Não sei se alguma vez houve alguma guerra no mundo que tivesse causas , processos ,histórias , protagonistas e desenvolvimentos que fossem claros para toda a gente e simples de enunciar. O nevoeiro faz parte da guerra , e em todas há os que sabem pelo que lutam , os que desconfiam e os que não têm ideia nenhuma. Há os que perdem tudo e os que ganham tudo , sendo mais os primeiros que os últimos. Desde políticos a industriais do armamento , todas as guerras têm quem beneficie com elas , coisa que também é sabida há séculos. Há os que produzem razões , motivos e justificações para a guerra e os que produzem razões , motivos e justificações para parar com a guerra , encontrando-se bons argumentos de ambos os lados.

Não me interessa nesta altura de onde veio o Estado Islâmico , quem partilha a culpa pela guerra na Síria ou na Líbia , que responsabilidade damos à CIA e aos mullahs , o papel das religiões nestes horrores. O que me interessa é saber o que é que se vai fazer quando se torna impossível  continuar a fingir que a guerra é  lá longe e que a nossa parte está feita se embarcamos com a  carneirada a pintar a fotografia com as cores da França ( neste caso) e a dizer platitudes inconsequentes.

Há milhares de extremistas armados até aos dentes que não fazem cerimónia nenhuma em dizer literalmente que odeiam o Ocidente ,  querem a nossa morte e castigo e rejubilam com o massacre de gente cujo crime é ser ocidental e andar na rua , e nós respondemos ligando umas luzes tricolores na fachada de um monumento ,  a acender velinhas e a declararmo-nos chocados.  Que ninguém se declare furioso e reclame retribuição , é logo intolerante , xenófobo e fascista . Acabo de ouvir um jovem deputado do PS ou Bloco , há ali uns que confundo , a dizer que se responde a isto com a “afirmação dos valores da democracia”.  Isto não quer dizer nada , a menos que este gajo ( acho que era o Galamba) ache que a resposta certa para um massacre é uma afirmação. Devia-se exigir a este género de pensadores , já que têm responsabilidades políticas , que expliquem um bocadinho mais e elaborem sobre os soundbytes e inanidades que proferem , porque não só a “afirmação dos valores da democracia” é das coisas mais vagas que se podem dizer como , parece-me , não é resposta a quem usa violência e o terror como política. Excepto para quem vive no mundo da retórica.

A desgraça já está consumada, o inimigo ( os fundamentalistas islâmicos violentos) está entre nós , felizmente mais entre os franceses que entre nós mas é uma questão de pouco tempo , a distância é curta. Se continuarmos a acolher e tolerar muçulmanos aos milhões sem impor condições  sérias estes construtores do califado vão prosperar e continuar a aterrorizar-nos.

Vem aí mais populismo , mais xenofobia , mas “segurança”. Este conflito , que começou há séculos , vai provavelmente durar outros tantos. Acredito que não há vitória possível e não há compromisso possível , mas há uma reacção e uma atitude possíveis , que é combater as organizações terroristas e suas redes de recrutamento e apoio , e com violência real,  com resposta cinética  Os jhiadistas na Europa devem rir-se a bom rir quando vêm que chegam cá , têm abrigo, têm subsídios e protecção legal ,  vomitam ódio dos púlpitos das mesquitas , doutrinam a juventude e pregam o triunfo final do Islão sob o olhar terno , tolerante e compreensivo dos multiculturalistas e relativistas que estão sempre de vigia. Não pode ser , tem que se perseguir , prender e banir esta canalha  , onde ela se encontre ,  sem medo e sem pedir desculpas .

Já que há guerra , que se  faça a guerra sem subterfúgios nem hesitações  , porque os inimigos certamente não as têm. Alternativamente podemos continuar a fazer o que sempre fizemos e a afirmar os valores da Democracia , coisa que impressiona e convence muito os jhiadistas.

Daqui a uma semanita já desapareceram as fotografias com o tricolor ,  as velinhas e as manifestações de solidariedade remota que valem pouco mais que zero. As bombas e os massacres dos jhidistas vão ser só em sítios como a Nigéria e o Yemen , desaparecem do radar de cidadãos e políticos e passamos a outro assunto. No meio dos milhões de muçulmanos da Europa e suas portas fermenta já o próximo massacre. Que nos vai chocar e vamos lamentar , e assim se vai andando.

Em preparação para a viagem da próxima semana estou a reler este livro sobre o Oceano Índico . Descreve bem as motivações , métodos e resultados das políticas portuguesas nessa parte do mundo , que controlámos durante quase um século. Não é muito bonito. Menos bonitos ainda eram os métodos , motivações e resultados das políticas dos muçulmanos . Não há inocentes , não há países , religiões ou culturas boas nem más, mas quando há guerra lutamos ou rendemo-nos e quem não quer lutar , com todos os horrores e contradições que isso implica , tem que admitir que prefere render-se.

DSCF0640PS : O deputado é o Pedro Filipe Soares do Bloco de Esquerda , que foi com mais uns companheiros a Paris de propósito para apresentar condolências à cidade e dizer que isto se combate com tolerância.

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