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Adeus e até um dia

As Seychelles marcam o ponto mais a Oriente para onde naveguei , trouxe um barco de La Rochelle para aqui em 2001, com esta viagem vou aproximar-me do objectivo (largamente teórico e sem prioridade nenhuma) de circumnavegar o Globo , não o podendo fazer de uma vez posso chegar a fazê-lo tecnicamente , ou seja , aos bocados juntando todas as viagens que fiz . Vai ficar a faltar-me o pedacinho entre as Maldivas e  a costa Oeste dos EUa , coisa pouca…Se nunca o chegar a fazer não me chateia nada.

Passei umas boas 3 horas em 3 repartições diferentes para tratar da autorização para zarpar. Primeiro a Imigração , que ficou com os nossos passaportes e vem cá entrega-los à hora que disse que ia largar , para se certificarem que somos nós  e mais ninguém . A seguir na capitania , onde se preencheram impressos e mais impressos , em duplicado e triplicado , e a seguir a alfândega . Quanto menos desenvolvidos os países mais densa a burocracia mas pelo menos aqui as pessoas são simpáticas. As Seychelles dão dez a zero às Caraíbas em tudo , desde a beleza natural até à limpeza passando pela simpatia das pessoas , o único problema é ser tão caro vir para aqui e o custo de vida ser tão alto .

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Trabalhei com dois maldivos, os representantes dos novos donos que vieram cá de propósito para a transferência dos barcos , eram para vir connosco um em cada barco ( eu na altura não gostei da ideia mas nem protestei porque não vale a pena) mas mudaram de ideias. Um chama-se Iaad e o outro era o Rashid , agora tenho a  caixa de correspondência cheia de comunicações de Ahmeds e Hamids , nas Maldivas toda a gente é muçulmana . Não sei se o Iaad é religioso , o que sei é que se as pessoas todas conseguissem guardar para si a sua religião  o mundo funcionava muito melhor . Não pode ser , tanto muçulmanos como cristãos acham que são divinamente mandatados para espalhar a sua fé , a miséria que isto tem causado ao longo dos séculos é incalculável, e além disso ainda temos que ouvir pessoas a argumentar que o que falta ao mundo é mais deus , presumivelmente o seu , porque o dos outros é falso. Podem-me dizer que esta vaga de matanças não é causada pela religião mas sim pela política e por factores sociais. A essas pessoas eu peço que , se conseguirem  , façam o exercício de retirar a religião da equação e imaginem não um mundo sem religião mas um mundo em que os religiosos não tinham a pulsão de impor a sua religião aos outros , à força de bombas ou de argumentos. Eu não vejo como era possível haver  grupos como o Estado Islâmico sem esse “enquadramento” da fé , mas é possível que esteja errado.

Entretanto já sei que me vão revistar o barco à chegada às Maldivas , que me vão contabilizar o álcool que tiver a bordo, que me vão dizer que tem que ser para consumo exclusivo a bordo e que vou ter que apresentar as garrafas vazias às autoridades para provar que foi consumido a bordo e que não andei a desencaminhar e/ou corromper muçulmanos oferecendo-lhes uma cerveja. Estive a ver o site do turismo das Maldivas . Vê-se lá que é proibido importar “artigos ofensivos para o Islão” sem especificar muito , eu não quero arriscar porque sei que o Islão se ofende com pouco , e também não se podem trazer porcos vivos (em princípio não deve ser um problema) nem cães. Podem levar-se gatos mas não se pode levar cães , também não oferecem justificação para isto mas eu sei qual é , aos olhos do Islão o cão é um animal impuro ( uma das muitas razões pelas quais me dou mal com o Islão) . Também não se podem levar ídolos para adoração , ainda bem que não trouxe os meus CDs dos Pink Floyd.

Dou-me mal com a doutrina mas nunca me dei mal com pessoas que não me  fizessem mal nenhum por isso não estou nada preocupado e e vou obedecer com boa cara a todas e mais algumas restrições que me imponham ( tipo tapar uma tatuagem que tenho com uma cruz de Cristo como me exigiram uma vez no Egipto) e isto por uma razão muito simples : na terra deles quem deve mandar são eles. Isto para mim é claro como água e nada controverso , mas na Europa pensar assim é ser intolerante e sei lá que mais.

Quanto aos barcos , são estes :

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Não me vou alongar com a minha opinião sobre eles porque é uma coisa subjectiva e podem ser considerados espectaculares por muitas pessoas , vou só dizer que fiquei um tudo nada apreensivo quando vi que tinham sido fabricados na China. A Robertson & Caine é uma casa Sul Africana , cheguei a ir lá buscar três barcos novos há muitos anos. O principal cliente deles era a Moorings , a maior companhia de charter do mundo. Depois a Moorings foi comprada pela Tuy , a maior companhia de turismo do mundo e depois a Tuy foi comprada por uma companhia chinesa e parece que deslocaram para lá a produção, fazendo um esforço para não publicitar muito o acontecimento porque as pessoas têm uma certa ideia do produto chinês que não é fácil de contrariar… logo se verá se é mais um barco como os outros ou se vou ter surpresas pelo caminho.Quer dizer, surpresas há sempre , vamos ver é se são causadas por defeitos de fabrico ou se se confirma que a opinião negativa sobre o made in China hoje em dia é só um preconceito.

Está tudo quase pronto para a partida que deve ser amanhã às 10 da manhã e devemos levar 12 dias até Male, talvez mais.

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