Início » Política » O Trabalho Liberta

O Trabalho Liberta

Tenho pensado bastante na expressão “o trabalho liberta”, não só porque estou com uma quantidade de trabalho como não me lembro de ter tido sequer quando era empregado com horário normal de trabalho mas também porque estou a ler o Mein Kampf.

Ainda não encontrei razão nenhuma para ver libertação no trabalho, excepto a libertação que vem com o rendimento recebido em troca do trabalho, esse sim liberta. Parece-me que a única coisa que o trabalho liberta é energia. Quanto ao Mein Kampf, acho que não vou conseguir acabar porque é-me difícil ler uma obra de puro ódio irracional, ainda mais sabendo o que aquele livro originou. Comprei-o como documento histórico, também tenho o Corão, a Bíblia , o Manifesto do Partido Comunista e na lista longa está o Livro Vermelho do Mao e até consigo, em grande esforço, perceber que aquilo possa ter sido apelativo para alguém na Alemanha do início dos anos 30, sem grande maneira de saber o inferno que ia desencadear, mas ainda assim é-me difícil perceber como é que se aceitam teorias e opiniões baseadas em pouco mais do que nada, desde o primeiro parágrafo que não é possível ter uma resposta racional à questão : mas é assim porquê? É assim porque ele acredita que é assim, e é tenebroso pensar que aquele livro esteve na origem de tanto mal puro. Apesar disso, e nunca pensei escrever isto mas aqui vai, vou citar Adolfo Hitler:

Deve ter-se em mente a forma lastimável pela qual os pontos de vista dos chamados “programas de partido”  são ordinariamente consertados, embelezados ou remodelados de tempos a tempos. (…) É sempre uma preocupação única que leva  a uma nova exposição de programas ou à modificação dos já existentes: a preocupação com o êxito nas futuras eleições”.

Todos os opositores das democracias parlamentares identificaram este ponto fraco e as atacaram por aí, não é nenhum segredo nem observação muito sagaz, até o bêbado do JC Juncker disse numa entrevista famosa “todos sabemos o que deve ser feito mas todos queremos ganhar eleições” . O argumento que diz que os partidos procuram antes de mais nada o poder é válido, o que me espanta é que em pelo menos um século de democracia parlamentar não se tenha conseguido propor e implementar uma solução ou atenuante para este dilema, que acabou ( e talvez acabará)  por ser a causa da queda das mesmas democracias parlamentares. Enerva muito quando um problema dramático está identificado há muitas décadas e não se faz nada para o resolver. Não tenho muitas dúvidas de que ainda vamos ver autoritarismos a regressar no nosso tempo  no Ocidente, muito porque as pessoas olham e vêm que realmente o objectivo dos partidos é ganhar eleições, o objectivo das eleições e legitimar o poder de um partido e o objectivo do poder de um partido é avançar os interesses dos seus membros. Não nos podemos queixar quando de repente, ou gradualmente, forem esvaziando ou mesmo eliminando partidos e eleições.

Hoje é o fim do mês, vou receber a concretização de uma das belezas do capitalismo: o fruto do meu trabalho que pude vender e com isso vou poder comprar coisas de que preciso. É-me difícil perceber como é que ainda há quem defenda a colectivização, sistema no qual neste mês eu teria trabalhado no que fosse julgado mais útil por um grupo de pessoas que não me conhece de lado nenhum e de acordo com um plano concebido por pessoas mais distantes ainda e hoje iria receber o suprimento das minhas necessidades tal como seriam entendidas por outro grupo de pessoas que não eu. Onde estaria  a liberdade nisso? Quanto à libertação proporcionada pelo trabalho, continuo sem a vislumbrar, só vejo a libertação proporcionada pelo rendimento do trabalho vendido e comprado de livre vontade e gasta de acordo com a vontade individual.

PS 1 – Escrevi há uns tempos que era contra o wi fi e as criancinhas nos restaurantes, por agora trabalhar num e ter opinião mais abalizada sobre a coisa. Mudei de ideias quanto ao wi fi, deve haver à vontade porque proporciona às pessoas entretenimento quando o serviço se atrasa, ficam absorvidos nos seus telemóveis e a espera não lhes custa tanto. Quanto às criancinhas, não só não mudei de opinião como ainda em radicalizei mais, é das maiores faltas de respeito que conheço deixarem garotos incomodar os outros clientes que querem jantar em paz. É sabido que os vossos filhos são extraordinários, geniais, uns queridos, que já têm carácter muito vincado, que devem poder expressar-se à vontade e não se podem reprimir. Tudo bem, façam isso em vossa casa e olhem embevecidos enquanto eles guincham e falam alto e mandam comida pelo ar e não param quietos, não duvido de que  para vocês isso seja natural e lindo. Tenham é respeito pelos outros , inflingir as vossas criancinhas magníficas a quem não tem culpa nenhum nem pagou para as aturar  é péssimo.

Deixo aqui esta foto de uma criança adorável cujos pais acreditavam ter em si todo o potencial do Mundo e criavam e defendiam com amor:

rBogdoKÉ o Hitler.

PS 2 – A SATA , como monopólio dos voos inter ilhas, continua a não se sentir obrigada a respeitar as leis de mercado. Por isso, perante a subida exponencial da procura exterior e a rigidez da oferta disponível não faz o que uma empresa normal faria: subir os preços para a procura exterior, conseguindo talvez com isso amenizar um pouco os prejuízos. Sendo assim os voos estão constantemente esgotados e as coisas só vão piorar em Agosto. A SATA, companhia de serviço público, não tem problemas de espécie nenhuma em deixar os residentes sem transporte para continuar a vender ao desbarato voos a turistas.

 

Anúncios

Responder

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s