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Pesos, Medidas e Trump, outra vez

Quase todos os dias alguma novidade da administração americana me causa um refluxo gástrico. É verdade que me podia preocupar mais com a nossa administração, mas quanto à nossa já cheguei a uma conclusão: os problemas estruturais de Portugal são insolúveis e enquanto o fundamental estiver assegurado (a pertença à UE e ao Euro) o resto são detalhes, as decisões de peso tomam-se noutras paragens e de qualquer maneira a maioria das pessoas não quer saber. 200 euros em gambas contribuem para  um escândalo nacional, 200 milhões da Santa Casa para um banco a falir não incendeiam as redes sociais.  Não há nada como uma pessoa perceber que a situação não tem remédio para deixar de se preocupar. As pessoas acham importante  saber com quem vai casar o neto da rainha de Inglaterra, como está a saúde do Salvador Sobral e coisas do género, e quem se agasta e preocupa com questões políticas , ainda mais estrangeiras, tem as prioridades trocadas. Por cá está tudo bem.

Já a situação nos EUA me assombra não só pelo impacto num país que me era caro e que conhecia bem mas também  porque nem três clones do João Galamba a falar todos os dias conseguiriam atingir um nível tal de mentira, falta de nível, ofensa e  hipocrisia política como o Trump consegue. Todos sabemos que a política é feita de hipocrisias e distorções mas devia haver mínimos, ou máximos a partir dos quais se retirava a confiança aos governantes, especialmente em democracias, mas não, nem que esfreguem este gráfico na cara dos apoiantes do Trump eles vão admitir que este homem não é de confiar . O Obama, em 8 anos de presidência, mentiu confirmadamente 18 vezes. Este em menos de um ano  já vai em   103.

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Mais do que me chateiam  as mentiras e canalhices do presidente irritam-me muitas  opiniões e análises que vou lendo por cá. Nada me fará mudar de opinião sobre o Trump, especialmente porque pessoas daquela idade não  mudam, e o facto de se conseguir desculpar e apoiar um homem com a estatura moral de uma ratazana de esgoto deixa-me doente.

Claro que se pode concordar com as políticas da sua administração (dizer que são dele é admitir que ele seria capaz de delinear e implementar uma política, já está provado que não é) , se formos contra a imigração, a segurança social e a favor de mão pesada da polícia, por exemplo, é normal que se goste do homem, mas há uma coisa que me tem dado um nó na cabeça e que infelizmente ninguém explica nem , que eu saiba, pergunta claramente aos trumpistas nacionais: como é que aumentar o deficit em 1,3 triliões de dólares é saudado como uma coisa boa? É que as pessoas de direita que apoiam o Trump são as mesmas que, por cá e com o meu apoio, exigem déficits menores e controlados. Essas pessoas agora aplaudem uma explosão do deficit porque se baixaram os impostos, e eu não entendo. Déficit grande é mau cá e bom lá? Se calhar é e eu não percebo. Aplaudem estes cortes de impostos que , segundo todas as análises e cálculos, beneficiam desproporcionalmente os muito ricos, indo ao extremo de incluir um benefício fiscal a quem tenha um jacto particular, e o pessoal aplaude. Um senador republicano em fim de mandato, Bob Corker, anunciou que ia votar contra. Introduziram uma emenda que dava mais beneficios fiscais a quem, como ele e o Presidente, tem empresas imobiliárias, ele mudou de ideias e já votou  a favor, e anunciou isso sem vergonha frente às câmaras.Hienas.

Ontem o presidente anunciou a sua primeira comutação de uma pena, prerrogativa presidencial, a possibilidade de reduzir a pena de alguém que se acredite merecê-lo. Os EUA têm talvez a maior população prisional do mundo, nos milhões atrás das grades haverá milhares de casos de penas desproporcionais ou  controversas e reclusos merecedores. Trump decidiu comutar a pena a um milionário condenado por fraude bancária. 

Não há um limite moral? Por mais que se admirem as políticas, será que se pode continuar a apoiar um homem assim, que nem tenta disfarçar os seus instintos e motivações? Outra : por cá a direita, e mais uma vez com razão, do meu ponto de vista, argumentou que o crescimento económico nestes anos da geringonça se devia principalmente às medidas e reformas do governo anterior. Extraordinário que essas mesmas pessoas publicitem que o crescimento nos EUA neste ano é da “economia Trump”, resultado das políticas desta administração. Mas não vêm a incongruência nisso? Como na história dos déficits bons e deficits maus, aqui o crescimento deve-se a políticas passadas, lá deve-se ao governo actual. É demais.

Gostava de escrever mais sobre a ilha, os animais, os barcos, a cerveja artesanal, a época  e coisas assim mas isto enerva-me de tal maneira que tenho que ventilar, e como o cão e o gato não são sensíveis à problemática, é mesmo aqui.

 

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