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O Corão no seu Contexto

Passou um mês desde os atentados de Paris , tinha dito que durante pelo menos um mês não falava mais de islamismo , mesmo que nesse tempo tivessem acontecido coisas que me deram vontade de ralhar um bocado e mandar umas bojardas , ainda no dia 3 o Estado Islâmico queimou um prisioneiro vivo numa jaula , filmando e divulgando o feito , certamente nunca perdendo de vista que Alá é misericordioso.No dia seguinte e no mesmo espírito de misericórdia , clérigos muçulmanos que se opõem aos jihadistas , sem dúvida interessados em demonstrar que o Islão não se deve amalgamar com violência , defenderam que se crucifiquem os terroristas .
Não tenho falado mas tenho lido e visto muita coisa sobre islamismo , acreditem ou não até passei tempo a ler o Corão. Tenho uma edição que comprei no Egipto , estava lá de passagem , estavam em risco de se acabar os livros a bordo e pedi ao tipo que me tinha conduzido de Port Suez para mostrar o Cairo que me levasse a uma livraria.
Levou-me a três , nenhuma vendia alguma coisa além do Corão , comentários ao Corão e vidas e sermões de comentadores e difusores do Corão.
Pensei que estava enganado , não havia era livros em inglês ou francês e se eu soubesse árabe certamente tinha à disposição mil títulos sobre tudo. Não , aqui só há a palavra de Deus , disse-me o dono de uma das livrarias , claramente agastado por um ocidental andar ali à procura de livros em Outubro de 2001.
Era uma altura mais quente do que o costume no mundo muçulmano em que pude andar à volta das pirâmides montado numa éguazita anciã e piolhosa , sem ver turista nenhum .
Concluí que um egípcio que queira ler mais alguma coisinha além do Corão e sua exegese depara-se com uns certos problemas , mas isto sou eu , eurocêntrico e preconceituoso , isto foi há muitos anos e certamente o Cairo tem muitas livrarias a rebentar pelas costuras com literatura , ensaios e debates , em árabe e noutras línguas , eu é que não encontrei nenhuma apesar de ter passado uma tarde inteira à procura, e com um guia . Admitidamente o motorista e guia , além de não ser do Cairo não era nenhuma águia , mas sabia perguntar , e muito se perguntou , estive quase para ir ao aeroporto onde certamente haverá uma livraria com autores egípcios traduzidos . Na última desisti e acabei por comprar um exemplar do Corão em inglês , traduzido pelo dr Ahmad Zidan . Lê-se na contra capa que entre as suas obras há títulos como “ Cristandade , mito ou mensagem?” e “ A Arrogância do Ocidente só Equiparada pela sua Ignorância” e que o dr. Zidan vive em Londres.
Bom , voltei neste mês a ler o Corão , ou partes , porque se têm visto muitas afirmações como “Não há nada no Islão que incite à violência” , e como se pode desconfiar do que se lê e vê na internet fui ver ao mais próximo que tenho do original.
Ora bem , ou se diz que “não há nada no Islão que incite à violência” ou se diz que há pouca coisa , mas nada é nada em qualquer língua e religião e já me mete nojo tanto exercício de retórica e tanta pirueta filosófica , política e teológica para negar evidências . Escolhi 3 versos :

Surat 8 , Al Anfâl ( o espólio de guerra) , verso 55:

“Seguramente que as bestas mais vis aos olhos de Deus são aqueles que não acreditam”

Verso 67 :

“Não é apropriado para um Profeta tomar prisioneiros de guerra , os infiéis devem ser mortos até serem varridos da terra e os crentes terem a superioridade.”

Surat 9 , Al Taubah ( o arrependimento) , verso 5 :

“Quando passarem os meses invioláveis , então mata os infiéis onde os encontrares , prende-os , persegue-os e espera-os em cada sítio de emboscada ; mas se eles se arrependerem , rezarem e praticarem a caridade regularmente , então deixa-os seguir o seu caminho , porque Alá é misericordioso”.

