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Dos Refugiados

Está tudo atrasado e aborreço-me de morte. Aqui vai mais uma reflexão longa e reaccionária sobre o Islão.

Há coisa de um ano um grupo de fundamentalistas islâmicos entrou na redacção de um jornal satírico em Paris e matou toda a gente. A razão:   as caricaturas e sátiras ofendiam a sua religião. Era verdade , ofendiam e muito bem , um dos triunfos do Ocidente é uma liberdade que permite ridicularizar  quem quisermos . Isto não é gratuito , com liberdade vem responsabilidade e se eu tenho a liberdade de ridicularizar quem quiser tenho que estar preparado para responder por isso. Podia escrever aqui uma página inteira a ridicularizar e achincalhar as crenças dos cristãos , por exemplo , consequentemente ofendendo-os ,  no máximo  o que me aconteceria seria um processo num tribunal.  Com o Islão é diferente e a consequência podia  ser um tiro ou uma bomba , especialmente se eu fosse alguém de notável , se o blog fosse relevante ou se vivesse num país em avançado estado de infecção islâmica. Isto é uma evidência , mas é sabido que em política uma evidência não leva a uma aceitação  e por isso o problema islâmico tem que ser tratado com pinças, hipocrisia , obfuscação e negação.

Na altura em que o mundo foi charlie o debate centrou-se na questão “o Islão é uma religião violenta ou não?” Eu acho que sim , carrega os defeitos de todas as religiões mas acrescenta-lhe esse , o da predisposição e incitamento à violência , expliquei a minha opinião neste post  , foi criticada com certa justeza e objecções válidas mas não mudou : de todas as religiões o Islão é a mais perniciosa e opressora , basta dizer que no Islão a pena para a apostasia é a morte , mas isto não é suficiente para convencer o pensamento politicamente correcto que acha que devemos abraçar mesmo o que nos sufoca.Li e re-passei uma frase que me encantou e na qual devemos pensar :

“Se não gostas dos fundamentalistas da tua religião talvez haja algo de errado com os fundamentos da tua religião”.

Passou um ano , houve mais umas matanças de europeus que desagradaram ao Islão e de muçulmanos cuja interpretação das escrituras desagradou a outros muçulmanos , e na Síria as coisas entraram em colapso. Guerra civil de uma crueldade impensável , a destruição do país levou ao êxodo de milhões de pessoas e a desenvolvimentos que já estão a mudar a Europa. Os refugiados, todos  muçulmanos , preferem migrar para países laicos do que para outros países muçulmanos, só isto já é suficiente para pensarmos um bocadinho melhor no que é que as pessoas realmente querem , necessitam e almejam . Países riquíssimos como a Arábia Saudita ou os Emiratos poderiam talvez acolher os seus irmãos na fé, falam-nos da ummah que é uma ficcional comunidade mundial dos crentes,  a chatice é que o governo que resta na Síria é xiita , tal como 25% da população  e os sauditas e emiratis são sunitas e querem é que os xiitas morram  .

A distinção entre xiita e sunita é de uma imbecilidade enorme  : só há um deus e um profeta que já  tinha explicado e ordenado tudo o que havia a explicar e ordenar mas como houve um desentendimento quanto à herança do profeta , como há sempre em relação às heranças dos  poderosos , os fiéis dividiram-se entre os seguidores do genro  e os seguidores do sogro e nesta distinção repousa a razão para um ódio milenar e sangrento. Seria ridículo se não fosse tão triste.

Principalmente por causa dessa distinção entre os seguidores do sogro e seguidores do genro do profeta os Sauditas e Emiratis recusam abrigo e ajuda às populações que sofrem , e com essa cajadada matam dois coelhos: castigam os hereges e aumentam a pressão sobre a Europa.

