse nada com ele, é  daquelas ocasiões em que apetece abraçá-lo e corrê-lo ao pontapé ao mesmo tempo. Antes assim.

 

Anúncios

Rendimento Básico Universal

Há 4 anos ouvi falar pela primeira vez na ideia de rendimento universal garantido, um programa mediante o qual toda a população sem excepção recebe do Estado uma subvenção mensal que teoricamente permite uma subsistência digna.

À primeira vista pareceu-me má ideia, por um número de razões entre as quais a falta de incentivo ao trabalho, o facto de que qualquer coisa que o Estado dá a uma pessoa é tirada a outra e  o incentivo à migração em massa para os países que implementassem esse programa. Parecia-me que se por exemplo em Portugal o Estado desse o equivalente ao ordenado mínimo a cada cidadão íamos ter muito depressa falta de gente para fazer trabalhos que pagam precisamente o ordenado mínimo. Dir-me-ão que não, que ia servir para complementar o rendimento de pessoas que iam continuar a fazer trabalhos duros e desagradáveis como recolher lixo (trabalho que devia ser pago muito acima do mínimo) mas se isso seria verdade nalguns casos em muitos outros serviria apenas para que as pessoas se encostassem. Igualmente não via razão para pessoas que já têm vencimentos fortes passarem a receber mais um cheque só por existirem, que é o que tinha que ser feito para a coisa ser mesmo universal.

O rendimento universal continua a ser estudado,projectos-piloto continuam a ser testados por exemplo na Finlândia e eu mudei de ideias, não por me ter convertido ao colectivismo e aos méritos da redistribuição mas porque tenho a certeza, na medida em que alguém pode ter alguma certeza quanto ao futuro, de que dentro de poucas décadas simplesmente não vai haver trabalho para toda a gente.

Não vale a pena falar muito sobre a automação, sobre como hoje em dia fábricas enormes produzem  milhares de artigos , sejam camiões ou porta chaves, com poucas dezenas de trabalhadores; como as máquinas já produzem outras máquinas; como na agricultura tarefas que requeriam dezenas de pessoas há 20 anos hoje são feitas por uma aos comandos de um robot. Isso é automação, que progressivamente elimina trabalhos físicos desde a Revolução Industrial e é uma questão sobejamente debatida: à medida que os trabalhos duros, perigosos e repetitivos iam sendo automatizados as pessoas iam ser mais e melhor instruídas e passavam a outros trabalhos e serviços, um nível superior de prestação fora do alcance dos robots, um caminho virtuoso que permitia a libertação dos trabalhos sujos e duros e a dedicação a trabalhos menos exigentes fisicamente e que requeriam perícias além da força física e atenção fixa. Como nenhum robot conseguia pensar, tudo o que envolvesse associações de ideias, conclusões, análises, iniciativas e decisões, tinha forçosamente que ser feito por humanos, que dominando a informação dominariam sempre esta nova economia, porque os robots não escreviam canções, não faziam cirurgias nem ensinavam Física. Isso era no passado.

Dantes só as profissões de colarinho azul, como lhes chamam os anglo saxónicos, estavam sujeitas a desaparecer vítimas da automação. Com a entrada em cena e o progresso galopante da Inteligência Artificial, a longo prazo nenhuma profissão está a salvo, nenhuma actividade está fora do alcance de uma máquina. Já não são só os taxistas e camionistas que vão desaparecer porque já há, agora, carros e camiões que andam sozinhos, e só não há navios (declaradamente) porque o meio marítimo é menos fácil que uma estrada. Os algoritmos de tradução, como pode comprovar quem os usa há alguns anos, melhoram literalmente de mês para mês e se bem que falta muito tempo para traduzirem Shakespeare já traduzem satisfatoriamente documentos legais ou comerciais. Os tradutores são uma espécie em vias de extinção, tal como os assistentes legais dado que há algoritmos que conseguem peneirar toneladas de documentos legais e encontrar por exemplo o precedente que se procura numa fracção do tempo que demoraria a um humano. Já há algoritmos de diagnóstico medico que superam a média dos médicos humanos e programas informáticos mais capazes de transmitir conhecimento a um aluno do que a maioria dos professores humanos. A destruição e violência que exigia centenas de homens há 30 anos hoje é levada a cabo por um soldado frente a um computador a milhares de quilómetros de distância, apoiado por algoritmos que sintetizam e analisam toda a informação que lhe chega.Ao invés de contratar um guia turístico um turista instala uma app no seu telemóvel que o conduz pelas ruas , identifica marcos e explica História.