Haverá talvez traduções mais eufemísticas , se alguém quer contrapor alguma que retire a violência desses versos , faça o favor . Assegurar que Deus me vê como uma besta vil não incita a darem-me um tiro mas retira-me a natureza humana , se calhar é aceitável em determinado contexto. Dizem-nos os apaziguadores do multiculturalismo que é precisamente uma questão de contexto , e se lermos isto no seu contexto histórico vemos bem que são directivas muito localizadas e específicas que se referiam a uns pagãos que tinham violado uma trégua qualquer nos primórdios conturbados do Islão , quando o profeta andava pela Arábia a espalhar a fé e a misericórdia de Deus à frente de um exército .
Não estou convencido nem aceito o contexto como justificação ou prova de que o Islão não prescreve ou incita à violência. O Antigo Testamento está repleto de barbárie e não é por isso que os fiéis , mesmo os mais néscios e tendentes à violência , andam aí a matar infiéis ou outros que pretensamente ofendem Deus , como os homossexuais , em nome desse mesmo Deus , sobre cuja misericórdia nunca se calam.
Há violência diariamente , e gente assassinada , por indivíduos e estados , mas só os fundamentalistas islâmicos a praticam em nome de Deus , acho que este é um ponto muito importante e ainda não o vi refutado em lado nenhum. Fizeram-no os Europeus , durante tempo demais , mas depois o cristianismo e sociedade ocidental evoluíram , ao passo que do lado muçulmano as coisas estagnaram. Eu sou daqueles que acredita e defende que um organismo que evolui é sempre superior a um que estagna , mas isto deve ser um raciocínio fascista e deve haver múltiplas vantagens na estagnação e rigidez inflexível.

Além desses versos perdi a conta aos outros em que , na minha qualidade de infiel , blasfemo e apóstata ( do cristianismo no qual nasci ) sou ameaçado com os fogos dos infernos e tormentos eternos que me são garantidos por não acreditar . Isto também terá o seu contexto. Também se lê o mesmo na Bílblia , e lembro-me de orações católicas que dizem por exemplo “perdoai-no e livrai-nos do fogo do Inferno” , mas até um Papa bastante ortodoxo como o último teve o cuidado de explicar aos crentes todos que o Inferno é uma metáfora .

Mas vá , sejamos tolerantes , modernos , esclarecidos , sofisticados e despertos para o relativismo cultural e aceitemos a justificação do contexto , aceitemos que toda a violência presente no livro não é uma prescrição a ser observada e deve ser sempre vista como pormenor histórico datado .
Porque razão então não se contextualiza o Corão em todas , ou pelo menos mais mesquitas e madrassas? Porque razão temos que temer os fanáticos , todos doutrinados nessas escolas e locais de culto por clérigos estabelecidos ? Porque razão não há mais clérigos a denunciar e recusar o whaabismo saudita (que percorre a comunidade mundial dos muçulmanos sunitas) , uma doutrina orgulhosa e inflexivelmente medieval ? Porque razão todos os extremistas violentos , do Boko Haram ao Estado Islâmico , marcham com o Corão à frente e lá encontram justificação para o que fazem? Onde é que está o esforço para explicar o Corão aos idiotas e ignorantes que não só lá vêm ( compreensivelmente , está lá escrito) que se deve lutar fisicamente contra os infiéis como igualmente lá vislumbram as recompensas do martírio? Quem senão o clero muçulmano tem o poder de contextualizar eficazmente? O que podemos esperar do clero muçulmano que se opõe aos jihadistas quando a sugestão que fazem é crucificá-los ? E porque razão não explicam também os clérigos que ter escravos , encerrar as mulheres e tratá-las como gado , desposar crianças , cortar as mãos ao ladrões , apedrejar adúlteros e açoitar blasfemos , apesar de estar justificado nas escrituras , deve ser contextualizado historicamente e não deve ter lugar no nosso tempo? Porque é que a maioria dos clérigos muçulmanos do Ocidente são pessoas como o imã da mesquita de Lisboa , de quem se pode sempre ouvir uma palavra de sensatez , e o Médio Oriente e Africa estão cheios de clérigos a pregar a vingança e o martírio ?

