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Outra Ilha

Amanhã vou com o resto da tripulação da Formosa para Santa Maria participar no Campeonato Regional de Botes Baleeiros e acho que se fosse eu o oficial (homem do leme) esta noite não dormia, mas como felizmente já não sou não estou nada preocupado, antes pelo contrário. O bote foi a semana passada no navio:

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Saímos daqui pelas duas da tarde para chegar ao fim do dia a Santa Maria, na sexta feira tiramos o bote do contentor e fazemos uns testes, as regatas são no Sábado e Domingo.

Dado que a minha política de base é “zero conflitos” e dado que não sei se alguém desta ilha lê isto ( aqui inventa-se muito, ouve-se uma braça e conta-se uma milha) não me vou alongar muito sobre as circunstâncias desta participação, sobre a organização e modo de funcionamento das regatas de botes baleeiros e sobre o modo como isso se faz cá, repito só que estou contente por fazer parte, que temos muita margem de progressão é que é possível que depois desta iniciação eu continue envolvido nisto no futuro, mesmo que a participação neste campeonato não tenha grande brilho…ou que seja mesmo completamente baça.

Santa Maria fica na outra ponta do arquipélago, e sei pouco  sobre ela: foi a primeira ilha a ser descoberta ; tem 5500 habitantes e é mais pequena que as Flores; tem um aeroporto que parece uma gare para uma pista gigantesca onde aterrava o Concorde; tem a única praia de areia branca das ilhas e tem  encostas escarpadas com uns acessos inacreditáveis onde se cultivavam  vinhas com esforço tremendo. Essas vinhas começaram a ser cultivadas logo no século XVI e a primeira vez que vi fotos delas pensei : era preciso estar mesmo num desespero por vinho para fazer aquilo. Estou agora mesmo a instruir-me um pouco na wikipedia e vejo que Sta Maria tem 36 igrejas e ermidas e 3 escolas, destas três aposto que duas são pós 25 de Abril e isto é o género de coisa  que para mim explica muito bem a condição do nosso belo país.

Vou cheio de curiosidade, sei que vamos ser recebidos e acomodados com hospitalidade e que não vai faltar convívio são (em terra) e passeios pela ilha, nestes intercâmbios entre os clubes todas as ilhas querem impressionar os visitantes das outras ilhas, e ainda por cima há um festival de música folclórica  o Maia Folk , que não é aquele folclore dos ranchos e gente desafinada e esganiçada a bater canas rachadas e massacrar acordeões, é musica popular de inspiração tradicional, como estes moços que vão lá estar, gosto disto:

Como a ausência é curta as ovelhas ficam em autogestão, amanhã de manhã ainda tenho preparações a fazer para as deixar todas com erva suficiente para estes dias, as galinhas vão ter que ser mais empreendedoras porque ninguém lhes vai dar milho, vão ter que esgravatar mais e procurar mais bicharocos e o meu vizinho vai cá passar para para alimentar cão e gato, que fazem companhia um ao outro, vou descansado.

 

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