Esquemas de Imagem

Há  4 anos passei pelo Panamá a caminho do Peru  e um português amigo meu que lá trabalhava pôs-me em contacto com uma rapariga alemã que lá tinha comprado um barco e estava na mesma marina onde está toda a gente do lado Atlântico.

A moça estava a iniciar uma aventura marítima que passava pela compra de um veleiro  usado e posteriores navegações, o meu amigo tinha-a conhecido  quando ele  trabalhava em charters e , como toda a gente, tinha passado uns tempos encravado em Shelter Bay .Tinham-se dado bem e ele, sabendo que eu estava para chegar,  disse-lhe para me procurar, que eu era um gajo com experiência e que lhe podia dar umas dicas.

A marina em causa é pequena e isolada, parece um enclave ou um resort, há aí pelos arquivos muitos posts sobre essa passagem pelo Panamá como este . Como essas marinas são um mundo  pequeno, eu tenho um radar muito afinado e a moça é bonita, reparei nela nem passava uma hora de ter lá chegado.O contrário não se verificou , coisa a que estou habituado, faz parte da ordem natural do mundo, já me afectou mas hoje é-me absolutamente indiferente, espero sempre precisamente zero e já nada me desilude por uma simples razão: já nada me ilude. Passei por ela ao pé do seu barco, foi como se não passasse. O que também é verdade é que há uma diferença enorme entre um desconhecido com a minha figura que passa por ali e o capitão de um catamaran novo de 58 pés vindo de St.Barts  a caminho de Peru, é daquelas coisas que nos tornam logo pessoas mais interessantes, que vale a pena conhecer, e a rapariga, ao receber a sugestão do meu amigo, veio ter à mesa onde eu estava com a tripulação.

Fui o mais civilizado possível mas sabia bem que a rapariga estava ali para falar com  o Capitão Ventura e não com o Jorge. O Jorge até teria  gostado muito de a conhecer mas  o Capitão Ventura tinha mais que fazer e nunca teve muita  paciência para amadores armados em aventureiros. O meu  horário estava apertado, a escala contava-se em horas,  entre trocas de tripulação, manutenção das máquinas e partida para Bocas del Toro para ir buscar os donos do barco que estavam para chegar de avião particular. Ainda assim e por atenção ao meu amigo convidei-a  para passar no barco mais tarde.Passou já  era de noite quando eu e o imediato ainda estávamos a suar enfiados nas casas das máquinas, viu logo que  aquele barco e o seu programa eram o mais distante possível do barco dela e dos seus sonhos e que não ia levar dali nada. Levar dali nada no sentido de algum favor, dica, contacto ou serviço  em tempo útil, porque ao contrário dos velhos todos que passavam o tempo a babarem-se para ela, a inventarem histórias, a trabalharem para ela e a partilhar as suas experiências muitas vezes ridículas, eu não tinha tempo nem interesse , não lhe ia oferecer nenhum presente nem ajuda nem dar a atenção a que ela está habituada. Moça inteligente como é nem sequer pediu para ver o barco por dentro, disse que como estávamos ocupados falávamos depois e foi-se embora. Na madrugada seguinte zarpei para Bocas del Toro e só voltei a essa marina depois de uma semana.

Lá continuava ela de volta do chasso ferrugento e cansado que tinha comprado sem saber navegar nem sequer apertar um parafuso, com a sua corte de iatistas reformados e vagabundos sortidos a tentar a sua sorte.  Vi-a passar com um bote de borracha a sair da oficina

-Bote novo, muito bem.

-Foi uma prenda, o não sei quantos sabia que eu precisava de um ,comprou um novo para ele e deu-me este

-A sorte das mulheres bonitas, nunca se lhes nega nada.

Deu-me um sorrisozinho ambíguo, seguiu caminho a arrastar o bote e foi a última vez que a vi.

Apesar disso, graças ao incontornável facebook, volta e meia vejo notícias dela, que usa essa rede social e um canal do youtube de uma maneira perfeitamente comercial. Inventou uma “organização” de objectivo incerto para além de lhe permitir andar de barco. Reuniu um número considerável de seguidores que mantém interessados com historietas e vídeos, sem nunca conseguir realmente  arranjar o barco, que como relíquia que é , é impossível de arranjar e de preparar para uma navegação séria, eu não embarcava naquilo se envolvesse perder a costa de vista, e mesmo assim não sei. À falta de alguma navegação séria  ou progresso e exploração real, tem a atracção,valor e  força toda na sua simpatia e beleza física, que não são pequenas. Angariou patrocinadores que lhe pagam estes passeios e esta vida mansa nos trópicos, e seguidores que não se cansam de a encorajar e de lhe afagar o ego, mesmo talvez sabendo que é uma menina europeia rica que passa 3/4 do ano na praia a fingir que se farta de trabalhar a arranjar um barco para ir ninguém sabe onde fazer ninguém sabe o quê, para nada mais do que o seu entretenimento e satisfação pessoal.

Passados mais de quatro anos vi hoje que ainda está no Panamá, recebeu ontem um motor novo para instalar num barco que vale muito menos que o motor, cortesia de um patrocinador que tem que achar que tem retorno,  que aquilo funciona, em termos de imagem. Tudo neste mundo é medido em termos de imagem .

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Se esta moça tivesse mais 50 quilos e não tivesse um  palminho de cara  estava possivelmente a trabalhar nalguma caixa de supermercado na  sua Alemanha natal, a poupar para as férias, a sonhar com os trópicos e com alguém que um dia a levasse lá. Como é assim pagam-lhe o modo de vida, não lhe exigem absolutamente nada e “seguem-na” aos milhares, com retorno de capital em “visualizações”, “partilhas”, patrocínios e apoios vários.

