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Emboscadas policiais

Alguns factos :

1 – A ilha é pequena.

2- Mais coisa menos quê toda a gente se conhece.

3 – Não há grandes alternativas de entretenimento.

4 – Bebe-se muito.

5- Chamar “trânsito” ao movimento dos automóveis é uma força de expressão.

6- A polícia aborrece-se de morte.

De vez em quando muda o contingente policial  e nem sempre é para melhor.Não é preciso ser polícia para saber que há varias maneiras de fazer trabalho de polícia: ou estão conscientes de que o trabalho da polícia é antes de tudo o mais proteger as pessoas e bens e manter a paz e a atitude geral decorre sempre daí , ou preferem pegar na Lei e cortar a direito , aplicando com o mesmo zelo um regulamento seja numa aldeia perdida no meio do Atlântico seja num grande centro urbano , fazendo cair a força da Lei sobre o garoto bêbado que se vai fazer à auto estrada num Sábado de madrugada e de igual modo sobre o agricultor que bebeu uns copos ao fim do dia de trabalho e está a voltar para casa. Por um caminho onde a probabilidade maior é  não se  cruzar com mais ninguém.

Aqui há dois anos ouvi de fonte muito segura que o comando distrital da Horta ligou para a PSP de cá a exigir uma percentagem pelo menos igual de fiscalizações do álcool ao volante com a justificação , inatacável, de que não era possível nas Flores beber-se menos que no Faial e apesar disso os números da PSP nunca o confirmavam. E mais ou menos a contragosto lá se fizeram mais umas operações STOP. Fui mandado parar uma vez e pediram-me para soprar no balão , eram dez da manhã e eu ainda perguntei se estavam a falar a sério mas depois lembrei-me que aqui a essa hora já se carbura a altas octanas.

Não tenho nada contra as operações STOP, ou melhor , tenho , acho que ninguém gosta de ser controlado mas compreendo a necessidade e aceito. O que não já não aceito bem é a modalidade que um dos nossos novos agentes escolheu para “pôr ordem nisto” , talvez “acabar com o flagelo da condução sob o efeito do álcool” ou qualquer outra frase que tenha visto na televisão:  a emboscada.

Como fazer uma operação stop “clássica” obriga a passar algum tempo à seca ( lembrem-se , não há trânsito) e as pessoas são facilmente avisadas (pontos 1, 2 e 3 ) o método obviamente não rendia e este génio do combate à criminalidade trouxe  outra abordagem: vai passando , ou esperando , nos sítios onde só um cretino não sabe que as pessoas estão a beber e depois têm que ir para casa , espera-as , segue-as e quando chegam a casa , zás, salta do carro e confronta-as . Isto já aconteceu a cinco  pessoas que conheço pessoalmente e é das coisas mais estranhas que tenho ouvido aqui. Um deles estava a pôr a chave na porta de casa , já nem estava na via pública , e mesmo assim o super agente quis que ele soprasse  no balão. Não soprou mas mesmo assim a brincadeira ficou-lhe em centenas de euros. Injúrias à autoridade ,  diz esse meu conhecido que pagou mas  consolou-se a chamar-lhes tudo.

Não acho que só porque se vive numa ilha pequena se deva poder  conduzir bêbado , mas há aqui questões importantes , como saber que ( que me conste) ninguém se lembra do último acidente com vítimas causado pelo álcool ao volante aqui ( aliás , o último acidente sério foi há muitos anos); que se as pessoas não puderem ir beber uns copos aos cafés , com o medo que agora têm, os cafés sofrem mais ainda , tal como as já poucas ocasiões de convívio ; se querem fazer a prevenção da condução sob o efeito do álcool a melhor maneira não é tirar a carta e espetar 400€ de multas a torto e  a direito ; que deviam era trabalhar mais um bocado e gramar as secas que forem precisas a fazer as operações stop como ( acho ) manda a lei ; que tanto quanto sei uma pessoa tem que ser detectada  a conduzir  sob o efeito , não se vai prender antes de se meter no carro ou depois de ter chegado a casa e finalmente que  nestes tempos  a única  face visível do trabalho da PSP aqui na ilha é essa : irritação , transtorno , emboscadas , medo , uma dúzia ou mais de cartas apreendidas e milhares em multas e processos . Se é esse o objectivo , está a correr bem.

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One thought on “Emboscadas policiais

  1. os funcionários públicos das nossas firmas de segurança que suportamos com os nossos impostos, são iguais, nas ilhas e no contnente, e o resultados do serviço prestado é uma lástima. Já agora os outros nossos funcionários das nossas outras firmas de ocupação temporal sofrem do mesmo mal.

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