Negócios Autárquicos

-Vais votar nestas  eleições? , perguntava-me um amigo francês que mora cá

– Voto sempre.

-E votas em quem ?

– Eu  voto sempre contra os comunistas e socialistas, mas nas autárquicas abro uma excepção, voto mais pelas pessoas do que pelos partidos.

-E  nas legislativas,  votas na direita?

-O meu voto aí  não é por uns , é contra os outros. Eu sei que vai dar ao mesmo mas para mim a diferença é importante.

O meu amigo franziu o sobrolho,  tentei explicar melhor com os exemplo de todos os que votaram no Macron para impedir que a Le Pen avançasse, é o mesmo princípio. De qualquer maneira acho a divisão direita/esquerda muito ultrapassada, gostava de ver o debate e a escolha fazer-se entre colectivismo e individualismo ou estatismo e privatismo. Gostava de ver um partido liberal   mas em Portugal não existe política além da luta entre os que controlam o Estado e os que querem controlar o Estado, o papel dele não se discute  e é para continuar assim. Quem me dera estar errado mas isto é uma coisa cultural, pelo menos desde o Marquês de Pombal que o Estado é não o recolhido autor das regras ,o fiscalizador da justiça e o operador da partilha , derradeiro porto de abrigo de infelicidade própria ou pobreza alheia, mas o salvador da sociedade, o motor da economia, o distribuidor mor da riqueza, em suma , o dedo demonstrador do sentido clarificador da História . Um partido que venha reclamar e lutar pela redução do papel e influência do Estado em Portugal vai  lutar contra quase 300 anos de história e tradição, é um combate muito assimétrico.

Nestas eleições autárquicas devo votar no incumbente, tal como nas últimas também o fiz, e o incumbente perdeu. O actual presidente da Câmara é um tipo educado e calmo , comunica bem, representa bem o concelho e as suas políticas são as mesmas dos outros e da região, por arrasto: gerir empréstimos e fundos europeus,  fazer projectos de candidatura a mais fundos, empregar pessoas quer façam falta quer não e em geral manter isto a andar, devagarinho mas a andar. Num município como este não se pode vir com ideias revolucionárias nem rupturas, aliás, duvido que algum município do país seja capaz de alguma ruptura.

O presidente anterior, de outro partido, disse famosamente que “dão-me dinheiro para museus, faço museus”, este não é muito diferente e o critério de investimento rege-se pelo dinheiro que “dão”. Parece que finalmente parámos nos 8 museus num concelho de 1800 pessoas, agora há dinheiro para incubadoras de empresas, faz-se uma, quer faça falta quer não. Os outros não fariam nada de diferente, o PSD é tão  estatista como  o PS pelo que a comparação é entre seis de um e meia dúzia de outro. O PS leva a vantagem de ser o partido do Governo Regional, logo, este tende a favorecer e ouvir mais os autarcas da sua cor .

Por isso os critérios do eleitor nas autárquicas devem ser, a meu ver, os da honestidade e competência. A competência é fácil de avaliar, o cidadão olha à sua volta, compara com o que via há 4 anos, depois vai ver as contas (eu sei que é raro o cidadão que quer ver as contas) e os projectos e decide com esses elementos se há competência ou não. A honestidade é diferente, não está propriamente à vista e é muito mais difícil de avaliar.

Por exemplo, sabe-se agora que o Fernando  Medina, actual presidente e  candidato do PS à Câmara de Lisboa, não só é um às da imobiliária como tem uma sorte dos diabos. Vendeu um apartamento que tinha por mais 36% do que o que lhe tinha custado,  até aí tudo normal, o mercado das casas de luxo em Lisboa está em alta. Depois comprou outro apartamento, maior e melhor, só que desta vez o mercado funcionou ao contrário e a proprietária vendeu-o por 23% menos do que o que lhe tinha custado.

Isso só por si já é suficiente para levantar dúvidas, como é que num mercado em alta (a justificação, clara, para as mais valias que fez com a venda da outra casa) uma pessoa decide vender um apartamento que comprou por 800 e tal mil euros por 600 e tal mil. Ou bem que o mercado está em alta ou bem que o mercado está em baixa, os dois ao mesmo tempo não pode ser. Podemo-nos interrogar  sobre um presidente de câmara que ganha cerca de €3500/mês e compra um apartamento de €650000 mas isso é o menos, sobretudo vendo que a mulher do sr Medina é a sra Stephanie Silva , filha de Jaime Silva, antigo ministro de José Sócrates, adjunta de Medina quando este era secretário de Estado no mesmo Governo e advogada associada sénior na sociedade PLMJ. Uma pessoa não passa uma vida familiar na política a viver de salários mensais, isso está estabelecido há muitos anos e é claro para toda a gente.

