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Mohammad Smith

De vez em quando passo uns tempos pelo twitter , se encontrarmos as pessoas certas para “seguir”  é uma excelente fonte de informação , e às vezes de entretenimento . Sigo  pessoas que admiro, tipo o Elon Musk, e outras que abomino , tipo o presidente eleito Trump. Sigo várias contas associadas ao SCP , muitos comediantes , alguns políticos , jornalistas e comentadores. Umas das pessoas que sigo é uma tal de Anne Coulter, uma harpia da extrema direita americana , senhora de um discurso venenoso e racista que chega bem. Ora ontem a sra “retuítou” um indivíduo que afirmava que “Mohammad” é o nome de bebé mais comum em Inglaterra este ano. Fiquei chocado, não podia ser , fui confirmar que de facto o nome mais comum é Oliver, mandei uma resposta a chamar-lhes agitadores mentirosos por outras palavras mas depois voltei à lista dos nomes e e fiquei outra vez chocado.

A verdade é que Oliver é o nome mais popular em Inglaterra, mas Mohammad é o segundo mais popular . Processem esta informação com calma. No Reino Unido em 2016 o segundo nome mais dado a bebés é Mohammad.  Três coisas sobre isto .

  • Esta popularidade revela o que a demografia já previa e que nenhum brexit vai prevenir : as caracteristicas  étnicas da Europa estão a mudar depressa , e o grupo demográfico em  expansão é o muçulmano.
  • Sempre considerei uma estupidez pura o facto de imigrantes não darem aos seus filhos nascidos no país de acolhimento nomes comuns do país de acolhimento.Se fogem de um país que por uma ou outra razão não os satisfaz ou , no limite , persegue ; se sonham dar uma vida melhor aos filhos que nascem nesse país e gostavam de os ver integrados , o pior que podem fazer é carregá-los com um nome estrangeiro que nunca os vai largar e lhes vai condicionar a vida, quase sempre para pior. “ah , e a herança cultural, orgulho nas raízes, respeito pelo passado?” Tudo coisas óptimas , e é para isso que servem os apelidos. Se me querem convencer que é indiferente chamar-se  , em Portugal , por exemplo , Ahmed El Amin ou Julio El Amin , façam favor , eu acho que não mas eu sou um bocado esquisito. Os imigrantes portugueses das levas de 60  e 70 para França perceberam isso muito bem e desataram a ter Sandrines Silva e Pierres Pereiras , e hoje são o que são em França , os emigrantes do Médio Oriente querem ter o seu país no novo país, e eu sou dos que acha que isso não deve ser nem pode ser.
  • Por fim , estes milhares de Mohamedezinhos  britânicos são mais uma face visível dos problemas trazidos pela imigração, problemas que existem apesar da opinião pessoal que possamos ter sobre a imigração.

Está provado , pelo menos a mim já me ofereceram provas concretas, de que a imigração, economicamente , favorece um país . Economicamente , mas há nervos que são tocados que vão muito para lá dos rendimentos, e não me peçam que rotule de racistas todas as pessoas que se sentem desconfortaveis ao ver o número destes imigrantes subir de dia para dia , que sentem a sua identidade ameaçada , que lamentam e não se conseguem adaptar à ideia de um Europeu que não vem em graduações de branco que vão do algarvio ao sueco e graduações de religião que vão do  cristão…ao cristão . É mais um problema do qual estou isolado mas imagino às vezes como me sentiria se ainda vivesse em Alcobaça e se lá aterrassem de um ano para o outro 3000 somalis ou afegãos.

Para os apóstolos do multiculturalismo e da inclusão não há dúvida que a única opção ética é aceitar todos os refugiados e imigrantes e tolerá-los .Questionar isto tem valido logo o rótulo de racista , mesmo que as objecções não se prendam tanto com  a raça mas sim com a diferença. Há poucas coisas mais humanas do que procurar o semelhante , procurar pertencer e agrupar-se com semelhantes , e distinguir e desconfiar do diferente. Isto até os bichinhos fazem  ,  foi uma estratégia evolutiva desenvolvida ao longo de dezenas de milhar de anos , estratégia  que os políticos da inclusão a todo o custo querem desmantelar em poucas décadas , como se o Homo Sapiens pudesse  desaprender em 30 ou 40 anos o que levou 20 mil a aprender. Não vai acontecer tão cedo e quanto mais as diferenças se tornam aparentes , quanto mais contrastes existem entre as comunidades , pior será a convivência. A doutrina do politicamente correcto ensina sensibilidade, ensina a procurar palavras suaves , ensina a evitar  ofender , ensina a considerar todos iguais , ensina a procurar eufemismos e a escrever uma página de apologias para poder apresentar um parágrafo de acusações. O politicamente correcto meteu-nos num lindo sarilho.

