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A Caixa

É suposto a CGD ser um banco ao serviço da economia e dos portugueses , é esse o argumento dos defensores de manter as coisas na posse do Estado : uma instituição do tamanho da Caixa não pode ter a motivação exclusiva do lucro para os accionistas e tem que ser gerida com o interesse público por princípio orientador. Tá bem abelha.

Acabo de ouvir na rádio o ministro das finanças a recusar-se a responder a uma barragem de perguntas dos jornalistas sobre a administração da Caixa , proferindo banalidades sobre a  CGD ( fundamental e tal) . Isto tira-me do sério por duas razões , a primeira é que os políticos , todos , não têm problema nenhum em responder a perguntas dos jornalistas com palavras que não têm nada a ver com a pergunta , podiam dizer “não respondo” mas não , acham que a consideração que o público merece fica satisfeita com evasivas e barulhos de toda a ordem , acham que podem simplesmente ignorar as questões , dá vontade de agarrar o homem pelos colarinho e berrar-lhe na cara  MAS O SENHOR É ESTÚPIDO E NÃO PERCEBE A PERGUNTA OU ACHA QUE SOMOS TODOS ESTÚPIDOS E NÃO CONSEGUIMOS PERCEBER A RESPOSTA?

Então quando chegou a altura de nomear nova administração para a CGD , processo cristalino e ponderado que ao longo dos anos  lá pôs figuras tipo Armando Vara , o governo , como lhe compete , escolheu uns tantos executivos. Estes sentaram-se com o ministro e disseram que gostariam muito mas havia uma questão : não queriam divulgar as suas declarações de impostos, pelo que se o governo resolvesse isso com uma leizita nova à medida toda a gente ficava contente. O ministro acedeu , pensando talvez que a coisa passasse despercebida. Não passou, é o escarcéu que se vê com  toda a gente , da direita à à esquerda , a reclamar que o génio que vale milhões por ano cumpra a lei e entregue a declaração de rendimentos.

O problema aqui não é a ganância ou desejo  de secretismo dos executivos , é o modo como o governo não teve pejo em prometer arranjar as coisas , contornando a lei vigente . Isto dura há dias demais e o governo anda em palpos de aranha para saber o que fazer , obviamente não querem ou não podem fazer a única coisa decente nesta altura : dizer à nova administração para entregar os papelinhos ou ir procurar outro emprego. O ministro das finanças nunca vai responder a uma pergunta como esta : porque é que deu  aos executivos garantias de que iam ter uma excepção à lei? 

Se o administrador tivesse entregue a declaração na altura própria tínhamos talvez visto mais uma indignaçãozinha sobre as fortunas dos financeiros , é uma vergonha , blah blah , as desigualdades , não pode ser , mas passados três dias já ninguém se lembrava de quem é o António Domingues. Mas não , o governo desdiz-se e evita esclarecer a questão e acho que esta polémica se vai arrastar por mais uns tempos , o que vale é que estamos num tempo novo e isto são só pormenores de gestão e implicâncias miudinhas, está tudo a correr bem.

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4 thoughts on “A Caixa

  1. Talvez isto explique o assunto;

    António Domingues, presidente da CGD desde o final de agosto deste ano, ganhou mais de 10 milhões de euros como administrador do BPI, entre 2000 e 2015. Com a recusa do gestor público a entregar a declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional, cujo prazo legal terminou ontem, essas remunerações milionárias revelam que António Domingues terá um património milionário. A análise dos relatórios anuais de contas do BPI, entre 2000 e 2015, revela que, nesse período, Domingues ganhou em média mais de 625 mil euros por ano. A partir de 2009, após a entrada em vigor da legislação que obriga as sociedades cotadas a divulgarem os salários dos administradores, o BPI indica o rendimento anual dos mesmos. Sabe-se então que, de 2009 a 2015, Domingues ganhou quase 4,13 milhões de euros. Já entre 2000 e 2008, o BPI apenas indica o encargo total das remunerações dos membros da comissão executiva. Com base nessa despesa anual e considerando que Domingues foi vogal e vice-presidente da comissão executiva, cargos que representarão 13% e 17% do custo anual com as remunerações da comissão executiva, apurou-se que o banqueiro ganhou, entre 2000 e 2008, mais de seis milhões de euros. O presidente da CGD recusa entregar no Tribunal Constitucional a declaração de património e rendimentos, alegando ter um parecer interno da CGD que justifica essa recusa. O próprio Governo apoia a decisão de Domingues. No entanto, como a lei 4/83 obriga o presidente da CGD a entregar a declaração de rendimentos, Domingues terá de declarar o rendimento anual, o património financeiro e imobiliário e também os carros.

    Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/antonio-domingues-ganhou-10-milhoes-no-bpi

    A meio da polémica em torno das declarações de rendimentos e património da nova administração da Caixa Geral de Depósitos, surge a notícia de que António Domingues, o novo presidente do banco, tem um imóvel com um valor de mercado quatro vezes superior ao que surge na avaliação feita pelo Fisco.

    O caso é denunciado pelo jornal Correio da Manhã, que avança que Domingues é dono de um prédio em Lisboa, onde reside, que foi avaliado pelas Finanças em cerca de 1,25 milhões de euros.

    Mas o valor real de mercado do imóvel será de quase 4 milhões de euros, ou seja, “quatro vezes superior ao avaliado pelo Fisco”, conforme constata o CM.

    O diário teve acesso à caderneta predial do imóvel urbano que inclui como Valor Patrimonial Tributário (VPT) cerca de 1,25 milhões de euros. É sobre este valor que António Domingues paga um Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) anual de 2746 euros.

    Na caderneta predial das Finanças, o imóvel é descrito como tendo “quatro pisos e um quintal”, uma versão que é diferente da que vem na Conservatória do Registo Predial, onde surgirá caracterizado como tendo “loja, dois andares, água furtada e logradouro”, segundo cita a mesma fonte.

    O CM consultou especialistas imobiliários que constatam que o prédio, que terá uma área bruta privativa total de 767 m2 e dois andares residenciais, valerá cerca de 4 milhões de euros ao preço do mercado.

    abraço

    Liked by 1 person

    • Não seria difícil de perceber que o homem não queria revelar os rendimentos e o património por ser discreto, é natural que haja traficâncias e ilegalidades. O que me espanta é que o governo estava disposto a deixar passar isso tudo.

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