Quando o êxodo começou a minha opinião era pelo acolhimento, e não tive que ver imagens da TV de multidões aterrorizadas e esfomeadas. Era um dever moral de uma civilização que eu continuo a dizer superior. Ainda me lembro das histórias da minha avó que acolheu um refugiado austríaco na segunda guerra mundial ,  ainda acreditava na possibilidade de integrar estas pessoas na Europa , se distribuídas por toda a Europa,  e acreditava que a possibilidade de haver vinte malucos em vinte mil era o risco que se tinha que correr para salvar estes desgraçados, já há tanto doente a viver na Europa com passaporte europeu que mais duzentos ou trezentos  não iam alterar muito o equilíbrio, precário, da coisa. Tinha confiança que o politicamente correcto e a esquerda militante não iam perder completamente o juízo e far-se-ia uma triagem eficiente desta maré de gente, mandando para trás as ameaças claras , os emigrantes ilegais e os pedidos de asilo falsos. Não foi assim , a sra Merkel ( que apesar de tudo eu continuo a admirar , em agregado e com reservas ) deixou que o coração falasse mais alto que a razão e escancarou-lhes as portas da Europa. É mais fácil , quando se olha para uma multidão , ver a criancinha assustada e com fome do que o jovem  religioso ,  analfabeto e predisposto a fazer o que lhe diz a sua propaganda preferida. Uma maneira melhor de lidar com isto teria sido como fizeram na II Guerra com os austríacos como o que veio ter a casa da minha avó : venham as crianças, aceitamos as crianças todas. Para o resto , campos de refugiados seguros das depredações do Assad e outros malucos sanguinários , protegidos por uma zona de exclusão aérea . Quando acabasse  a guerra os que tivessem pais voltavam aos pais , os órfãos ficavam , educados de pequeninos na Europa por Europeus saíam Europeus verdadeiros , naturalmente integrados.

Houve duas coisas nesta passagem de ano que me fizeram re-considerar a posição de apoio ao acolhimento  , a primeira foi o cancelamento dos festejos de rua em Bruxelas , por medo puro. A Bélgica já se rendeu e hoje em dia acobarda-se abjectamente com  qualquer imposição e exigência tanto dos muçulmanos como da praga dos multiculturalistas que nos vendeu por uma ideia . A segunda foi a violência e os ataques sexuais contra mais de 600 mulheres perpetrada por muçulmanos nos festejos em Colónia. Os multiculturalistas sempre puseram a tónica na nossa tolerância para com eles  e nunca no contrário , os esforços , aceitações , cedências e obrigações eram sempre dos europeus , cada muçulmano que chegava era uma vítima a precisar de ajuda  e a culpa de tudo era nossa , culpa a expiar com subsídios e aceitação de tudo , desde deixar de desejar “feliz Natal” a permitir a poligamia.  As especificidades culturais dos muçulmanos são para respeitar , à custa das especificidades culturais europeias como a laicidade do Estado  e a liberdade de expressão.  

A questão a meu ver não é complicada : o Islão é incompatível com a modernidade , a menos que entendamos modernidade por arranha céus e telemóveis ; a cultura muçulmana é incompatível com a Europa que conhecemos e que idealizamos. A quem duvida disto eu pergunto : como é que se pode sequer chegar a pensar em conviver com uma cultura em que a inferioridade da mulher é dogma e desce da religião para toda a sociedade? Pode haver convivência  em doses pequenas , que foi o que foi feito até hoje, seja por insignificância do número e discrição dos fiéis, como em Portugal, seja por segregação prática como em França , a coisa foi passando .

Sucede que  a demografia não perdoa , uma europeia tem 1,2 filhos se tanto e uma muçulmana 3 ou 4 e o efeito disto não está sujeito a opiniões ,  é mesmo a predominância de muçulmanos em países como a Bélgica e a França em menos de um século. Como bem notou este  personagem nesta entrevista , quando forem maioria vão votar pela Sharia e só têm que votar uma vez.

A ver se nos entendemos :  a maioria dos muçulmanos será pacífica mas não deixa de obedecer a regras incompatíveis com a Europa e as suas tradições , a menos que a Europa continue a ceder cada vez mais nos seus valores colectivos. Dizia um deputado do Bloco de Esquerda na altura da última matança em Paris que a resposta da Europa devia ser a afirmação dos valores da tolerância. Querem derrubar o regime , desprezam as nossas liberdades e modo de vida e protestam com AK47 mas para os multiculturalistas a resposta é continuar a ceder e a tolerar. Se isto não é completamente imbecil não sei o que será.

A mim  ofendem-me , por exemplo , as matanças de animais de modo halal , em que os bichos sangram até à morte por alguma razão estapafúrdia que lá aparece no meio das dezenas de outras prescrições estapafúrdias . Não é só a mim , mas apesar disso todas as capitais europeias estão cheias de talhos e matadouros halal   , porque podemos ofender a consciência de um europeu que ele não vai desatar aos tiros mas  proibir as matanças halal certamente que ia causar outro tipo de matanças e aqui chegámos , ao reino do medo. Até a PETA , uma organização radical de defensores dos direitos dos animais que é muito corajosa a denunciar os casacos de peles dos ricos fica muito caladinha perante este desrespeitar de um dos mais básicos direitos dos bichos, o direito a uma morte rápida e indolor, não vão pôr-lhes uma bomba no escritório.