Actividades que ainda há meia dúzia de anos exigiam legiões de  empregados, como a distribuição  postal , estão quase a não exigir nenhum por via dos drones e novos sistemas de localização e condução . O cretino do Trump dizia que ia salvar os empregos das minas de carvão numa época em que mesmo que houvesse muita procura de carvão são cada vez precisos menos trabalhadores para o extrair e processar, mesmo que o carvão fosse uma coisa óptima o emprego nesse sector ia sempre cair. Nesta ilha o Estado encarrega-se, e bem, da manutenção das bermas da estrada e é um encontro   comum : uma dúzia de homens (nesta actividade a igualdade de género também não interessa nada)  de roçadora na mão a mondar as valetas estrada fora, trabalho  que não requer nível de instrução absolutamente nenhum. A câmara do meu concelho está em vias de adquirir um tractor que faz o que esses doze fazem com um homem aos comandos, com a respectiva poupança. O que é que vão fazer esses homens?

A tendência nas nossas sociedades é cada vez mais a interacção das pessoas com máquinas e mesmo quando interagem umas com as outras há já quase sempre uma máquina pelo meio ou por perto, especialmente nos meios urbanos. Já podemos fazer as compras do supermercado em casa e se hoje são entregues por um humano amanhã será um drone, tal como a caixa do supermercado já hoje é substituída por uma máquina. Um dos meus primeiros empregos, repositor de mercearias nas prateleiras de um supermercado, já é feito hoje em dia por robots em vários sítios. Desde a construção à administração, desde o policiamento à agricultura, já não se vai lidar só com automação mas igualmente com os sistemas de IA que analisam dados e informação e agem em conformidade.

É verdade que esta organização e modo de produção vai sempre exigir humanos , mas mesmo que fôssemos todos engenheiros de sistemas e técnicos superiores daqui  a 25 anos não haverá  que fazer para toda a gente, é uma simples questão de números. Quando damos uma olhadela aos sistemas de ensino da maioria dos países e à massa humana analfabeta ou semi analfabeta que se conta em biliões e vai permanecer assim, é fácil concluir que será impossível empregar toda  a população a um nível, digamos, satisfatório.

É por isso que se os governantes (que em muitos aspectos seriam substituídos com vantagem por algoritmos) querem manter a paz têm que começar a pensar seriamente no problema do desemprego galopante que vai acompanhar o crescimento da automação e, sobretudo, da inteligência artificial. Os optimistas dizem que vão sempre ser criadas novas actividades e profissões que ainda hoje são desconhecidas, e isso foi verdade desde a Revolução Industrial ate aqui, mas a inteligência artificial e o seu progresso vertiginoso muda a equação. Quando as máquinas já fazem outras máquinas e já estão a caminho de conseguir fazer tarefas que há 20 anos era impensável conseguirem, como um diagnóstico médico, controlo de tráfego aéreo ou mais prosaicamente, cozinhar uma refeição, parece-me aparente que caminhamos mesmo para uma era de desemprego massivo que vai afectar todas as profissões a médio prazo.

Uma solução será  então o Rendimento Garantido, que faz com que o problema da subsistência esteja resolvido e pode não só evitar a miséria generalizada da parte da população que vai sempre permanecer estúpida, ignorante e sem qualificações como pode libertar a criatividade de uma parte enorme da população, todas as pessoas que têm o tal jeito para uma coisa mas têm que fazer outra para subsistir.

Pode fazer florescer as artes, coisa que eu nunca valorizei muito sendo um bocado filisteu mas reconheço que é uma ocupação válida porque permite não só ao indivíduo realizar-se como proporcionar prazer a outros, independentemente da questão de quem paga pelo  quê. Outro exemplo, uma pessoa que não tenha que ir trabalhar das 9 às 5 para pagar as contas pode dedicar-se a causas nobres como solidariedade e voluntariado social ou cuidados a animais abandonados. Pode-se eliminar uma grande quantidade de stress da vida das pessoas ao mesmo tempo que os empreendedores, hiper activos  e ambiciosos podem continuar stressados a  trabalhar e prosseguir os seus sonhos , ideias, projectos  e esquemas com mais segurança e estabilidade ao mesmo tempo que os madraços podem continuar a sê-lo  sem o estigma relativo que isso hoje implica . As pessoas podem deixar de labutar em empregos que  odeiem e os façam infelizes sabendo que não caem na penúria e muitos podem prosseguir actividades que não são rentáveis nem servem para nada mas que os realizam e lhes dão prazer, como observar pássaros, aprender mirandês  ou estudar  teologia.