Estas informações tirei-as deste artigo no Público, cheio de factos, com o título “Medina fez dois bons negócios com casas em Lisboa”.  Bons negócios, sem dúvida, mas isto leva-me a pensar como seria o título se por exemplo se soubesse que o Passos Coelho tinha feito bons negócios como este. Ou talvez seja um título sarcástico, porque para  além do absurdo de alguém comprar uma casa em Lisboa por 850 mil para a vender por 650 mil com o mercado em alta dez anos depois  há o pormenor de a proprietária vendedora se chamar  Isabel Teixeira Duarte. Por feliz e inusitada coincidência, a Teixeira Duarte, SA  beneficia de  contratos por ajuste directo com a CML.

O que me fez quase cair da cadeira a rir foi que o sr Medina, sem se rir, diz que não sabia que a proprietária tinha ligação  à construtora Teixeira Duarte. Sim,  porque é normal uma pessoa comprar uma casa sem saber o nome do vendedor e além disso Teixeira Duarte é um apelido muito comum e uma marca  insignificante  no meio empresarial. Foi daquelas coincidências felizes.

O sr Medina vai ganhar as eleições e estas negociatas e favores entre políticos e empresários  e a sua impunidade só podem surpreender os ingénuos. Não sei se ele foi bom ou mau presidente, não quero saber de Lisboa para nada, o que não gosto é que me façam de parvo. Nem o senhor Medina , que  acha normal ganhar 3500€ por mês e ir viver para uma casa que vale 850mil, diga o que disser o papel , e que ainda por cima tem a lata descomunal de dizer que não sabia que a senhora Teixeira Duarte tinha ligações à Teixeira Duarte,  nem os lacaios do poder que se apressam a defendê-lo, mostrando assim que acham bem que um político seja favorecido num negócio em centenas de milhar por uma empresa que subsequentemente recebe tratamento preferencial.

Podem embrulhar-me isto tudo em legalês e explicar todos os pormenores que fazem com que esta bosta fumegante seja perfeitamente legal, e também é óbvio que a história aparece por oportunismo eleitoral, mas isso  não muda a verdade: a um político ou governante que recebe favores particulares em troca de favores públicos chama-se CORRUPTO.

 

Anúncios

Actualidades

Faço um esforço  para não dar aqui muitas opiniões sobre política, por exemplo para não alienar algum comunista que goste de vela e barcos ou alguma pessoa religiosa que aprecie historietas  das ilhas. Parece que é bom ter um “público alvo” e o sucesso faz-se de identificar esse alvo e trabalhar para ele. O “sucesso” para mim não se faz disso e não gosto muito de calibrar o discurso para tentar agradar  a este ou aquele, por isso de vez em quando tem que ser.

-Depois de ter, como um tolo, acreditado nas primeiras informações do governo , ainda não sei o que se passou em Tancos e nem sei se alguém sabe. Já li tantas declarações contraditórias de altas patentes e políticos que chego aqui e acho que ou me escapou alguma coisa, ou então é mesmo assim, não é para esclarecer nem ninguém é responsável.Como já passaram mais de quinze dias, não interessa nada. Demitem-se, voltam a nomear-se os mesmos, foi assalto, foi erro de inventário, era material obsoleto, não era obsoleto. O ministro que tutela esta salganhada lá continua,  a fazer o que pelos vistos é um bom trabalho.

-Depois de ter, como um tolo, acreditado nas primeiras informações do governo,ainda não sei quantas pessoas morreram no incêndio de Pedrógão Grande e nem sei se alguém sabe. Agora o número de mortos está em segredo de justiça, o que me parece um bocado estranho, não percebo qual a razão de o número de mortos de uma catástrofe não ser público, mas o que é certo é que o segredo de justiça em Portugal é um bocado inútil, volta e  meia o Correio da Manhã publica coisas que deviam ser segredo de justiça e o próprio Presidente da Assembleia da República, o segundo magistrado da Nação, já disse com a classe que o caracteriza que se está a cagar para o segredo de justiça.Eu também, e nisso partilho da opinião do excelentíssimo, não me estou tão a cagar é para políticos que abafam problemas, gosto de saber quem são. Uma senhora lembrou-se de fazer uma investigação e chegou a contas diferentes sobre os mortos do incêndio, a acusação principal que lhe fazem é como esta :

https://www.facebook.com/plugins/post.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Frui.calafate%2Fposts%2F1579767878712935&width=500

Dizer que alguém não deve/pode ir fazer comentários à televisão sem ter as contas todas pagas é imbecil, é um critério que levaria a um esvaziamento das televisões e jornais (nem seria mau) e levanta a pergunta : onde é que ele entrega a declaração do IRS que lhe permite fazer estes comentários públicos? E por exemplo o Presidente do SLB, que em dívidas conhecidas vai em mais de 300 milhões?Pode falar e dar opiniões ou devia era estar calado? Ridículo. Anda a confundir-se criticar a falta de informação e responsabilidade do governo com “aproveitar mortos para fazer política”, isto devem ser tudo pessoas que ou não querem saber quantos morreram e porquê, estão no seu direito, ou acreditam em tudo o que diz o governo, também estão no seu direito. Entretanto o país continua  arder e se se critica o governo por isso é aproveitamento político. Dantes era dever patriótico, agora em Portugal os incêndios são uma inevitabilidade, e calem-se mas é , seus abutres a querer fazer política com mortos.

