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Biosegurança

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Começo por falar em biosegurança  porque foi parte importante da experiência Nova Zelândia/Fiji.

Ambos os países são arquipélagos , como tal têm um ecossistema isolado e mais sensível que os continentais. Conscientes disso, implementam regras para se protegerem de espécies invasivas. Mesmo chegando de avião os visitantes são obrigados a declarar , sob pena de sofrerem multas pesadas, quaisquer coisas vivas ou frescas que tragam na bagagem. Animais são interditos e quando se chega de barco todo o lixo e produtos frescos que haja a bordo têm que ser incinerados separadamente . Com isto pretende-se proteger o ambiente de espécies invasoras , animais e vegetais, cuja introdução pode ter efeitos catastróficos num ecossistema. Há espécies invasoras que não fazem grande mal , há outras que causam milhões em prejuízos e destruições enormes, e claro que uma ilha está muito mais sujeita a isso.

O arquipélago onde eu vivo também tem ecossistemas delicados e reservas naturais , a minha ilha é toda uma reserva da Biosfera e todos gostaríamos que se mantivesse assim , sem corrermos riscos de importar algum bicho ou planta que possa dar cabo das coisas, como já aconteceu por exemplo com a introdução da varroa que nos dizimou as abelhas.

Ao Arquipélago dos Açores chegam todos os anos milhares de iates, alguns vêm da civilização mas a maior parte vem das caraíbas , e vêm com produtos alimentares, frutas , vegetais e o lixo acumulado durante a travessia. Seria no nosso interesse um controlo destas importações , um mecanismo e regras para prevenir alguma desgraça biológica . Fazer como se faz na maior parte dos países e territórios insulares e conscientes e obrigar quem chega a declarar e entregar tudo o que é vivo e fresco e informar com antecedência os visitantes que não podem trazer nada que não tenha passaporte fitosanitário.Quando compro árvores de fruto na associação agrícola , por exemplo, têm que vir com essa garantia de sanidade , mas se enfiar dez arbustos na mochila e os trouxer de avião não há problema.

 Gostava de saber qual é razão para não se fazer este controlo na fronteira ,  acho que toda a gente concorda que o património e a segurança biológica são cruciais na manutenção dos Açores tal como os conhecemos e amamos mas ninguém se lembra destas coisas e os iates vão continuar a entrar à vontade com toda a merda possível e imaginária trazida das caraíbas. Por outro lado, sabendo que tinha que ser o governo a encarregar-se disso , não fico assim muito desiludido porque iam  implementar um programa de milhões , contratar dezenas de novos funcionários, instituir uma burocracia nova , vinha  um urso qualquer do governo  mostrar vacas voadoras e panfletos novos e depois o risco era mais ou menos o mesmo , porque  rigor estrito é noção fora do léxico nacional e é sabido que não somos os únicos a gostar de contornar regras . Além do mais podiam instituir um monte de regras que não podiam impedir algum bicharoco de chegar sem o conhecimento  dos donos do barco, fosse agarrado ao casco ou refundido num canto qualquer. Sendo assim , já que se corria o risco à mesma , mais vale não gastar esse dinheiro…mas é certo que tenho medo de que chegue em breve às nossas costas algum ser, seja um piolho seja uma alga ou uma erva , que nos venha dar cabo do equilíbrio.

A Nova Zelândia e a Austrália têm leis draconianas para essa protecção mas são países ricos , aqui as Fiji são um país pobre mas também se protegem , nós estamos a meio caminho e não queremos saber disso para nada.

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