Depois queixem-se

Não há nesta altura no mundo  governante que eu deteste mais que o Trump, e isto inclui vermes como  Mugabe ou  Maduro. No Terceiro Mundo (perdão por usar este anacronismo mas para mim ainda faz sentido) ainda é como o outro, as instituições são fracas , corruptas ou ambas, a população não é educada e informada e a imprensa raramente é livre pelo que é mais fácil um ditador instalar-se e permanecer lá. Quando há uma ruptura do calibre de um Trump, quando uma democracia ocidental elege uma figura daquelas, primeiro há choque mas depois há que procurar  as razões, e podem já todos ter-se esquecido mas foram mais do que dissecadas nos meses seguintes às eleições e era bom voltar a elas numa altura em que, ao retardador como é nosso timbre, começamos a importar debates e movimentos que nos EUA já têm décadas. Há gente que parece só estar à espera da deixa dos americanos para falar, vi uma jornalista pelos vistos famosa, chamada Alexandra Lucas Coelho,  a defender um monumento aos índios e africanos ao lado do Padrão dos Descobrimentos. Não achar que se deve deitar abaixo já não é mau, mas não deve tardar.

Além das mentiras , demagogias , matrafices e “hacks” da última campanha eleitoral americana , além das lutas internas entre Republicanos e  além da inépcia dos Democratas houve um factor muito importante em jogo, para mim o mais importante: quase metade dos eleitores  da América fartou-se  dos insultos, reclamações, condescêndencia, exigências e teorias sociológicas avançadas da intelectualidade urbana de esquerda, que só vê o seu umbigo e olha para o resto como atrasados e iludidos.

Cansaram-se de serem chamados de primitivos, intolerantes, anacrónicos, de lhes atirarem à cara a maldade das suas tradições e da sua cultura, de lhes ridicularizarem as crenças . Cansaram-se de ver que tudo é decidido longe, pela elite sofisticada , fartaram-se de ver os sociólogos de Berkeley a ditar regulamentos para o Wisconsin, cansaram-se de ver a imprensa e a TV nacionais centrarem-se nas Costas e ignorarem o resto do país. Chamam-lhe fly over country e não é a brincar, é uma extensão imensa onde vivem dezenas de milhões de pessoas que são excluídas dos debates nacionais e quando não são excluídos é para serem menosprezadas. São racistas? Muitos são, mas nem os que o são gostam de ser chamados racistas, quanto mais os que não são, ou acham que não são…

Pessoas religiosas e tradicionalistas a terem que levar com o debate das casas de banho para  transexuais, a verem a linguagem a ser policiada e normalizada, a verem garotos a levantarem queixas  por se sentirem ofendidos nas suas convicções por dá cá aquela palha. Pessoas a verem as suas vizinhanças e cidades a ter uma população cada vez mais de cor e religião diferente e a ser-lhe martelado que isso é bom. Pode ser ou pode não ser.

Depois de terem mais prosperidade material do que conseguem fazer com ela os americanos passaram à guerra cultural, liberais contra conservadores. Toda a gente deu por adquirido que havia dinheiro que chegasse para tudo e empregos para toda a gente que os quisesse, começaram a ocupar-se da famosa justiça social, onde manda uma regra velha e universal que pode ser exprimida cruamente assim : quem não chora não mama, e outra que diz que o importante é culpar alguém e exigir que alguém , normalmente o Estado, faça alguma coisa.

O problema não era a política externa, a produtividade, os impostos, as infraestruturas, a educação, a saúde. Os problemas nas últimas décadas têm sido coisas como o casamento gay, as chamadas causas fracturantes nas quais se especializam grupos políticos como o Bloco de Esquerda, quanto mais não seja porque o lastro técnico necessário para escrever uma lei sobre igualdade de género é uma fracção do necessário para , por exemplo, negociar um acordo de comércio externo ou reformar uma política fiscal. Por outras palavras , é mais fácil e imediato e qualquer actriz de teatro consegue falar horas sobre justiça social sem mentir ao passo que nem dez minutos aguenta se lhe pedirem para explicar o impacto da política agrícola comum na produção de vinho, por exemplo.

As causas fracturantes também se tornaram populares por serem mais emocionais, ninguém se exalta a falar de vias férreas ou portos de águas profundas, mas falem lá da co-adopção e têm para horas de exaltação, já para não  falar do aborto. Com estas  e outras questões  se passam horas nos parlamentos, juntando as discussões a  votos ridículos de louvor e pesar e infindáveis comissões que servem sobretudo para engonhar, criar ilusão de progresso , ocupação e encher os proverbiais chouriços. O cidadão conservador e tradicionalista vê isto e franze o sobrolho.

