Início » Uncategorized » 2015

2015

Depois de um ano tão mau como 2014 não era muito complicado melhorar, e este que agora acaba não foi nada mau. Ficou marcado sobretudo  pelo regresso ao activo profissional a 100% , atravessei o Mediterrâneo duas vezes , depois  o Atlântico até à Florida via Caraíbas e a seguir o Índico. Perdi as ilusões de conseguir sustentar-me aqui com um dos meus projectos , ou melhor , ideias, nos tempos próximos. Falta  bastante.

Revi velhos e novos  amigos. Perdi dois , os dois chamados David por triste coincidência , custou-me muito especialmente não poder ir  ao funeral de um deles em Inglaterra , foi das raríssimas vezes  em que tive mesmo pena de não ser rico e ter dinheiro para me meter assim num avião de repente para me ir despedir pela última vez de um grande amigo e poder abraçar a mulher dele e chorar com ela. Era um dos meus melhores amigos  , essas perdas foram o pior deste ano que acaba.

Um  ponto alto  foi ter terminado  um livro , acho que se pode chamar um livro porque corresponde à definição de “livro” no dicionário , e ter tido  uma proposta de publicação. Pensei muito nela mas não a aceitei  por várias razões ,  entre elas o  facto de me terem feito uma proposta de publicação quando eu procurava uma editora . A casa em questão denomina-se editora  mas tem uma interpretação diferente da minha do que isso significa , para mim  há uma diferença enorme entre editar e publicar que passa muitas vezes despercebida ou é deliberadamente ignorada : uma pessoa pega num texto ou corpo de textos e dissemina-o : isso é publicar. Uma pessoa pega num texto e corrige-o , revê-o , organiza-o e  melhora-o , isso é editar. Esta editora propunha-se a publicar o meu livro tal como o apresentei , coisa que longe de considerar um elogio considerei  falta de critério e uma política folgada demais , porque  gosto da minha escrita mas daí a considerar aquele manuscrito pronto para ser posto à venda vai , tem que ir , uma distância boa e sei que o texto beneficiaria da atenção de um editor profissional.  Além disso também queriam que eu comprasse boa parte da edição, seguindo a tendência contemporânea que aproveita a tecnologia  à disposição para permitir  a qualquer pessoa  publicar um manuscrito. A credibilidade e seriedade desse processo deixa algo  a desejar , na minha opinião, fiquei com a impressão de que eles aceitavam qualquer coisa . A isso juntou-se um certo receio da exposição pessoal , o livro , se é alguma coisa é autobiográfico e uma coisa é um blog e outra diferente é um livro publicado e já revi aquilo tanta vez ( vai sempre encolhendo , daqui  a pouco estou com meia dúzia de páginas…) que já não o consigo ver  como um livro candidato a ser popular . Ninguém quer publicar um livro para vender 500 exemplares , acho eu , a menos que o ego seja a principal coisa em jogo, aquela coisa cada vez mais insignificante de poder dizer que se é um autor publicado.

É melhor esperar até encontrar uma Editora , daquelas que têm Editores  que analisam , criticam e melhoram manuscritos e publicam aqueles em que confiam sem precisar de contribuição financeira  directa do autor. Enviei-o a um dos meus melhores amigos que mo devolveu algum tempo depois  cheio de anotações , correcções de imperfeições  e sugestões de alterações , ou seja , editado , e vamos ver se é este ano que entra  que o vai ver publicado. Já o dei a ler a algumas pessoas  mas falta-me ouvir a opinião de alguém que não me conheça de lado nenhum , como é natural , para que avalie aquilo pelo que lê sem estar condicionada pelo que conhece do autor.

Para efeitos da tal trilogia “livro , árvore , filho” , considero assim que só falta o filho , e vai continuar a faltar a menos que eu consiga desenvolver uma versão masculina da  partenogénese em tempo útil. Já houve uma altura em que queria bastante um filho , até já se discutiam nomes e políticas de educação  mas as coisas fizeram o que fazem sempre , mudaram , e o entusiasmo pela ideia foi caindo e hoje é perto do nulo. Encontrar como melhor razão para querer ter um filho o facto de achar que Vasco Ventura é um nome com muita pinta … não chega . Tenho felizmente imensos amigos com fartura de filhos e  tenho meia dúzia de sobrinhos ,  quando me falam das alegrias da paternidade e dizem que eu não posso fazer ideia eu sorrio e abstenho-me de  perguntar o que é que eles sabem das liberdades , alegrias e descanso de não ter filhos .

Todos os pais babados ( os que acreditam , como na canção do Carlão , que produzem diamantes  mesmo quando só criam putos como os outros , nem mais nem menos que os outros) falam de maravilhas inexplicáveis mas raramente se alargam sobre as angústias , cansaços , despesas , desesperos,    crises , dores , sofrimentos e  incertezas. Parece que isso tudo desaparece ao  ver o fedelho a balbuciar papá mamã  , diz que isso compensa tudo. Dispenso a experiência e a prova, se pudesse tinha era mais animais , muito mais animais , que me fazem rir , são dedicados , fazem companhia , são agradecidos , não me  pedem dinheiro , não se metem na droga ou   no álcool, não arranjam   pares  inaceitáveis   , não correm o risco de me  sair benfiquistas ,  comunistas ou strippers , não me dizem que nunca pediram para nascer  ,estão sempre contentes por me  ver e estar ao pé de mim,  aceitam ser disciplinados e obedecer a regras , nunca se queixam da cor ou marca das coleiras que usam e ficam comigo  até morrerem .

Dito isto , aprecio a vantagem evolutiva do meu género que me dá ainda mais uma ou duas décadas em que posso procriar , tecnicamente , e se a questão verdadeiramente se pusesse  acho dava um pai decente, sei isto porque apesar de não ter  filhos  gosto de crianças e sempre me dei muito bem com os filhos dos outros , e eles comigo. Se calhar é por aquele pormenorzinho de os poder devolver à proveniência passado algum tempo.

Tenho um bilhete para Lisboa  para dia 31 mas aposto que vou ao aeroporto , espero uma horas e volto para casa,  o mais provável é o voo cancelar e só ir no dia seguinte, não me faz diferença , a noite da passagem de ano é-me indiferente .

Para 2016 espero 12 meses com cerca de 30 dias cada um em que vão acontecer as mesmas coisas que acontecem sempre , com pequenas cambiantes . Não há decisões de ano novo , se alguma coisa mudar em 2016 não vai ser por ser 2016, vai ser porque era altura disso.

Espero que o vosso 2015 não tenha sido horrível e que 2016 não seja mau.

Anúncios

One thought on “2015

Responder

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s