Eu ofereço meia dúzia de explicações . Primeira , grande parte desses clérigos são tão ou mais ignorantes que os que pretendem ensinar e a sua cultura não vai além do Corão. Não sei se o Islão tem o equivalente , por exemplo , dos jesuítas , que para serem clérigos têm não só que saber as escrituras como ter um nível de conhecimento superior do mundo que os rodeia , incluindo conhecimento científico .
Segunda, a narrativa do confronto e vitimização serve muito bem politicamente.
Terceira , o Islão não tem uma hierarquia clara em que possa vir um homem , ou conclave , e dizer que fala por e para os fiéis todos , como faz o Papa ou o Dalai Lama .Dantes havia o Califa e em princípio toda a gente fazia o que o Califa mandava , agora que eu saiba não há nenhum órgão capaz de falar pelos muçulmanos , não há autoridade central pelo que qualquer alucinado que saiba o Corão de cor pode pretender falar pelos muçulmanos e para eles em nome de Deus.
Quarta , se se começa a contextualizar a sério e se leva o exercício até às últimas consequências vai-se chegar ao ponto de perceber que a maior parte do que lá está escrito não faz grande sentido hoje em dia , mesmo que fizesse algum há 900 anos , e não resiste muito a uma análise lógica .
Quinta , o Ocidente consome-se em remorsos históricos pelas injustiças e ingerências feitas no Médio Oriente desde o tempo das Cruzadas e especialmente depois do descalabro ignominioso das intervenções lideradas pelo Bush Jr , e há sempre quem esteja disposto a explicar e justificar as atrocidades feitas em nome do Islão com ofensas reais ou imaginárias do Ocidente.
Sexta e final , enquanto o estado de Israel continuar a sufocar os palestinianos sem conseguir dar-lhes sequer uma ténue esperança de uma vida e um futuro dignos não vai desaparecer esse combustível renovável para o ódio aos “judeus e cruzados” pregado em milhares de mesquitas e madrassas e que tem efeito cumulativo . Se eu tivesse nascido em Gaza dedicava a vida , provavelmente curta , a lutar contra Israel de toda a maneira que conseguisse.

Vamos continuar a ter muita guerra e terror em nome de Alá , esperemos que a maior parte se fique pela Terra Santa e sua vizinhança .Só o facto de uma região ter essa designação histórica e apresentar a História que tem devia chegar para mostrar a demência de tudo isto.
Não me incomoda muito que haja sectores da sociedade que continuem a defender o apaziguar , tolerar , compreender e aceitar o islamismo , numa sociedade plural tem sempre que haver idiotas , demagogos e cobardes , só gostava que parassem de o fazer com o argumento de que o Islão é uma religião de paz.

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14 thoughts on “O Corão no seu Contexto

  1. Só dois susbsidios (como se diz agora) para o teu estudo:

    Os muçulmanos e sua cultura também evoluem. Tiveram o seu auge “progressista” – em termos de geração de conhecimento cientifico, artes, etc- quando os cristãos europeus estavam na idade das trevas. Até se costuma apontar como um dos picos dessa luminaria a cultura islamica da peninsula Ibérica, num dos califados que não lembro o nome. E foram perdendo a luminaria quando perderam a riqueza material, progressivamente quando nós desviamos o comercio oriente coidente das rotas terrestres (que eles dominavam) para as rotas maritimas. Entretanto , chegaram ao seculo xx (até à decada de 50, nas descolonizaçoes) como meras tribos errantes daqui e dali, que pouco acrescentavam, para bem e ou mal, ao correr da história. Eram relativamente pobres e insignificantes. Mas com a afirmaçao de novos nacionalismos e a riqueza do petroleo, e com algumas cicatrizes abertas deixadas pela descolonizaçao europeia (sobretudo a inglesa: Palestina e Kashmir, que são autenticos cancros), e sussequente sintervençoes politico militares, foi-se criando este caldinho nacionalistareligioso que está a evoluir neste sentido “maravilhoso”. A evolução não é necessáriamente progresso (se é que o progresso existe).