Quando os debates mais populares são desse género, causas que uns apoiam e outros abominam,  quando uns menosprezam e ridicularizam os outros, basta vir um aldrabão encartado como o  Trump para levar uma das metades. Basta ter o discurso fácil, basta fazer uma das metades rever-se nele, basta prometer um fim aos abusos e aos ataques, basta falar no mesmo tom . Não tem que saber fazer mais nada, não tem que mostrar serviço na área que se propõe dirigir, basta saber falar para o seu público , apelar-lhe  aos instintos , medos e aspirações básicas e os ânimos estão de tal maneira exaltados nesta idade das overdoses de informação, 3/4 dela manipulada, que no dia das eleições a escolha é fácil. Dá para os dois lados, ninguém se iluda, o processo básico que elege populistas à esquerda elege-os à direita.

No caso dos americanos foi a histeria do politicamente correcto , da engenharia social, do multiculturalismo como valor superior e objectivo, da perseguição e demonização dos outros,  que lá pôs o Trump.

Os guerreiros da justiça social por cá ganham saúde e gritam alto, são declaradamente contra uma quantidade de coisas, desde o heteropatriarcado aos sacos de plástico, agora descobriram que é mau haver coisas para meninos e meninas e em todas essas lutas olham de cima para baixo para os que ou não concordam ou nem sequer querem saber. São pessoas que não percebem bem o conceito de empatia , que é diferente do de simpatia, não temos que simpatizar mas devemos tentar compreender . Enervam muita gente, insultam muita gente, agridem as convicções de muita gente, muitas vezes com uma arrogância que nada justifica.

Custa-lhes, é-lhes virtualmente impossível aceitar que haja pessoas religiosas, que defendam que a vida começa com a concepção e é sagrada, que vão a touradas, têm carros grandes, acham que a homossexualidade é um mal, o casamento é exclusivo para reprodução, o aquecimento global é uma invenção, um travesti é uma aberração e usar drogas é crime. Pessoas que defendem a pena de morte, são contra a imigração , não gostam de gente de outras cores nem de quem depende de subsídios estatais para sobreviver. Eu não partilho nenhuma dessas  convicções mas não considero quem as tem um inimigo ou inferior  e haveria  muito menos problemas se conseguíssemos todos funcionar assim, não é desistir da discussão , é reconhecer que há mais pontos de vista válidos, mesmo que não concordemos com eles.

Os modernos guerreiros da justiça social não acreditam que todos esses milhões de pessoas têm uma palavra a dizer, o direito a fazerem-se ouvir e voto na matéria no que diz respeito ao gverno e leis da Nação. Acham que é gente para calar, que se deve reduzir à sua ignorância e que todos os que não concordam com eles são estúpidos. Isto é profundamente irritante.

Um dia qualquer aparece um candidato a defender  precisamente todas essas coisas que a imprensa e os círculos urbanos sofisticados abominam e têm por consignadas ao caixote do lixo da história. Um candidato bem falante, de discurso articulado, que fala, como o Trump, aos medos, convicções  e aspirações dessas pessoas e de repente, num dia de eleições,  a inteligentsia , entre duas dentadas de sushi num rooftop da capital pega no seu ipad  e enquanto lê mais um artigo na Monocle e partilha uma foto com o seu amigo cisgénero dinamarquês que está na Malásia constata que há muita gente no resto do país que tem ideias ,preocupações e concepções do mundo muito diferentes, que toda essa gente vota e que, olha, quem diria , elege um populista com um plano para pôr isto na ordem, não obstante sondagens e colunas de opinião que garantiam ser impossível.

Depois vão passar anos a queixar-se, sem perceberem  que a culpa foi deles.

 

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Os Escuteiros, Trump e Marcelo

Fui escuteiro vários anos, até à idade em que tem piada e vale a pena , lá pelos 16. Depois disso, é bom para quem quer  orientar e organizar os pequenos. O Escutismo ensina trabalho de equipa, respeito pela natureza, desenrascanço, criatividade, serviço cívico, descoberta dos espaços abertos e leva os miúdos para a rua e o mato, coisa que acho muito importante , hoje mais do que nunca, quando cada vez mais a população é urbana e a juventude é digital.

Recomendo a toda a gente com filhos pequenos, até a religião que é forçosamente parte das actividades do CNE não é nada de grave, há o respeito por tradições e rituais mais não há nenhuma lavagem cerebral nem imposições drásticas e de qualquer maneira não é levado mais a sério do que a maior parte das pessoas leva a religião, são umas fórmulas que se observam e umas coisas que se dizem, uma missa aos Domingos, procissões nos dias santos e essas coisas.  Para os religiosos sérios há outras organizações de jovens mais, digamos, militantes na parte da fé que se asseguram de que os miúdos não começam a pensar ou questionar enquanto acampam.

