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Imigração

As Filipinas são um caso pouco comum no que diz respeito à emigração. Como o país é pobre e muito populoso é política do Estado encorajar e até organizar a emigração dos seus cidadãos.Dizem orgulhosamente que a maior exportação das Filipinas é a mão de obra , não há ninguém na área naval que não saiba que a maior  percentagem dos marinheiros mercantes é de  filipinos e ninguém ( nos EU, pelo menos) que não saiba que a maior percentagem das amas e cuidadoras de idosos são filipinas.

Resulta para as Filipinas ,   não só tem essa válvula de escape para manter o desemprego sob controlo como beneficia largamente das remessas dos emigrantes. Em Portugal não se vêm as coisas por esse ângulo. Apesar de sermos um país que passou quase 600 anos a emigrar e não deve haver muitas famílias sem pelo menos um emigrante ( ou expatriado , como se chamam os emigrantes que são sofisticados demais para se designarem pelo termo)  , ouvimos falar da emigração como um drama , uma tristeza .

Para mim um drama e uma tristeza é quando uma pessoa não tem trabalho nem opções .Se tem opções e não as explora , para mim deixa de contar. Ah , e as pessoas que não conhecem as opções?? Temos pena , mas eu não sou dos que acham que o Estado deve carregar toda a gente nem é sua obrigação orientar a vida de toda gente , como de resto pensam os que não acreditam em socialismos . Isto porque seja qual for a situação ou ideologia de uma pessoa , ela reage a incentivos. São os incentivos que determinam as atitudes e escolhas ( isto não é ideia minha nem está aberto a discussão , é mesmo assim) e se o incentivo para depender do Estado é maior do que incentivo para se desenrascar , as pessoas , obviamente , encostam-se ao Estado. Quando uma proporção grande dos cidadãos acaba a depender do Estado temos o que podemos observar aqui à nossa volta.

Voltando à imigração. Passei uns dias num hospital e calhou-me a dada altura uma enfermeira da Europa de Leste ( um anjo que só me dava vontade de arrancar os tubos e fios  a toda a hora para ela vir ver o que se passava) , falava português impecável e tanto quanto vi ( e perguntei , claro que tive que perguntar por ela) era uma profissional estimada  . A minha dentista é da mesma parte do mundo e recomendo-a sem qualquer hesitação. Isto para dizer que me estou nas tintas para as dezenas de milhar de profissionais portugueses que emigram porque aqui não lhes chega , boa sorte e escrevam , não acho isso drama nenhum por uma  simples razão :  enquanto não fecharem as fronteiras e os xenófobos não subirem ao poder onde há uma vaga de emprego vai aparecer alguém para a preencher . O que se paga em Portugal não chega para muitos portugueses mas encanta ucranianos , moldavos , sírios e sei lá que mais ,e como não me interessa a cor , religião ou proveniência de quem faz o trabalho desde que  fique bem feito , não tenho medo nenhum que fiquemos sem profissionais nacionais nem a emigração em massa me apoquenta. E não vale só para o pessoal qualificado , há milhares de portuguesas a trabalhar nas limpezas em Inglaterra , por exemplo , e não me consta que faltem cá serviços de limpeza . O dinheiro que o Estado enterra na educação do pessoal que emigra  já me custa mais mas  também não fomos nós que pagámos a formação da dentista e da enfermeira que cá chegaram e por isso acho que as coisas acabam por se equilibrar.

Terem emigrado cinco  mil arquitectos só é um problema se precisarmos de um e não o encontrarmos.

PS: Cai hoje o governo e há-de constituir-se um novo entretanto. Para que não sobrem a ninguém dúvidas sobre a unidade desse futuro governo e seu apoio parlamentar , os acordos vão ser assinados em privado e em separado pelos três partidos , claro que o PC não quer ser visto em público a fazer o que seja em comum com o Bloco, nem sequer estar na mesma sala.  Ontem nem PC nem Bloco aplaudiram o discurso do César na Assembleia , e não foi porque lhe descobriram a demagogia e as mentiras , foi porque  os espaços são para ser bem marcados. Jerónimo de Sousa anunciou aos jornalistas o apoio do PC ao governo horas antes dessa decisão ter sido votada no comité central. Naquela casa votar decisões ( sempre de braço no ar , não vá alguém imaginar que é um indivíduo) é uma formalidade que se pode sempre deixar para quando for mais conveniente.

Para não nos esquecermos do calibre de quem tem o Governo de Portugal nas mãos .

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