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Allez, La France!

Amanhã é a eleição mas importante deste ano , a presidencial em França. Está tudo em aberto e ao contrário das últimas desta vez não se  escolhe só entre dois sabores da mesma coisa, há opções muito claras e distintas.

Se fosse Francês votava Macron, não gosto de extremismos, não vou muito com revoluções e  ideais  elevados de refundação, prefiro o pragmatismo da gestão e avanços incrementais em vez de rupturas. Desde que vi o Trump ser eleito que me convenci de que um fenómeno semelhante se pode passar em França : as sondagens são enganadoras porque grande parte dos votantes não admite a sua intenção de voto,  isto a meu ver deve-se ao estigma associado a posições que se podem chamar racistas ou xenófobas , que não é por serem estigmatizadas que desaparecem. Ninguém me tira da cabeça que foi a xenofobia e o racismo que elegeram o Trump, se a sra Le Pen ganhar em França será porque um número suficiente de franceses está farto e/ou tem medo de ver tanta gente diferente de si na sua terra e acha que um “líder forte” vai fazer a diferença.

Eu tenho medo da vitória da sra le Pen mas não é por causa da xenofobia. Com a xenofobia a  três mil quilómetros posso muito bem. Não sou estrangeiro, não quero ir para o estrangeiro,não tenho crianças a educar sobre os estrangeiros e  não há aqui um número significativo de estrangeiros. Recuso que se trate alguém mal por ser estrangeiro ou de outra cor, mas só o posso fazer em pessoa em situações concretas e reais , tudo o resto não passa de declarações de intenções, abstracções e coisas que se escrevem e dizem mas não mudam nada nem influenciam grande coisa.  O meu medo da  Le Pen é que se ela ganhar poucos duvidam que a UE vem abaixo, e isso já deve preocupar toda a gente.

Há depois o Fillon, que convenientemente desprovido de vergonha pessoal se apresenta como homem de experiência e moderação, é sabido que a maior parte das vezes os eleitores votam não num preferido mas no que detestam menos, espero que o Fillon tenha uma votação muito baixa, pelo menos para mandar a mensagem de que se querem ser eleitos têm que fazer um esforço um pouco maior e não tratar  corrupções e nepotismos como se fossem coisas normais.

E em quarto lugar , Jean Luc Melenchon, que como a maior parte dos políticos de extrema esquerda que nunca tiveram poder, é a honestidade, idoneidade e integridade em pessoa. Este mete um certo medo a pessoas como eu,  basta olhar para um comício dele, na última foto que vi estava lá o Iglésias e a Marisa Matias , o Tsipras já não é convidado para nada, o Corbyn é tão popular como a sífilis ou o François Hollande , os compagnons de route só são bem vindos aos comícios internacionais se as coisas lhes saem de feição e andam com boa imprensa , é uma fraternidade curiosa  a dos comunistas.

Uma segunda volta entre Le Pen e Melenchon quase certamente carimbava o fim da UE, ambos são contra o euro,ambos são contra o comércio livre , ambos são contra a livre circulação de pessoas e bens.  Se for esse o caso eu vou  desejar uma vitória do Melenchon, não só porque não me agrada o discurso, a pose e as ideias da Frente Nacional como porque será , OUTRA VEZ, uma ocasião de dar à extrema esquerda oportunidade de mostrar o que vale.  É a mesma razão que me fez esperar tanto a vitória do Tsipras e rir-me tanto (sou pouco solidário e bastante cínico) com o que aconteceu a seguir. O Chavismo, outra Aurora dos Povos saudado por todos estes melenchonistas, está a mostrar o seu valor.Não sei nem quero saber como está a Grécia mas sei que já não convidam o Tsipras ( esperança da Europa de 2011) para nada nem se fala da Grécia nos jornais.Temos então a nova Esperança da Europa em Melenchon, que não tem problema nenhum em definir-se como Comunista.Registemos bem isso para quando aparecer o argumento de que “isto afinal não era uma política comunista/socialista”.Melenchon propõe nada menos que a refundação do regime, comparado com os seus opositores tem as ideias mais radicais e quem tem espírito revolucionário (coisa que os Franceses reclamam mais do que todos os outros povos) tem  que votar nele.

Espero que , em falhando a opção moderada do Macron, seja o Melenchon a ganhar e que a França embarque numa nova revolução , vou estar atento às promessas , aos cenários, aos discursos e às propostas, e à realidade. Era bonito que o homem ganhasse , reformasse a França para melhor, aguentasse a União Europeia e mostrasse finalmente a tantos milhões como eu que os comunistas não só não comem criancinhas ao pequeno almoço como são capazes de gerir e levar uma nação a uma modernidade próspera, livre e pacífica. Não acredito, e não é por ele me ser antipático, é por já ter visto outras tentativas. Espero enganar-me, para bem de todos , que seja desta , cá estarei para engolir os sapos que forem precisos.

Ah, é verdade, faltou-me um candidato, o B. Hamon  do Partido Socialista , o partido actualmente no poder e cujo líder , actual presidente , entrou no Eliseu como (outra) esperança e guia da esquerda europeia e agora tem 4%  de aprovação do povo depois de um mandato fulgurante.  O Partido Socialista Francês está para desaparecer , o seu líder é a chacota da nação  e o seu candidato uma irrelevância. Se não fosse o caso os do nosso PS correriam para França a afirmar a solidariedade entre partidos irmãos , estando as coisas como estão nem lhe querem ouvir o nome e evitam o assunto. Política no seu melhor.

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