Todos os Verões há grandes acampamentos de escuteiros pelo mundo fora que juntam dezenas de milhar de jovens e os padres e políticos, na devida medida e proporção, incrustam-se como fazem sempre que podem e que há multidões. Nos Estados Unidos o Presidente é o chefe Honorário dos Escuteiros. O actual Presidente americano é um burgesso mentiroso, ignorante , indecente e sem um pingo de classe, de um egocentrismo sem paralelo na História moderna. Quem duvida disto é porque não se deu ao trabalho, ou não é capaz , de ver e ouvir os seus discursos e intervenções , desde a campanha até por exemplo ontem à noite.

Não é por ele ser de direita , xenófobo ou elitista que me mete nojo, a direita tem tanta legitimidade para governar como a esquerda, é por ele ser uma besta acabada que domina mal a própria língua , é capaz de se contradizer na mesma frase e não ter maneiras. Quando uma pessoa diz “sou muito rico” e “sou  muito inteligente” as probabilidades são que não seja  uma coisa nem outra. Quando um político tem que vir dizer que “não há caos na administração” a probabilidade é o caos estar instalado.

É ver e ouvir, está tudo registado mas a maior parte das pessoas não se quer dar a esse trabalho ou infelizmente tem que depender de traduções. Tenho um amigo americano que votou nele esperando somente política de emigração forte e um Supremo Tribunal de Justiça conservador, o resto não lhe  importa. Tenho um familiar que o apoia pela simples razão de que ele quer e está a tornar o aborto mais difícil, o resto não importa. Não me lembro de detestar tanto uma figura pública e isto não abate porque costumo ver o Stephen Colbert  e outros como o John Oliver e o Seth Meyers que vão expondo  e comentando as misérias morais da administração Trump e do próprio com um sentido de humor cáustico que pelo menos alivia. Podemos rir-nos dele, já não é mau.

Então o Trump, que nunca perde a oportunidade de falar para uma audiência cativa , foi discursar perante 40 mil escuteiros, e foi tão confrangedor que até o chefe dos escuteiros pediu desculpa. O Obama também se dirigiu aos escuteiros em jamborees, mas em alturas em que tinha que trabalhar ( este não se preocupa com isso) fazia-o em vídeo e deixava uma mensagem de motivação , apreciação e encorajamento à juventude e aos seus sonhos. Este javardo foi para lá fazer campanha, falar de política partidária , de  “matar o Obamacare”, remoer a sua “vitória eleitoral”, gabar-se e , entre outras coisas que deviam chocar qualquer pai de uma criança a ouvir um político, deu um exemplo de sucesso segundo ele o entende , o de um industrial americano do século passado, que ficou rico. O Trump escreve com os pés, tem o vocabulário de um miúdo de 12 anos, massacra a semântica a cada parágrafo e isso nota-se ainda mais quando fala de improviso, por isso isto não é a tradução literal, é mais compreensível . O discurso todo está aqui . Então esse  industrial trabalhou muito na construção e  ao fim de 20 anos “foi-lhe oferecido muito dinheiro pela sua companhia , e vendeu-a por uma quantia tremenda. Comprou um iate muito grande e teve uma vida muito interessante.Não vou mais longe do que isto, porque vocês são escuteiros e não vos vou dizer o que ele fez …. Digo? Devo dizer-vos? (aplauso) .Vocês são escuteiros mas sabem da vida.Vocês conhecem a vida.”

É sabido que a medida do sucesso na América é em grande parte o dinheiro, mas ainda assim pessoas decentes trabalham na ideia de que há , ainda vai havendo, valores superiores e especialmente quando se fala à juventude deve-se fazer um esforço por inspirar para as coisas como deviam ser e não como são, para termos a tal esperança num mundo melhor. Este animal não tem esses pruridos nem deveres de consciência, nem sequer tem consciência e por isso achou apropriado referir como exemplo de sucesso na vida um milionário que vendeu a empresa , comprou um iate e passou a fazer coisas que se hesitam em comentar frente a crianças. É este o Presidente americano, e continua a haver quem o apoie por cá.

Por cá também há acampamento nacional, e o nosso Presidente lá foi. Não encontrei nenhum discurso mas não é preciso: conhecendo a peça sei que vai dizer precisamente o que os ouvintes esperam ouvir numa ocasião destas, que deve ser politicamente neutra. Vai homenagear, reconhecer o trabalho e a história do CNE, não me espantava que tivesse sido escuteiro e vai motivar os jovens a trabalhar por um Portugal melhor. Mais uma ou duas banalidades e declarações óbvias e está ali feito o seu trabalho. 300 selfies, alguns abraços e fica toda a gente contente. Antes assim, mil vezes.