-Um candidato a presidente de câmara veio dizer que muitos  ciganos vivem do estado e pensam que estão acima da lei. Disse uma coisa que , vincando o MUITOS, é uma verdade evidente que ninguém contrariou porque ninguém pode contrariar. É destratado pela comunicação social e pelos bem pensantes, que enchem páginas a escoriá-lo mas não fazem o que deviam, se a afirmação os incomoda assim tanto: mostrar que é falso ou, na impossibilidade de fazer isso, mostrar o que é que falhou em 40 anos de “políticas” e “investimentos”, porque das duas uma : ou não falhou nada e assim está bem ou falhou alguma coisa e tem que haver responsáveis. O Bloco de Esquerda,sempre na vanguarda da defesa dos direitos das minorias e das mulheres, até conseguiu que se obriguem empresas a ter quotas de género mas está caladinho que nem um rato sobre o tratamento das meninas e mulheres ciganas no seio da sua comunidade. Não é segredo, basta perguntar-lhes, é com orgulho que as tratam como tratam, mas isso já não incomoda o Bloco. Para que se veja quão claro é o tema “ciganos”, até uma pessoa que nos últimos anos tem alinhado bem à esquerda, Pacheco Pereira, bate aqui no ponto certo,sem dúvidas sobre o que está em causa. Para o Bloco, problema é dizer-se mal dos ciganos, não é haver mal para dizer. Ou isso ou casamentos combinados de adolescentes e meninas que não podem ir à escola são aceitáveis  ou não, consoante a etnia. Também gostava de ver o PAN opinar sobre o tratamento dos animais nas comunidades ciganas, também aí deve haver excepções culturais para comunidades minoritárias e vítimas de discriminação e racismo, que por o serem podem ter cães , cavalos e burros à fome, frio  e  porrada bruta que já não é problema, é multiculturalismo.

Temos a seguir a Caixa Geral de Depósitos, que depois de encerrar balcões ,despedir uns 2500 funcionários e sugar uns 250 milhões do contribuinte em “recapitalização” ,  prepara-se  para aumentar o custo de ter lá uma conta . Isto para mim sempre foi das coisas mais odiosas dos bancos : se vocês tiverem seis dígitos no vosso saldo não pagam nada, se tiverem menos de três, pagam. Lógica do demónio, daquelas coisas que faz as pessoas enfurecerem-se com os bancos. Dados estes quatro singelos exemplos da gestão da CGD sob um governo esquerdíssimo, eu pergunto, mais uma vez: para que serve ao cidadão haver um banco público? A resposta é fácil e consensual, mas nunca  a vão ouvir de um político: para financiar projectos esquemas de interesse político e dar emprego a amigalhaços.

Sobre empregos especiais , uma pérola de um homem que é especialista na matéria e tem toda uma vida dedicada a esse combate, Carlos César:

DFcarN6WsAIOssM

A pergunta era “quantas pessoas da sua família não trabalham para o Estado?”, mas como para ele o assunto está encerrado, pronto, não se fala mais nisso.Nem sei quem é que anda aí com a ideia peregrina de que os políticos devem responder sobre os seus actos e sobre a gestão da coisa pública e que não são eles que decidem quando um assunto está encerrado.

Antes de finalizar, lembrar que o PSD fez ontem um ultimato ao governo sobre não sei quê, só por si o suficiente para se aferir da qualidade da oposição, está em conformidade com a do governo.

Por fim , um quadro de uma das mais importantes reformas do PS para salvar o país, para ilustrar o apelo que vou fazer aos meus sobrinhos quando eles tiverem idade (porque é provável estar tudo na mesma em Portugal daqui a 10 anos) : arranjem um emprego no Estado a menos que queiram trabalhar mais, ganhar menos e serem responsáveis  pelo que fazem. Idealmente juntem-se a uma juventude partidária ou à juventude partidária do Bloco que não é como as outras porque é do Bloco e faz acampamentos onde se estuda  O Capital e se dança contra o racismo. Alguns deles vão chegar a deputados.   Portugal é isto, um gajo brinca mas às vezes custa.

DFgmkBWW0AI55ML

 

Responsabilidade Zero

-Ó sr Jorge , aquilo é que foram  incêndios!Foi perto da sua terra?

-Mais ou menos, não é muito longe.

-O Primeiro Ministro já disse que tinha que saber o que é que se passou, parecia bem zangado!

