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Amigos mortos , amigos vivos

No funeral encontrei dúzias de amigos, repetimos clichés tipo “eh pá temos que nos encontrar mais” mesmo sabendo que nos vamos encontrar o mesmo , não é por estarmos abalados pela morte de um amigo que vamos passar a ligar mais aos outros , mas na altura parece não só que tem que ser como vai ser. Organizou-se depois um “jantar só porque sim”, como se os milhares de vezes que fomos jantar entre amigos ao longo dos anos tivessem precisado de alguma razão.

Não deixa de ser verdade que se não fizermos um esforço para nos mantermos próximos do amigos , mesmo que à distância , vamos acabar por lamentá-lo mais tarde , ou alguém acabará a lamentá-lo sobre a nossa campa. Pensei nisto a caminho de Peniche depois do funeral , o meu amigo Gunnar estava de férias a surfar com a família.Não o via há uns 10 anos , tirámos o curso juntos , navegámos bastante juntos , visitei-o na Suécia e ele visitou-me cá , tinha saudades dele . Parece que estamos os dois na mesma , mas ele casou-se com uma espanhola e têm duas filhas pequenas , eu podia ficar a olhar para elas que tempos e a pensar em genética , acho  verdadeiramente extraordinário que uma das miúdas , lindas , seja o protótipo da rapariga sueca e a outra da rapariga espanhola , ninguém diria que a loura de olhos azuis e pele clara é irmã da morenita de olhos castanhos , é muito engraçado especialmente porque são bilingues , a loura a falar espanhol como nativa e a morena a falar sueco . O meu amigo vive agora em Fuerteventura , onde é canalizador de profissão depois de 4 anos de aprendizado na Suécia , país onde levam a qualificação profissional e as canalizações  de um modo , digamos , diferente da Europa do Sul , região onde pela mesma medida um diploma de canalizador sueco não vale grande coisa ao pé de outras como amigos no negócio.

E por falar em mortos e vivos , não me é possível deixar de falar da Grécia . Faz seis meses que o Syriza foi eleito , era uma nova esperança para a Europa , diziam alguns. Se alguém conseguir olhar para os balanço dos seis meses e encontrar alguma coisa de positivo no trabalho do Syriza agradecia que mo apontasse. No fim de contas o duo Tsipras -Varoufakis conseguiu perder seis meses em que não resolveu nada , a situação da Grécia só se agravou e agora  recusam tomar decisões  , chamando os eleitores a votos esquecendo que mesmo há seis meses tinham sido chamados e o tinham escolhido a ele para decidir. Ontem já pediam para aceitar o que há seis meses desdenhavam com sobranceria , e nesse desdenhar eram aplaudidos pela esquerda indígena . Há que não esquecer essas coisinhas, porque isto faz-se de pormenores e é pena que os que  proclamaram  em altos berros o apoio a estes aventureiros passem a andar colados às paredes perante os resultados da alta estratégia política posta em prática pelos gregos.

Não é que sejam precisos mais exemplos práticos dos problemas da Grécia mas deixo dois : um amigo trabalhou num iate de luxo pertença de uma família grega , milionária várias vezes. O iate fazia charter de vez em quando , ou seja , alugava cabines a turistas . A lei grega prevê que o capitão declare a lista de tripulantes e a de passageiros , para se calcularem as taxas que os turistas pagam. Nesse iate é procedimento estabelecido inscrever os passageiros no rol como tripulantes , inventando-lhes posições , esforço e intrujice destinada a poupar poucas centenas de euros numa operação de dezenas de milhar. É a abordagem grega por defeito : em caso de possibilidade, seja-se milionário ou  indigente , o reflexo é enganar o estado e fugir aos impostos.

A segunda ouvi esta manhã na Antena 1 , que enviou um jornalista a Atenas para nos dar conta das desgraças. Entrevistou num multibanco um casal , ela com 68 anos ele com 72 a tentar levantar dinheiro. Com reformas de 700€ agora já muito cortadas , só podiam levantar €60 cada dia. Diz o senhor : “eu já passei por muita coisa e já vi muito pior que isto , durante a segunda guerra mundial , a vida está difícil mas ….” deixei de ouvir porque fiz as contas e ou o senhor se tinha enganado a dar a sua  idade ou tinha nascido em 1943 pelo que nunca vira nada da segunda guerra mundial, facto  que não o impedia de falar dela dizendo que a tinha vivido. Aqui entrou forte o meu preconceito e estereotipização que nestes dias  estão a rebentar as escalas : arre , que têm que ser aldrabões até ao fim.

Os Gregos estão entalados , depois de anos de rebaldaria e aldrabice entregaram o poder a uma agremiação de académicos  líricos e agora têm que arcar com as consequências esperadas por todos os que  não olham para  a realidade pelo prisma marxista e revolucionário e acredita em coisas  que parecem imensamente difíceis de perceber tipo “não se pode gastar indefinidamente o dinheiro que nos emprestam sem ir pagando  algum e aceitando condições” .

Da palhaçada dramática que foram estes 6 meses em que os Syrizas  fingiram negociar em vez de governar o seu país , guardo a declaração curta e clara do presidente do Eurogrupo  quando se começou a perceber que o Varoufakis e o Tsipras estavam a entreter-se com um jogo em vez de negociar de boa fé : ” A confiança vem a pé mas vai a cavalo”.

Desejo que os Gregos votem sim no referendo , sim às medidas necessárias para receberem o dinheiro necessário e com isso mostrem a todos que lamentam a aventura da extrema esquerda no poder , e a duplazinha de incapazes volte às universidades , onde as audiências são sempre mais fáceis de convencer e encantar , e que gente realista e mais competente se chegue à frente para governar aquilo , o que não é fácil. Se votarem não ( voto do meu ponto de vista é o voto expresso em Janeiro quando elegeram o Syriza que fazia e acontecia) , a ver se é desta que finalmente se acabam as desculpas e se começa a aplicar na Grécia o modelo preconizado por Syrizas , Podemos , Blocos das Esquerdas e outros grupos redentores . Ah , esperem , esses modelos só funcionam se alguém se dispuser a pagar as contas , pois é. Isto das revoluções é uma chatice e uma complicação, e depois há tantas pessoas que não compreendem….

PS : fiquei sem palavras ao saber da existência de uma aldeia em cujas festas religiosas se queima um gato vivo. Chama-se Mourão e fica para a história como a aldeia de rústicos na qual durante décadas se pegou fogo a um gato num evento público e até 2015 nem uma alminha que fosse foi capaz  de se chegar à frente e dizer : “Isto não pode ser   , não pode ser e tem que acabar já.” Não houvesse facebook e os cidadãos de Mourão iam continuar a queimar gatos todos os anos , parte da maneira de honrar S. João. O caminho é longo e ainda estamos muito longe.

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