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Meninos e meninas

Vai uma grande comoção no meios pensantes e discursantes por causa dos estereótipos de género. Uma vez que já  resolvemos   o problema do déficit, da dívida externa , da competitividade da economia, da sustentabilidade da segurança social e agora que o país tem resposta segura contra  calamidades naturais e outras ameaças, é normal que nos passemos a preocupar com coisas sérias e cruciais, de verdadeiro interesse nacional, como por exemplo porque raio é que o azul é para meninos e o rosa para meninas.

Sim, apesar de pessoas de raciocínio mais limitado quererem fazer passar a ideia de que há problemas e ameaças mais reais e graves à sociedade  (a dívida, os incêndios descontrolados, o racismo, a corrupção) do que os estereótipos de género, há muitas pessoas das  vanguardas intelectuais  para as quais esses são agora a questão primordial. Se não ouviram falar disto nos últimos dias, óptimo para vocês, passem à frente e ignorem este post.

Um filho de uma grande amiga minha , miúdo que me mete medo porque vejo-o claramente como deputado do PC ou do Bloco aos 22 a regular-nos a vida sem nunca ter tido um emprego, que foi criado como todos os outros, vestido de azul em bebé e a brincar com bolas e carrinhos, acha e grita  que a Porto Editora , por ter partes de livros diferentes para meninos e meninas, é de um grande atraso moral e mental e não devia ser permitida em 2017. Este jovem aspirante a fiscal da moral rejubilaria se o comissariado encerrasse a empresa como castigo, e as consequências económicas que se lixassem , primeiro porque esta juventude militante tem pouquíssima noção de como funciona uma economia e depois porque o que interessa é o plano moral superior em que  alegadamente se encontram. Os conservadores são todos estúpidos e atrasados.

Como ele há cada vez mais, até que os socialistas rebentem outra vez com as finanças públicas e as pessoas voltem a ter preocupações mais mundanas e reais. Um dos catalizadores destes debates é o site feminista “Capazes”, onde se luta pela igualdade do que não é igual.

As mulheres sofrem muita injustiça, desde sempre mas  menos agora, menos no Ocidente, desde que o capitalismo permitiu um nível de prosperidade e liberdade individual que o socialismo sempre negou, mas ainda assim há muita injustiça e tratamento desigual. Isso é mau e deve ser combatido.

Daí a reclamar-se igualdade vai uma distância bastante grande porque da ultima vez que pude observar de perto uma mulher pude confirmar que as desigualdades são biológicas , físicas e mentais, por estranho e ofensivo que pareça uma mulher é diferente de um homem, tem partes diferentes e pensa de maneira diferente. Pode igualmente parecer estranho a muita gente mas é assim por todo o reino animal, a fêmeas diferem sempre dos machos e é isso que faz evoluir e progredir as espécies, a diferença entre machos e fêmeas. Na minha humilde opinião este devia ser o ponto de partida no debate, mas é muito possível que esteja errado e que o ponto de partida deva ser a noção  de igualdade.

Acredito  e defendo que uma mulher deve receber o mesmo salário pelo mesmo trabalho. Acredito que uma mulher deve ter  os mesmos direitos que um homem. Acredito que uma mulher deve ser livre de determinar sozinha o seu modo de vida e de não ser sujeita a opressões e agressões, mas isso é por defender  o direito fundamental à vida, liberdade e procura da felicidade para todos. Não sou contra o assédio sexual das mulheres, sou contra o assédio sexual.Não sou contra a violência sobre as mulheres, sou contra a violência.É assim tão complicado?

Se lutássemos por isso, se as feministas lutassem por isso, reconhecendo as diferenças fundamentais entre os géneros, a luta seria menos amarga e chegar-se-ia lá mais depressa. Mas não , há demasiados mestrados em ciências de género e gente que é paga para encontrar e aumentar problemas, para amplificar problemáticas , e com isso se distraem as pessoas do fundamental , que é garantir a liberdade , segurança e  direitos iguais para todos.

Ninguém me convence que deixar de vestir as meninas de rosa e os meninos de azul contribui para uma sociedade melhor, até porque pelo menos no que diz respeito à sexualidade não vai ser a cor do babygrow que vai determinar nada , como deviam estar fartas de saber as feministas&outros activistas. Se a menina tiver aptidão e gosto por números podem-lhe encher o quarto de barbies que ela vai querer é fazer contas, e se o menino tiver talento para  cozinheiro  podem dar-lhe centenas de carrinhos que ele vai pensar é em refogados. Podem contrariar isto dizendo que os talentos, tendências e aptidões não são inatos, eu acho que são mas mais uma vez , posso estar errado, gostava que me corrigissem, se for o caso.

O problema não está em haver livros , cores e brinquedos para meninos e meninas , está em haver pais que não prestam suficiente atenção aos seus filhos para perceberem o que eles são e para onde querem ir, e se os pais não tiverem essa sensibilidade podem vesti-los de castanho claro ou magenta e dar-lhes igual proporção de carrinhos e bonecas que não vai fazer diferença nenhuma. O problema está mais em haver pais que se projectam nos seus filhos e os condicionam, para aqui ou para ali, do que em haver diferenças em como vestem as crianças ou nos  livros que lhes lêem  filmes que os põem a ver.

Quanto à questão das quotas obrigatórias, eu acho que fazem falta mais mulheres em posições de chefia, mas o argumento para conseguir isso não pode ser o da igualdade, porque ou bem que há ou bem que não há e não vejo as Capazes a reclamar quotas para mulheres nos serviços de recolha do lixo nem nas minas ou na construção civil, nem me lembro de ouvir pessoas a reclamar que há poucos enfermeiros ou educadores de infância. O modo de ter mais mulheres no topo não é forçar o topo, é criar condições para que todas as mulheres possam subir até onde conseguirem.

A questão de fundo e  a luta para mim deve ser pela  igualdade de direitos e oportunidades e  pelo respeito pela liberdade individual de todos. Se são contra o azul para os meninos e o rosa para as meninas, têm bom remédio : usem outras cores nos vossos filhos, chamem-nos por números ou outros vocativos até eles escolherem o próprio nome e sexo, não lhes comprem livros que distingam entre sexos e contem-lhes apenas histórias politicamente correctas e formatadas à modernidade  mas deixem de querer impor determinada visão do mundo a todos, deixem de querer ser os polícias dos costumes.

Da minha parte se tivesse filhos vestia-os sempre todos de preto , só por causa das coisas.

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