Mudei de assunto  porque me esforço sempre por distinguir  actividades que valem a pena de actividades que são desperdício de energia, e na ideia deste meu conhecido o Costa e o seu governo fizeram o melhor possível e têm que exigir respostas sobre o que correu mal ao invés de as fornecer. Têm que responsabilizar alguém em vez de aceitarem que se o nosso ministério falha abjectamente, a decência exige que nos vamos embora. Ninguém diz que a ministra da administração interna tem culpa objectiva na catástrofe, mas tem toda a culpa por ter sido o seu ministério a falhar. Se não me engano já vamos em 3 tentativas de explicação  diferentes, todas fornecidas por organizações estatais, e em nenhuma delas se encontraram  motivos considerados suficientes para apear pessoas que não fizeram o seu trabalho.

Já o Presidente, desde que veio cá à ilha, tirou selfies com 64% da população, deu o seu mergulho  matinal e foi-se embora sem influir  ou mudar rigorosamente nada na nossa vida aqui, não se consegue enganar mesmo que queira, é um espectáculo. Quando ouço falar dele como “uma pessoa muito natural” que “fala a nossa língua” lembro-me logo dos milhões de otários que defendem e apoiam o Trump pelas mesmíssimas razões. Não só defendem como acreditam que há alguma similaridade entre eles, uma relação, uma proximidade. É cómico, ou trágico , dependendo do ponto de vista, que pessoas sejam sempre enganadas por políticos que as convencem de que são parecidos, de que partilham das mesmas preocupações e aspirações. Ele é como nós. Se fosse como vocês não era Presidente.

Nos dias do incêndio Marcelo esteve à vontade na sua correria e prolífico em declarações , o que fica para a história é que chegou lá e desculpou toda a gente e dois dias depois  lembrou-se de  que  ficava bem pedir uma investigação e avaliação das leis . Entretanto aconteceu outra coisa interessante, o roubo de material de guerra de uma base militar, roubo até ver de características um bocado cómicas, como já disse alguém, parece uma rábula do Raul Solnado, os maus atacam quando os bons estão a ver o futebol. O Presidente, que certamente não se esqueceu de que é o Comandante das Forças Armadas, até esta manhã não tinha aberto a boca sobre o caso.

Ou ninguém  consegue calar o homem, seja  sobre um fait  divers  como uma avioneta que cai seja sobre um cataclismo nacional , ou cala-se durante 3 dias  perante uma ameaça  clara e presente à segurança nacional e europeia resultante de uma falha grave na instituição que ele comanda.  O critério que determina se diz coisas ou não, não é claro, já acho que não existe mesmo. Ao fim de 3 dias em que achou que não era o momento de comentar o roubo, veio hoje finalmente fazer declarações. O que diz hoje o Presidente? Defende uma investigação que apure tudo. Ah bom.

Repórter num universo paralelo:

-Sr Presidente, dado que  a um roubo denunciado se segue sempre uma investigação pelas autoridades, o que é que há  de novo nesta sua declaração?

-Como?

-Houve um roubo que foi denunciado à PJ militar e às agências de segurança. Se o senhor não defendesse hoje a investigação , investigava-se na mesma…ou não?

-Entendo que sim, eu não estou a ordenar nada, estou a dizer que entendo  que o caso tem que ser investigado até às últimas consequências.

-Mas isso entendemos todos. Acredita que é necessária a chancela do Presidente para que avance a investigação ou que a PJ e Serviços de informação e segurança são autónomos?

-Não, é óbvio que são  organismos que não necessitam de autorização nem pedido do Presidente para investigar.

-Então esta sua declaração hoje não quer dizer nada, é isso?

-Sim , no fundo é isso. Dê cá um abraço, você parece-me um bocado amarelado e débil, tem ido ao médico? Olhe lá a sua saúde!

Há pessoas com esperanças de que estes dois últimos escândalos, chamemos-lhes assim, sirvam para pôr a nu não só que o Estado é incapaz como que não tem vergonha de o ser e muitas vezes nem sabe que o é. Desenganemo-nos , politicamente nada vai mudar até aparecer alguém credível com um projecto para apresentar aos portugueses, coisa que suspeito não está para breve.É  uma ideia muito portuguesa, um  sebastianismo que nos deixa à espera de um homem providencial para levar isto a bom porto. Não acredito na Providência  mas mantenho uma réstia de esperança numa renovação que só pode chegar quando desaparecerem a maior parte dos que lá andam há 20 e mais anos.Como este, que também não tem vergonha nem acha que há razão para se demitir, está a fazer um óptimo trabalho, como de resto fez desde que entrou pela primeira vez para o governo, já lá vão muitos anos.Confiamos o governo do país a pessoas que ou são estúpidas ou não querem saber do que disseram há 2 meses desde que tenham alguma coisa para dizer hoje, alguma coisa que vá de encontro ao que as pessoas querem ouvir na altura.