Medo , é o medo que hoje em dia informa e gere a relação da Europa com o Islão e isto nunca pode acabar bem. Por acabar bem eu entendia um equilíbrio em que os muçulmanos da Europa praticavam a sua religião nas suas casas e nas suas mesquitas e em mais lado nenhum; em que obedeciam à leis e costumes da terra sem terem excepções concedidas por acreditarem em alucinações e mitos ; em que nem sequer sonhavam em exigir limitações à liberdade dos outros por se sentirem ofendidos e finalmente em que o Estado lhes dizia frontalmente : Aqui é assim. Faça favor de sair se não lhe agrada.

Quanto aos refugiados  , o problema mais imediato : devia gastar-se  o que fosse  preciso para os ajudar lá na terra deles ,  reforçar as fronteiras e devolver o máximo número possível à proveniência. Acreditar que estes milhões de pessoas vão querer voltar à Síria , ao Iraque ou ao Afeganistão depois de terem vivido na Alemanha ou na Suécia é ridículo. A Europa já mudou ,  a meu ver para pior , e cada vez fico mais contente por ter escolhido viver numa ilha remota que ainda é Europa mas está muito longe desta loucura.

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7 thoughts on “Dos Refugiados

  1. epa isto é complicado.

    Acho aquela frase sem sentido. o problema nao esta no fundamento teorico de nada, porque esse cada um vê o que quer. o problema são so fundamentalistas, as pessoas, não os conceitos teoricos que há os que se queiram e para o que se queiram.

    o ideal de europamulticultural, tolerante e laica (que eu advogo e acho superior) nao é realmente o que existe. o que existe é uma europa esmagadoramente cristã (em portugal 90% catolica), onde o cristianismo é a religião dominante e tem proteção especial (desde logo a concordata em portugal) e uma vantagem legal para religioes a nivel de impostos (nao pagam). mas vê que os politicos dirigem se a maiorias, e muitos têm receio de dizer que sao laicos. por exemplo, nos eua, nenhum candidato a presidente se afirma laico. e mesmo na europa é complicado…ou seja, os politicos europeus também têm eleitorado, e medo desse eleitorado, cristão..

    depois ha a questão do que os países europeus fazem há 200 anos (e ainda hoje) no medio oriente, intervindo a saque e muitas vezes em guerra, fomentando-as e financiando-as em completa hipocrisia, apaoiando os regimes mais fundamentalistas e lixando alguns onde ate era seguro ser cristão…se eu fosse um sirio ou libio ou egipcio via a “Europa cristã” a atacar e saquear o país deles…isso nao contribui para alimentar isto tudo?

    depois ainda ha os muçulmanos que vivem na europa e são europeus (muitos fruto do passado colonial). e sao muito sjá. em frança gb e alemanha são milhoes. o que se faz, conversao ou explusao?

    é que os fundamentalistas islamicos nem sao especialmente contra cristaos. eles odeiam mesmo é o laicismo, o hedonismo, a mulher, etc.

    ou seja, a nivel de politica internacional, passado historico, coerencia interna e externa, etc…somos um desastre

    junta isto tudo e mais umns pozinhos e ja chega para o problema e solução serem muito complicados. eu nao sei mesmo o que fazer. acho que começava por fazer o que pudesse para a europa estar energeticamente livre de petroleo e deixava-os a pastar na areia…sem dinheiro aquilo morria. aliás, o islao historico decaiu quando perdeu o a riqueza que nos desviamos por outras rotas comerciais…

    da-me a impressão que enquanto não formos a esse fundamnete financeiro-economico…isto é só salganhada sem sentido nem soluçao

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  2. Amigo , se cada um vê o que quer num fundamento teórico não vale a pena fundamentar nem teorizar sobre nada. Acho que não se pode ver subjectivamente a origem do Islão ou de outra religião qualquer , surgiram de factos objectivos e interpretações concretas.