Podem dizer que isto  é inveja de um gajo que nunca conseguiu nada à custa do aspecto, que gostava era de ter o talento para fazer outros darem-lhe dinheiro, que queria  era  ter sido capaz de fazer o mesmo enquanto navegou, de usar a imagem , que toda a gente sabe que hoje em dia também se pode preparar e melhorar.

Não me parece que seja isso, acho que é mais um lamento por um mundo em que o que parecemos se sobrepõe ao que somos e fazemos, podemos não fazer nada de jeito mas se parecermos bem ao fazê-lo, meio caminho andado. Nesta época em que cada um pode ser o seu publicista, realizador , produtor e relações públicas isto é muito mais aparente. A forma em prejuízo da substância, a aparência como modo de vida.

Ciganos

Como não acompanho o ritmo das televisões não sei o que é que trouxe os ciganos outra vez para o debate, mas temos aí o politicamente correcto em grande forma.As acusações voam, .os vigilantes do pensamento e do discurso saíram em força, o Bloco de Esquerda arvora-se outra vez em Campeão da Justiça.Com a hipocrisia e falta de vergonha que lhe assiste deixa passar em claro problemas nacionais graves (siresp, Tancos, etc) para se eriçar quando pessoas criticam uma minoria, isso sim , problema nacional sério, para quem não acha que a liberdade de expressão se sobrepõe ao valor das opiniões. Aqui há cinco anos chamava-se  nazis aos alemães e puta à Angela Merkel entre risadinhas inanes , tudo bem , mas aqui d’El Rei se alguém diz que os ciganos parasitam o Estado.

Passam os anos e nada muda, deixo aqui um texto de 2007 com a minha opinião sobre  ciganos.  Para o caso da Inquisição me querer vir bater à porta por causa das minhas opiniões: Avenida do Emigrante 40b , Lajes das Flores.

Passei quinze diazinhos em Londres , cidade que desde os último alargamentos da União Europeia teve um influxo enorme de imigrantes , maioritariamente da Europa de Leste.Isto foi passando sem problemas de maior , principalmente porque os benefícios da emigração em geral são aparentes , especialmente numa Grande Cidade.Até que entrou a Roménia, com a sua minoria Roma , que nós conhecemos como ciganos.Enquanto os emigrantes vêm para trabalhar e acatar as leis do país, só os pobres de espírito e ignorantes podem ser contra eles seja qual for a cor ou religião . Mas isso não se passa nem nunca se passou com os ciganos , e as pessoas em geral , aqui ou em Inglaterra , mesmo correndo o risco de serem chamados xenófobos, não gostam deles. Em Itália houve recentemente uma “crise” por causa de centenas de milhar de ciganos romenos que , abertas as fronteiras , foram acampar para os arredores das cidades ocupar-se de actividades tão necessárias como a lavagem de pára brisas nos semáforos, mendicância e pequenos roubos. “estás a falar sem saber e a generalizar perigosamente” , podem-me dizer. Generalizar talvez , mas ao contrário da maior parte dos escribas e jornalistas do politicamente correcto e dos académicos que falam sobre ciganos , eu vivi perto de um acampamento de ciganos , existe uma “comunidade” considerável na minha terra e desde miúdo que convivi com a espécie.Fui roubado, insultado , agredido , sem razão nenhuma , eu e centenas, desde os tempos de miúdo na escola até à altura em que felizmente mudei de casa ,e nada disso foi compensado pelo preço módico das calças de ganga na feira. .O acampamento lá ficou, com os Mercedes , os tiros , a electricidade e àgua roubadas e o a imundice geral. E já estive na Roménia onde pude ver a comunidade na origem.Medonho.
 