DDqxK72XgAAKf38

Em tempos que já lá vão morria uma pessoa nas urgências de um hospital , uma pessoa por definição doente e em risco, e ululava-se “assassinos” e “austeridade mata” a cada visita de governante. Interrompiam-se comunicações para se cantar a Grândola Vila Morena e mesmo que fossem quatro pessoas, as televisões e rádios “cobriam” os “protestos populares”. Mesmo que a vida  não tivesse piorado assim tanto na prática, a comunicação social garantia-nos que sim, que era a devastação neo liberal que nos estava a matar. Foram momentos heróicos de resistência, felizmente agora o PS, com a ajuda discreta do PCP e do Bloco, resolveu os problemas de Portugal, problemas que tinham sido todos causados pelo PSD e CDS.  Os eleitores portugueses hesitaram em dar o governo ao partido que nos tinha conduzido à falência, mas essa hesitação foi facilmente corrigida por pessoas que têm a vocação de interpretar as aspirações do povo à luz da ciência e corrigir desvios, os comunistas e demais marxistas que logo nos puseram no bom caminho. Estou quase convencido de que os poucos problemas que não se resolveram são impossíveis de resolver. Faz-se todo o possível, as crianças brincam outra vez , os que imigram já só o fazem por revanchismo e consta que 3 pessoas regressaram mesmo a Portugal agora que o governo tornou o ar mais respirável.

Pode não ser claro que se o meu respeito e esperança no PS é abaixo de zero , pelo PSD e CDS é zero mesmo e aos outros considero-os  anomalias anacrónicas que podiam desaparecer com vantagem para o país. Estou na mesma situação de, acredito, centenas de milhar de portugueses que não se revêm no governo nem na oposição, nem vislumbram no horizonte um tipo (ou tipa, desculpem o termo)  como o  Macron,  que não seja criado no caldinho das Juventudes; que não tenha o rabo preso com negociatas suas e dos seus compinchas; que não chegue lá pelo nome de família; que apresente um discurso de ruptura com a velha dicotomia esquerda/direita; que queira trazer para o governo gente da sociedade em geral e não os advogados do costume; que tenha um plano económico ligeiramente menos vago que “apostar no crescimento”, enfim , alguém capaz de renovar. Infelizmente é mais provável calhar-nos populismo que alguém assim, mas uma pessoa pode sonhar.

 

PS: O parlamento aprovou uma lei que proíbe que um senhorio se recuse a alugar a sua casa a pessoas com animais. Isto ofende-me um bocado. Tenho agora 17 animais, dentro de duas semanas serão 22, a maior parte  são gado mas o cão e o gato dormem em casa, os bichos são das coisas que mais me importam na vida . Apesar disso não me agrada viver num sítio em que o Estado é que diz os termos em que podemos ou não arrendar o que é nosso.É um desrespeito total pelos direitos das pessoas que não gostam nem querem ter animais nas suas casas, porque agora se decidiu, com partido e tudo, que todos temos que gostar de animais.Socialismo também é isto.

Material de guerra

Não sei se o Presidente já foi a Tancos abraçar o pelotão que estava escalado para sentinela naquela zona naqueles dias e confortar os soldados, que fizeram o que podiam. Não sei se as televisões arrancaram em manada para directos de Tancos e arredores,  filmar a vedação, ouvir o Presidente da Câmara de  Vila Nova da Barquinha  e não haverá falta de populares para declarar que sempre viveram ali ao pé do Polígono e não se lembram de nada assim. Podem ir um bocadinho mais abaixo a Almourol fazer uma peça de grande valor cénico sobre o simbolismo do Castelo  nos conflitos que ainda hoje exasperam os fundamentalistas islâmicos, que são senão os autores deste roubo pelo menos os seus receptadores prováveis.

Tanto quanto sei, alguém furou a vedação, percorreu 600 metros até aos paióis, arrombou as portas e foi-se embora pelo mesmo caminho , com um arsenalzinho : “ Para além das granadas de mão ofensivas e das munições de 9mm, foram também detetadas as faltas de “granadas foguete anticarro”, granadas de gás lacrimogéneo, explosivos e material diverso de sapadores, como bobines de arame, disparadores e iniciadores”. 

A primeira coisa que me veio à cabeça foi que se tivessem cães lá , mais cães, seria muito mais difícil atravessar 600 metros de perímetro em ambas as direcções , quanto mais chegar-se a um paiol que fosse designado área a proteger. O meu cão não se pode comparar aos cães militares e se mexe alguma coisa num raio de 100 metros ele  fica logo atento. Sou só um curioso destas coisas mas sei que Tancos é a casa dos Paraquedistas, a arma que por excelência é  a mais devotada e melhor com os cães.

transferir

aE7qbY9_460s_v1

Na Escola de Tropas Paraquedistas há uma Companhia de Cães de Guerra, que não sendo como os outros cães têm habilidades e capacidades que muitas vezes só não são mais utilizadas por falta de treinadores e “manejadores” , se eu pertencesse a uma unidade de cães e o perímetro fosse violado assim ia fazer algumas perguntas sobre se se estava trabalhar e utilizar os cães da melhor maneira.Dentro dos limites que os militares têm para questionar as coisas, claro está… Isto é um aparte de um gajo que gosta de cães , porque um sistema de video vigilância sai mais barato, come menos , não fica doente nem precisa de treino nem exercício nem horas de dedicação humana. Ainda assim, se fosse eu o responsável por paióis de material de guerra , mesmo com um sistema de video vigilância que funcionasse, “largava”  os cães muito regularmente.