 

PS: a Venezuela está em estado de sítio , morrem pessoas às dezenas e oposição arrisca-se a ser visitada em casa a meio da noite pelas milícias do regime. Foi preciso chegar aqui para que figuras como Daniel Oliveira, Rui Tavares ou as manas Mortágua criticassem o Maduro e a herança do Chavez. Passaram 13 anos a defendê-los enquanto dezenas de pessoas (humildemente incluo-me no número, está tudo aí escrito) diziam que ia acabar mal, só podia acabar mal. Agora já acham que está mal. Além desses a quem as evidências impedem de continuar a defender o Socialismo Venezuelano temos outros como Louçã e o Sousa Santos, para os quais a crise se explica pela queda dos preços do petróleo. Não me consta que algum jornalista lhes tenha perguntado : Então o preço do petróleo só caiu para a Venezuela? E as dezenas de outros países produtores de petróleo em que ainda há papel higiénico e fraldas nos supermercados e a polícia não anda  a matar gente na rua? Como é que isso se explica?

Mais coisas estúpidas

Quero clarificar que o que escrevi no último post sobre a origem e desenvolvimento de um “movimento anti vacinas”  refere-se muito mais à realidade norte americana do que à nossa, felizmente , e tanto quanto sei , aqui não há “celebridades” a fazer campanha contra as vacinas nem nenhum “movimento”, como lá. Infelizmente  não deixei isso claro na altura. Ontem foi dia de polémica e discussão a fundo sobre vacinas pelas “redes sociais”, o que é muito saudável porque em agregado as pessoas vão tomar decisões mais informadas, mesmo se uma parte do debate tenha sido o Correio da Manhã a publicar fotos da jovem que morreu , na praia. Não há muitos comentários a fazer a jornalismo assim.

Retomo o tema da estupidez  para trazer outro dado interessante para nos fazer reflectir um pouco.É sabido que na política permitimos e deixamos passar  coisas a governantes que apoiamos ou aprovamos que nunca faríamos aos adversários. Acho que mesmo os socialistas nacionais concordam que muitas coisas que fazem hoje no governo eram inadmissíveis com o anterior governo e mesmo o público parece que já não se importa muito com coisas que o angustiavam e indignavam ainda há dois anos. Isto não é necessariamente estupidez mas a meu ver anda perto. Peço a vossa atenção para este gráfico, que descreve a evolução do apoio do público americano aos bombardeamentos na Síria :

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Será que se pode olhar para isto e  concluir que os republicanos são mais estúpidos que os democratas ?

Outra coisa interessante , tristemente interessante , a situação na Venezuela. Todos os dias vejo as capas dos jornais nacionais e hoje , depois de anos de desgoverno e tragédias várias , finalmente a Venezuela chegou às capas dos diários. Na televisão felizmente não faço ideia de como é a cobertura do tema. É preciso haver centenas de milhar nas ruas e gente a morrer , em confrontos ou por fome e falta de cuidados, para que jornalismo nacional se comece a interrogar sobre o que está a correr mal. Isto tem uma relação muito estreita com a estupidez , tal como tentar  explicar a crise venezuelana com a queda dos preços do petróleo. Voltarei ao assunto.

Agradeço a quem me lembra de que a melhor maneira de debater e marcar um ponto não é chamar estúpido aos outros. É verdade, não é  a melhor nem é a que mostra mais educação ou conhecimento. Se eu fosse jornalista , comentador profissional ou político nunca chamaria estúpido a quem tem opiniões que eu considero estúpidas. Como não sou nada disso nem estou aqui para convencer pessoas , vender coisas ou fazer amigos , vou continuar a dizer que acho estúpidas as coisas que acho estúpidas.

Mohammad Smith

De vez em quando passo uns tempos pelo twitter , se encontrarmos as pessoas certas para “seguir”  é uma excelente fonte de informação , e às vezes de entretenimento . Sigo  pessoas que admiro, tipo o Elon Musk, e outras que abomino , tipo o presidente eleito Trump. Sigo várias contas associadas ao SCP , muitos comediantes , alguns políticos , jornalistas e comentadores. Umas das pessoas que sigo é uma tal de Anne Coulter, uma harpia da extrema direita americana , senhora de um discurso venenoso e racista que chega bem. Ora ontem a sra “retuítou” um indivíduo que afirmava que “Mohammad” é o nome de bebé mais comum em Inglaterra este ano. Fiquei chocado, não podia ser , fui confirmar que de facto o nome mais comum é Oliver, mandei uma resposta a chamar-lhes agitadores mentirosos por outras palavras mas depois voltei à lista dos nomes e e fiquei outra vez chocado.

A verdade é que Oliver é o nome mais popular em Inglaterra, mas Mohammad é o segundo mais popular . Processem esta informação com calma. No Reino Unido em 2016 o segundo nome mais dado a bebés é Mohammad.  Três coisas sobre isto .