    Os muçulmanos também têm estruturas institucionais e hierarquicas. Muito ao genero das cristãs. Cá também qualquer um pode ser profeta ou interpretador de profeta, criar seitas, etr seguidores, etc. Lá também. Além das agremiaçoes mais conhecidas (católicos, ortodoxos, protestantes vários, jeovás, etc, há muitas outras, grandes e pequenas). Lá é igual, há várias facçoes, seitas, etc. Lá não existe a figura do “padre” que dita a missa (lá existe um fulano que reza junto com os outros, lá à frente), mas na pratica existem os lideres religiosos na mesma, e as suas “igrejas”, que são fontes de colecta e de ensino, muito como eram as igrejas catolicas até há poucas decadas (em parte ainda são). E os “clérigos” muçulmanos são tão eruditos como os cristãos. Uns são doutos academicos de sapiencia, outros são meros oportunistas que vêem ali um emprego. Uns propagam mensagem de paz, e uma jihad esoterica, outros propagam uma cruzada sanguinária… Parece que cá as igrejas cristãs deixaram-se disso…? Será? Ainda existem capelãos em todos os exercitos ocidentais, pagos pelo OE, que vão lá dar a bençao antes do combate…

    O inicio do ismalismo baseou-se claramente nos exemplos judeu (maomé foi influênciado pelos judeus da arábia, nomeadamente a comunidade de Medina) e nos cristãos. Tanto que eles consideram Cristo um profeta, a biblia um livro sagrado, e acham-se a continuaçao da revelação monoteísta. Até no proselitismo seguem o mesmo modelo. Até esta questão da representação do maomé nem é mera reação ao paganismo que havia na arábia. Insere-se na discussão sobre a iconaclastia que foi muito acirrada no cristianismo e que inclsive se fez com guerras e teve importancia no cisma da Igreja de roma, que acabou com católicos e ortodoxos separados.

    Tudo isto para dizer o quê? Que o Corao, e a Biblia, e tal tem pouca importancia para este problema. O principal ensinamento de Jesus foi o perdão, e sabemos bem como é dificil perdoar para a maioria dos católicos ( e não católicos). E quantas guerras se fizeram com a Biblia em riste? E o “padre” americano que fez uma fogueira de Corões? E quantos de nós, oidentais, cristãos de fé ou de cultura, não dissemos já: o que aquilo precisava era de uma bomba nuclear em cima! Entretanto já lá despejamso de milhares e milheres de bombas nao nucleares! Em que é que isso é difere de alguns fanáticos muçulmanos expressarem o desejo de voltarem a conquistar a Ibéria?

    Parece-me que o problema está mais noutras areas: guerras, petroleo, nacionalismo, pobreza miserável, ingerências politico militares, jovens desempregados e sem rumo… Não quero parecer a Ana Gomes (também me irrita), mas parece-me que o Corão não revela quase nada quanto ao problema crescente que vivemos, nem para a sua solução. No máximo é uma desculpa, um pretexto.

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  2. Haja alguém que comente e divirja , obrigado . A minha tirada ( não me lisonjeies a chamar-lhe “estudo”) é acima de tudo a contestar a ideia de que o Islão é uma religião de paz , não ofereço solução nenhuma para os males que vemos. Agora não tenho bem tempo mas já vou voltar ao teu comentário mais detalhadamente.