Voltando ao arsenal roubado,  é medonho , e é possível que esse material hoje já esteja em Estocolmo ou Viena, meia dúzia de  elementos que saibam mexer naquilo bastam para levantar um inferno no meio de qualquer cidade. Talvez os apanhem,talvez vá morrer gente em explosões provocadas por material pago pelo contribuinte português para a defesa da Nação. É grave. É outra demonstração de que o Estado não está à altura das suas responsabilidades mais básicas, neste caso assegurar o controle  e segurança das armas de guerra , não há muito mais básico que isto.

Este roubo não é , ao contrário do incêndio de Pedrógão, um caso de má organização estrutural, incompetência e descoordenação no terreno que exige uma demissão ou seis, mas não deixa de ser uma tragédia potencial que resulta de cortes no financiamento de coisas básicas como vigilância a instalações militares. Já vi que do lado da esquerda se diz que os subsídios aos colégios privados davam para pagar  vigilância do melhor e do outro lado que os aumentos a funcionários públicos também.  Pela ordem de ideias destas pessoas, é legítimo retirar recursos às causas que valorizamos menos, ou nada , para os alocar a causas que nos são mais queridas e isto para mim não é maneira muito racional de pensar no Estado.

Espero bem que encontrem o material roubado, de preferência junto de quem o roubou, e que se fique a saber a história toda antes de morrerem não sei quantos.  Também gostava que mais uma vez outra falha clara do Estado servisse para se pensar nas suas funções. Fazer bem as contas e tentar perceber se o Estado está a deixar de cumprir funções básicas para cumprir outras menos essenciais. Da minha parte gosto que o essencial esteja assegurado antes de passar ao acessório, mas eu sou um bocado esquisito.

Líderes e outras coisas

-Ontem houve mais uma saída do bote baleeiro que terminou com este vosso criado a cair à água por causa de um brandal rebentado e com o semi rígido  de apoio a ficar avariado, deixando-nos a derivar quase uma hora. Não me vou alongar com o tema, uma das razões que me fizeram hesitar um pouco em meter-me nisto foi, além dos escassos conhecimentos práticos e capacidade de organização que há cá, a relutância em envolver-me em políticas locais, entre o Clube e o Porto e as pessoas que têm histórias de décadas e muita bagagem que dificulta que toda a gente se entenda e trabalhe para o mesmo lado. Nunca fiz questão de ser líder mas faço sempre questão de que haja um, e um a sério para o programa em causa está difícil. É complexo e  insolúvel,  não preciso de problemas novos na minha vida, nenhuma tarde à vela numa baleeira compensa embrulhar-me em quezílias. Não fora o facto de nunca recuar depois de me oferecer para alguma coisa e já tinha desistido, agora tenho que levar isto até ao fim.

-Ainda bem que não se está a deixar cair o tema do incêndio de Pedrógão, não espero que nenhum político tenha a coragem e integridade de assumir responsabilidades mas pelo menos a hipocrisia , incompetência e corrupção ficam expostas aos olhos de todos , menos dos estúpidos. O SIRESP foi negociado por um amigalhaço do Costa, comprado pelo próprio, dá lucros de milhões aos seus accionistas mas não funcionou quando era preciso e o génio por detrás do negócio está hoje arrumadinho a ganhar uma fortuna na TAP. Ninguém se vai demitir por isto. Vejam esta capa.

transferir

Morreram 64 pessoas , a maior parte por falhas várias de um sistema tutelado por esta senhora, que não tem a noção, NEM NINGUÉM LHE DIZ, que não fica  bem fazer uma pose  compungida para a fotografia, não é assim que isto funciona, a responsabilidade não atenua por parecermos consternados, especialmente se o parecemos numa sessão fotográfica profissional. Apesar disso tenho a certeza de que esta capa levou muita gente a simpatizar com a senhora. Diz que “tirará” as devidas ilações, a maior parte dos portugueses já sabe o suficiente para querer ver ilações tiradas  já, mas ela deve estar à espera, sei lá, de uma mensagem divina ou uma condenação na justiça.