Para evitar convulsões , colapsos e conflitos sociais que podem fazer os que vimos até aqui uma brincadeira, para que a sociedade seja mais pacífica  e “feliz” acredito que os Senhores do Mundo vão ter mesmo que arranjar maneira de implementar o rendimento universal num futuro a médio prazo.

A Festa

Volta a Festa do Emigrante, o ponto alto do ano nas Lajes e o fim de semana em que se vê aqui mais gente. Muitos emigrantes vêm ver as famílias e matar saudades, muitos estudante vêm de férias, muitos turistas vêm fazer turismo. Gosto de trocadilhos e ri-me bastante com a festa do irritante. Até aqui, onde os turistas se contam por poucas centenas durante dois meses  a presença de um número maior de pessoas parece que incomoda alguma coisa, mas é só brincadeira, tal como a referência à mosca de verão. O que é certo é que a maioria dos habitantes  aprecia muito o sossego e tranquilidade, e se bem que gosta da animação (e rendimentos) deste fim de semana, fica tudo satisfeito quando acaba.

Está a ilha cheia de emigrantes, é verdade que a América faz engordar e que as segundas gerações perdem o Português num instante. Como agora há wifi por todo o lado a ilha é mais atractiva, podem fazer milhares de quilómetros para vir para aqui olhar para os telemóveis. Noto que as criancinhas hoje (noto porque raramente vejo tantas todas juntas) estão muito mais fáceis de domesticar, é só por-lhes um telemóvel ou tablet na mão e eles criam-se sozinhos, se forem alimentados de vez em quando. Há as excepções , por exemplo dos filhos dos hippies (uso o termo muito liberalmente) , ainda ontem  vi um que está a começar a andar, um “franco alemão” sebento,  andrajoso e lindo que andava a gatinhar e a apanhar beatas do chão e metê-las na boca, apanhei-o e passei-o à mãe mas não disse nada, nem ela, porque não há problema nenhum. 8 ou 80 , ou andam vestidos de marca em ambientes esterilizados e entretidos por electrónica ou andam à solta a apanhar e comer coisas do chão.

Como nas antigas sociedades rurais, a festa anual é a altura de toda a gente “descer à vila” ao mesmo tempo, encontrar-se e falar dos assuntos da comunidade. Eu continuo  sem pertencer bem aos locais nem aos estrangeiros, com amigos e conhecidos dos dois lados e sempre tentando um equilíbrio. Do lado dos hippies ouvi protestos e incitamentos à sabotagem de uma draga que anda a tirar areia da costa. Pessoas que vivem em casas de madeira sem electricidade odeiam que se extraia areia, principalmente porque não precisam de areia e acham, com certa razão, que se toda a gente vivesse em casas de madeira sem electricidade o ambiente global sofria menos. Quanto à sabotagem , não é propriamente a táctica mais eficaz para combater excessos da indústria mas diziam-me que sim, que já o fizeram muito em França e na Alemanha. Perguntei por casos de sucesso além de barulheira e aparecerem na televisão a dizer coisas, mas não foi possível, ninguém se lembrava de um exemplo de sucesso mas certamente que os há. Por azar não foi nenhum em que estes estivessem envolvidos. No caso da draga que aí anda a acção de sabotagem nem sequer foi ponderada  a sério, principalmente porque parte da tripulação da draga é cabo verdiana. As acções variam de gravidade consoante a etnia de quem as pratica, estou sempre a aprender com os hippies.

Também aproveito para lhes moer a cabeça com o Português, eles sabem que eu falo francês e inglês mas com os que cá vivem, ou dizem que cá vivem, falo sempre em Português, pelo menos até ficarmos amigos ou até me cansar da brincadeira e querer mesmo fazer-me entender, o que nem sempre é o caso. Conheci um iatista americano que me foi apresentado como tendo feito 13 travessias do Atlântico e ficou a olhar para mim todo contente à espera de reacção, que foi “ah sim?” com a mesma expressão que teria se me dissesse que gostava de vinho tinto. Mais um cheio de observações condescendentes sobre a ilha, os Açores e Portugal, eu posso ser uma pessoa bastante ácida quando começam com esse género de conversa,  digo muitas vezes cobras e lagartos do meu país mas não gosto nada nem fico quieto ao ver estrangeiros a fazê-lo. Discutia-se o nosso porto.