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  3. Cá vai o meu comentário ao teu comentário sobre o meu comentário , copio o teu texto para poder ter uma resposta ordenada e tardou pq não tenho internet em casa. Começo logo por dizer que um sinal inequívoco de superioridade é que aqui podemos escrever e discutir estas coisas em público sem medo , na Arábia Saudita por exemplo está nesta altura um gajo a levar chicotadas nas costas por ter escrito metade do que eu me atrevi a escrever.

    “Os muçulmanos e sua cultura também evoluem”

    Claro que sim , o que eu acho que não evoluiu é a sua doutrina e teologia , mas lá está , “acho” na minha ignorância . As injunções são as mesmas , caramba , até os cães se mantêm animais impuros que se podem ter mas não em casa. Foi essa a evolução em mil anos sobre a relação do homem com o cão , deixou de ser uma besta impura para tratar a pontapé para se poder ter , mas ainda tem que ficar à porta porque Deus não gosta assim tanto de cães.

    “Tiveram o seu auge “progressista” – em termos de geração de conhecimento cientifico, artes, etc- quando os cristãos europeus estavam na idade das trevas. Até se costuma apontar como um dos picos dessa luminaria a cultura islamica da peninsula Ibérica, num dos califados que não lembro o nome. E foram perdendo a luminaria quando perderam a riqueza material, progressivamente quando nós desviamos o comercio oriente coidente das rotas terrestres (que eles dominavam) para as rotas maritimas. Entretanto , chegaram ao seculo xx (até à decada de 50, nas descolonizaçoes) como meras tribos errantes daqui e dali, que pouco acrescentavam, para bem e ou mal, ao correr da história. Eram relativamente pobres e insignificantes.”

    Meras tribos errantes se falas de árabes , eu falo de muçulmanos , não descontes os Turcos e o Império Otomano , não foi uma nem duas nem três vezes que se lançaram ao ataque do Ocidente , foram parados por exemplo às portas de Viena e em Malta , em operações ofensivas e não em defesa de invasões. Não descontes igualmente os Persas , que eram tudo menos tribos errantes e que apesar dos esforços do Ocidente instauraram sozinhos uma teocracia muçulmana com os resultados que conhecemos.

    “Mas com a afirmaçao de novos nacionalismos e a riqueza do petroleo, e com algumas cicatrizes abertas deixadas pela descolonizaçao europeia (sobretudo a inglesa: Palestina e Kashmir, que são autenticos cancros), e sussequente sintervençoes politico militares, foi-se criando este caldinho nacionalista religioso que está a evoluir neste sentido “maravilhoso”. A evolução não é necessáriamente progresso (se é que o progresso existe).”

    Eu acho que o progresso existe , pelo menos o progresso científico e tecnológico , que se pode medir , quantificar e qualificar. Mais uma vez lamento a minha ignorância e não saber árabe , por exemplo , para poder ir ver que contribuições deram os muçulmanos à tecnologia e ciência moderna desde os tempos fundadores da Algebra e todos os outros avanços que nos trouxeram há seculos e séculos . Não conheço nenhuma invenção , nenhuma descoberta , nenhum avanço saído de uma universidade , instituto ou empresa tecnologica de um país muçulmano nos últimos 100 anos . A última de que ouvi falar era um carro islâmico desenvolvido nos Emiratos , cujo avanço consistia em ter um compartimento especial para guardar o Corão e uma bússola para se saber sempre onde está Meca. Hão-de existir , ainda não vi.
    A ciencia e a tecnologia avançam com liberdade de pensamento , que o Islão constrange , para dizer o mínimo.

