Início » Política » E a Grândola, pá?

E a Grândola, pá?

Em tempos que já lá vão, na História remota da República, tipo 2012, o governo propôs concessionar a exploração petrolífera na nossa costa. Foi uma ideia infeliz , criticada de alto a baixo, houve mobilizações , manifestações , associações “espontâneas”, protestos. Vendem-nos a metro!Não têm consideração pelo ambiente!Vai desgraçar o turismo! Precisamos é de energia solar , não de petróleo! Neoliberais sempre a destruir!
Passaram décadas, perdão , meia dúzia de anos, e a realidade é outra. A exploração de petróleo já não só é aceitável como bem vinda e merecedora dos esforços do governo, é parte das políticas de futuro.
Peguem num saquinho para um eventual  vómito e vejam a ministra do Mar a “vender a costa ”  aos investidores que dantes eram abutres  mas agora já são parceiros e prestem particular atenção à parte em que ela diz que pode ser “difícil lidar com a população” , ou seja, a população pode não querer mas com isso lida-se.  Imaginemos  o que seria se fosse um ministro de outro partido a dizer estas coisas:
É das questões que me faz mais confusão, porque é que bastou uma descida do desemprego de 3% e um aumento de pensões em 15€ (sempre com dinheiro a pagar no futuro) para que toda a angústia e revolta acalmasse, para que já ninguém visse miséria e degradação em cada canto, é verdadeiramente extraordinário.
Deixo aqui um texto que acho claríssimo, atenção  que como o autor trabalhou ou trabalha em sociedades privadas de advogados está comprometido com os horrores e devem lê-lo com distanciamento, ao passo que as opiniões dos que nunca trabalharam um dia fora do Estado e ainda há 10 anos louvavam o Chavez e o seu projecto para a Venezuela já devem ser ouvidos com atenção.
 
 “Indignados”, indignem-se. “Que se lixe a troika”, mostrem-se “lixados”, um bocadinho que seja, com qualquer coisinha. “Geração à rasca”, só passaram dois anos. Ninguém acredita que se desenrascaram com essa facilidade. “Auditoria cidadã à dívida”, está alguém em casa? A dívida ultrapassou 132% do PIB. Embora lá tirar do bolso a máquina calculadora. Camaradas do “Congresso das alternativas” e da “Rede economia com futuro”, como é que é?
 
A CGD, financiada por “fundos abutres” à taxa de 10,75%, com comissões e impostos pagos em offshore do Luxemburgo, prepara-se para encerrar 180 balcões no Norte, Centro, Sul, Açores e Madeira e despedir 2200 trabalhadores até 2020. O Novo Banco, depois de entregue à Lone Star, vai encerrar 55 balcões e despedir 400 trabalhadores. Mais de 500 foram dispensados das escolas privadas. E os camaradas nem um grito, nem uma lágrima? Francamente.
 
Parte importante do esforço de contestação de rua, nascido depois de 2011 em Portugal, revela-se o que sempre foi. Uma encenação instrumental indecente, dos partidos à Esquerda. Quando a conversa à volta da “consciência cidadã” é uma treta, estas coisas acontecem.
 
Os casos antes tratados como implacáveis despedimentos, contestados com violência em manifestações, quando o PSD e o CDS eram Governo, passaram a rescisões negociadas com justificação, desde que o PS, o PCP e o BE mandam. E os cortes e a austeridade indignas do passado transformaram-se em cativações e ajustamentos forçados pelas circunstâncias.
 
Em 2011, a dita “Plataforma 15 de outubro”, que é como quem diz os indignados de faz-de-conta que por cá mimetizaram sem originalidade nem expressão, o que em Espanha tinha direitos de autor e dimensão, anunciavam a luta contra “as medidas de brutalidade” do Governo da coligação que prometiam “destruir centenas de milhares de postos de trabalho e os direitos daqueles que ainda trabalham”. Em 2017, recusam-se a sair do armário, pela simples razão de que isso significaria trair a militância dissimulada que lhes deu origem.
 
Antes, quatro ou cinco bloquistas ou comunistas, ajudados pelo socialismo conivente, juntavam-se na encenação criativa de um “movimento” ou “plataforma”, a que atribuíam uma denominação de inspiração invariavelmente libertária, bastante para que se pudessem desdobrar em comunicados à Imprensa e fossem tratados como representativos de setores expressivos da sociedade, apesar de só se representarem a si próprios. Desde outubro de 2015 desapareceram. Compreende-se. Corporizam, no esforço e nas decisões, a “geringonça” que manda.”
Nuno Melo, JN
Anúncios

Responder

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s