-Como não espero pessoas demitidas e/ou levadas à barra do tribunal pela calamidade de Pedrógão também não espero ver nenhum órgão do slb responsabilizado pela bela rede de tráfico de influências e corrupção que tem sido denunciada e exposta. Não espero por duas razões , a primeira é que me lembro do último grande processo sobre corrupção no futebol,  que envolvia o fcp, que provou haver corrupção mas a cujos mandantes não aconteceu nada. Espero que nada vá acontecer com este novo esgoto a céu aberto e  que dentro em breve nos expliquem que o LFV não sabia nem autorizava as manobras dos Guerras & outros delinquentes . “O benfica não é isto!“, vão gritar quando lhes mostrarem provas de que sim , hoje em dia é mesmo isto. Pode não haver condenações nenhumas, o slb pode ir “rumo ao penta” com toda a confiança, mas uma coisa é certa : nós sabemos, nós já vimos, nós percebemos. Antes nunca mais ganhar um campeonato na vida do que saber que ganhamos muitos à custa de corrupção.

-Reparei que há vários  candidatos a presidente de câmara que já foram arguidos e/ou condenados por corrupções e fraudes várias, entre os quais Valentim Loureiro e Isaltino Morais. A culpa da corrupção no nosso país não é , ao contrário do que se tenta por vezes fazer crer, dos cidadãos que são muito tolerantes e permissivos. A culpa é dos políticos que permitem coisas como esta, que permitem a toda a canalhada chegar a toda a posição de responsabilidade, desde que não tenham vergonha , tenham os amigos certos e a capacidade de convencer os patos.

Um dia as pessoas vão-se fartar e vai bastar uma faísca para incendiar tudo, porque empobrecem, não têm justiça, sofrem calamidades naturais sem ajuda, pagam impostos e trabalham debaixo de mil  regras e depois olham para cima e vêm ignorantes, incompetentes, corruptos e  privilegiados  a enriquecer e a corroer o Estado com impunidade total. Só seguidores fiéis que nunca mudam de ideias podem olhar para o PM ou o PR e ver um líder de confiança, tal como só a mesma categoria  pode olhar para a oposição e ter confiança . Por falar em líderes, vejam aqui um verdadeiro líder:

594cfcd4c3618811668b458e

O Putin mete-me medo, é um ditador com poucos escrúpulos e uma agenda um bocado feroz, mas na Rússia ninguém tem dúvidas sobre quem manda, as pessoas olham para cima e vêm um homem forte, que nunca perde uma oportunidade de o mostrar como com essa foto. Tem uma agenda imperialista,  despreza  a democracia e a liberdade de expressão, prende opositores e interfere no estrangeiro quanto pode. Tem esses defeitos todos mas tem qualidades que para mim são fundamentais na liderança em geral  e que não se vêm hoje por exemplo nos EUA : tem inteligência aguçada, não dá ponto sem nó, tem uma visão longa,  sabe sempre dizer a coisa certa na altura certa, tem mão firme sobre o seu governo e fala directamente às aspirações e preocupações dos Russos, que historicamente sempre apreciaram líderes e governos fortes.

Ao ver as prestações patéticas do Marcelo e do Costa em Pedrógão ocorreu-me o pensamento: e se , por quase absurdo, Portugal entrasse em guerra? Era este par de cromos que nos ia liderar? Ainda me estou a rir a pensar na ideia.

Fez-se o Possível…

A única coisa fora do normal no incêndio de Pedrógão Grande é o número de vítimas, de resto é a sina nacional, todos os Verões temos que arder, e ardemos  porque somos mal governados  e organizados.

Fiquei agoniado ao ler as primeiras reportagens sobre a calamidade e ver  o António Costa , pessoa que anda há décadas  pelo topo das hierarquias políticas do país e que hoje é primeiro ministro mas certamente que não tem responsabilidade nenhuma nesta tragédia. Tudo o que é bom , até um jogo de futebol, tem louros a ser recolhidos pelos políticos.Quando há catástrofes, já ninguém tem tomates para se chegar à frente e admitir que falhou. Acho que já se sabe de quem é a culpa, de um raio que caiu numa árvore. Seria uma vergonha se eles a tivessem. Já o Presidente cumpriu como de costume, foi logo para o local, abraçou, chorou, falou e não disse nada. 

Morrem 62 pessoas mas o que se faz é rezar, lamentar, apelar à solidariedade e  louvar o heroísmo e bravura dos bombeiros, coisas que (tirando as rezas) têm que ser feitas mas que não vão impedir que dentro em pouco aconteça outra calamidade assim . Sei bem que são coisas que não se podem fazer a quente mas gostava que alguém de responsabilidade política viesse dizer claramente:

-“Vamos trabalhar para rever todo o enquadramento e legislação relativa à floresta, para finalmente perceber o que é que está mal e o que é que tem que mudar , e fazer rapidamente reformas profundas ouvindo todos os partidos e os especialistas na matéria”.

Desde as espécies  escolhidas até ao regime fiscal dos proprietários florestais passando pelos meios de prevenção e combate sem esquecer o papel das Forças Armadas, tudo devia ser posto em cima da mesa para ser avaliado e, se necessário, mudado, doa a que interesses doer. Se 62 mortos não chegam para uma espécie de revolução na politica florestal, não sei o que será preciso.

