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Wi fi ao jantar

A propósito da separação das crianças das famílias, li no outro dia que o único sítio em que isso seria aconselhável seria à porta dos restaurantes, ri-me bastante .

As criancinhas, para quem não as tem nem quer ter nem vê em cada uma o ser mais brilhante produzido pela humanidade como fazem todos os pais, são uma praga dos restaurantes. Não comem  nem deixam comer, gritam , choram, estorvam, circulam , incomodam o pessoal e os outros clientes e tudo isto sob o olhar benevolente dos paizinhos que decidiram que mesmo bom para férias era passar quinze dias a tomar conta do geniozinho, no qual se gastam fortunas a levar a sítios dos quais o geniozinho não terá uma única memória em meia dúzia de anos e que durante a visita fez pouco mais do que olhar para ecran do tablet.

Por falar em tablet, outra coisa além de criancinhas que eu não queria num restaurante meu era wifi.  Isto é uma generalização e não descreve a maioria dos clientes do restaurante onde trabalho, mas descreve uma boa percentagem:

-Entram e perguntam se tem wifi.

-Sentam-se e passam os seguintes cinco minutos a encontrar a rede, ligar-se e dizer ao mundo que estão ali. Entretanto  encontram mais tarefas inadiáveis online e passam dez minutos até pegarem na ementa.

– Enquanto esperam pela comida olham para os écrans ignorando as pessoas que estão na sua mesa. Excepto se forem criancinhas, que essas só  dão descanso se tiverem o seu próprio telemóvel.

-Chega a comida e passam cinco minutos a tirar fotos ao prato e publicá-las , serviço prestado aos milhares de utilizadores das redes sociais que não dispensam ver o que andam os amigos a comer.

-A refeição é interrompida a cada dois minutos para verificar as notificações, ver quantas pessoas gostaram da foto do nosso jantar.

-No fim da refeição, aquela altura que dantes era reservada à conversa e aguardente é agora dedicada a compensar os minutos que se perderam de interacção online por se ter estado a jantar. É preciso ir lá lembrá-los de pedir a conta.

Aqui há uns anos li que um restaurante em Nova Iorque fez as contas e desde que passou a fornecer wifi o tempo de retorno de cada mesa subiu cerca de quinze minutos, o  que prontificou o gerente a acabar com o wi fi , a bem do serviço expedito e socialização. Eu não proponho absolutamente nada onde trabalho mas tenho a certeza de que não haver wi fi não faria ninguém voltar para trás e tornaria o serviço senão quinze minutos mais rápido por mesa, pelo menos cinco. O que é que me interessa a mim o serviço mais rápido? Simples, quanto mais cedo se despacha toda a gente mais cedo eu vou para casa.

 

PS: Vi que o Marcelo se encontrou com o Trump, largou uma aldrabice sobre Portugal ter sido o primeiro país neutro a reconhecer os EUA (não foi) ; falou no que todos os portugueses falam e ouvem quando vão ao estrangeiro (Cristiano Ronaldo) e ainda apresentou uma frase brilhante que está a ser divulgada em vídeo com  e admiração pelo Zé Povinho : Portugal não são os EUA! , garantiu o presidente aos que pensavam que era. Isto para responder a uma frase sobre a possiblidade de Ronaldo se candidatar a Presidente. O Marcelo diz que não, que em Portugal uma pessoa não seria eleita só por ser um personagem de televisão, como se ele próprio não fosse a Prova A de que isso não só é possível como já aconteceu.

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