O DN de dia 19 deste mês traz uma notícia que achei espantosa, não pelo teor dos factos mas pela maneira como é relatada.O título é “Autarquia estuda futuro de estação ferroviária ocupada e degradada”.
Então a estação de Moura foi abandonada há 18 anos e ocupada há 10 por um clã de ciganos.Uma comunidade.Ilegalmente, como é natural.Segundo a notícia , a estação está em “avançado estado de degradação” , os habitantes de Moura queixam-se (pedindo naturalmente o anonimato, dadas as características da comunidade em causa) mas a primeira queixa e crítica é para as autoridades. O chefe do clã , que se estabeleceu em propriedade alheia há uma década e nessa década não mexeu uma palha para tornar aquilo mais habitável “garante que sair dali não é coisa fácil” e a companheira diz que “se me derem umas casas ou um bocado de terreno para fazer uma barraca, entramos num acordo para sair daqui.Tenho ali coisas de valor que não vou pôr na rua” . Se me derem. Não pagam impostos , não mandam as crianças à escola, não pagam àgua , electricidade ou rendas , ignoram detalhes como cartas de condução ou seguros , os ciganos , como toda a gente sabe mesmo sem ter tido o privilégio da convivência proxima, são um grupo à parte , separado, e que se quer manter assim.Não quer, não lhe interessa a assimilação e é raríssima a familia que faz um esforço nesse sentido .Não tenho problema nenhum em saber que os ciganos não querem nada com o Estado e queiram manter a sua “pureza étnica”.O que me incomoda é que não querem nenhuma das obrigações mas estão prontos a reclamar benefícios que não fizeram absolutamente nada para merecer.Nada.Nem sequer fixar residência legalmente , como toda a gente.
O que é que aconteceria se algúem (tipo a Refer) quisesse cumprir a lei no caso de Moura , fizesse uma queixa e pedisse à GNR para evacuar a propriedade ocupada ? Algúem se lembra do clamor que foi por Braga aqui há uns anos, com outro clã de ciganos que até meteu o governador civil muito escandalizado e indignado a gritar “Perseguição, racismo , intolerância , aqui de’El Rei”.Haver BMW´s à porta de barracas parece ser natural .A poeira assentou e passados 15 dias lá foi a GNR encontrar quantidades de drogas ilegais , artigos roubados e/ou falsificados e armas de vários calibres.Nenhum jornalista se lembrou de ir pedir um comentário ao governdor civil sobre a comunidade perseguida. Ele também teve juizinho e desapareceu do radar , deve estar em Bruxelas , se calhar a trabalhjar na política europeia de imigração.
Deixem-me adivinhar o que vai acontecer em Moura….O presidente da camara é do PCP e nunca fará absolutamente nada que faça parecer que é um caso de autoritarismo ou racismo. No que lhe diz respeito, não é o caso ideal para fazer cumprir leis e impôr a ordem natural das coisas . O mais provável é pegar em dinheiro ou propriedade dos contribuintes e oferecê-los a esta comunidade , cuja contribuição para o progresso , bem estar e qualidade de vida em Moura é evidente , perguntem a qualquer pessoa que encontrem lá na rua.
-A comunidade vai deixar para trás a estação em escombros , instalar-se noutro lado sem que ningúem questione nada ( a não ser gente como eu , e baixinho porque não gosto de ser acusado de racismo nem quero levar uma carga de porrada quando estiver a voltar a casa uma destas noites) e continuar a dedicar-se às actividades tradicionais e seculares dos seus membros, que estão muito bem documentadas ,estudadas , referenciadas e conhecidas .
Se o verbo judiar é hoje um daqueles anacronismos que ouvimos da avó que tinha ouvido da avó dela na transmissão dos preconceitos que a realidade desmentiu ao longo do tempo , parece-me que enciganar vai demorar mais a perder o significado. Os cidadaõs pacatos, trabalhadores e contribuintes de Moura estão prestes a ser enciganados.

Responsabilidade Zero

-Ó sr Jorge , aquilo é que foram  incêndios!Foi perto da sua terra?

-Mais ou menos, não é muito longe.

-O Primeiro Ministro já disse que tinha que saber o que é que se passou, parecia bem zangado!

Mudei de assunto  porque me esforço sempre por distinguir  actividades que valem a pena de actividades que são desperdício de energia, e na ideia deste meu conhecido o Costa e o seu governo fizeram o melhor possível e têm que exigir respostas sobre o que correu mal ao invés de as fornecer. Têm que responsabilizar alguém em vez de aceitarem que se o nosso ministério falha abjectamente, a decência exige que nos vamos embora. Ninguém diz que a ministra da administração interna tem culpa objectiva na catástrofe, mas tem toda a culpa por ter sido o seu ministério a falhar. Se não me engano já vamos em 3 tentativas de explicação  diferentes, todas fornecidas por organizações estatais, e em nenhuma delas se encontraram  motivos considerados suficientes para apear pessoas que não fizeram o seu trabalho.

Já o Presidente, desde que veio cá à ilha, tirou selfies com 64% da população, deu o seu mergulho  matinal e foi-se embora sem influir  ou mudar rigorosamente nada na nossa vida aqui, não se consegue enganar mesmo que queira, é um espectáculo. Quando ouço falar dele como “uma pessoa muito natural” que “fala a nossa língua” lembro-me logo dos milhões de otários que defendem e apoiam o Trump pelas mesmíssimas razões. Não só defendem como acreditam que há alguma similaridade entre eles, uma relação, uma proximidade. É cómico, ou trágico , dependendo do ponto de vista, que pessoas sejam sempre enganadas por políticos que as convencem de que são parecidos, de que partilham das mesmas preocupações e aspirações. Ele é como nós. Se fosse como vocês não era Presidente.

Nos dias do incêndio Marcelo esteve à vontade na sua correria e prolífico em declarações , o que fica para a história é que chegou lá e desculpou toda a gente e dois dias depois  lembrou-se de  que  ficava bem pedir uma investigação e avaliação das leis . Entretanto aconteceu outra coisa interessante, o roubo de material de guerra de uma base militar, roubo até ver de características um bocado cómicas, como já disse alguém, parece uma rábula do Raul Solnado, os maus atacam quando os bons estão a ver o futebol. O Presidente, que certamente não se esqueceu de que é o Comandante das Forças Armadas, até esta manhã não tinha aberto a boca sobre o caso.

Ou ninguém  consegue calar o homem, seja  sobre um fait  divers  como uma avioneta que cai seja sobre um cataclismo nacional , ou cala-se durante 3 dias  perante uma ameaça  clara e presente à segurança nacional e europeia resultante de uma falha grave na instituição que ele comanda.  O critério que determina se diz coisas ou não, não é claro, já acho que não existe mesmo. Ao fim de 3 dias em que achou que não era o momento de comentar o roubo, veio hoje finalmente fazer declarações. O que diz hoje o Presidente? Defende uma investigação que apure tudo. Ah bom.

Repórter num universo paralelo:

-Sr Presidente, dado que  a um roubo denunciado se segue sempre uma investigação pelas autoridades, o que é que há  de novo nesta sua declaração?

-Como?

