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Até à Nova Zelândia

Começo por dizer que estou simplesmente encantado com a Nova Zelândia , pelo que sabia , tinha visto e me tinham dito sabia que era muito bonito e funcionava bem mas nunca esperei  ficar apaixonado quase logo  à chegada.

Voltando um pouco atrás, a viagem para aqui foi  difícil. Começou mal nas Flores, deixaram-me no aeroporto e o telemóvel e os óculos escuros ficaram no carro , decidi que só substituía os óculos . Se fosse o capitão nesta viagem precisava de telemóvel , não só é preciso estar sempre contactável como há sempre telefonemas a fazer, mas dado que não sou decidi que passava bem sem ele e me poupava à extorsão do roaming , agora que acabaram com  esse regabofe na Europa as companhias têm que  ir buscar o lucro  a outro lado, faço ideia do que cobram por ligações nesta parte do mundo.

O primeiro voo foi directo para Ponta Delgada , para variar do costume que é parar na Horta. Nota-se bem o aumento no turismo , espero que não se esteja a caminho de matar a galinha dos ovos de ouro no Açores, ouvi na rádio que num ano abriram em S.Miguel  10 novas companhias de aluguer de automóveis , pensei que alguém não está a fazer bem as contas mas depois lembrei-me que a nossa classe empresarial se move a subsídios pelo que as contas são diferentes e a rentabilidade dos projectos se avalia de forma diferente. Por mim tudo bem , construam mais hotéis e descaracterizem mais as coisas para agradar ao turista , a “destruição” começa por S. Miguel  e há-de moer as ilhas do Triângulo antes de chegar lá aos confins ocidentais e tenho fé que haja sanidade e não se façam lá loucuras. Precisamos de mais visitantes mas , como em tudo , é precisa conta , peso e medida.

Três horas e meia  no aeroporto de Ponta Delgada , almocei e li o Expresso da semana anterior , meia dúzia de histórias que me fizeram pensar “olha, vou falar nisto da próxima vez que escrever” mas das quais já me esqueci , de tão importantes que eram… Alguma coisa a ver com os malucos do Podemos que estão a ver a maré a descer e com o nosso governo que se está a mostrar perito em interpretações alternativas da realidade.

O voo para Lisboa durou menos de duas horas, era o avião que costuma fazer as ligações para a América, maior e mais rápido. Logo no dia em que eu não tinha pressa nenhuma de chegar, as coisas são mesmo assim. Já tinha visto da última vez que tinham  mudado o nome ao aeroporto e agora é Humberto Delgado , mudar os nomes às coisas é daquelas acções que pelo menos não estragam nada nem custam muito dinheiro, talvez os governos se devessem limitar a dar nomes às coisas e a alterá-los consoante sopra o vento.

No check in da Emirates trabalha a moça mais bonita da capital e não me custou nada o tempo que demorou o meu check in , por causa de estar a embarcar com um bilhete só de ida.

7 horas e picos para o Dubai , sem conseguir dormir , li um bocado , vi um filme chamado Deadpool que me fez rir como há muito tempo um filme não fazia, mas eu também vejo pouco cinema. É um filme de “super heróis” mas muito hardcore , com um humor negro e corrosivo e tenho que o ver outra vez porque eles avisam que o filme foi “editado pelo conteúdo”. Sabendo quem foram os editores estou certo que se perderam muitas das partes melhores.

No Dubai fizeram-nos o que eu só conhecia de Lisboa e outros aeroportos mais pequenos e que nunca esperava lá :  desembarca-se do avião para um autocarro que depois vai para terminal. Estavam uns 42 graus , o ar condicionado funcionava mal e foi um quarto de hora desgraçado, como é que se vive num país em que  a vida sem ar condicionado é impossível … para quem não é criado naquelas temperaturas é um sofrimento , um forno, e quando se passavam por obras de construção na estrada até se me apertava o coração a ver os bangladeshis a mourejar à torreira , e sabendo como são tratados naquele país mais pena me faz ainda.

A escala no Dubai foi mais curta do que tinha calculado , e como houve um ligeiro atraso não tive tempo de ir às compras. Recebi recentemente um pagamento que já tinha dado por perdido  e decidi que estava na altura de comprar uns óculos escuros decentes , vai para dez anos que só tenho óculos escuros chineses e o Dubai é um sítio para comprar marcas a preços bons , mas não houve tempo. Voltar a embarcar , a pensar que não estava bem a ver como é que se aguentavam 18 horas de voo mas depois vi que havia uma escala que não aparecia no meu itinerário: Sidney.  Umas 12 horas até lá , a entreter-me como conseguia , no assento do meio que é o pior de todos, não foi muito agradável. Pela madrugada aterrámos em Sidney , que se juntou assim a outras cidades mundiais das quais conheço o aeroporto. Hora e meia de espera e de novo para o avião e mais quatro horas de caminho, agora já com a cabeça a estalar e o nariz todo congestionado ,  muitas horas com as alterações de pressão na cabine , muito desconforto.

Finalmente Auckland , que me começou a encantar assim que  desembarquei: a oficial da emigração mais simpática que já encontrei , que aceitou com um sorriso e desejos de boa sorte a minha explicação para estar a entrar com bilhete só de ida sem sequer me pedir comprovativos ( que eu tinha) . Fui trocar dinheiro,  entreguei os  euros e deram-me os dólares NZ , sem sequer um recibo. Quem já trocou dinheiro (sem ser na rua) sabe que regra geral o mínimo é ter que assinar um papel , no máximo preenchem-se impressos e apresenta-se identificação. Que ali se faça um transacção comercial sem mais nada foi logo bom sinal.

Preparei-me para outras seis horas de espera , por esta altura já quase adormecia se me encostava. Ia vendo passar as pessoas , vi pela primeira vez Maoris e ouvi a língua. São quase todos matulões e quase toda a gente anda tatuada. Finalmente a chamada para o último voo , de Auckland para Kerikeri , 45 minutos . Fiquei impressionado quando vi que se mostrava o cartão de embarque e seguia para o avião , nos voos domésticos não há a palhaçada do controlo de segurança! Mostrando que no governo da Nova Zelândia há quem pense e quem faça cálculos da relação custo-benefício , eliminaram essa barreira imbecil, acharam que o risco de algum doente  querer atacar um voo doméstico na Nova Zelândia não justificava o custo de atrapalhar a vida a milhares de pessoas e provocar milhões em custos de material e pessoal. Nós não somos capazes de fazer isso , pelo que se voarem entre a Terceira e as Flores têm que tirar o cinto , ser revistados e não podem levar uma tesoura de unhas na mochila.

O avião era um de turbohélice de uns 60 lugares , como o que faz a ligação lá entre as ilhas , achei muita piada porque era o sexto da viagem que começou com um avião pequenino , foi crescendo até ao monstruoso 777 e diminuiu outra vez para o pequenino na tirada final. 45 minutos de voo e aterrámos em Kerikeri , à minha espera o capitão e um dos tripulantes , um moço canadiano. Frio e chuva para me lembrar de que é Inverno no hemisfério Sul , uma hora de viagem , já noite , e a chegada à marina , eu mais morto que vivo , apontaram-me a cabine e foi com alívio que me apaguei como uma vela. Acordei de manhã , pus o nariz de fora da escotilha e vi o sol a despontar entre o nevoeiro numa das paisagens mais bonitas que já vi na vida , Bay of Islands. 

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2 thoughts on “Até à Nova Zelândia

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