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Tolerância de Ponto

Nos tempos da troika uma das coisas que estranhei  foi ver a esquerda radical  a protestar contra a eliminação de feriados religiosos.  Uma das lutas da esquerda é pela redução do tempo de trabalho, seja em dias seja seja em horas, e qualquer razão serve. Porque se achou conveniente ou mais confortável trabalhar 35 em vez de 40 horas por semana (ou 20 ou 60, de onde vem o 35 mágico? ) seja porque há que assinalar, por exemplo, que alguém disse há 500 anos que Nossa Senhora tinha subido ao céu a dado dia de algum Agosto. OS não crentes não protestam contra isto porque independentemente da razão pela qual se pára de trabalhar, um dia livre sabe bem a toda a gente e os feriados religiosos são tradições antigas.

Já as tolerâncias de ponto são uma coisa muito mais injusta porque separam os cidadãos entre funcionários do Estado e os outros. É uma benesse feita aos que o servem quando o princípio deve ser: havendo benesses, que sejam para  todos.  O Estado e os governos tratam sempre melhor os seus funcionários que o resto dos cidadãos, e isso irrita profundamente .Se os sindicatos não tivessem a última palavra nestas matérias acabava-se amanhã com esta discriminação, e ou é feriado nacional e pára tudo, ou não pára ninguém, para mim é justiça social elementar , sem sequer falar da questão religiosa.

O governo é Socialista e por extensão, laico. É apoiado por comunistas e trotskistas, por definição ateus e quando não ateus , agnósticos. Nas ocasiões de maior intensidade de demonstrações públicas de fé vão a Fátima talvez  um milhão e meio de pessoas, e em 100 anos acho que nunca o Santuário ficou vazio ou houve menos afluência por ser dia de trabalho.Quem é devoto vai.

Declarar tolerância de ponto, ainda por cima para o dia anterior à celebração  , (por coincidência feliz, sexta feira) significa que não resta muita vergonha nem há a mínima tentativa de ocultar o privilégio dos funcionários públicos, que é para manter. Os católicos devotos que não trabalham para o Estado vão ter que fazer como sempre fizeram e tratar das suas vidas de modo a poder rezar e adorar como querem. Os funcionários públicos, católicos ou não, ganham um dia livre.

Dos partidos que apoiam o governo esperava eu, por questão de integridade e de princípios, que fossem contra e erguessem o espírito da laicidade e da igualdade, mas só o invocam quando lhes convém, quando é para agradar ao povo com medidas que só custam aos privados e ao contribuinte, querem lá saber da laicidade e da igualdade. São de uma hipocrisia sem medo, ainda vamos ver o Costa em Fátima ao lado do Papa a acenar, e no dia seguinte é capaz de nos vir falar de humanismo ou de sacrifícios partilhados, enquanto a pessoa que ocupa a presidência vai tirar umas selfies e debitar umas banalidades sobre Portugal e o catolicismo .

Que um governo de esquerda, apoiado pela extrema esquerda, conceda  tolerância de ponto ao sector público para ir ver o papa seria ridículo se não fosse triste.

PS: tenho uma amiga funcionária pública, numa câmara socialista, e as tendências dela são muito para a esquerda. Já me disse que vai trabalhar, e eu gostava muito que alguém fizesse as contas a quantos funcionários vão no dia 12 de Maio fazer uma espécie de greve ao contrário e mostrar que a véspera da visita do líder dos Católicos não deve ser razão para fecharem serviços públicos, porque  o Estado não tem religião.

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