Em Setembro deste ano escrevi aqui  “estou agora convencido de que o Trump vai ganhar as eleições“. Escrevi isso na América , escrevi isso porque vivia e trabalhava 24/24 com americanos , escrevi isso porque , presunção e água benta cada qual toma  a que quer, conheço bastante da América e por detrás do sorriso simpático sempre pronto , da cortesia quase universal ,  do have a nice day! as pessoas são racistas .Mesmo muitas  que não sabem e se ofenderiam de lhes chamassem isso na cara. Uma vez  estava em Gibraltar com mais uns americanos e no mesmo bar estava uma mesa com meia dúzia de rapazes americanos ( reconheciam-se pelo sotaque). Eu disse casualmente que eram militares , os meus amigos duvidaram  do meu “salto de raciocínio” , eu perguntei se viam muitas vezes na América três brancos , dois pretos e um mexicano  nos copos , um grupo de amigos. Talvez em Nova Iorque e nas grandes cidades e mesmo assim será raro, e na América Real é virtualmente impossível…Aqueles seis estavam ali juntos porque eram da mesma unidade , têm uma relação entre eles que não tem paralelo no mundo civil.

Se eu fosse editor de jornal o título que eu tinha escolhido para o dia das eleições era “Estalou o Verniz”, a capa de sofisticação e tolerância que nos chega pela televisão , a nós e aos americanos ,  não corresponde à realidade , quebrou-se e houve votos suficientes para eleger aquele homem presidente. Do mesmo modo ninguém duvida que os votos do Brexit foram uma reacção ao crescimento da imigração e á sensação que muitos ingleses têm de que a sua identidade está de certo modo ameaçada , e se o segundo nome de bebé mais popular é Mohammad se calhar os receios não são completamente injustificados.

Não sei quantas pessoas admitiriam em frente a uma câmara de televisão ou um microfone de um entevistador que “acham que há estrangeiros a mais” , mas tenho quase a certeza que o número real é muitíssimo maior do que as sondagens sugerem. Isto foi a propósito dos milhares de Mohamades a crescer em Inglaterra mas a mim leva-me também a pensar que a França nos pode trazer uma surpresa e muitos mais votarão na sra Le Pen do que estão prontos a admitir e do que sugerem as sondagens.

Aprecio o multiculturalismo mas é quando visito uma grande cidade, são feitas para isso , e as  visitas costumam ser  curtas. Adoro ler sobre as culturas dos outros e viajar foi uma  grande paixão da minha vida mas sempre retirei um grande conforto de me saber português ( Tó M. , por favor não relances outra vez o debate sobre o que é ser português, obrigado) , defeitos e tudo,  e de viver num sítio onde mal ou bem sinto que é meu e que é onde pertenço. Talvez seja isto que me faz ser sensível à causa dos que perdem a pátria , por me imaginar nas mesmas circunstâncias , a ter que fugir do meu país por causa da fome ou da guerra . Não gostava de ver milhares de imigrantes e refugiados à minha volta , não gostava de ver cedências culturais às preferências dos recém chegados , e como pessoa que já não gosta assim muito de pessoas para começar , se forem muito diferentes de mim , lá está , fico desconfortável , mas não é por isso que sou contra os fluxos migratórios, o que é um bocado como ser contra a Lei da Gravidade. Imaginar que um muro ou uma fronteira fechada é boa política , imaginar que se conseguem defender culturas barrando os estrangeiros é fantasioso. Não perco de vista o benefício económico que a imigração tem para um país ( se não perderem a cabeça como os escandinavos e cobrirem os emigrantes com tantos subsídios que não há incentivo nenhum a trabalhar) ; não perco de vista a obrigação moral de ajudar refugiados de países em guerra ; não perco de vista a nossa humanidade comum e por isso, se a escolha fosse minha , acolhiam-se mais emigrantes na Europa. Se calhar digo isso porque para o meu quintal ninguém quer e mal pode vir , se calhar até sou racista e não tenho consciência disso. Sei que daqui a 30 anos os Europeus vão ser bastante diferentes do que são hoje , e esforço-me por pensar que vão ser diferentes para melhor , mas não é fácil, e por um lado fico contente por não estar cá para ver .

Quando começar a campanha eleitoral em França não se espantem muito se a Le Pen se começar a chegar à frente , e não fiquem muito surpreendidos se ganhar , apesar do que diz hoje a inteligentsia e as sondagens.

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