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Bola, zero

É fácil de perceber que o meu entusiasmo pelo futebol se desvaneceu no último mês, é tal  o caos que se me perguntassem como é que me sinto como sportinguista eu diria “sinto-me dormente”.

Não vou desfiar as minhas razões e preferências, neste mês já pensei tudo e o seu contrário e não tenho muitas certezas, coisa que em si não é necessariamente má. O clube está num imbróglio jurídico que vai levar muitos meses a desatar, sei que há dois lados da barricada, ambos os lados convencidos de que o outro está a destruir o clube. Por cima das barricadas, nas janelas dos prédios adjacentes, os franco atiradores vão disparando, quer seja por verem lucros possíveis quer seja pela simples satisfação de ver o SCP reduzido e humilhado.

É impossível que alguém veja as capas do CM no último mês e não desconfie que eles têm uma agenda muito para  além de informar e acompanhar um assunto , é nítido que o jornal, tal como os “desportivos” , tem claramente partido e opção e faz campanha, a ética e a deontologia enfiadas numa prateleira alta. O Sporting é grande mas não é assim tão grande que mereça capas diárias do jornal nacional de maior tiragem, a menos que os proprietários e directores do mesmo tenham um “projecto”.

A esta agitação e deserções de jogadores não é estranho o começo do Mundial, a montra por excelência e hipótese de valorização e progressão na carreira. Para quem não sabe como tem funcionado a Selecção nos últimos tempos deixo um exemplo que deve ser bastante: Adrien Silva foi muitos anos capitão e estrela do SCP, sem ser convocado. Passou a ser agenciado por Jorge Mendes, saiu do SCP e foi o que bastou para passar a ser convocado.

Quanto mais não seja porque vou trabalhar todos os dias às 6 não fazia conta de acompanhar o mundial, mas ontem vi o vídeo com a “canção de apoio” à selecção. Vi no vídeo o Rui Patrício, o William e o Gelson e senti um aperto no estômago, não os via desde a final da Taça e muito mudou desde aí. Depois vi que a musiqueta era em inglês e foi o que bastou para dizer quero lá saber deste campeonato do mundo.

Sobre os jogadores o que tenho a dizer é que compreendo perfeitamente que não quisessem jogar mais no clube  depois das agressões em Alcochete e que não estivessem dispostos a trabalhar para um gajo com o feitio do Bruno de Carvalho. Tudo bem, diziam que queriam sair e apareceriam clubes interessados. O modo e o timing como o fizeram é nojento. Nunca na vida lhes vou perdoar terem confundido o clube,  que  no caso do Patrício, William e Gelson, lhes deu tudo, com o actual presidente. Nunca lhes vou perdoar terem passado este mês a ver os sportinguistas desesperados sem se dignarem a mandar-nos uma mensagem , um postzinho que fosse numa rede social, destinado aos 170 mil sócios e milhões de adeptos que sempre, sempre os defenderam,  apoiaram e pagaram os ordenados milionarios. Não foram capazes de nos dizer nada,  nada, e isso não se perdoa.

Numa época em que o SCP foi campeão de hoquei, andebol, volei, atletismo e sei lá que mais, quando a SAD dava lucro e estava a ponto de passar definitivamente para controlo dos sócios, só ouvimos dizer que o clube está de rastos,  as TVs dizem e o povo acredita. Sei que o SCP vai continuar e, desportivamente, recomeçar , nem que seja com uma equipa de berlinde, porque há centenas de milhar que não acreditam em tudo quanto lêm, gostam do seu clube, não o confundem com indivíduos e sabem que tudo passa mas o clube fica.

Aos jogadores, que se deixaram manipular por empresários (os únicos que têm muito a ganhar com rescisões e novas transferências)  e que confundem 170 mil sócios e 3 milhões de adeptos com 50 hooligans e um presidente desequilibrado, estimo bem que se fodam valentemente nas suas carreiras futuras, a começar pelo Patrício que ao que parece vai para esse colosso do futebol mundial que é o Wolverhampton.Como o título de campeão pelo SCP lhe falta, ao menos aí pode compensar lutando pela manutenção na liga inglesa. Já neste mundial vai ter sorte, enquanto foi jogador do SCP era gozado e criticado a cada falha, agora esta livre desse empecilho, já todos o reconhecem, valorizam  e apoiam. Se por acaso cometerem o erro de assinar pelo SLB  devem lembrar-se que a maior parte dos hooligans que invadiu Alcochete está presa mas que esta novela criou mais umas centenas de malucos desejosos de lhes acertar o passo, pelo que a vida em Lisboa vai ser a olhar por cima do ombro, é triste mas é verdade.

Não sou capaz de ver um jogo da selecção nestas condições, mesmo que não estivesse a trabalhar à hora da maior parte deles. Claro que não sou capaz de desejar insucesso a uma equipa que leva a bandeira do meu país, mas além dessa não sinto mais ligação de espécie nenhuma com aquela gente. A maior parte da minha ilusão e gosto  pelo futebol morreu este mês.

Não tenho esperança nenhuma de que a podridão e corrupção épicas do futebol e da comunicação social nacional alguma vez sejam limpas ou mesmo amenizadas, tive-a até há pouco tempo com o Bruno de Carvalho, enquanto o via endireitar e devolver o orgulho ao clube e a justiça finalmente a investigar a corrupção, mas o Bruno de Carvalho descarrilou e deixou-nos a pensar “mas o que é isto?”, e o SLB conseguiu , justiça seja feita à frieza, alcançe  e eficiência, desviar as atenções, ter as investigações judiciais sob controlo e os seus adeptos pacificados. Parabéns  por isso.

Tristeza, desilusão e alguma raiva, é tudo o que eu sinto pelo futebol nestes dias.

 

 

 

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