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Identidade de Género

Cresci  num mundo em que havia dois géneros , a saber , masculino e feminino. Se o bebé tinha uma pilinha era menino e vestia-se de azul , se tinha um pipi era menina e vestia-se de rosa , e  nesta simplicidade a Humanidade caminhou durante séculos. A dada altura , à medida em que a Liberdade e a Ciência foram progredindo , percebeu-se que havia pessoas que tinham  nascido biologicamente  meninos mas sentiam-se em tudo meninas , e vice versa. Para essas pessoas a vida era um inferninho , mas hoje , se não vivem num país islâmico ou socialista ( sim , socialista , se não acreditam vão ver o que se faz aos “desviantes” em Cuba ou como era no Leste no tempo do saudoso Pacto de Varsóvia) já têm possibilidades de viver a vida como querem e como realmente se sentem. Isso é bom.

Quando pensava nestes temas achava que apesar de serem sensíveis e potencialmente chocantes para mentes mais conservadoras , ou básicas , eram bastante claros : uma pessoa é de um  género ou de outro e se não está confortável com aquele em que nasceu , deve poder  mudar  . Também entendia que a questão do género era uma coisa e a sexualidade outra , ambas simples , no fundo : homens que ou ficam homens ou se transformam em mulheres e que gostam de homens ou de mulheres ou de ambos , e vice versa. Nunca achei que nenhuma dessas variantes fosse  melhor ou pior que outra , nem má nem boa , é assim e dado que o facto do nosso vizinho ser isto ou aquilo não influi em nada na nossa vida , achava que a única coisa a dizer quanto a esse “debate” era o que eu digo sempre : Liberdade Individual . Sempre achei que pessoas que se ocupam e preocupam muito  com a sexualidade dos outros têm algum problema nesse campo , tal como sempre achei estranhíssimo que durante quase dois milénios a moral sexual dos países cristãos fosse ditada por gente que por definição não pode ter sexo , logo , não sabe do que está a falar. Ou pelo menos não  devia saber.

Anteontem um sociopata entrou aos tiros num clube gay na Florida e matou 50, presumivelmente só porque eram gays e os manuais religiosos dele dizem lá que os gays são abominações. Isto levantou , outra vez , uma série de debates , desde  a questão das  armas de assalto para todos nos EU à  islamofobia , terrorismo e  identidade de género . 

Por cá, desde que temos um governo apoiado por uma agremiação que pode não saber nada de economia e finanças mas sabe muito sobre certas questões sociais , levantam-se assuntos que poucos até ao momento tinham  como assuntos , se não vivessem em grandes centros urbanos e não fossem sofisticados : a problemática LGBT é um desses.    Uma coisa é mostrar e exigir respeito por todos os indivíduos , sua natureza e escolhas , outra um bocado diferente é legislar sobre  identidade e sexualidade , e aí já começo a ter dúvidas muito sérias. Quando li hoje que  o governo está a trabalhar para aprofundar a lei da igualdade de género fiquei logo apreensivo porque não confio neles , como  cidadão medianamente informado ponho logo o pé atrás  cada vez que leio  “o governo vai legislar…”.

Fiquei a saber por esse artigo que há pessoas intersexo , o conceito não é explicado e não sei do que se trata , se são pessoas que vêm de um sexo e vão a caminho de outro , se é a nova palavra para  hermafrodita , enfim , foi a primeira vez que ouvi o termo e fiquei com a certeza de que neste momento há dezenas e dezenas de académicos a produzir discurso ( e em breve, legislação) sobre o tema.

Por mim bastavam duas  leis muito simples  para encerrar este assunto : a pessoa é livre de definir o seu próprio género ;   todas as pessoas têm os mesmos direitos ( acho que esta já lá está) . Legislavam isto e pronto , acabava o debate num instante  e passava-se a questões  que são mais sérias para toda a população , tipo quem é que derreteu  biliões na CGD ou   porque é que a função pública deve trabalhar menos que o sector privado. Eu respeito a comunidade LGBT  (o presuposto de que a sexualidade de uma pessoa a torna membro de uma comunidade  é bastante curioso) como respeito todas as comunidades pacíficas mas também gostava de ver algum dia  dados estatísticos exactos sobre o tamanho dessa comunidade  porque às vezes tenho a sensação de que se está a debater e legislar para uma fracção ínfima da população e não acho que deva ser esse o princípio orientador da coisa. Quando se passa tempo a debater a sinalização nas casas de banho públicas já se passou o limite , se  , como nos EU , temos políticos a discutir se os travestis fazem xixi  sentados ou o possível grau de choque de um gajo  que vê o mesmo travesti no urinol ao seu lado , já se perdeu um bocado a noção das proporções . Pessoas que acham que o estado já se mete em demasiadas partes da nossa vida rebentam a rir ( ou a chorar…) ao saber que há quem ache  que é preciso  legislar sobre sinalização e diversidade de casas de banho públicas, para nos proteger de um perigo que ninguém sabe bem   definir.

Por fim , as sempre queridas e presentes “campanhas  de sensibilização” parecem-me sempre um bocado ridículas , um homofóbico não muda de ideias por ver um cartaz sobre igualdade  ,  tal como um marido abusivo não vai parar de arriar na mulher porque vê um spot na televisão a pedir-lhe que diga não à violência doméstica . Essas campanhas servem principalmente as agências de publicidade bem ligadas e os  políticos e activistas que assim ficam com a impressão de que fizeram alguma coisa real sobre o problema.

Espero bem que ainda no meu tempo acabem estes debates porque  toda a gente há-de perceber que tem coisas mais importantes para fazer do que ralar-se com o sexo do vizinho. Vivam e deixem viver.

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One thought on “Identidade de Género

  1. As questões são sérias e existem. O que parece acontecer é que as tribos da direita e as tribos da esquerda têm muito mais a ganhar com a perpetuação do “debate” (tradução: fazer muito barulho mas deixar as comunidades em vazios legais e sociais) do que em resolver calma e rapidamente os assuntos. Afinal de contas se tal acontecesse, como refere, teríamos que dar por facto provado que somos todos humanos, portugueses e iguais e falar de política, economia, soberania e outros temas que não interessam a ninguém…

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