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Feminismo

“Feminismo”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/feminismo [consultado em 01-11-2017].

Movimento ideológico que preconiza a ampliação legal dos direitos civis    e políticos da mulher ou a igualdade dos direitos dela aos do homem.

É preciso ter umas certas carências em determinados sectores cognitivos   ser um bocado estúpido para se ser contra o feminismo. Apesar da evolução enorme das últimas décadas todos os dias temos à disposição exemplos de faltas de respeito, desigualdades, abusos e  violências sofridos por mulheres só por serem mulheres, e essas coisas não desaparecem sozinhas, é preciso que se fale nelas, que se exponha, denuncie e que se exija mudança.

Claro que não há bela sem senão, e muita gente escolheu o feminismo como modo de vida, nalguns casos carreira, e naturalmente começou a extrapolar a definição tão simples, clara e básica do movimento. Vieram ao de cima algumas hipocrisias e muita gente, de ambos os lados do debate, se esqueceu de que a pedra de toque é “igualdade de direitos” e não “igualdade” . Por vezes parece-me que se perde de vista esse  essencial para focar no acessório , como os piropos na rua ou a cor das roupas das crianças.

Algumas notas que, se eu fosse uma pessoa “relevante”, talvez me  garantissem  denúncia e opróbrio público das feministas de linha dura:

  • Se somos pelos direitos iguais para as mulheres temos que o ser para todas as mulheres. Feminista que não denuncie a vergonha e abjecção  que é o tratamento das mulheres no Islão e não condene de viva voz e a cada passo a miséria e condenação à inferioridade das mulheres nos países muçulmanos,  é uma impostora sem vergonha.
  • Se as mulheres se queixam, com razão, da sua objectificação sexual por parte dos homens têm que ser elas a deixar de se objectificar, porque a objectificação não funciona sem a colaboração activa da mulher. As mesmas revistas cheias de críticas ao machismo estão cheias de dicas para agradar aos homens, numa coluna exortam a que as mulheres se sintam bem consigo próprias como são, na seguinte explicam como perder peso ou pintar-se melhor.
  • As mulheres queixam-se, com razão, de serem sujeitas a violências por parte dos homens mas é muito raro ver uma admitir o poder gigante que têm sobre os homens e as violências (raramente físicas mais ainda assim violências) e manipulações que muitos homens sofrem.
  • Se as mulheres reclamam igualdade de tratamento não devem a  seguir queixar-se do “fim do cavalheirismo” e coisas do género.
  • Se uma mulher é homossexual não é a pessoa mais indicada para se pronunciar sobre as  relações íntimas entre homens e mulheres .
  • Se o feminismo é realmente a nossa luta não podemos escolher os alvos e as causas consoante as preferências políticas ou religiosas dos intervenientes.
 O tal Weinstein de Hollywood é um porco abusador , mas  quantas mulheres não saíam do escritório dele satisfeitas por os seus encantos naturais as terem ajudado a cumprir os seus objectivos? Quantas mulheres ao longo da História não usaram , sugeriram e encorajaram o uso dos atributos físicos para subir na vida sem escandalizar nenhuma feminista? Quantas mulheres confiaram no seu aspecto, na sua qualidade de objecto, para garantir carreira e futuro? Como é que por exemplo a Marilyn Monroe pode ser um ícone do mundo feminino quando não passava de uma cabeça oca  com um palminho de cara? Foram principalmente mulheres como ela  que subiram ao “panteão” feminino e isto é culpa dos homens que as lá puseram mas também  das mulheres que aceitam e  trabalham nesse modelo, basta ver televisão ou cinema.
Foi há quase 30 anos mas lembro-me como se fosse ontem, o pai do meu melhor amigo na altura apanhou-nos  a jeito  e explicou-nos uma das maiores verdades da vida,  peço  desculpa pelo vernáculo mal disfarçado mas com eufemismos perdia o efeito:
As mulheres é que mandam porque fo#em quando querem. 
É verdade que o viagra mudou um bocado a equação e hoje um homem já pode ter sexo sem ter vontade, mas durante toda a História da humanidade as mulheres usaram o poder imenso de serem capazes de ter sexo mesmo sem lhes apetecer, de fingir desejo e paixão, para controlar os homens, que é bem sabido pensam em pouco mais do que isso. Esta capacidade incrível de manipulação e controlo raramente é posta na balança quando se avalia e compara o poder relativo de homens e mulheres.
Por cá em termos de feminismo somos liderados pela associação “Capazes“. Não duvido de que haja gente em Portugal que duvide da capacidade das mulheres para seja o que for, deve ter sido a pensar nessas pessoas que escolheram esse nome.
O site está repleto de textos estereotípicos e em geral bastante maus, muitos deles claramente saídos de um desgosto de amor que leva a autora a descobrir o seu eu interior e a sua capacidade de ser independente,  vai ao saco das banalidades gastas ou da moda (resiliência, celebremos a resiliência) e presenteia os leitores como as maravilhas do eterno feminino.Claro que seria idiota um site de gajos a partilharem textos sobre dor de corno sublimada e como é bom não precisar dessas cabras para nada, mas sendo mulheres é pedagógico e libertador.
Quanto a lutas, umas sim outra nem por isso, e tem que haver um processo. Houve um juiz que passou uma sentença quase islâmica num caso de violência doméstica e o país que não vive nos princípios do século passado ficou chocado. Alguém criou uma petição , não sei se para demitir o juíz se para quê mas em todo o caso, contra uma decisão tão retrógrada. As Capazes acharam que só havia uma entidade para liderar a luta, elas, e em vez de assinar e divulgar a tal petição fizeram a delas, e basta ir ao twitter para se ver o orgulho na “nossa petição”. É esta pequenez que as torna um bocado cómicas, tal como o facto de a líder das capazes não se calar com igualdade e coiso quando a generalidade das pessoas pensantes sabe , porque vive em Portugal, que a Rita Ferro deve a sua carreira a ser filha de quem é pelo que devia ser muito , muito discreta quando se toca no tema. Outra figura de proa do movimento é uma jornalista que em tempos foi namorada do criminoso que chegou a primeiro ministro e na altura não estranhou nem lhe pareceram perpetuação de estereótipos machistas  as prendas milionárias . Um homem usar dinheiro para conquistar e agradar a uma mulher só é machismo se as mulheres em causa não formos nós, porque se formos até é uma terna prova de amor. Amor que, claro, pode ser uma construção do heteropatriarcado inventada para dominar e condicionar as mulheres ou do mais bonito que o mundo tem, consoante a vida nos esteja a correr na altura.
Outra actualidade: um membro destacado do PS que até foi Ministro da Cultura (!)  foi condenado em  tribunal por arriar forte e feio na mulher. Apanhou pena suspensa, o que serve de exemplo e encorajamento a outros, saber que neste país dar uns murros e bofetadas na cara metade  não mete ninguém dentro . As Capazes, que têm gatilho leve quando vislumbram injustiça, até ver não se pronunciaram. Por coisas muito menos graves (lembram-se dos livrinhos para meninas e meninos?) chateam de morte o povo, levantam algazarra, indignação e campanhas ferozes.Perante um caso claríssimo em que um homem poderoso agride a mulher e se safa , caladinhas.
Isto do feminismo é um bocado como a religião : acreditar em Deus não faz mal, até pode ser bom, mas não se metam com as igrejas nem confiem nelas.
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2 thoughts on “Feminismo

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