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Todos à barbearia

Não sou um homem de barba rija , mesmo que fosse de embarcar em modas não era capaz de seguir esta última da barba à lenhador. Quando era garoto passava tempos frente ao espelho a tentar detectar sinais de barba , os meus amigos já se barbeavam e falavam de coisas relativas à barba e eu nada , uns pelos aqui e ali , aquilo na altura parecia que ia condicionar o meu futuro e angustiava-me um bocado . Alguma finalmente apareceu mas mesmo assim só faço a barba de mês a mês ou perto , característica biológica que ao longo dos anos me deve ter poupado umas centenas boas em lâminas , espuma , loções e outra parafernália. E tempo, claro está. Seria diferente se tivesse um trabalho ou disposição que requeresse apresentação cuidada , mas não é o caso.

Apesar disso gosto de ir a barbearias quando estou no continente , a sítios onde os cortes à disposição são muito curto , curto ou só um bocadinho , e onde se pode aparar a barba e o bigode com categoria. São um resquício de um tempo passado , em que não havia metrosexuais e uma lista longa de modas e tendências masculinas que , desculpem-me a linguagem , não passam de paneleirices. 

Há uma barbearia em Lisboa , que apesar de tradicional deve ter a sua quota de clientes metrosexuais e hipsters , que decidiu pôr à porta um autocolante a dizer que só era permitida a entrada a homens e cães. Mulheres não. Pessoas de ambos os sexos com vidas preenchidas e que sabem o que é uma barbearia não achariam inconveniente nenhum nisto , mas eis que há indignação e protesto , e um colectivo feminista decidiu intervir, mascararam-se e entraram pela barbearia dentro a ladrar . Já vi o vídeo e li o blog deste grupo , e recomendo não só a quem se quer rir um pouco como a quem se interesse pelas actividades pseudo políticas da juventude urbana ociosa . Há posts em inglês e tudo , porque o feminismo moderno quer-se globalizado.

Vivemos numa época e país em que as mulheres pilotam aviões de caça , temos uma ministra das finanças e não há nenhuma actividade que esteja vedada às mulheres , nenhuma . Estas almas , que quando crescerem vão provavelmente ocupar cargos no Bloco de Esquerda , acham que haver uma barbearia onde só podem entrar homens não só é um problema como exige acção de protesto. Mas o que é que elas acham que uma mulher pode querer ir fazer a uma barbearia? Assediar os gajos? Rapar o buço? É pelo direito das lésbicas a ter um corte autêntico? Tenham juízo e procurem problemas reais , que não faltam.

Acho que há em Lisboa um ginásio só para mulheres e se não me engano em Londres criaram taxis só para mulheres , e acho muito bem porque acredito que respeitar a especificidade dos géneros e a liberdade individual passa por aí , pela possibilidade de haver espaços e actividades separadas , mas isto sou eu a quem já chamaram misógino e ainda estou para ver uma mulher pescadora ou mineira , desigualdades que me parece não incomodam muita gente, tal como toda a gente acha normal que atletas femininos e masculinos compitam separadamente nos mesmos desportos. Isto é assim tão difícil ou aquela gente é mesmo burra?

Se vivesse em Lisboa já tinha ido, com o cão , aparar a barba à barbearia Fígaro , as pequenas do grupo activista fizeram-lhes um grande serviço em publicidade.

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3 thoughts on “Todos à barbearia

  1. Há ginásios só para mulheres, e na pratica, muitos cabeleireiros onde só vão mulheres. Assim como profissões onde só há mulheres, ou perto (como secretárias, etc.). Mas é como dizes, há pessoal que tem de reivindicar “direitos”, até os que que já lhes estão assegurados, para se sentir vivo! Responderam à provocação do letreiro com outra provocação, e assim todos têm atenção e fazem publicidade mutua.
    Vi outro dia que uma amiga ia a uma manif pro LGTB ( mais uma letra qualquer da sigla) em Paris, que dizia algo do genero: será possivel ser libre numa sociedade neoliberal? E eu fico a pensar…mas em Paris, e na Europa ocidental inteira, não se é já livre nesse campo há algum tempo? Algum tempo, em algum lugar se foi mais livre neste campo? Lembro-me de estar em São Paulo numa gay parede(num carnaval) com 2 milhões pessoas, e a rua onde estava hospedado estava cortada para um concerto lésbico, rua essa que cruzava com a “rua gay” da cidade! Aposto que há lá feministas e evangélicos que acham pouco, ou muito…

    Cada um com as suas lutas, as suas indignações, a chamarem a atenção para seu lado… Isto não tem importância nenhuma. É mero histerismo.

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