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Se a carapuça serve…

Um político e eurocrata holandês, presidente do Eurogrupo, deu uma entrevista a um jornal alemão em que falava sobre o pacto europeu e disse: Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu” .

Eu não vejo nada de controverso aqui mas cada um interpreta como pode e quer e esta frase  foi o suficiente para se entrar numa espiral nacional de indignação. O país enfiou colectivamente a  carapuça e o homem é quase persona non grata . Escrevem-se cartas abertas a denunciar a injustiça e estereótipo ofensivo, focando-se sobretudo na parte da aguardente e mulheres e nada na questão  da moralidade de pedir ajuda quando se derreteram recursos em coisas supérfluas, que me parece que é que o ele queria ilustrar com a imagem infeliz.

O  governo, cujos membros nunca fizeram declarações controversas nem alguma vez esbanjaram recursos, pede nada menos que a demissão do sr Dijsselbloem , mostrando que está focado e unido nas coisas verdadeiramente importantes como “o que é que os outros pensam de nós”.O Presidente, que não pensa noutra coisa, já apoiou o pedido de demissão e não tarda nada vão aparecer “vídeos humorísticos” a gozar com o homem e a martelar na brejeirice dos “copos e gajas” enquanto se explica  que aqui não há nada disso, ele está enganado , e mesmo que se gastasse muito dinheiro em paródia é esse amor pela paródia que faz de nós um povo tão espectacular.

A questão mais importante para mim é que  há centenas de políticos de elevada responsabilidade na União Europeia e nos governos nacionais que todos os dias fazem declarações a centenas de meios de comunicação social , já para não falar das comunicações pessoais tipo twitter. Vasculhar , escrutinar e julgar esses  soundbytes é considerada uma ocupação normal , necessária e  produtiva e pensa-se  que essas frases devem não só  ser “notícia” como passíveis  de causar estas indignações  e protestos.Não sei se é isto o melhor modo de fazer jornalismo mas é do que há mais.

Entretanto houve mais uns assassinatos religiosos em Londres, nem vale a pena ler notícias nem crónicas porque é o mesmo problema de há uns anos , não mudou nada e já foi tudo mais de que dito em todo o lado. Enquanto discutimos a islamofobia e fazemos regularmente coisas vagas como “afirmar os nossos valores europeus” a demografia  vai fazendo o seu trabalho e o mundo vai mudando.

Na secção de humor , desenvolvimentos em relação à dívida pública. Como é um  tema central aos nossos problemas  devem estar lembrados de ouvir muitas propostas , exigências e indignações sobre a mesma. A reestruturação da dívida era considerada pelo  Bloco uma coisa essencial para se sair da crise. Em 2014 o Bloco e o PS acordaram em estudar a reestruturação porque a dívida era um monstro que impossibilitava o crescimento. Era , mas já não é, devem ter tido uma rotação de paradigma  e  agora já são adeptos da gestão em vez da renegociação . Fico contente pelo estudo que fizeram e peço que estudem muito mais , se tivessem estudado o problema da dívida mais cedo as coisas tinham sido mais simples e sobretudo menos turbulentas.

Turbulência é coisa que não há aqui, nem radicalismos de espécie nenhuma. Na foto vê-se o navio escola alemão Thor Heyerdahl que fez aqui uma escala muito curta , e o navio que abastece a ilha quinzenalmente, a atracar.

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