-Há um espanhol que se calhar conheces, tem uma escuna e vinha cá muitos anos.Ele implorou que em vez da marina pusessem poitas de amarração e um pontão de espera…mas foi isto.

-A sério? Um turista espanhol implorou e nem assim fizeram nada? Mas o que é que ele esperava? Há um projecto, bom ou mau, e ele pensava que se pedisse eles davam-lhe ouvidos?Por ter uma escuna? Por ser estrangeiro?

-Ele tem cá uma casa…

-De férias, não lhe dá voto na matéria.E lembro-me bem desse senhor, no ano em que abriu a marina andou aí a ralhar por todo o lado sobre o preço, disse que ia para a Terceira e nunca mais cá vinha de barco. Eu disse que era estranho ele vir cá anos a fio e ancorar e só porque há uma marina deixa de cá vir. Porque é que não continuou a ancorar descansado sem ligar à marina, já que não faz falta nenhuma?

O homem foi encontrar outra pessoa para partilhar as suas opiniões sobre os nossos defeitos e eu fiquei encostado a um  poste com a minha mini na mão a ver o movimento, satisfeito da vida. O ano passado por esta altura estava a meio caminho entre a Nova Zelândia e as ilhas Fiji, ainda nem por um minuto que seja senti saudade da vida que decidi deixar para trás e já me disseram que “pareço outro” este ano, com mais energia, mais bem disposto, até com melhor postura . A melhor postura deve-se ao yoga, o resto deve-se a ter acabado com a vida de vagabundo.Consumía-me a incerteza do para onde vou e quando vou, consumía-me deixar casa e cão atrás meses a fio, consumiam-me as saudades quando estava fora, foi a melhor coisa que fiz nos últimos anos e pelos vistos nota-se.

No Sábado à tarde convidaram-me para sair no S.Pedro, o segundo bote baleeiro do clube, e nunca é preciso pedir-me  duas vezes. O Presidente da Câmara tinha pedido ao Clube Naval para ter os barcos todos na água nessa tarde, já que nunca o conseguem fazer como devia , que seria todos os Sábados em que o tempo permitisse.Quando cheguei ao porto vi que havia três turistas a quem tinha sido prometido um passeio no bote, só me chateei porque acho que deviam pagar para andar nele. Pediram-me para em vez de ir no bote sair com um Raquero com dois moços, lá andámos um bocado às voltas na baía, disse-lhes que este Verão ainda íamos escolher um dia bom e dar a volta à ilha nesse barco, ficaram entusiasmadíssimos e eu gosto da ideia. O Raquero  navegou ontem depois de um ano parado, sempre que me apetecer agora saio com ele, enquanto espero por desenvolvimentos na política do clube naval. Parece que a demissão do presidente afinal era revogável, estou a ponto de escrever um memorando para o Presidente da Câmara, que tem que ser o árbitro nesta coisa, com a minha visão sobre o clube e as suas perspectivas. Digo a quem me quer ouvir (e é um tema muito falado nestes dias) que estou disposto a integrar uma lista para a direcção e a tomar conta da secção de vela se houver uma pessoa reconhecidamente  capaz, íntegra e organizada  para liderar a lista, e há pelo menos um nessas condições. Sem surpresa nenhuma já se diz por aí que eu quero mandar no clube naval, eu rio-me.

Encheram-se os restaurantes montados em tendas , como todos os anos comi cabrito assado três vezes seguidas, houve um porco assado no espeto que foi fotografado por dezenas de turistas que só vêm coisas dessas nas famosas “feiras medievais”. Parece que já há mais feiras medievais do que havia na Idade Média. Houve um desfile do novo clube motard liderado pelo presidente na sua Suzuki 500 e o meu vizinho que já tem mais de 70 anos numa moto  de três rodas daquelas com uma caixa atrás e que é o seu meio de transporte diário, foi muito engraçado. Participou no “desfile” (descem a avenida, dão a volta à rotunda , sobem a avenida, não passa de 600 metros) uma Kawasaki 1100 que veio… do Corvo, sítio onde é impossível uma moto daquelas passar da terceira velocidade, fartei-me de rir.