-Houve um roubo que foi denunciado à PJ militar e às agências de segurança. Se o senhor não defendesse hoje a investigação , investigava-se na mesma…ou não?

-Entendo que sim, eu não estou a ordenar nada, estou a dizer que entendo  que o caso tem que ser investigado até às últimas consequências.

-Mas isso entendemos todos. Acredita que é necessária a chancela do Presidente para que avance a investigação ou que a PJ e Serviços de informação e segurança são autónomos?

-Não, é óbvio que são  organismos que não necessitam de autorização nem pedido do Presidente para investigar.

-Então esta sua declaração hoje não quer dizer nada, é isso?

-Sim , no fundo é isso. Dê cá um abraço, você parece-me um bocado amarelado e débil, tem ido ao médico? Olhe lá a sua saúde!

Há pessoas com esperanças de que estes dois últimos escândalos, chamemos-lhes assim, sirvam para pôr a nu não só que o Estado é incapaz como que não tem vergonha de o ser e muitas vezes nem sabe que o é. Desenganemo-nos , politicamente nada vai mudar até aparecer alguém credível com um projecto para apresentar aos portugueses, coisa que suspeito não está para breve.É  uma ideia muito portuguesa, um  sebastianismo que nos deixa à espera de um homem providencial para levar isto a bom porto. Não acredito na Providência  mas mantenho uma réstia de esperança numa renovação que só pode chegar quando desaparecerem a maior parte dos que lá andam há 20 e mais anos.Como este, que também não tem vergonha nem acha que há razão para se demitir, está a fazer um óptimo trabalho, como de resto fez desde que entrou pela primeira vez para o governo, já lá vão muitos anos.Confiamos o governo do país a pessoas que ou são estúpidas ou não querem saber do que disseram há 2 meses desde que tenham alguma coisa para dizer hoje, alguma coisa que vá de encontro ao que as pessoas querem ouvir na altura.

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Em tempos que já lá vão morria uma pessoa nas urgências de um hospital , uma pessoa por definição doente e em risco, e ululava-se “assassinos” e “austeridade mata” a cada visita de governante. Interrompiam-se comunicações para se cantar a Grândola Vila Morena e mesmo que fossem quatro pessoas, as televisões e rádios “cobriam” os “protestos populares”. Mesmo que a vida  não tivesse piorado assim tanto na prática, a comunicação social garantia-nos que sim, que era a devastação neo liberal que nos estava a matar. Foram momentos heróicos de resistência, felizmente agora o PS, com a ajuda discreta do PCP e do Bloco, resolveu os problemas de Portugal, problemas que tinham sido todos causados pelo PSD e CDS.  Os eleitores portugueses hesitaram em dar o governo ao partido que nos tinha conduzido à falência, mas essa hesitação foi facilmente corrigida por pessoas que têm a vocação de interpretar as aspirações do povo à luz da ciência e corrigir desvios, os comunistas e demais marxistas que logo nos puseram no bom caminho. Estou quase convencido de que os poucos problemas que não se resolveram são impossíveis de resolver. Faz-se todo o possível, as crianças brincam outra vez , os que imigram já só o fazem por revanchismo e consta que 3 pessoas regressaram mesmo a Portugal agora que o governo tornou o ar mais respirável.

Pode não ser claro que se o meu respeito e esperança no PS é abaixo de zero , pelo PSD e CDS é zero mesmo e aos outros considero-os  anomalias anacrónicas que podiam desaparecer com vantagem para o país. Estou na mesma situação de, acredito, centenas de milhar de portugueses que não se revêm no governo nem na oposição, nem vislumbram no horizonte um tipo (ou tipa, desculpem o termo)  como o  Macron,  que não seja criado no caldinho das Juventudes; que não tenha o rabo preso com negociatas suas e dos seus compinchas; que não chegue lá pelo nome de família; que apresente um discurso de ruptura com a velha dicotomia esquerda/direita; que queira trazer para o governo gente da sociedade em geral e não os advogados do costume; que tenha um plano económico ligeiramente menos vago que “apostar no crescimento”, enfim , alguém capaz de renovar. Infelizmente é mais provável calhar-nos populismo que alguém assim, mas uma pessoa pode sonhar.

 

PS: O parlamento aprovou uma lei que proíbe que um senhorio se recuse a alugar a sua casa a pessoas com animais. Isto ofende-me um bocado. Tenho agora 17 animais, dentro de duas semanas serão 22, a maior parte  são gado mas o cão e o gato dormem em casa, os bichos são das coisas que mais me importam na vida . Apesar disso não me agrada viver num sítio em que o Estado é que diz os termos em que podemos ou não arrendar o que é nosso.É um desrespeito total pelos direitos das pessoas que não gostam nem querem ter animais nas suas casas, porque agora se decidiu, com partido e tudo, que todos temos que gostar de animais.Socialismo também é isto.

Material de guerra

Não sei se o Presidente já foi a Tancos abraçar o pelotão que estava escalado para sentinela naquela zona naqueles dias e confortar os soldados, que fizeram o que podiam. Não sei se as televisões arrancaram em manada para directos de Tancos e arredores,  filmar a vedação, ouvir o Presidente da Câmara de  Vila Nova da Barquinha  e não haverá falta de populares para declarar que sempre viveram ali ao pé do Polígono e não se lembram de nada assim. Podem ir um bocadinho mais abaixo a Almourol fazer uma peça de grande valor cénico sobre o simbolismo do Castelo  nos conflitos que ainda hoje exasperam os fundamentalistas islâmicos, que são senão os autores deste roubo pelo menos os seus receptadores prováveis.

