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Adeus América

Antes do Trump ser eleito presidente já tinha decidido que nunca mais voltava à América, não por ter medo ou me sentir menos bem vindo, ainda tenho mais 8 anos de visto válido se ele não se lembrar de os revogar todos, era mesmo por  já não estar lá muito à vontade e estar cada vez mais desiludido com o país. Por isso e também   porque tenho tudo o que preciso aqui, a minha terra basta-me, as minhas ambições são a esta medida.

Depois do que se passou no fim de semana passado ficou ainda mais claro, no caso de ainda haver quem não percebesse, o caminho que a América  está a tomar. Para quem não sabe, versão curta:

-Decidiu-se retirar uma estátua de um general confederado em Charlotsville, VA

-Os confederados, na guerra civil americana, lutaram pela manutenção da escravatura.Perderam a guerra e contra a sua vontade os escravos foram libertados.Durante mais 100 anos depois disso os pretos foram discriminados e maltratados nas terras da Confederação. Há quem continue a celebrar a Confederação.

– A maior parte dos americanos acha que a História começou em 1776 e muitos acreditaram que retirar uma estátua era apagar a História, como se por não haver estátuas do Hitler ou do Estaline nós não soubéssemos quem eles foram. Ignoram , ou fingem ignorar , que um monumento é uma celebração e que há coisas que não devem ser celebradas.

-A extrema direita convocou uma manifestação contra a retirada da estátua, chegando lá às centenas com bandeiras confederadas , bandeiras nazis, archotes, armas de fogo e a cantar slogans de gelar o sangue como “os Judeus não nos substituirão”. Além da brutalidade destes grunhos sobressai a sua ignorância épica, se alguém está para substituir os wasps certamente que não são os judeus, mas eles são bestas impermeáveis à realidade.

-Houve uma contra manifestação , confrontos,  mortos e feridos.

-O presidente, depois de muita insistência, condenou aquilo mas disse que “houve violência de ambas  as partes” e “havia muita gente boa dos dois lados”, entre outras declarações que terminaram com “tenho uma das maiores vinhas dos EUA, sabiam?”. Este homem    defendeu que se pode marchar ao lado de nazis e ser boa pessoa. Não pode. Uma boa pessoa pode gostar de História, levar a sério monumentos e ser contra a sua remoção, mas no momento em que entram em cena os nazis, uma boa pessoa no mínimo vai-se embora.

Não nos equivoquemos, eles levavam as bandeiras, as fardas, os slogans, não estavam ali para serem discretos ou ambíguos, e quando há nazis e pessoas a lutar contra eles não há dois lados equivalentes. Não há. Os outros podem ser comunistas , anarquistas , hippies seja o que for, mas não estavam lá para promover o socialismo, estavam lá para lutar contra os nazis, que é o que toda a pessoa decente deve fazer.

O Trump mostrou  a sua verdadeira face a quem ainda não sabia e  a quem é estúpido e leva seis meses a perceber uma evidência. Não foi capaz de condenar inequivocamente a extrema direita, mesmo em face de mortos , racismo aberto e violência nas ruas. É este o presidente dos EUA, que agora nomeou para director de comunicações da Casa Branca uma relações públicas ex modelo de 28 anos com um curso de uma universidade religiosa  . Como referências profissionais, a senhora trabalhou a promover a fashion da filhinha do presidente e os seus resorts turísticos, pelo que a aptidão para as mais altas esferas da política é evidente.  A linha do tweeter do homem é um festival de declarações confusas, provocações, meios raciocínios, mentiras claras, ataques mesquinhos, ameaças e basófias, é o preciso inverso do que se esperaria de um estadista.

Tudo isto mete nojo e o homem , que recebe diariamente um dossier de notícias positivas sobre si para o “manter calmo” e não se consegue concentrar num documento de mais de uma página, está claramente numa realidade alternativa, acredita-se formidável quando a parte do mundo que não tem medo dele goza com ele.

Há uma América longe dos noticiários e jornais, uma América pacífica, tolerante, honesta e inteligente, mas com este homem ao leme cada dia essa América está mais sob ataque. Há mais protestos marcados contra retiradas de estátuas, e a aposta certa é que vai haver mais sangue. É de lembrar que o ano passado quando os índios do Dakota protestavam desarmados contra a contaminação da sua água o Estado respondeu com tropas e carros de assalto.Os nazis levam armas , bandeiras do III Reich e fazem a saudação nazi e o Estado manda um cordãozinho policial.

Há nesta falência  moral explícita do Trump uma vantagem: quem o apoia já não tem mais nenhuma desculpa, ele já assumiu as suas convicções mesmo que não percebesse o alcance e significado do que estava a dizer, como acontece frequentemente. Para ele os nazis são tão maus como os anti nazis. Quem o apoia pensa o mesmo, era bom que tivesse a coragem de o dizer  sem vergonha nem ambiguidade , para sabermos com que linhas nos cosemos.

Da minha parte não há mais desculpas, qualquer pessoa que apoie o Donald Trump é ou simpatizante da extrema direita ou um idiota.

 

PS: antes que me venham com os comunistas, espécie que também está na minha lista negra : assim que houver uma marcha de comunistas, lá ou cá,  a gritar insultos raciais e a incitar e defender a violência , trazemos os comunistas ao barulho. Até lá, há que não misturar as coisas e combater um totalitarismo de cada vez.

 

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