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Políticos, hoje e sempre.

Correndo o risco de ser dramático demais, acredito que o futuro da Europa  se joga nas eleições presidenciais francesas do próximo mês. Se a União Europeia  pode conseguir , a custo elevadíssimo , sobreviver à saída do Reino Unido, certamente não sobrevive à saída da França e é isso que promete Marine Le Pen, a candidata da extrema direita que eu acredito que vai ganhar,desgraçadamente.  No espaço de menos de um ano e numa correria mediática  vamos continuar a ser confrontados com os resultados das acções e omissões dos políticos de esquerda , direita e centro que nos têm governado nas últimas décadas.Escusado será dizer que todos vão dizer que a culpa é dos seus adversários, por terem sido governos incompetentes ou oposições obstrutivas.

Há um político que para mim é uma espécie de  arquétipo  , é Jean Claude Juncker , saído da universidade para o parlamento sem nunca ter sabido o que é trabalhar na economia real ,  hoje  é Presidente da Comissão Europeia e antes disso mandou muitos anos no Luxemburgo, país ridículo que vive e prospera muito por ser um paraíso fiscal , mas como não é o Panamá nem as ilhas Virgens, é mesmo aqui dentro, não se refere como tal nem se critica . Este senhor disse uma vez a propósito das crises financeiras,  cito de memória porque me ficou gravado:

Todos sabemos o que devia ser feito mas todos queremos ganhar eleições.

Disse isto e continuou a sua vidinha como se nada fosse, esta frase sintetiza a política moderna e justifica a repulsa que cada vez mais os políticos convencionais causam e leva  milhões de pessoas a acreditar em demagogos como Iglésias , Le Pen , Grillo ou  Martins , esta ainda tem que comer muitos iogurtes e ler muitos  dossiers mas para lá caminha, respaldada na sua sólida formação em artes de palco, qualificação essencial para se triunfar na politica moderna, veja-se o Trump.

Atentem nesta foto:

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Este gajo é o François Fillon, candidato do partido da direita a Presidente da França. A escolha do título que acompanha a foto não terá sido  dele , mas aparecer na Paris Match no relvado de uma das suas casinhas já foi , tal como a decisão de inventar empregos para os filhos e  mulher que cobraram ao Estado Francês mais de um milhão de euros e não conseguem explicar o que faziam  , possivelmente porque não faziam nada. Nós  temos o Carlos César , que fez o mesmo com a mulher , o filho , o irmão e a nora  mas nem se toca , nem por um momento lhe ocorre que pode não ser ilegal mas é uma vergonha. Primeira qualidade para sucesso político: não ter vergonha.

Talvez eu esteja errado mas nenhum candidato a nada em 2017 se devia querer fazer passar pelo Marquês de Jenesaiquoi nem andar a alardear riqueza , mesmo que o palacete  lhe  tivesse sido deixado pelo avozinho ou legitimamente oferecido por um amigo, toda a gente sabe que políticos poderosos atraem a generosidade alheia .A falta de sensibilidade e a vaidade são de tal  maneira fortes que dá nisto , a sede de poder tão intensa que se passa por cima de seja o que for (sobretudo da verdade e decência) para conseguir e manter um cargo na direcção do Estado. Uma pessoa que acha positivo que os eleitores o vejam assim e ache que isto é uma familia normal  já perdeu a noção.

Como não há justificação para esperar que o sr. Juncker & colegas nos digam a verdade e ajam em conformidade, temos que esperar que as coisas rebentem por si, e nesse dia os Junckers do mundo vão estar a salvo nos seus condomínios privados e mansões com as belíssimas reformas que votaram para si próprios, com  os descendentes devidamente “encaminhados na vida”.

Antes do Brexit , do Trump e agora da caminhada da Le Pen para o poder eu achava que o choque ia ser económico , crises financeiras, colapso de mercados de dívida, bloqueios do comércio . Achava que as pessoas que acreditam neste modelo de  consumo total porque vêm na televisão que têm direito a tudo o que possam querer comprar e escolhem os “ricos e famosos” como modelos   iam ter uma surpresa muito grande, o nível de vida ia tombar para níveis do princípio do século passado e ia haver muita amargura. Continuo a acreditar nisso, e a avisar como  posso de que quanto mais cedo reduzirmos as  nossas necessidades e o nosso  nível  de vida menos nos vai custar o choque , mas agora também  acho que além dessa depressão económica que para mim é inevitável, também vai haver guerras.

