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Desligado

Ao fim de uma semana sem internet em casa o balanço é muito positivo, além da cativação da despesa  (método que aprendi  com o governo) que dá folga para outras coisas, sobram-me horas que passo na jardinagem e no cuidado das terras, pastagens e dos bichos, o trabalho nunca está feito e é muito mais gratificante e enriquecedor do que passar horas a ver  o que dizem as pessoas do twitter ou dos jornais e dez  idiotices por cada coisa interessante do  facebook.

Desligando  a internet desaparecem da nossa vida uma série de problemas como o governo, a oposição, o Trump, o Médio Oriente, o feminismo radical,  o islamismo radical ou não, os cancros do futebol, o aquecimento global e todos os outros problemas que enchem  a comunicação social e  preocupam pessoas informadas. Um homem deprime-se  sem necessidade nenhuma a manter-se a par das desgraças e misérias e a falar sobre elas, e isso acontece porque os écrans nos estão sempre a bombardear com informação e publicidade e a “convidar ao diálogo”, por alguma razão todos fomos convencidos de que nossa opinião não só é relevante como interessa a alguém, há que alimentar o ciclo com a descoberta de acontecimentos e comentários sobre os mesmos, de preferência em tempo real, que duram até ao próximo acontecimento e assim ad infinitum,  nunca se resolvendo problema nenhum mas sendo garantido que toda a gente ou quase falou e ouviu falar sobre o tema.

Pelas minhas contas estava a passar todos os dias quase 3 horas a pastar na internet, mesmo compensando não haver TV parecia-me demais e não estava a melhorar a minha vida em nada, antes pelo contrário. De vez em quando até notava a neurose de olhar para o telemóvel quase como tique, isso nunca pode ser bom. Para as necessidades  mais corriqueiras da internet, emails, encomendas, pesquisas, publicações neste blog,  uma foto de algum animal no instagram ou outras coisas mundanas ou não, posso sempre dar um saltinho a casa do meu vizinho, que diz que se ficasse sem  internet agora se calhar matava-se.  Além disso há 3 cafés com wifi, pelo que não queria nem podia desligar-me completamente, isto é só um racionalizar da coisa, vamos ver se dura como espero ou se vou vacilar e começar a arranjar razões pelas quais é imprescindível ter internet em casa.

Outro efeito secundário benéfico, ando a repassar para o computador a minha colecção de CDs, que não é enorme mas também não é ridícula, e a ter um gozo enorme a ouvir de ponta a ponta álbuns que não ouvia há 15 ou 20 anos. Muitos deles são álbuns que ouvi centenas de vezes e sei de cor, acho alguma graça às diferenças que noto nas letras e no que me diziam então e me dizem agora, fruto não só da passagem do tempo  como de o meu inglês  hoje ser diferente do de há 20 anos. De qualquer maneira, sei que se ouvisse hoje pela primeira vez o verso There’s a feeling I get when I look to the West and my spirit is crying for leaving ia ficar tão impressionado como fiquei aos 13 anos. No campo da música, tal como no campo da literatura, pela parte que me toca podem fechar a loja, já tenho com que me entreter e embelezar os meus dias até acabarem.

O Inverno tem estado  ameno, ameno, esta semana vem aí   um temporal   mas é o primeiro de registo deste Inverno e caminhamos para o fim de Fevereiro, há quem diga que isto se vai pagar tudo com juros na Primavera, prognóstico baseado entre outras coisas no tempo que fez no dia de Sta. Cecília.

 

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