Seguiram-se as marchas com  os miúdos das escolas, a única filarmónica que resta  na ilha e uma marcha que veio do Pico, senão me engano. Houve artistas convidados, na sexta foi a Rute Marlene, que não é propriamente um  género musical que eu aprecie mas esteticamente funciona muito bem, especialmente já com uns copos de vinho. Ontem eram os Blind Zero que já é muito mais “a minha praia” mas começaram a tocar à meia noite e eu a essa hora já não estava muito capaz porque tinha passado a tarde toda de tasca em tasca, surpreende-me o número de pessoas que me querem pagar bebidas mas é mesmo assim, já começava a ter certas dificuldades, fui para casa.

Tinham-me pedido colaboração para o desfile de hoje , que previa os barcos todos do clube naval em cima de reboques com os miúdos em cima e queriam que eu fosse com eles no tal Raquero, declinei e lembrei que não fazia bem nenhum ao S.Pedro ter o mastro e as velas levantados e ser carregado com 7 homens para  ser passeado num reboque fora da água. A  ideia de homenagem aos antigos baleeiros é bonita mas primeiro devia-se pensar na saúde do bote e uma coisa dessas esforça-lhe muito a estrutura toda e não se deve fazer. Como se largou a chover não sei se cancelaram o desfile ou não, se parar de chover ainda vou mais logo ver a partida do ferry e ver se ainda sobrou algum cabrito no forno. Para o ano há mais.

Casamento

Este fim de semana tenho um casamento, evento que felizmente não me aparece na agenda há uns bons 10 anos.Por um lado por já ter passado a revoada de matrimónios da minha geração, do meu círculo quem era para casar de cerimónia e grande festa já o fez há muito tempo. Por outro porque passei grande parte do tempo fora do país  e agora é bem claro que ir daqui para o continente para um casamento é improvável. Os dois ou três amigos que mereceriam o esforço, não os vejo de maneira nenhuma a caminhar para lá, os meus sobrinhos estão a décadas dessa possibilidade e o mais velho tem mais juízo do que isso, a ser também não está para breve. Há outra razão, é sabido que fazer-se parte de um casal aumenta em pelo menos 50% a probabilidade de se ser convidado para coisas.

Uma das razões pelas quais me agrada não ter que participar em cerimónias e banquetes é que isso me ia obrigar a comprar roupa apropriada, mesmo que não fosse um fraque nem uma coisa muito cara envolvia sempre peças de roupa que eu só ia usar nesse dia. Se me convidam para uma cerimónia em que toda a gente vai “bem vestida” não me agrada aparecer de calças de ganga e t-shirt. Há ocasiões em que o conformismo me parece ser a atitude certa.

Por isso estou contente pelas características deste casamento no Sábado, em termos de vestuário, basta-me escolher roupa limpa e “recente”  (tenho peças de roupa que visto há 25 anos e no outro dia reparei num par de meias remendado pela minha avó, que já morreu há quase 20)  e estou à vontade. Nem o casamento envolve igrejas nem os convidados são pessoas de formalidades e toilettes vistosas e caras. Também a minha prenda, duas caixas de Ovelha Negra que vão ser consumidas ali, vai ser adequada. Ainda pensei em oferecer uma ovelha mesmo  mas isso já era mais generosidade do que me é possível  ter nesta altura.

Os noivos são franceses, ela mora cá há muitos anos , já cá teve duas filhas , em casa (as últimas crianças nascidas nesta ilha) e tem muitos amigos entre os naturais e os estrangeiros.Ele mora cá há menos tempo e é o pai da filha mais pequena, são 4 filhos ao todo. Não é uma família tradicional nem convencional mas é das mais bonitas que conheço e das que “funciona” melhor, e eu passo algum  tempo com eles, somos bastante amigos. Já conhecia os dois últimos companheiros da C, este  é uma melhoria vastíssima e espero bem que,como tudo indica, a sequência esteja encerrada.  Ainda não percebi muito bem quais as razões que os levam a querer formalizar a união  perante o Estado português, deve ter a ver com as crianças e os impostos, não me interessam os detalhes mas sei que os solteiros têm desvantagens quando toca a lidar com o Estado e os bancos e de qualquer maneira é sempre uma bela razão para uma festa.