Tanto quanto sei, alguém furou a vedação, percorreu 600 metros até aos paióis, arrombou as portas e foi-se embora pelo mesmo caminho , com um arsenalzinho : “ Para além das granadas de mão ofensivas e das munições de 9mm, foram também detetadas as faltas de “granadas foguete anticarro”, granadas de gás lacrimogéneo, explosivos e material diverso de sapadores, como bobines de arame, disparadores e iniciadores”. 

A primeira coisa que me veio à cabeça foi que se tivessem cães lá , mais cães, seria muito mais difícil atravessar 600 metros de perímetro em ambas as direcções , quanto mais chegar-se a um paiol que fosse designado área a proteger. O meu cão não se pode comparar aos cães militares e se mexe alguma coisa num raio de 100 metros ele  fica logo atento. Sou só um curioso destas coisas mas sei que Tancos é a casa dos Paraquedistas, a arma que por excelência é  a mais devotada e melhor com os cães.

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Na Escola de Tropas Paraquedistas há uma Companhia de Cães de Guerra, que não sendo como os outros cães têm habilidades e capacidades que muitas vezes só não são mais utilizadas por falta de treinadores e “manejadores” , se eu pertencesse a uma unidade de cães e o perímetro fosse violado assim ia fazer algumas perguntas sobre se se estava trabalhar e utilizar os cães da melhor maneira.Dentro dos limites que os militares têm para questionar as coisas, claro está… Isto é um aparte de um gajo que gosta de cães , porque um sistema de video vigilância sai mais barato, come menos , não fica doente nem precisa de treino nem exercício nem horas de dedicação humana. Ainda assim, se fosse eu o responsável por paióis de material de guerra , mesmo com um sistema de video vigilância que funcionasse, “largava”  os cães muito regularmente.

Voltando ao arsenal roubado,  é medonho , e é possível que esse material hoje já esteja em Estocolmo ou Viena, meia dúzia de  elementos que saibam mexer naquilo bastam para levantar um inferno no meio de qualquer cidade. Talvez os apanhem,talvez vá morrer gente em explosões provocadas por material pago pelo contribuinte português para a defesa da Nação. É grave. É outra demonstração de que o Estado não está à altura das suas responsabilidades mais básicas, neste caso assegurar o controle  e segurança das armas de guerra , não há muito mais básico que isto.

Este roubo não é , ao contrário do incêndio de Pedrógão, um caso de má organização estrutural, incompetência e descoordenação no terreno que exige uma demissão ou seis, mas não deixa de ser uma tragédia potencial que resulta de cortes no financiamento de coisas básicas como vigilância a instalações militares. Já vi que do lado da esquerda se diz que os subsídios aos colégios privados davam para pagar  vigilância do melhor e do outro lado que os aumentos a funcionários públicos também.  Pela ordem de ideias destas pessoas, é legítimo retirar recursos às causas que valorizamos menos, ou nada , para os alocar a causas que nos são mais queridas e isto para mim não é maneira muito racional de pensar no Estado.

Espero bem que encontrem o material roubado, de preferência junto de quem o roubou, e que se fique a saber a história toda antes de morrerem não sei quantos.  Também gostava que mais uma vez outra falha clara do Estado servisse para se pensar nas suas funções. Fazer bem as contas e tentar perceber se o Estado está a deixar de cumprir funções básicas para cumprir outras menos essenciais. Da minha parte gosto que o essencial esteja assegurado antes de passar ao acessório, mas eu sou um bocado esquisito.

Líderes e outras coisas

-Ontem houve mais uma saída do bote baleeiro que terminou com este vosso criado a cair à água por causa de um brandal rebentado e com o semi rígido  de apoio a ficar avariado, deixando-nos a derivar quase uma hora. Não me vou alongar com o tema, uma das razões que me fizeram hesitar um pouco em meter-me nisto foi, além dos escassos conhecimentos práticos e capacidade de organização que há cá, a relutância em envolver-me em políticas locais, entre o Clube e o Porto e as pessoas que têm histórias de décadas e muita bagagem que dificulta que toda a gente se entenda e trabalhe para o mesmo lado. Nunca fiz questão de ser líder mas faço sempre questão de que haja um, e um a sério para o programa em causa está difícil. É complexo e  insolúvel,  não preciso de problemas novos na minha vida, nenhuma tarde à vela numa baleeira compensa embrulhar-me em quezílias. Não fora o facto de nunca recuar depois de me oferecer para alguma coisa e já tinha desistido, agora tenho que levar isto até ao fim.

-Ainda bem que não se está a deixar cair o tema do incêndio de Pedrógão, não espero que nenhum político tenha a coragem e integridade de assumir responsabilidades mas pelo menos a hipocrisia , incompetência e corrupção ficam expostas aos olhos de todos , menos dos estúpidos. O SIRESP foi negociado por um amigalhaço do Costa, comprado pelo próprio, dá lucros de milhões aos seus accionistas mas não funcionou quando era preciso e o génio por detrás do negócio está hoje arrumadinho a ganhar uma fortuna na TAP. Ninguém se vai demitir por isto. Vejam esta capa.

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Morreram 64 pessoas , a maior parte por falhas várias de um sistema tutelado por esta senhora, que não tem a noção, NEM NINGUÉM LHE DIZ, que não fica  bem fazer uma pose  compungida para a fotografia, não é assim que isto funciona, a responsabilidade não atenua por parecermos consternados, especialmente se o parecemos numa sessão fotográfica profissional. Apesar disso tenho a certeza de que esta capa levou muita gente a simpatizar com a senhora. Diz que “tirará” as devidas ilações, a maior parte dos portugueses já sabe o suficiente para querer ver ilações tiradas  já, mas ela deve estar à espera, sei lá, de uma mensagem divina ou uma condenação na justiça.