  • Esta popularidade revela o que a demografia já previa e que nenhum brexit vai prevenir : as caracteristicas  étnicas da Europa estão a mudar depressa , e o grupo demográfico em  expansão é o muçulmano.
  • Sempre considerei uma estupidez pura o facto de imigrantes não darem aos seus filhos nascidos no país de acolhimento nomes comuns do país de acolhimento.Se fogem de um país que por uma ou outra razão não os satisfaz ou , no limite , persegue ; se sonham dar uma vida melhor aos filhos que nascem nesse país e gostavam de os ver integrados , o pior que podem fazer é carregá-los com um nome estrangeiro que nunca os vai largar e lhes vai condicionar a vida, quase sempre para pior. “ah , e a herança cultural, orgulho nas raízes, respeito pelo passado?” Tudo coisas óptimas , e é para isso que servem os apelidos. Se me querem convencer que é indiferente chamar-se  , em Portugal , por exemplo , Ahmed El Amin ou Julio El Amin , façam favor , eu acho que não mas eu sou um bocado esquisito. Os imigrantes portugueses das levas de 60  e 70 para França perceberam isso muito bem e desataram a ter Sandrines Silva e Pierres Pereiras , e hoje são o que são em França , os emigrantes do Médio Oriente querem ter o seu país no novo país, e eu sou dos que acha que isso não deve ser nem pode ser.
  • Por fim , estes milhares de Mohamedezinhos  britânicos são mais uma face visível dos problemas trazidos pela imigração, problemas que existem apesar da opinião pessoal que possamos ter sobre a imigração.

Está provado , pelo menos a mim já me ofereceram provas concretas, de que a imigração, economicamente , favorece um país . Economicamente , mas há nervos que são tocados que vão muito para lá dos rendimentos, e não me peçam que rotule de racistas todas as pessoas que se sentem desconfortaveis ao ver o número destes imigrantes subir de dia para dia , que sentem a sua identidade ameaçada , que lamentam e não se conseguem adaptar à ideia de um Europeu que não vem em graduações de branco que vão do algarvio ao sueco e graduações de religião que vão do  cristão…ao cristão . É mais um problema do qual estou isolado mas imagino às vezes como me sentiria se ainda vivesse em Alcobaça e se lá aterrassem de um ano para o outro 3000 somalis ou afegãos.

Para os apóstolos do multiculturalismo e da inclusão não há dúvida que a única opção ética é aceitar todos os refugiados e imigrantes e tolerá-los .Questionar isto tem valido logo o rótulo de racista , mesmo que as objecções não se prendam tanto com  a raça mas sim com a diferença. Há poucas coisas mais humanas do que procurar o semelhante , procurar pertencer e agrupar-se com semelhantes , e distinguir e desconfiar do diferente. Isto até os bichinhos fazem  ,  foi uma estratégia evolutiva desenvolvida ao longo de dezenas de milhar de anos , estratégia  que os políticos da inclusão a todo o custo querem desmantelar em poucas décadas , como se o Homo Sapiens pudesse  desaprender em 30 ou 40 anos o que levou 20 mil a aprender. Não vai acontecer tão cedo e quanto mais as diferenças se tornam aparentes , quanto mais contrastes existem entre as comunidades , pior será a convivência. A doutrina do politicamente correcto ensina sensibilidade, ensina a procurar palavras suaves , ensina a evitar  ofender , ensina a considerar todos iguais , ensina a procurar eufemismos e a escrever uma página de apologias para poder apresentar um parágrafo de acusações. O politicamente correcto meteu-nos num lindo sarilho.

Em Setembro deste ano escrevi aqui  “estou agora convencido de que o Trump vai ganhar as eleições“. Escrevi isso na América , escrevi isso porque vivia e trabalhava 24/24 com americanos , escrevi isso porque , presunção e água benta cada qual toma  a que quer, conheço bastante da América e por detrás do sorriso simpático sempre pronto , da cortesia quase universal ,  do have a nice day! as pessoas são racistas .Mesmo muitas  que não sabem e se ofenderiam de lhes chamassem isso na cara. Uma vez  estava em Gibraltar com mais uns americanos e no mesmo bar estava uma mesa com meia dúzia de rapazes americanos ( reconheciam-se pelo sotaque). Eu disse casualmente que eram militares , os meus amigos duvidaram  do meu “salto de raciocínio” , eu perguntei se viam muitas vezes na América três brancos , dois pretos e um mexicano  nos copos , um grupo de amigos. Talvez em Nova Iorque e nas grandes cidades e mesmo assim será raro, e na América Real é virtualmente impossível…Aqueles seis estavam ali juntos porque eram da mesma unidade , têm uma relação entre eles que não tem paralelo no mundo civil.

Se eu fosse editor de jornal o título que eu tinha escolhido para o dia das eleições era “Estalou o Verniz”, a capa de sofisticação e tolerância que nos chega pela televisão , a nós e aos americanos ,  não corresponde à realidade , quebrou-se e houve votos suficientes para eleger aquele homem presidente. Do mesmo modo ninguém duvida que os votos do Brexit foram uma reacção ao crescimento da imigração e á sensação que muitos ingleses têm de que a sua identidade está de certo modo ameaçada , e se o segundo nome de bebé mais popular é Mohammad se calhar os receios não são completamente injustificados.

