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Fim de Semana cheio

Um benfiquista católico que goste de festivais, categoria que estimo incluir uns bons milhões de portugueses, vai estar  em festa este fim de semana. Eu não estou em festa mas também não estou incomodado por aí além, muito por não ver televisão e ter deixado de ouvir rádio .

Começando pelo festival , é-me bastante indiferente. Soube que o certame ainda interessava a alguém por houve celeuma na minha terra.Dois dos seus filhos mais dilectos (de quem muito gosto como artistas e tenho um deles como amigo) tiveram uma canção concorrente, que não ganhou e isso passou mal. Tive que ouvir, primeiro a canção deles e depois a que venceu e que vai representar Portugal, e uma vez foi bastante . A pensar em que ocasião é que me apeteceria ouvi-la outra vez, só me lembrei de uma vez que tivesse que adormecer um dos meus sobrinhos pequenos. Parece que o moço, além de transbordar de talento (dizem-me pessoas que o sabem identificar e cuja opinião eu sigo) tem uma história pessoal admirável  e além disso toda a gente vê que tem categoria, é o artigo genuíno e não mais um saltitão cheio dos  blings , swags e fashions diversas que empestam o mundo do espectáculo. Espero que ganhe mas se não ganhar é-me igual , continuo a não me interessar por  festivais.

-O título do campeonato de futebol não é nenhuma surpresa e mesmo que tivesse sido conquistado com toda a lisura de processos pelo puro suor e talento dos jogadores em campo e pelo génio táctico do treinador eu ia ficar aborrecido na mesma e seria sempre um dia mais triste. Em Julho cá estaremos para recomeçar, tenho esperança de melhorias por causa da implementação do vídeo árbitro mas é uma esperança ténue em melhorias ligeiras. Os festejos , tirando uns foguetes que se vão ouvir quando terminar o jogo e uma dúzia de carros que vão dar uma volta à ilha a apitar, também não me alcançam .  Na internet, é questão de ir passando as páginas mais depressa, a onda passa para a semana.  Se subscrevermos uma visão utilitarista da coisa, em que o objectivo  é o maior bem para o maior número , é óbvio que clube da luz ganhar outro título é positivo. É nestas alturas que a filosofia utilitarista mostra as suas limitações.

-Nesta altura a minha irmã está a caminho de Fátima a pé , o meu irmão já lá deve estar e a minha mãe vai seguir atentamente e com emoção a visita do Papa.A minha bisavó estava lá quando muitas pessoas viram o sol em movimentos vários e , contava-me a minha avó, estavam ensopadas da chuva e quando chegaram ao carro  estavam secos. Os meus pais conheceram-se em Fátima, eu cheguei a ir lá quando já não era obrigado e acho que estes exemplos  chegam para mostrar que é uma coisa que nunca levei com ligeireza ou desdém.

Não vou escolher este dia para entrar numa tirada sobre religião. Enquanto Fátima for um conforto e consolo espiritual para pessoas  cuja devoção não leva a prejudicar o próximo, não sou eu que me vou insurgir, reclamar ou achincalhar. Se há quem se queira arrastar um quilómetro de joelhos porque por algum raciocínio particular  acha que isso agrada à Senhora, deve ser livre de o fazer . O aproveitamento comercial e histeria mediática merecem sem dúvida críticas, mas nem todos acham que “aproveitamento comercial” é uma coisa necessariamente má e a histeria mediática só incomoda quem não é capaz de desligar o aparelho.

Gosto do espírito reformista do Papa,da sua bonomia e  da aparente vontade de combater alguns podres da igreja, mas nunca perco de vista que ele está ali como produto e símbolo máximo de uma instituição que para mim   se baseia em pressupostos falsos e leva séculos de mistificações e  manipulações, tantas vezes com resultados trágicos. Não há simpatia que ofusque isto. Há duas coisas que me incomodam quanto a esta visita, uma é a inconsistência filosófica de boa parte da Esquerda que nos governa ao embarcar em procissão para Fátima e mostrar-se papista , agora que o Vaticano faz barulhos sobre temas que lhes são caros e lhes interessa (por serem governo) uma espécie de estado beatífico do país, tipo campeões europeus mas em oração.A  outra é a afamada tolerância de ponto, que não tem justificação  nenhuma e é uma afronta à laicidade do Estado e à suposta igualdade de direitos entre os cidadãos.

Calculo que centenas de pessoas já estejam cansadas de fazer a alusão ao Fado, Futebol e Fátima , os 3 Fs que no tempo do Salazar eram o suporte da estabilidade e contentamento social. Eu gosto de viver num país estável e contente, não me agrada assim muito é o preço que se paga, em 1950 ou hoje.

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