Já há montes de guerras, dizem-me e com razão, mas as que vêm aí vão-nos ser mais próximas. A administração americana está cheia de ideólogos religiosos que acreditam num confronto de civilizações tipo Armagedão bíblico;  a Rússia é e vai continuar a ser governada por um déspota que sonha em recuperar o território conquistado pelos Soviéticos; o Médio Oriente é desgovernado por gente que em parte vive numa realidade pré – iluminismo mas que está a caminho de ter armas nucleares e tem milhões de emigrantes na Europa que já se definem eles próprios como quinta coluna. A Europa desagrega-se , a direita dá entrevistas para o Paris Match no relvado do palácio enquanto procura culpar os imigrantes, a esquerda ataca os mercados livres que fizeram a prosperidade do continente e o centro não se encontra.Os eleitores e cidadãos esperam ansiosamente o Iphone8 e querem saber os nomes dos filhos do Ronaldo.

A informação que temos como cidadãos é outro problema , porque está tão fragmentada que um comunista pode passar os dias a ler livros , ver documentários e ler peças jornalísticas factualmente verdadeiras ou escandalosamente falsas que só o convencem de que o comunismo (ou que as Raqueis Varelas lhe chamam hoje em dia ) é que é o caminho e do outro lado da rua um fascista faz o mesmo e acaba convencido de que a sua visão é que está certa e fazia falta era outro Salazar. Temos teses e antíteses e ninguém de estatura , voz e capacidade de liderança nos dá uma síntese,  todos os políticos estão convencidos das suas capacidades , méritos e ideias, e quando as coisas correm  mal é sempre facílimo apontar o dedo a outros.

Uma das coisas para mim mais assustadoras e deprimentes é saber que aconteça o que acontecer na América daqui a quatro anos as pessoas que hoje odeiam o Trump vão continuar a odiá-lo e as que o adoram vão continuar adorá-lo. Faça o que fizer, resulte como resultar , os apoiantes vão lá estar e vão-se convencer facilmente com uma narrativa qualquer que vai sempre justificá-lo. Um inimigo externo , a imprensa , os judeus , os mercados , o islamismo , os liberais , qualquer coisa já serve e vai continuar a servir.

É parecido por cá, ninguém tenha dúvidas de que se o Sócrates for condenado na justiça vai continuar a haver milhares de pessoas que o defendem a aplaudem , tal como se for absolvido milhares de pessoas, como eu,  vão continuar convencidas de que ele é um pulha .  Se houver outra bancarrota  o PS e os comunistas podem ficar tranquilos que para milhões de portugueses a responsabilidade será sempre da direita por mais anos que a esquerda passe no poder  e ainda hoje há muitas pessoas de direita que se recusam a aceitar que muitas  coisas perniciosas foram toleradas, quando não promovidas, pelos governos PSD e CDS  que também contribuíram muito para este estado de coisas.

E que estado de coisas é esse? É um estado em que o governo só funciona a crédito  que o país não tem capacidade nenhuma de pagar mas nem por isso se esforça por diminuir; de completa dependência do Banco Central Europeu, com o sector do Estado a crescer e o sector privado cada vez mais taxado (o imi sobre este ano para mais de 60% dos edifícios comerciais privados ), com o contribuinte sempre   a ser chamado a pagar a javardice e roubalheira que se passou e desconfio que vai continuar a passar na banca pública e todos os desvarios que os queridos líderes se lembram de inventar, consoante a tendência do momento e as exigências das suas clientelas. O Estado, que não  produz nada, continua a ser o sector em maior expansão no nosso país e isso para mim é o pior dos sinais.

Aqui há dias um membro do PSD da ilha falou comigo brevemente , notei uma vontade de abordar o tema do meu possível interesse na política partidária aqui. Não teve , para usar uma expressão querida da imprensa , receptividade nenhuma. Juntar-me à política activa era juntar-me a uma ordem  que pura e simplesmente não pode falar a verdade , mesmo quando a conhece, a menos que não queira ser eleita, se me filiasse num partido acho que era expulso da primeira vez que abrisse a boca em público.São vendedores de ilusões por excelência, não tenho vocação para isso  e para pedir emprestada e adaptar uma alocução do meu Presidente , bardamerda para os políticos.

Ando absorvido com o Império Romano e cada vez me fascina mais ver como há coisas que nunca mudam.Na nossa Roma por cada Marco Aurélio há vinte e cinco Calígulas, os bárbaros estão às portas , o povo só quer pão e circo  e isto vai  acabar em chamas.

Atrox Melior Dulcíssima Veritas Mendacis , é melhor uma verdade amarga do que uma mentira doce.  E esta inventei-a eu , para hoje isto não ser só desgraça: habere canem bonum est , canem et cattus optimus est .

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