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Títulos

Tentar perceber  o que se passa só pelos títulos dos jornais não é um método muito seguro mas podemos sempre recordar que  o que se passa é o que sempre se passou e vai continuar a passar : os políticos no poder a tentar manter-se lá e a gerir a situação o melhor que sabem e podem (infelizmente não sabem muito e podem menos) , os da oposição a tentar ir para o governo, a maioria da população afogada em impostos para os manter a todos, governo e oposição, no estilo a que estão habituados.

A vergonha, virtude que num político é fatal, continua a primar pela ausência, como mais uma vez nos veio explicar o senhor César :  os políticos das  Regiões Autónomas recebem ajudas de custo para as suas deslocações mas percebeu-se agora que usam o sistema  de modo a, digamos, ficarem com o troco, tendo assim alegremente burlado o Estado em centenas de milhar ao longo dos anos. Comentário do César : é legal e é assim desde 1989. Ah pronto, se é assim desde 1989 não se fala mais nisso.

Também nunca mais vale a pena falar na outra deputada do PS que recebe há muitos anos dinheiro por viver  lá nas berças quando vai-se a ver e vive em Lisboa. Como ela há-de haver outros, de outras cores, não consta que haja alguns com a hombridade de dizer “receber ajudas de custo, sim, receber ajudas de custo para um custo que não existe é ROUBAR e isso não faço”. Faz sim , fazem todos, seguindo uma argumentação certamente  cara a gente como o César : fazem todos, logo, eu também faço e não me chateiem.

Agora o PS propõe aumentar os vencimentos dos gabinetes em 5%. Não é o salário dos eleitos, é o salário dos nomeados, de toda a multidão de assessores e secretários que pelos vistos andam com salários de miséria. O governo anterior , numa tentaiva fraquinha de enviar um sinal e reduzir custos, cortou esses salários em 5%. Como agora se convencionou, sem nenhuma fundamentação real,  que a austeridade acabou, há que voltar a repôr as desiguladades e privilégios da casta dirigente.

É uma questão de prioridades: se o país está endividado até aos olhos, e a piorar, e se o cidadão cada vez está mais agastado e desconfiado com o festival de roubalheira, impunidade  e incompetência de quem nos gere ( no outro dia inventaram um “leilão  de rendas acessíveis”, coisa que deve ter provocado gargalhadas por essa faculdades de economia) , o que há a fazer é aumentar os salários e benesses dos políticos e seus séquitos. Parece-me inteligente, mas assim de uma maneira especial.

Também vi uma foto do Rui Rio ao lado do Costa e o título algo como “já está em preparação a agenda para Portugal em 2020”. Entre o Costa e o Rio via-se o Pedro Nuno Santos, uma sumidade que nos tempos da crise defendia que devíamos dizer  “não pagamos” e fazer tremer a pernas dos banqueiros alemães. Assim que chegou ao governo teve uma epifania e percebeu que não podia ser bem assim, se lhe perguntarem agora aposto que é fã de ter os pagamentos em dia. Esse indivíduo há uns tempos disse “o PS nunca mais vai precisar da direita para governar”, e até é capaz de ter razão porque o que se entende dessa sessão fotográfica e declaração sobre a “agenda para 2020” é que o governo vai ser com o PSD.

Gostava muito que um jornalista perguntasse ao Rui Rio: descreva 3 pontos em que o PSD difere hoje do PS. Se calhar já perguntaram e ele já respondeu mas eu não vi, se alguém souber por favor indique-me.  Tanto quanto sei não há diferenças a não ser talvez de estilo, de resto é meia dúzia de uns para  seis de outros. Os comunistas, pela voz de um gajo que parece que foi o produto de alguém que pediu : por favor desenha-me um comunista, já explicou que o PCP não apoia o governo.É verdade que existe uma diferença entre  viabilizar e apoiar mas há palavras que descrevem bem os que viabilizam aquilo que não apoiam.

Também reparei , ao retardador como de costume, que o Lula finalmente foi dentro. Por cá organizou-se logo (à conta do contribuinte, aposto o que quiserem) uma conferência  “Em Defesa da Democracia”, protagonizada por gente que há décadas louva e apoia os governos mais totalitários do planeta e pessoas cuja notoriedade continua para mim incompreensível, como é o caso de uma mulher que aparece porque é viúva de um escritor famoso. Acho muito bem que se juntem e protestem  contra a prisão dos seus correligionários, que é sempre um golpe  ao contrário da prisão dos adversários que é sempre uma triunfo da justiça. Podiam era fazê-lo com o próprio dinheiro e não conspurcar a noção de democracia: chamavam-lhe “Em Defesa do Lula” e ninguém se podia chatear com isso.

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