 

Carry On

Resultados algo  inesperados nas eleições no Reino Unido, os conservadores perderam a maioria parlamentar que há quinze dias pareciam favas contadas. Se por um lado  o Jeremy Corbyn perdeu as eleições, por outro (a sua interpretação) ganhou-as, é um fenómeno nosso conhecido . Ontem à noite muitos por cá sugeriam já uma contraption, geringonça em inglês,  pelos vistos uma criação  recomendável . Hoje sabe-se que não há  geringonça porque o partido mais votado vai mesmo formar governo, com o apoio do Unionistas da Irlanda do Norte, cuja principal política nesta altura é manter fora do governo um homem que era amigo do IRA .

Não estou nem satisfeito nem desapontado com o resultado, no que diz respeito à eEuropa a opção estava tomada desde o Brexit e mesmo que o Corbyn tivesse ganho e desatado a nacionalizar parte da economia, a aumentar os impostos, a construir uma mesquita transgénero orgânica em cada paróquia e a prometer educação e saúde gratuita a todos os povos oprimidos  do Mundo os britânicos iam lidar com isso. Há sempre perdedores.

Esta foto mostra várias coisas que eu admiro na Grã Bretanha : eleições livres às quais qualquer cidadão pode concorrer e  contacto obrigatório dos deputados com os seus constituintes ( Theresa May é a da esquerda, tem que ir ao seu “concelho” no dia das eleições primeira ministra ou não) . E depois admiro a capacidade ímpar que têm de se  rirem deles próprios e de lidar com o ridículo.

democracy

Um candidato foi vestido de Elmo ( à esquerda) , o senhor de branco é o presidente do Monster Raving Loony Party , e a figura do meio é um independente que concorreu com o nome de Lord Buckethead.

A Inglaterra  e o resto da Grã Bretanha, estão muito diferentes  do país um tanto idealizado que me atraía já em pequeno e que continuei a admirar  depois de 20 anos a conviver e  trabalhar para e com britânicos, a passar lá bastante tempo e a ter feito belas amizades. Não tenho palpites sobre o futuro do Reino Unido mas sei que têm uma lista de problemas enorme sendo o maior a negociação do Brexit e outro o terrorismo , misturado com a questão da imigração, e num cenário em que, dizem especialistas que já se enganaram antes, o crescimento económico vai sofrer,logo, menos dinheiro, logo , todos os problemas se agravam.

Nunca fui grande adepto do multiculturalismo, acho que há questões de identidade importantes que não podem ser descartadas e que de qualquer maneira o multiculturalismo não se faz de imposições,  quotas, benefícios e intenções, faz-se do respeito e convivência fazendo toda a gente cumprir um lote de regras comuns e dando a todos o direito de manter e desenvolver partes da sua cultura que não estejam em conflito com a lei e os direitos alheios. Parece-me uma definição simples, a coisa emperra  quando se pensa que o multiculturalismo deve ser promovido como objectivo em si, sou contra isso.

Para outros anglófilos deixo aqui algo que encontrei há pouco e me tem entretido muito, um canal do youtube com clips de um programa da BBC chamado QI , Quite Interesting, apresentado pelo Stephen Fry que tinha um painel de comediantes convidados e era tipo concurso, perguntas por pontos. Tal como a foto em cima, o programa é outro pedaço de bristishness concentrado: clássico e ridículo, sofisticado e pateta, fleumático e bem disposto, culto e disparatado, nostálgico e progressivo.

Invocação e Ascensão, sem comentários

Encontrei duas coisas que fizeram rir bastante, comecei a escrever mas ao fim de duas páginas  fui ler e pensei “que seca, sempre a mesma coisa” , pelo que hoje partilho aqui só  duas informações :

No dia 9 deste mês , com a Lua cheia em Gémeos , observa-se o Dia Mundial da Invocação ,  ” um dia mundial de oração e meditação em que homens e mulheres de todos os caminhos espirituais se juntam num apelo universal à divindade e usam a Grande Invocação . Juntos eles focam a prece invocativa da humanidade por luz,amor e direcção espiritual necessária para construir um mundo de justiça, unidade e paz.”  Os principais centros do evento, que começou em 1952, são Londres, Genebra e Nova Iorque, mas há encontros por todo o Mundo.

A segunda é que está à venda por 13,78€ na wook o livro  “Como dar Aulas de Ascensão” ,

Nesse link não aparece mas na capa da versão pdf figura , entre outras, a Senhora da Fátima.

Pronto, era só isto.