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O Pacífico , take 2

Já estamos em contagem decrescente para a partida , é segunda feira dia 5 pela manhã, os furacões foram mais alarme que outra coisa,um passou a Sul do arquipélago e o outro a Norte sem novidade nenhuma. Calha bem porque o dia 5 era o que estava previsto ao princípio e assim acalento a esperança de ainda voltar a casa em Setembro, 20 dias de viagem , dois ou três para pôr as coisas em ordem em LA , beber uma ou duas cervejas em  Venice Beach  e arranjar um lugar na SATA.

O barco está atestado de tudo menos de gasóleo e tudo o que havia a reparar foi reparado , a viagem para lá não tem grandes segredos nem me vou por a inventar a roda como fiz na última travessia atlântica com resultados maus. É sair daqui e ir para Norte na bolina mais cerrada possível , umas mil milhas até 38 graus de latitude ou até acabar o vento e depois virar à direita , ou melhor , para Leste , fazer outras mil milhas a motor a atravessar o Anticiclone do Pacífico , a  versão local do Anticiclone dos Açores e depois fazer o resto do caminho , outras 500 ou 600 , com ventos de Noroeste. A ver vamos

Aterra amanhã o quarto elemento da tripulação , eu tinha dito que a coisa se fazia bem a três mas se me oferecem quatro e custa-me o mesmo , sejam quatro . Vai ser o gajo encarregado das comunicações satélite e de descarregar todos os dias as previsões e análises meteorológicas , calha bem porque não me apetece mexer muito nessas coisas e assim o gajo tem com que se entreter . Fez parte da viagem de ida até à Nova Zelândia o ano passado e aparentemente é um tipo muito interessante, já ouvi historias dele suficientes para me deixar curioso. entre outras coisas parece que tem muita aptidão mecânica , a primeira coisa que lhe vou dizer é que neste barco os motores e máquinas são o departamento do Tommo , não mexer sem avisar .

Deixo o Hawaii sem vontade de regressar , a beleza natural é impressionante chegando ao assombroso mas os habitantes , nem por isso. É mais variedade e diversidade do que mistura , os havaianos originais , dos muito poucos que restam e se é que faz sentido falar em “pureza” , têm um pó aos brancos que não vai de uma vez  e com razões de sobra. Os chineses vivem no mundo deles , tal como os japoneses . Participam na política e na vida económica , cultural e social do arquipélago mas sem misturas e os filipinos fazem o que fazem por todo o mundo , trabalham , não arranjam problemas nem inimigos e se a ocasião se proporcionar , misturam-se. Os brancos , mesmo os das famílias que vivem aqui há gerações , são como os outros americanos mas mais conscientes da exclusividade deste lugar e dividem-se entre os que acham que os brancos fizeram muito mal ao Hawaii e vivem num estado permanente de culpabilização e adopção  máxima de pretensos “valores havaianos” e os que acham que tudo o que o Hawaii tem hoje se deve a eles pelo que os polinésios , e os outros , deviam estar agradecidos.

Não vejo aqui nem um semblante de harmonia racial , o pessoal vive junto , separado pelos rendimentos , e isto não  está para rebentar em motins  mas é bem claro que há linhas que não se ultrapassam.

Passo a vista de olhos do costume pela imprensa portuguesa a ver se alguma coisa me inspirava um comentário mas já não há combustível de indignação , às vezes apetecia-me dizer “não queriam um governo socialista? aí está” mas depois lembro-me que não , não queriam nem votaram num mas o que é certo é que o temos , e aguente-se. Do lado da América , estou agora convencido de que o Trump vai ganhar as eleições e que o mundo se vai tornar ainda mais interessante. Nem ele sabe bem o que anda a fazer ou vai fazer.

Ontem houve música ao vivo no iate clube e apavorei , como dizem os brasileiros.Conheci um casal de Sul Africanos que veio até aqui do México a remos e conheci finalmente uma japonesa , chamada Satchi , à qual declarei o meu amor incondicional ao fim de dez minutos , afinal é mentira que o sentido de humor nos torna irresistíveis. Pelo menos riu-se bastante, e eu também. Hoje passei a tarde toda ressacado a ver jogos de futebol americano universitário , gostei de ver a USC levar na pá do Alabama , a USC é a equipa favorita e que fazia sofrer uma ex namorada , de cada vez que os vejo perder lembro-me de que ela ficou com o dia  meio estragado e isso não me incomoda nada. Outro jogo foi a U. do Hawaii a ser cilindrada pela U. Michigan ,  este foi mais curioso e podia ser usado para ilustrar a diferença entre o desporto em Portugal  e nos EUA: a equipa de futebol da Universidade de Michigan tem um orçamento anual de 811 milhões de dólares e joga num estádio de 107.000 lugares , sempre cheio. Mas o que me importa mesmo no desporto é que  o Sporting  está em primeiro , o resto são cantigas.

E pronto , o relógio está a contar, se tudo correr mais ou menos dentro previsto chego a Los Angeles dia 25 , que não haja novidade.

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