Não sei quantas pessoas admitiriam em frente a uma câmara de televisão ou um microfone de um entevistador que “acham que há estrangeiros a mais” , mas tenho quase a certeza que o número real é muitíssimo maior do que as sondagens sugerem. Isto foi a propósito dos milhares de Mohamades a crescer em Inglaterra mas a mim leva-me também a pensar que a França nos pode trazer uma surpresa e muitos mais votarão na sra Le Pen do que estão prontos a admitir e do que sugerem as sondagens.

Aprecio o multiculturalismo mas é quando visito uma grande cidade, são feitas para isso , e as  visitas costumam ser  curtas. Adoro ler sobre as culturas dos outros e viajar foi uma  grande paixão da minha vida mas sempre retirei um grande conforto de me saber português ( Tó M. , por favor não relances outra vez o debate sobre o que é ser português, obrigado) , defeitos e tudo,  e de viver num sítio onde mal ou bem sinto que é meu e que é onde pertenço. Talvez seja isto que me faz ser sensível à causa dos que perdem a pátria , por me imaginar nas mesmas circunstâncias , a ter que fugir do meu país por causa da fome ou da guerra . Não gostava de ver milhares de imigrantes e refugiados à minha volta , não gostava de ver cedências culturais às preferências dos recém chegados , e como pessoa que já não gosta assim muito de pessoas para começar , se forem muito diferentes de mim , lá está , fico desconfortável , mas não é por isso que sou contra os fluxos migratórios, o que é um bocado como ser contra a Lei da Gravidade. Imaginar que um muro ou uma fronteira fechada é boa política , imaginar que se conseguem defender culturas barrando os estrangeiros é fantasioso. Não perco de vista o benefício económico que a imigração tem para um país ( se não perderem a cabeça como os escandinavos e cobrirem os emigrantes com tantos subsídios que não há incentivo nenhum a trabalhar) ; não perco de vista a obrigação moral de ajudar refugiados de países em guerra ; não perco de vista a nossa humanidade comum e por isso, se a escolha fosse minha , acolhiam-se mais emigrantes na Europa. Se calhar digo isso porque para o meu quintal ninguém quer e mal pode vir , se calhar até sou racista e não tenho consciência disso. Sei que daqui a 30 anos os Europeus vão ser bastante diferentes do que são hoje , e esforço-me por pensar que vão ser diferentes para melhor , mas não é fácil, e por um lado fico contente por não estar cá para ver .

Quando começar a campanha eleitoral em França não se espantem muito se a Le Pen se começar a chegar à frente , e não fiquem muito surpreendidos se ganhar , apesar do que diz hoje a inteligentsia e as sondagens.

Prevaleceu a Razão

No Dakota não houve mais momentos dramáticos nem  escalada de tensão até à última hora , o Corpo de Engenheiros do Exército anunciou que não vai deixar passar o oleoduto nas terras em questão , o traçado vai ser desviado , as forças de segurança já desmobilizaram e houve fogo de artifício no acampamento dos Protectores da Agua.

 

Pelo menos desta vez a máquina não passou , e eu fiquei satisfeito , não por acreditar que os problemas ambientais vão diminuir e a água vai ser mais defendida pelo Estado nem  por acreditar que  um desvio de 100 ou 500kms resolve o problema . A probabilidade maior é que a administração Trump reverta a decisão . Tal como os agravos feitos aos índios não se resolvem dando dinheiro aos índios , a ameaça à água não se inverte cancelando um projecto industrial.

Fiquei satisfeito por ver o Estado admitir que não podia resolver a questão pela força  e recuar na face de pessoas que do seu lado não tinham mais que do força moral e convicções fortes.  Gostei de ver a determinação dos manifestantes , a dos índios compreende-se bem , mas a das centenas e centenas de pessoas que foram para os confins do Dakota em Dezembro , gente de todos os cantos do país , só para estar ali .

Nada disto seria possível sem tecnologia moderna , a mesma que na sua base tem o líquido que é transportados nos oleodutos. A mobilização , a cobertura mediática , as organizações populares, a logística , as comunicações , os SUVs e aviões que levavam os manifestantes para Standing Rock . Esta é a contradição com a qual temos que lidar constantemente : o mal que nos fazem as coisas que nos fazem jeito.

Se se procurar nos arquivos deste blog a palavra “manifestante” não se encontram muitas referências simpáticas , por várias razões , a principal  é a enorme futilidade e inconsequência da esmagadora maioria das manifestações e protestos que vejo. Estou mais habituado a ver seis autocarros de sindicalistas a encravar os trânsito por causa de 2% no subsídio de almoço ou gente que interrompe políticos com canções de protesto no meio de actos oficiais insignificantes . A ver manifestações que começam quando chegam as televisões e dispersam quando os jornalistas , tendo recolhido o seu soundbyte e conferido com isso importância à manifestação , se vão embora. A ver a imprensa tratar seis pessoas a ralhar como um protesto popular .A  ver enormes manifestações  , como na Grécia , a protestarem  , às vezes violentamente , contra o inevitável.

