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S.Pedro

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Ainda não sei se estou contente ou não por ser o oficial do S.Pedro, essa beleza que se vê na foto. Acho que já disse vezes que chegue que sou eu porque mais ninguém se chegou à frente, acho que toda a gente percebe que ninguém pode entrar num bote baleeiro pela primeira vez em em Junho e classificar-se numa regata em Agosto, mas não tenho a certeza.

Já expliquei o melhor que consigo que só porque já naveguei centenas de milhar de milhas e vi mares do todos os feitios isso não quer dizer que tenha a ciência infusa e que compreenda e domine uma máquina e tripulação destas assim num instante.

Já tentei fazer saber que por mais qualidades de comando que possa ter a coisa funcionou sempre  bem com 3 marinheiros que sabiam  uma fracção do que eu sabia em barcos em que consigo  fazer tudo sozinho e que se “alistam” por viagens de 2 ou 3 meses mas  é tudo muito diferente com 6 , alguns dos quais com muito mais experiência em botes e vela ligeira do que eu e com muito mais espírito competitivo. Se dar ordens ,ser o responsável e manter uma tripulação coesa e treinada  fosse o que mais gosto de fazer na vida não tinha deixado de ser skipper profissional.

Não tenho espírito competitivo, claro que ganhar é bom mas há coisas muito mais importantes (senão pensasse assim não era do Sporting) , no caso dos botes para mim mais importante do que vencer ou mesmo correr é simplesmente preservar os botes e  navegar neles sem ter que necessariamente andar mais depressa que os outros. A minha carreira foi feita de chegar lá em segurança, com tudo inteiro e num tempo normal, o meu trabalho era esse, não era tirar o nó de velocidade extra nem bater o tempo de ninguém.As vezes em que cheguei antes de outros em competição informal  deram-me muita satisfação mas os percursos mediam-se em semanas e centenas de milhas, não era em minutos à volta de bóias.

A motivação da participação nas regatas em outras ilhas é, para a maioria das companhas aqui, precisamente a viagem a outras ilhas e a festa , eu ficava satisfeito da vida se nunca navegasse mais longe do que ao largo das Lajes, talvez um dia ao Corvo.

Temos saído algumas vezes, finalmente conseguimos sair dois dias seguidos com a  mesma companha, a  que, em princípio, vai ser a que vai estar na Horta . Da minha parte noto um progresso enorme em relação à primeira vez que peguei no leme de um bote mas, como em tudo o que se leva a sério, quanto mais se aprende mais consciência se tem do que falta aprender.Isto não é uma questão de fé. Há moços que estão bem contentes assim como está, há outros que estão um bocado frustrados com o andamento e o meu desempenho como oficial, ou porque já viram melhor ou porque acham que fariam melhor, é natural, não me incomoda nada .

Mas vamos para o Faial para apanhar uma bebedeira ou para ganhar?! perguntava um moço que se juntou agora à tripulação, é o que sabe mais e fez muita  diferença porque finalmente a genoa ( gibra) é bem manobrada, viramos em metade to tempo com ele lá. Moço muito competitivo.

O mestre é que sabe…. disse outro. Eu disse que para mim o objectivo era dar o máximo,chegar ao fim,  não fazer figuras ridículas e, caso o Formosa vá competir com uma tripulação das Flores (pouco provável ) , chegar à frente deles. Participar, aprender e voltar de lá com uma tripulação motivada para começar a trabalhar com o ano que vem em vista e para se romper com esta sina malvada em que nada tem continuidade, é tudo aleatório , improvisado, desorganizado  e mal planeado. Voltar de lá com a confiança de que podemos melhorar e para o ano já vamos pelo menos dar que fazer aos craques do Pico e do Faial e representar a ilha em condições.

Para que se tenha uma medida da nossa organização, esta tarde vamos pela primeira vez, a 12 dias da prova, deitar umas bóias de regata na baía das Lajes para em vez de ir para aqui, virar, ir para ali e virar outra vez podermos finalmente dar umas voltas a um percurso com bóias como numa regata a sério. A 12 dias da prova, e não foi o Clube Naval que teve essa ideia de treino revolucionária nem faz mais do que dar-nos a chave do sítio onde estão essas bóias.

Faltam doze dias para a regata e temos exactamente mais 2 dias para treinar,  o tempo vai refrescar na quarta e na quinta e na sexta já embarcamos os botes no navio de passageiros a caminho do Faial, só lhes voltamos a tocar na rampa quando for para arriar para a regata . Adormeço a pensar nisto e acordo a pensar nisto.

 

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