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Fez-se o Possível…

A única coisa fora do normal no incêndio de Pedrógão Grande é o número de vítimas, de resto é a sina nacional, todos os Verões temos que arder, e ardemos  porque somos mal governados  e organizados.

Fiquei agoniado ao ler as primeiras reportagens sobre a calamidade e ver  o António Costa , pessoa que anda há décadas  pelo topo das hierarquias políticas do país e que hoje é primeiro ministro mas certamente que não tem responsabilidade nenhuma nesta tragédia. Tudo o que é bom , até um jogo de futebol, tem louros a ser recolhidos pelos políticos.Quando há catástrofes, já ninguém tem tomates para se chegar à frente e admitir que falhou. Acho que já se sabe de quem é a culpa, de um raio que caiu numa árvore. Seria uma vergonha se eles a tivessem. Já o Presidente cumpriu como de costume, foi logo para o local, abraçou, chorou, falou e não disse nada. 

Morrem 62 pessoas mas o que se faz é rezar, lamentar, apelar à solidariedade e  louvar o heroísmo e bravura dos bombeiros, coisas que (tirando as rezas) têm que ser feitas mas que não vão impedir que dentro em pouco aconteça outra calamidade assim . Sei bem que são coisas que não se podem fazer a quente mas gostava que alguém de responsabilidade política viesse dizer claramente:

-“Vamos trabalhar para rever todo o enquadramento e legislação relativa à floresta, para finalmente perceber o que é que está mal e o que é que tem que mudar , e fazer rapidamente reformas profundas ouvindo todos os partidos e os especialistas na matéria”.

Desde as espécies  escolhidas até ao regime fiscal dos proprietários florestais passando pelos meios de prevenção e combate sem esquecer o papel das Forças Armadas, tudo devia ser posto em cima da mesa para ser avaliado e, se necessário, mudado, doa a que interesses doer. Se 62 mortos não chegam para uma espécie de revolução na politica florestal, não sei o que será preciso.

Não me agrada ouvir o PM dizer que se fez o possível, ter-se-à feito o possível no que diz respeito a este incêndio em particular, mas quanto à questão geral não só não se fez o possível como se fez muita coisa mal feita. Também gostaria de ver os políticos responsáveis pela extinção da Guarda Florestal virem hoje explicar ao país o porquê da sua decisão; gostava de ver o mesmo em relação aos meios aéreos, à retirada da Força Aérea para a entrada de privados.Eu sou muito a favor da privatização de quase tudo, a chave está no quase e nunca me pareceu boa ideia privatizar a segurança e defesa do território nacional, que foi o que alguns iluminados fizeram com os meios aéreos de combate aos incêndios num negócio que tresanda a corrupção.

Assim que se enterrarem os mortos e os vivos estiverem cuidados há que pedir responsabilidade, não deixar governantes actuais e passados escaparem com um encolher de ombros com as suas decisões catastróficas.

Se não usarem esta tragédia para repensar e reformular uma política integrada de prevenção e combate a incêndios que nos torne similares a outros países comparáveis, para o ano, ou para o mês que vem, cá estaremos outra vez a lamentar hectares devastados e pessoas a sofrer mortes horríveis, como sucede desde que tenho memória.

 

PS: Canais de TV a pedir donativos por linhas de valor acrescentado e jornalistas a dizer coisas ao lado de cadáveres e a pôr microfones à frente a pessoas que acabam de perder entes queridos: Nojo.

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