Por isso simpatizei com estes manifestantes e esta luta :  por ser clara , inequívoca ,  inflexível ,  pacífica e com resultados muito fáceis de medir : ou ganhamos e aquilo não passa , ou aquilo passa e perdemos. Por ser simples : o que há a fazer é ficar aqui . To stand.  Por dizer  respeito à água ,  diz-nos respeito a todos. Por ser uma luta dos índios em particular , se se pode falar em mérito histórico , está ali.

Dá um certo alento , do mesmo modo que um desfecho violento teria deprimido , saber que há muito espaço ,  especialmente com esta tecnologia que nos assiste , para fazer a diferença , para organizar oposição , para contrariar o Estado e as Indústrias poluentes ,  para parar algo “mau” . Dá alento ver confirmado que , pelo menos no Ocidente , o Estado não é todo poderoso .  Que as pessoas se importam  , que o mundo está , potencialmente , a ver , e se as pessoas  virem que a causa é justa e a escolha clara ,  vão-se manifestar ,  informar e apoiar.

Por um fim de semana quase que estava a tornar-me ambientalista , isto não pode continuar.

Boston

O voo de Fort lauderdale para Boston atrasou quase três horas por causa de trovoadas , o suficiente para perder  a ligação da Sata para as ilhas. Felizmente tinha comprado a viagem completa à Sata , se tivesse comprado os bilhetes separadamente estava bem tramado. A Sata guardou a minha mala , mandou-me passar a noite ao Hyatt , deu-me vouchers para três refeições ( não tão generosos como aqueles que se usam  para comprar árbitros ) e mudou o meu bilhete , em vez de fazer Boston – Terceira- Flores faço Boston –Lisboa – Ponta Delgada – Horta – Flores , em vez de chegar a casa hoje como previsto  chego no sábado ,  o que interessa é chegar. As horas já nem me pesam.

Fiquei até ao meio dia no hotel  e agora estou preparado para 9 horas de seca , entre vaguear pelos terminais , ler o Economist fazendo-o  render até pelo menos chegar a Lisboa,  e a entreter-me com observações antropológicas. Os aeroportos já são por si sítios de cruzamento de raças e culturas mas além dos passageiros , saídos de todo o tipo de  jaulas do zoo ,  há a força de trabalho que deve compreender para aí  50 nacionalidades. Andar por aqui no meio desta multidão faz-me apreciar já por antecipação a paz que vou reencontrar. Nunca me hei-de sentir bem na confusão , decididamente eu e as pessoas não nos damos lá muito bem.

Continua a fascinar-me ver que os Estados Unidos são vilipendiados pelo mundo fora e no entanto parece que metade do mundo quer vir para aqui viver e trabalhar , há alguma coisa que escapa aos políticos e comentadores da esquerda , que nunca se pronunciam sobre coisas interessantes e simples de verificar como esta : há  milhões de pessoas à espera de uma oportunidade para vir para aqui enquanto que me conste não há muita gente a querer imigrar para a Venezuela. Os emigrantes não são estúpidos nem politizados nem manipulados , são simplesmente pessoas que querem ir para um sítio melhor e por incrível que pareça  o sítio melhor nunca é a Rússia ou Cuba ou o Zimbabwe , é sempre um país  do Ocidente Capitalista.  Porque será?  Se calhar é porque são mesmo países e sistemas melhores, como está a vista de qualquer pessoa que se dê ao trabalho de olhar. O próprio Sousa Santos , essa eminência de banalidade enredada  e especialista na produção de discurso anti capitalista e anti ocidente , de vez em quando passa períodos a “ensinar” numa universidade americana , numa instituição menor  do midwest tipo Wisconsin State . Nos  Estados Unidos o sistema de ensino permite às universidade contratar todo o tipo de detritos intelectuais para dar diversidade  e inclusão ao curriculum , mesmo gente que ensina que o Bolivarianismo é  superior ao  capitalismo , ao passo que na Venezuela os estudantes são corridos a gás lacrimogénio se se manifestam contra o governo , isso  não toca o homem, que é desprovido de sentido do ridículo .

