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Os sacos de plástico , porque não havia nada mais importante

Aqui há uns anos estava numa cidade portuária da França mediterrânica a fazer as compras para abastecer um barco para uma viagem longa. Chegámos à caixa com três carrinhos cheios , a senhora começou a passar os artigos e chegá-los para o fundo do tapete sem me dizer uma palavra , quando acabou o espaço olhou para mim e ficou à espera , com uma cara de uma arrogância condescendente que não fez nada pela pouca consideração que eu tenho pela raça dela. Os franceses , não os caixas de supermercado.

-Pode-me arranjar sacos , se faz favor?

Tirou de baixo da caixa uns sacos de compras , custavam 2€ cada um. Deixei-a lá a olhar com cara de enjoada , fui à secção de limpezas e por 1,5€ trouxe um rolo de sacos do lixo e neles levámos  as compras todas para a doca.

Fiquei a pensar naquilo e nas razões que os levaram a acabar com os sacos de plástico. Será que eram assim uma proporção tão grande do lixo todo ? Será que o jeito que eles dão e o trabalho que fazem não justifica um bocado de lixo ? Há poucas coisas que não tenham  resíduos e hoje em dia até já se recicla plástico, não percebi o banir dos sacos de plástico , mas eles lá sabiam da vida deles.

E eis que o nosso Portugal dá mais um  passo de gigante para um ambiente limpo , mas nós somos mais espertos e não acabamos com eles , que seria o que se devia fazer perante uma ameaça tal. Não , continua a haver sacos mas agora pagam-se . Com isto recolhem-se uns milhões em impostos que sem dúvida vão ser muito bem utilizados e “desincentiva-se” o uso dos sacos de plástico.

Vivemos num mundo em que as embalagens ( graças à legislação iluminada dos mesmo estados que proíbem ou “desincentivam” os sacos de plástico) são muitas vezes do dobro do tamanho e do peso do produto que embalam e causam montanhas de lixo ; em que nenhuma mãe sequer considera usar fraldas de pano nas suas crias e com isso causam montanhas de lixo ; em que se obrigam os comerciantes a deitar para o lixo toneladas de alimentos que nada prova estarem defeituosos ou estragados. Os custos ambientais de tudo isto pelos vistos empalidecem perante os sacos de plástico , mas atenção : não são todos , porque o governo informa e afirma que os sacos com asas são o inimigo , os sem asas já não fazem mal. O problema principal estará então nas asas , o factor que agrava o potencial poluidor do saco.

Não sei se os ambientalistas estão contentes , presumo que sim , mas além dos milhões para os cofres do Estado gostava de ver medido o impacto disto , se me disserem que evitaram que 10 , ou 100 toneladas de sacos não chegaram às lixeiras isso só por si não me diz nada porque é um benefício que tem que ser medido contra o custo , a inconveniência para as pessoas , não só ter que ir buscar o saquinho de cada vez que se vai às compras como o jeito que dão os sacos em casa , pelo menos a mim. Ah , é verdade , há ainda a vantagem de se ocuparem fiscais a andar a visitar os comerciantes : Deixe-me lá ver o seu stock de sacos de plástico. Só os com asas , os outros não há problema .

Andamos à beira mar , de Vila Real de Santo António a Viana , e mesmo aqui nas ilhas , e há plástico , sempre plástico , à vista e escondido , na areia , debaixo de água , a boiar. Podia talvez o Ministério do Ambiente debruçar-se sobre isso , mas lá está , taxar os sacos de plástico nas lojas faz-se com uma assinatura e tem receitas , ao passo que limpar a costa envolve trabalho físico e custa dinheiro.

Ainda na semana passada aqui nas lojas estava tudo como dantes e havia sacos para levar as compras para casa agredindo o ambiente , basta olhar em volta nesta ilha para ver a devastação que aqui fazem os sacos de plástico. Vou agora às compras e ver se já demos esse passo civilizacional e um saco me custa 10 cêntimos ou se , como em outras coisas , aqui ainda nos deixam mais um bocadinho em paz.

PS: Ouvi na rádio umas danças de carnaval da Terceira. Não sou muito de carnavais , estas danças de carnaval e comédias são tipo revista à portuguesa e acho que não é preciso dizer mais nada. Apesar disso queria aqui tirar o chapéu aos “Rapazes da Agualva” e aos terceirenses em geral porque ouvi um sktetch em que eles brincam e se riem com os fundamentalistas islâmicos , e em termos bastante claros . Quando os Alemães tiveram que se encolher e cancelar um dos seus maiores carnavais com medo dos selvagens , é bom saber que ainda há quem não tenha medo de brincar com o que lhe apetece. Eu sei , é mais fácil brincar quando a vizinhança é sã , mas mesmo assim , numa época em que o medo e o politicamente correcto se infiltram e inquinam tudo , é bom ouvir este pessoal a gozar em público com essas coisas.

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