-Como não espero pessoas demitidas e/ou levadas à barra do tribunal pela calamidade de Pedrógão também não espero ver nenhum órgão do slb responsabilizado pela bela rede de tráfico de influências e corrupção que tem sido denunciada e exposta. Não espero por duas razões , a primeira é que me lembro do último grande processo sobre corrupção no futebol,  que envolvia o fcp, que provou haver corrupção mas a cujos mandantes não aconteceu nada. Espero que nada vá acontecer com este novo esgoto a céu aberto e  que dentro em breve nos expliquem que o LFV não sabia nem autorizava as manobras dos Guerras & outros delinquentes . “O benfica não é isto!“, vão gritar quando lhes mostrarem provas de que sim , hoje em dia é mesmo isto. Pode não haver condenações nenhumas, o slb pode ir “rumo ao penta” com toda a confiança, mas uma coisa é certa : nós sabemos, nós já vimos, nós percebemos. Antes nunca mais ganhar um campeonato na vida do que saber que ganhamos muitos à custa de corrupção.

-Reparei que há vários  candidatos a presidente de câmara que já foram arguidos e/ou condenados por corrupções e fraudes várias, entre os quais Valentim Loureiro e Isaltino Morais. A culpa da corrupção no nosso país não é , ao contrário do que se tenta por vezes fazer crer, dos cidadãos que são muito tolerantes e permissivos. A culpa é dos políticos que permitem coisas como esta, que permitem a toda a canalhada chegar a toda a posição de responsabilidade, desde que não tenham vergonha , tenham os amigos certos e a capacidade de convencer os patos.

Um dia as pessoas vão-se fartar e vai bastar uma faísca para incendiar tudo, porque empobrecem, não têm justiça, sofrem calamidades naturais sem ajuda, pagam impostos e trabalham debaixo de mil  regras e depois olham para cima e vêm ignorantes, incompetentes, corruptos e  privilegiados  a enriquecer e a corroer o Estado com impunidade total. Só seguidores fiéis que nunca mudam de ideias podem olhar para o PM ou o PR e ver um líder de confiança, tal como só a mesma categoria  pode olhar para a oposição e ter confiança . Por falar em líderes, vejam aqui um verdadeiro líder:

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O Putin mete-me medo, é um ditador com poucos escrúpulos e uma agenda um bocado feroz, mas na Rússia ninguém tem dúvidas sobre quem manda, as pessoas olham para cima e vêm um homem forte, que nunca perde uma oportunidade de o mostrar como com essa foto. Tem uma agenda imperialista,  despreza  a democracia e a liberdade de expressão, prende opositores e interfere no estrangeiro quanto pode. Tem esses defeitos todos mas tem qualidades que para mim são fundamentais na liderança em geral  e que não se vêm hoje por exemplo nos EUA : tem inteligência aguçada, não dá ponto sem nó, tem uma visão longa,  sabe sempre dizer a coisa certa na altura certa, tem mão firme sobre o seu governo e fala directamente às aspirações e preocupações dos Russos, que historicamente sempre apreciaram líderes e governos fortes.

Ao ver as prestações patéticas do Marcelo e do Costa em Pedrógão ocorreu-me o pensamento: e se , por quase absurdo, Portugal entrasse em guerra? Era este par de cromos que nos ia liderar? Ainda me estou a rir a pensar na ideia.

Arraial Gay

No outro dia fiz um comentário numa notícia sobre uma criança de oito anos que declarava gostar de ser travesti perante a alegria dos pais e aclamação da imprensa da especialidade. Eu disse que duvidava um bocado de que essa criança se fosse tornar num adulto normal e bem adaptado, cometi o erro de usar o termo  “normal”, só por si um convite a horas de discussão. Responderam-me que o miúdo em causa tem boas notas, gosta de skate e descreve-se como heterossexual. Só retorqui que se me tivessem perguntado aos oito anos qual a minha orientação sexual tinham recebido um olhar em branco e um bocado confuso como resposta.Os tempos mudaram muito e ao que parece hoje em dia aos 8 anos já se tem a noção. Eu acho que não, acho que são palhaçadas que nascem todas dos delírios do sr Freud, para mim um tarado nojento que pode bem ter lançado bases para uma ciência séria mas que conta entre as suas maiores heranças coisas como esta : perguntamos a crianças de oito anos se são gays e se querem mudar de sexo.

É provável que eu tenha sido ultrapassado pelos tempos e me tenha juntado aos botas de elástico que não percebem o mundo. É provável que seja positivo haver professores em escolas a discutir sexualidade com crianças que deviam estar preocupadas com  desenhos animados e a tabuada do 7. A mim parece-me mal, muito mal, porque há tempo para tudo e a altura em que esses temas devem entrar na vida das crianças é quando as próprias começam a senti-los fisicamente, quando entram na puberdade. Quem me quiser  convencer de que é necessário introduzir a sexualidade na vida de crianças impúberes é, na minha avaliação, no mínimo um imbecil e no máximo um tarado que eu quero distante de crianças importantes para mim.

Na outra ponta da escala há “escolas de pensamento” que preferem que a sexualidade seja tabu, que as crianças cresçam a pensar que o sexo é uma coisa suja e pecaminosa,  para se fazer ou para reprodução ou numa união abençoada por uma pessoa que está estatutariamente proibida de ter sexo mas que apesar disso diz saber tudo o que é preciso sobre sexo e ter autoridade para controlar o das outras pessoas. Medieval.