Não me agrada ouvir o PM dizer que se fez o possível, ter-se-à feito o possível no que diz respeito a este incêndio em particular, mas quanto à questão geral não só não se fez o possível como se fez muita coisa mal feita. Também gostaria de ver os políticos responsáveis pela extinção da Guarda Florestal virem hoje explicar ao país o porquê da sua decisão; gostava de ver o mesmo em relação aos meios aéreos, à retirada da Força Aérea para a entrada de privados.Eu sou muito a favor da privatização de quase tudo, a chave está no quase e nunca me pareceu boa ideia privatizar a segurança e defesa do território nacional, que foi o que alguns iluminados fizeram com os meios aéreos de combate aos incêndios num negócio que tresanda a corrupção.

Assim que se enterrarem os mortos e os vivos estiverem cuidados há que pedir responsabilidade, não deixar governantes actuais e passados escaparem com um encolher de ombros com as suas decisões catastróficas.

Se não usarem esta tragédia para repensar e reformular uma política integrada de prevenção e combate a incêndios que nos torne similares a outros países comparáveis, para o ano, ou para o mês que vem, cá estaremos outra vez a lamentar hectares devastados e pessoas a sofrer mortes horríveis, como sucede desde que tenho memória.

 

PS: Canais de TV a pedir donativos por linhas de valor acrescentado e jornalistas a dizer coisas ao lado de cadáveres e a pôr microfones à frente a pessoas que acabam de perder entes queridos: Nojo.

Tolerância de Ponto

Nos tempos da troika uma das coisas que estranhei  foi ver a esquerda radical  a protestar contra a eliminação de feriados religiosos.  Uma das lutas da esquerda é pela redução do tempo de trabalho, seja em dias seja seja em horas, e qualquer razão serve. Porque se achou conveniente ou mais confortável trabalhar 35 em vez de 40 horas por semana (ou 20 ou 60, de onde vem o 35 mágico? ) seja porque há que assinalar, por exemplo, que alguém disse há 500 anos que Nossa Senhora tinha subido ao céu a dado dia de algum Agosto. OS não crentes não protestam contra isto porque independentemente da razão pela qual se pára de trabalhar, um dia livre sabe bem a toda a gente e os feriados religiosos são tradições antigas.

Já as tolerâncias de ponto são uma coisa muito mais injusta porque separam os cidadãos entre funcionários do Estado e os outros. É uma benesse feita aos que o servem quando o princípio deve ser: havendo benesses, que sejam para  todos.  O Estado e os governos tratam sempre melhor os seus funcionários que o resto dos cidadãos, e isso irrita profundamente .Se os sindicatos não tivessem a última palavra nestas matérias acabava-se amanhã com esta discriminação, e ou é feriado nacional e pára tudo, ou não pára ninguém, para mim é justiça social elementar , sem sequer falar da questão religiosa.

O governo é Socialista e por extensão, laico. É apoiado por comunistas e trotskistas, por definição ateus e quando não ateus , agnósticos. Nas ocasiões de maior intensidade de demonstrações públicas de fé vão a Fátima talvez  um milhão e meio de pessoas, e em 100 anos acho que nunca o Santuário ficou vazio ou houve menos afluência por ser dia de trabalho.Quem é devoto vai.

Declarar tolerância de ponto, ainda por cima para o dia anterior à celebração  , (por coincidência feliz, sexta feira) significa que não resta muita vergonha nem há a mínima tentativa de ocultar o privilégio dos funcionários públicos, que é para manter. Os católicos devotos que não trabalham para o Estado vão ter que fazer como sempre fizeram e tratar das suas vidas de modo a poder rezar e adorar como querem. Os funcionários públicos, católicos ou não, ganham um dia livre.

Dos partidos que apoiam o governo esperava eu, por questão de integridade e de princípios, que fossem contra e erguessem o espírito da laicidade e da igualdade, mas só o invocam quando lhes convém, quando é para agradar ao povo com medidas que só custam aos privados e ao contribuinte, querem lá saber da laicidade e da igualdade. São de uma hipocrisia sem medo, ainda vamos ver o Costa em Fátima ao lado do Papa a acenar, e no dia seguinte é capaz de nos vir falar de humanismo ou de sacrifícios partilhados, enquanto a pessoa que ocupa a presidência vai tirar umas selfies e debitar umas banalidades sobre Portugal e o catolicismo .

Que um governo de esquerda, apoiado pela extrema esquerda, conceda  tolerância de ponto ao sector público para ir ver o papa seria ridículo se não fosse triste.

PS: tenho uma amiga funcionária pública, numa câmara socialista, e as tendências dela são muito para a esquerda. Já me disse que vai trabalhar, e eu gostava muito que alguém fizesse as contas a quantos funcionários vão no dia 12 de Maio fazer uma espécie de greve ao contrário e mostrar que a véspera da visita do líder dos Católicos não deve ser razão para fecharem serviços públicos, porque  o Estado não tem religião.