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  3. nao acho jo.

    toda a parte religiosa é 100% subjectiva. é por isso que se pode discutir para sempre e nunca acaba a nao ser com um “creio que”.

    na historia podes ver factos e fazer alguma objectivação, mas no que se trata de visoes, escrituras sagradas, interpretaçoes, etc, é tudo subjectivo, no sentido de cada um ter as interpretaçoes (alucinaçoes e razoes) que quer.

    alias, os fundamentos teoricos do islao (na minha interpretação) são quase exactamente os mesmos do cristianismo, tradição monoteista da qual se considera sucessora e completador da obra final. eles consideram o jc um profeta legitimo, e acham que são o estagio final e mais puro da tradição monoteista judaico cristã.

    se me disseres que o mahomed era pedofilo, e que grande parte da tradição historica dos muçulmanos é de guerra, desde o inicio,até entre eles, isso é algo mais para factos…agora os fundamentos, são os mesmo fundamentos do monoteismo cristão, basicamente, todos eles teoricos, interpretaveis, crenças, etc.

    na biblia crista, ou no antigo testamento, também há lá o que sobra (e tem sobrado, ao longo da historia) para subjugar mulheres, fazer cruzadas religiosas, matar expulsar ou converter outros à força, etc. se considerares que o corão, como a biblia, é o fundamento, um objecto, então mais vale impugnar já o novo testamento e a tora, e todas as interpretçoes eclesiasticas que de lá vêm e que estão cheios de deixas para fazer tudo o que te apeteça, nomeadamente actos de guerra.

    mas entretanto, mesmo em países onde a biblia passou a ser fundamental , nomeadamente nos protestantes (na cristantade “romana” a biblia sempre foi pouco importante), eles têm feito umas interpretações mais..moderadas, como se diz agora…mas é recente.

    até budistas invocam a tradição budista e o buda para andar à facada se for preciso.

    podes pegar num escrito qualquer e lê-lo para encontrar lá o que te apeteça…e podes continuar a discutir isso para sempre.

    se não concordas eu pergunto-te: quais são os fundamentos do islao. ou do cristianismo. ou do budisto. ou das sociedades modernas?

    e isso é ou não discutivel?

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    • sem recurso a “apoio teórico” , o fundamento do Islão é o seguinte : Maomé isolou-se nas cavernas nos montes 40 dias, ouviu o Senhor e escreveu o Corão. O Corão, tal como está escrito , é o fundamento do Islão. a interpretação é subjectiva mas o que lá está escrito literalmente é objectivo, e é o fundamento do Islão. O Novo Testamento é o fundamento do Cristianismo e também aí esse está sujeito a interpretação mas o que lá está escrito é objectivo e verificável. Os ensinamentos do Buda podem ser interpretados subjectivamente mas o que ficou registado do que ele disse é objectivo. São os fundamentos, e sobre isso construiu-se a doutrina , essa sim subjectiva , mas o fundamento é muito concreto.

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  4. nao é bem assim.

    como sabes nem o jc nem o mahomed nem o buda escreveram nada e possivelmente eram os 3 analfabetos (se é que existiram como pessoas). foi tudo escrito post mortem, por outros, e levou longo tempo. ate a vida deles é muito mais lendaria que historica. A historia vai-se construindo e é multipla e contraditoria.

    os principios basicos sao os mesmos, é o monoteismo. depois cada um incorpora coisas do seu tempo e zona, e por acaso a zona dos acontecimentos biblicos e muçulmanos ate se sobrepoem muito. no essencial nao diferem muito.

    depois acabam por haver hierarquias e doutrina em cima dessas ideias nucleares passando a haver religioes organizadas e proselitas (o proselitismo é o pior de tudo)… isso tb é igual em todas. e se formos ver doutrinas de varios tempos e lugares todas as grandes tradiçoes religiosas sao multiplas e contraditorias. num mesmo versiculo pode-se ver a luz e ou as trevas.

    dois papas cristaos podem falar numa linguagem completamente diferente e transmitir catolicismos diferentes. e a religião catolica é só uma de muitas…

    sinceramente nao vejo bem o que pode haver de objectivo neste tipo de assuntos.

    a religiao alimenta-se de ar, utopia, do nada. por isso é que cabe lá tudo…

    continuo a achar que o unico meio de compreender e solucionar isto
    é através de $. Retirar o dinheiro (neste caso a necessidade de petroleo) dessas gentes proselitas e radicais. se nao fosse o petroleo eram umas tribos manhosas a peneirar-se pelas beiras dos desertos.

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