Do que se passa em Portugal nem quero saber , imagino que os indicadores económicos vão piorando , que os planos e contas do governo continuam  coerentemente baseados em fantasias e desejos e que o Bloco se ande a ocupar de causas sociais fracturantes , não sei  de que é que estão à espera para avançar com a legalização da erva , que sempre foi o que eu esperei de positivo de um governo de gente tonta . Se calhar nem isso. Talvez seja porque vários estados dos EU já o fizeram , e se os americanos o fazem não pode ser coisa boa. Vi agora que o bloco quer o surf nos currículos escolares , não sei como é que eles conseguem propor  estas coisas  com uma cara séria e calculo que nenhum jornalista pergunte por exemplo : de que maneira o estudo do surf vai ajudar um aluno de Chaves ? Se calhar vai , eu é que mais uma vez não alcanço o valor destas propostas e inovações. Que se fale sobre surf nas secundárias de Carcavelos e da Nazaré , tudo bem, agora por isso no currículo nacional é estúpido,  eu sempre achei que cada escola devia ter autonomia para escolher não só professores como matérias , ideia anátema  para a esta gente que só sonha com  planeamento centralizado.

A questão  principal por aqui é o Donald Trump, que continua a aproximar-se da presidência. Tenho amigos que vão votar nele apesar de o descreverem como asshole , coisa que me confunde muito, mesmo sabendo que a Hillary é detestada numa escala que não compreendo . Já escrevi aqui a minha opinião sobre ele , o homem parece-me desprezível em tudo e acho que ele nunca pensou chegar tão longe, candidatou-se por publicidade e vaidade e quando deu por ela estava  à frente da corrida. A ideia é medonha , a única vantagem de o saber um homem sem carácter é saber que não lhe custará nada , se for eleito, renegar no dia seguinte todas as promessas que fez, especialmente as mais descabeladas tipo deportar os ilegais e proibir muçulmanos de entrar no país. A candidatura dele tem uma  vantagem , que é dizer a todos os neo fascistas e supremacistas brancos do país : levantem-se e sejam contados. Se ele ganhar , as TV’s nacionais vão-se encher de Raqueis Varelas a apontar as incongruências do sistema americano e os perigos do presidente Trump , tudo pessoas às quais o Putin ou o Xi Jinping não metem medo nenhum e que acham que o Maduro pode ser considerado um estadista .

Continuo a admirar  os EUA  como admiro poucos outros  países , mas não troco as Lajes das Flores por Fort Lauderdale nem nunca mais me passou pela cabeça  viver num país que não seja o meu. Todos temos um , todos têm defeitos e qualidades e contradições e vantagens e desvantagens mas o facto de ser o nosso sobrepõe-se a tudo. O sítio onde partilhamos a língua , as referências , os clubes , os  nomes , as comidas, a   (des)organização , a música , o clima, o  passado e as  perspectivas.  Não há sítio como a nossa casa.

Ah , é verdade , ainda não dei os parabéns ao clube campeão nacional. Nem vou dar.

Registos Publicos

Os registos publicos para delinquentes que se usam aqui sao uma coisa caricata que tera’ a sua justificacao mas espero bem que nunca se adaptem em Portugal.

Se uma pessoa ‘e presa no condado de Broward aparece no dia seguinte aqui .
Estas pessoas nao foram julgadas e presumem-se inocentes.O jornal informa que nao actualiza estes casos, ou seja , a partir da altura em que o individuo vai para a esquadra ‘e exposto publicamente sem apelo nem agravo,e mesmo que venha a ser ilibado de tudo , ja’ esta’. Nao me parece bem. Acredito que a maioria destes detidos sejam meliantes que acabam por ser condenados (nao ‘e preciso muito para ir preso aqui , e ha uma relacao proporcional entre a cor da pele e o tamanho da conta bancaria e as probabilidades de ir para a cadeia), mas acho que por uma questao de principio esta publicidade nao devia ser feita pelo menos ate’ um juiz ouvir o caso.
Outro registo pode ser ainda mais perverso, ‘e o dos delinquentes sexuais.Num site como este faz-se uma busca por codigo postal e aparece a lista . Em principio nao tenho nada contra , especialmente tendo estas pessoas ja sido condenadas em tribunal , mas quando se vao ver os detalhes , nao aparece o crime por que foram condenadas. Isto poe no mesmo saco um violador de criancas com um gajo que por um erro de calculo acabou na cama com uma rapariga de 17 anos em vez de 18. Esta’ uma boa analise do problema aqui .
As leis sao cada vez mais draconianas porque nenhum legislador quer ser julgado fraco quanto aos crimes sexuais , tropecam uns nos outros para implementar medidas mais duras e restritivas que acabam por apanhar na rede gente que pode ter um comportamento moralmente questionavel mas nao ‘e uma ameaca . Em 13 estados pode-se ir parar ao Registo por urinar em publico, em 32 por exposicao indecente e em 29 por sexo entre adolescentes , mesmo sendo consensual. Em 17 estados o registo ‘e permanente e em todo o pais continua a crescer.Como se provou agora no caso da rapariga que viveu anos raptada na California , as autoridades nao podem ter mao nesta gente toda quando teem que controlar nao so’ psicopatas perigosos como milhares de outros que nao sao ameaca nenhuma.
Naturalmente , nao ha registos publicos para assassinos, politicos corruptos ou perpetradores de fraudes.