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Vício Social Virtual

Costumo levantar-me às 6.30, a única razão para isso é que dessa hora em diante os cães já não me deixam dormir. Não sei se é aceitável hoje  em dia dizer “os cães” referindo-me a um cão e uma cadela, talvez haja uma maneira mais correcta de dizer isso em sociedade  mas eu cada vez vivo menos em sociedade, e não vivo menos ainda porque não posso.

Estou viciado nas redes sociais, como com os alcoólicos o primeiro passo para a recuperação é admitir que temos um problema, eu gostava muito de reduzir o meu uso da coisa para aí nuns 3/4 mas não é fácil. No caso do facebook, cada vez mais um veículo de publicidade e de exposição confrangedora de níveis de ignorância épicos, a questão maior é que se abandono aquilo perco contacto com dezenas de amigos que me são queridos e não quero isso. Por outro lado entrsitece-me ver que caí na armadilha de apreciar a exposição e os “likes”, a mania de dizer coisinhas espirituosas ou pretensamente espirituosas e inteligentes e ficar a apreciar as reacções.

Não tiro fotos só para mim, tiro para as mostrar, não caí na doença das selfies e as fotos muito raramente, quase nunca, são de mim, mas ainda assim há um impulso para a “publicação” que não havia dantes e isso incomoda-me um bocado.  O instagram é um pouco diferente, só me serve mesmo para partilhar fotos dos meus animais sem dizer nada, não vejo mal nenhum nisso, não me estou a tentar “promover” nem ser engraçadinho, estou só a mostrar coisas que acho bonitas a pessoas que gostam do mesmo que eu, nomeadamente animais. Não gasto lá tempo nenhum.

Já o twitter é outra doença porque há um sem fim de pessoas interessantes a dizer coisas interessantes, inteligentes e com piada, é possível filtrar o esgoto e participar no debate, e mandar o comentariozinho ou laracha, seja a que nível for. Mas isto vicia e consome demasiado tempo e no fundo o retorno, para quem não leva aquilo muito a sério, é quase nulo. Há algum porque permite seguirmos uma quantidade de pessoas bem informadas e posicionadas que nos permitem saber coisas importantes sobre temas que nos interessam e que não chegam à imprensa, e permite ver contraditório, discussão e troca de argumentos, coisa que ao que sei está ausente das televisões sem ser pela rama , às doses de dois minutos e levada a cabo pelos profissionais da coisa que já levam argumentos enlatados e prontos a consumir e o discurso é formatado para o telespectador médio, que não é muito exigente.

Dantes sentia-me muito bem comigo próprio por não ver televisão, mas se trocamos a televisão pela internet e acabamos  por passar o mesmo tempo naquilo o ganho não é assim muito grande, excepto talvez na qualidade do que consumimos e no facto de que as redes nos permitirem de certa maneira curar e seleccionar a informação.

Noto um aumento enorme de publicidade no FB e um aumento igualmente enorme de posts de extrema direita como nunca vi antes.Não gosto do que estou a ver, porque tenho uma boa ideia  das características  do meu concidadão  típico e do seu nível de educação e informação e sei que há terreno fértil para a expansão da extrema direita. Isto só me faz  execrar ainda mais a extrema esquerda que tem tido rédea solta nos últimos anos, eu acredito que também na política se aplica a Terceira Lei de Newton e para cada acção podemos esperar uma reacção.

Este é ano de eleições, creio que é muito possível o PS  ganhar a maioria absoluta, o que teria como única vantagem a perda de influência e controlo dos comunistas. também creio que o partido do Ventura vai chocar muita gente pelo seu desempenho, felizmente, e tal como a extrema esquerda, a extrema direita divide-se em facções e também há o PNR que irá agrupar os mais grunhos. O A.Ventura convencerá os menos radicais, a demagogia de todas as cores vai chegar a novos máximos. Pela minha parte conto votar e mesmo “fazer campanha” pela Iniciativa Liberal, não só porque me identifico com o programa deles, coisa que nunca me aconteceu com partido nenhum,  mas também porque adoro ver os nervos e as tentativas de desvalorização e obfuscação pela parte da esquerda, e as de menorização da parte da direita. Se Portugal tem alguma tradição política não é certamente o liberalismo, pelo que 2% de votos para a causa já seriam uma vitória enorme.

Está um dia lindo, tenho centenas de coisas para fazer e metade da manhã já foi consumida frente ao computador, é isto que tem que acabar.

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