Essas mesmas pessoas e organizações consideram que a homossexualidade é uma doença ou pior , uma perversão. Eu , que cresci em Portugal, católico e tuga clássico, também cresci a rir da paneleiragem e sem dar importância nenhuma às lutas e trabalhos do homossexuais. Isto mudou por três  simples factores, o primeiro foi aprender que a sexualidade nasce connosco, que a história da Humanidade está cheia de homossexuais que foram grande homens e mulheres,  que há comportamentos homossexuais pela natureza fora apesar de durante décadas terem sido “escondidos” pelos programas de vida selvagem. Aprender que uns são assim , outros assado, que ninguém escolhe nem ninguém se contagia nem converte à homossexualidade.

O segundo foi o que eu recomendo a toda a gente que faça se quer viver num mundo melhor, um exercício que devemos fazer até morrer: pus-me no lugar de um homossexual e olhei para a vida que têm que levar na nossa sociedade, ou que tinham há 20 anos quando as coisas eram muito diferentes. Quem não tem capacidade de empatia não pode sequer tentar julgar os outros, como é possível oferecer juízos de valor sobre a vida, afectos e aspirações de uma pessoa se não conseguimos sequer imaginar-nos dez minutos na sua pele? Ser gozado e ostracizado na escola; ser forçado a esconder e reprimir os seus desejos e sentimentos; ouvir todos os dias insultos; ser descriminado e tratado como anormal; ouvir as religiões a ameaçar o inferno e outra patranhas ridículas e nojentas e no fim de tudo não ter os mesmo direitos que o resto dos cidadãos. Pensemos um bocadinho nisto , tentemos imaginar como seria se a situação fosse inversa e fossem os heterossexuais a ser tratados como cidadãos de segunda , a ver se se mantinham  opiniões homofóbicas. Antes de passar ao terceiro factor, quero protestar contra o uso generalizado de “homofobia” para descrever pessoas que se opõem aos gays e aos seus direitos. “Fobia” significa um medo irracional de alguma coisa, e  essas pessoas não têm nenhum medo irracional, têm apenas preconceitos e ignorância.

O terceiro e último factor que me fez perceber que é estúpido ser contra  direitos iguais dos gays e que estes devem ser , como toda a gente, deixados em paz a viver a sua vida é a pergunta que costuma calar os idiotas e “anti gay” :  expliquem-me claramente quem é que é prejudicado quando dois homens se podem casar?A quem é que pode ofender ver duas mulheres a passear de mão dada na rua?Porque é que felicidade dos outros causa tanta preocupação? Em que é que a sexualidade de uma pessoa interfere com o resto das suas responsabilidades e trabalhos na vida? No fundo, qual é o problema, além de se contradizerem  textos vetustos e inventados que só deviam servir como documento histórico?

Escrevi isto porque reencontrei , com esta história dos botes da baleia, as antigas bocas e preconceitos de sempre quando se junta uma “rapaziada”, um meio em que o insulto jocoso preferido  é “paneleiro”.É tudo na brincadeira , não há no grupo homossexuais que se pudessem ofender directamente mas é a palavra escolhida para gozar e implicar, como era há 30 anos quando eu era garoto. Entristece-me um bocado, tal como me entristecia ouvir referências a um rapaz daqui que,sem surpresas, se foi embora por ter a vida num inferno : esse paneleiro , como quem diz esse ladrão ou esse malfeitor. É triste , é estúpido, é atrasado, é malvado.

Há hoje em Lisboa um “Arraial Gay”, acho que é uma marcha como se fazem pelo mundo todo.Se lá estivesse não iria ver, porque a estética daquilo  não me atrai anda e não tenho paciência para uma certa histeria  saltitante em lantejoulas que acompanha estas manifestações, mas compreendo a sua necessidade e mesmo a necessidade de um certo espalhafato e excesso, tantas décadas forçados a sofrer escondidos tornam natural que quando alcançam a liberdade de ser o que são, queiram gritá-lo ao mundo.

Não posso terminar sem lembrar aos mais esquecidos que os comunistas e demais apóstolos do Socialismo Real como o Che Guevara tinham uma política simples relativa à homossexualidade: repressão e prisão. Foram os liberais que mudaram as coisas, mas aposto o que quiserem que a maioria dos  activistas LGBTGHCPT alinha pelo Bloco. O  laisser faire , laisser passer , um dos credos dos  liberais, também se aplica às nossas liberdades individuais mas os activistas preferem socialismo. Essa ainda não consegui perceber.

 

Verão

Começa hoje o Verão e bombeiros, empregados das televisões e jornais e alguns jornalistas estão preparados para mais uma época num país em que a época dos incêndios é como uma época desportiva, sabe-se que vai sempre haver jogos e espectadores e audiências  nesta altura.Não me vou alongar muito sobre isto porque receio bem que toda a gente esteja saturada do tema, quero só lembrar umas coisitas:

– Noutros países da OCDE (para nos separar do verdadeiro terceiro mundo) já houve governos a cair por causa de respostas falhadas a catástrofes naturais ou humanas. No nosso caso acresce que a pessoa que nesta altura nos lidera foi, entre vários outros cargos, Ministro da Administração Interna, com  responsabilidade directa sobre o combate aos fogos. Ardeu antes dele, durante e depois, pelo que podemos perguntar o que fez ele pela resolução do problema , além de assinar ajustes directos para comprar equipamento deficiente por fortunas? Também foi ministro da Justiça, que também tem alguma coisa a dizer sobre o problema, e agora é o primeiro dos ministros, pelo que num mundo sério o dr. Costa teria muitas explicações para dar e contrição a mostrar. Não esperemos nada, a ter falhado alguém foram outros, nomeadamente o governo anterior. O governo anterior ao governo anterior já não se deve poder culpar, prescreveu…

-Um dos alvos preferidos na busca de culpados  é  Assunção Cristas e a sua decisão de “liberalizar” os eucaliptos, é um alvo fácil. Não sei que percentagem de floresta ardida em Pedrógão era de  eucalipto mas o que sei é que as fábricas de celulose têm  milhares de hectares de eucaliptos que nunca ardem, pelo que suspeito que o problema não está só no eucalipto. Não gosto da sra Cristas nem pintadinha de azul celeste e os eucaliptos têm a sua quota parte de culpa mas há coisas mais importantes…

-…Como a desertificação do interior, contra a qual nada se faz de relevante e eficiente, nem estou certo de que se poderia fazer, tendências demográficas não se controlam por decretos lei. O que sei é que TODOS os partidos trabalham em primeiro lugar para as cidades (Quantas estações de metro novas? Aeroporto?), que é onde estão os votos,  e muito raramente se lembram ou querem saber dos poucos que ficam perdidos e abandonados atrás de montes e vales.

-Por último, enquanto eu  escrevia o post anterior  o presidente e PM diziam que tinha sido feito o possível . No caso do Costa , é de lembrar que é a mesma abordagem que teve quanto às cheias em Lisboa quando era presidente da Câmara: “não há nada a fazer, são desastres…” . Hoje vejo que o Presidente já tem outro discurso e já exige que se reavalie tudo, como eu tinha “pedido” mostrando nada mais do que  senso comum e sem ver 1 minuto de televisão ou comentário profissional. Gostava de saber o que é que o fez mudar de “fez-se o possível” para “falhou muita coisa e há que repensar tudo” em dois dias. Qualquer pessoa lúcida teria dito isso bem alto assim que chegaram as primeiras notícias de mortos e habitações destruídas . Não se pode confiar neste homem para nada além de abraços, aconchego, apaziguamento  e palavras de circunstância, espero bem que isso seja finalmente claro para todos.

É angústia o que sinto por aquelas pessoas, e basta-me ouvir ou ler uma frase. Uma prima psicóloga foi para lá dar assistência e contava de uma velhota que lamentava “as suas coisinhas”. Parte-me o coração porque há muitas , muitas coisas que não se pagam com dinheiro nem se substituem. Se não vivesse num sítio imune à praga dos incêndios ralava-me muito com isso, porque vivo numa casinha pequena e isolada, cujo valor mal chega aos cinco dígitos e alguém que entre em minha casa e não dê valor a livros pode facilmente concluir que eu vivo na pobreza. Mas se a minha casa ardesse podiam dar-me cem mil euros que nunca iam trazer de volta as minhas coisinhas nem curar a angústia de perder o que, pouco ou muito, é nosso , foi feito e acarinhado por nós e escora a nossa vida. Não há donativos nem solidariedade que tragam isso de volta àquelas pessoas. Nem quero falar dos animais.

Voltando ao Verão que pus no título, é bem vindo, choveu aqui toda a Primavera e houve bastante mau tempo, pela primeira vez este ano olho para a previsão e vejo uma semana inteira de sol e brisa amena, é um consolo.

O cordeiro enjeitado vive, a colaboração com a senhora holandesa não correu muito bem e ao fim de dois dias trouxe tudo de volta a casa. Gosto que me ajudem, peço ajuda quando preciso mas não sou capaz de ver que é  demasiado esforço ou drama. Pensei que tinha ficado claro o que é que envolvia alimentar o bicho segurando a mãe ( que é grande e forte e protesta) durante 15 minutos de 5 em 5 horas. Se é para ter que ouvir que é difícil e não sei quê todos os dias e ver expressões angustiadas como se estivéssemos a falar de um bebé humano, dispenso, obrigadinho, eu tomo conta dele.

Vai em quase 15 dias, o mais difícil está feito e dentro em pouco já vai tolerar leite de vaca, aí levo-o de volta à minha amiga holandesa, pegar no pequeno e dar-lhe o biberom ao colo já se adapta melhor à noção urbana do que é salvar um animal e custa pouco. Estou contente porque o bicho já tem destino, eu vendo todos os machos e acabam todos no talho, é natural que este me fosse custar muito mais mas já está vendido para uma casa de estrangeiros onde vai passar o resto dos seus dias como cortador de relva, fiquei satisfeito.

Entretanto no mundo dos botes da baleia, fui transferido para a tripulação do segundo bote do clube para ser oficial. Dentro de uma semana esse  bote vai de navio para Santa Maria, onde vamos participar numa regata dentro de 15 dias. Saímos com esse bote uma vez, não foi nada bom, pelo que estou a antecipar uma humilhação em Santa Maria mas todos os meus amigos me dizem homem não te rales, aquilo é mesmo assim, é participar numa festa. Já desistiram uns, já se encontraram outros , esta tarde vamos sair pela segunda vez e nem tenho a certeza de que numa semana conseguimos dar uma volta a um circuito de três bóias quanto mais fazê-lo num tempo decente e sem confusão, mas não se pode fazer nada a não ser sair quando for possível nesta semana   e  dar o nosso melhor.