    “Os muçulmanos também têm estruturas institucionais e hierarquicas. Muito ao genero das cristãs. Cá também qualquer um pode ser profeta ou interpretador de profeta, criar seitas, etr seguidores, etc. Lá também. Além das agremiaçoes mais conhecidas (católicos, ortodoxos, protestantes vários, jeovás, etc, há muitas outras, grandes e pequenas). Lá é igual, há várias facçoes, seitas, etc. Lá não existe a figura do “padre” que dita a missa (lá existe um fulano que reza junto com os outros, lá à frente), mas na pratica existem os lideres religiosos na mesma, e as suas “igrejas”, que são fontes de colecta e de ensino, muito como eram as igrejas catolicas até há poucas decadas (em parte ainda são)”

    Sim , mas não há autoridade nem voz central e isto torna-se um problema numa religião que se quer activista . E todos os malucos e messias e pregadores que andam pelo ocidente a falar de uma outra variante mais delirante do cristianismo , quantos desses conseguem ter os seus seguidores em armas e prontos a matar? As milícias do Montana? Quantos ataques a muçulmanos já fizeram esses?

    “E os “clérigos” muçulmanos são tão eruditos como os cristãos. Uns são doutos academicos de sapiencia, outros são meros oportunistas que vêem ali um emprego. Uns propagam mensagem de paz, e uma jihad esoterica, outros propagam uma cruzada sanguinária.
    Parece que cá as igrejas cristãs deixaram-se disso…? Será? Ainda existem capelãos em todos os exercitos ocidentais, pagos pelo OE, que vão lá dar a bençao antes do combate…”

    Dar a bênção aos soldados crentes antes do combate parece-me diferente de fornecer o racional para o combate , será talvez um preciosismo mas para mim as coisas giram sobre esses pormenores .

    “O inicio do ismalismo baseou-se claramente nos exemplos judeu (maomé foi influênciado pelos judeus da arábia, nomeadamente a comunidade de Medina) e nos cristãos. Tanto que eles consideram Cristo um profeta, a biblia um livro sagrado, e acham-se a continuaçao da revelação monoteísta. Até no proselitismo seguem o mesmo modelo. ”

    Deve ser pura ignorância minha , se tens exemplos manda , mas nunca ouvi falar em populações convertidas ao islamismo por missionários pregadores.Houve milhões “convertidos” ao cristianismo à força , mas a figura do missionário que converte pela força da palavra sem auxílio militar ou político é-me desconhecida no Islão, mas vou procurar e acredito que seja outra que eu percebi mal.

    “Tudo isto para dizer o quê? Que o Corao, e a Biblia, e tal tem pouca importancia para este problema. O principal ensinamento de Jesus foi o perdão, e sabemos bem como é dificil perdoar para a maioria dos católicos ( e não católicos). Uma coisa é o acto de perdoar , ou não perdoar , e quantas guerras se fizeram com a Biblia em riste?”

    Fizeram-se muitas , mas o facto de o passado estar cheio delas explica ou justifica as do presente ou permite “aceitá-las” na medida em que se aceita uma guerra? Se vocês fizeram há 500 anos nós também podemos fazer que isso não nos torna piores , é argumento?

    “E o “padre” americano que fez uma fogueira de Corões? ”

    Quem me dera que os extremistas islâmicos todos se contentassem em queimar livros e bíblias e bandeiras e efígies e não passassem às bombas e tiros. Quantos ataques violentos de fundamentalistas cristãos temos visto , sabendo que ataques verbais são às dezenas , como este texto que escrevi aqui. Quantas bandeiras e efigies já viste queimadas por multidões histéricas na “rua árabe” , ainda mesmo agora a afirmar com clareza que não só não são charlies como apoiam a execução dos charlies , de Islamabad a Damasco? Como é que isso sequer se chega a comparar com um maluco que ninguém leva a sério na própria terra que decide queimar um monte de Corões com meia duzia de amigos igualmente fanáticos? Cujo governo o proíbe e ele se limita a fazer a fogueirinha dentro de casa , cobrindo-se ainda mais de ridículo? Além da ofensa moral aos crentes que adoram o livro , fisicamente , quais foram as consequências dessa parvoeira? Nenhumas.

    “E quantos de nós, ocidentais, cristãos de fé ou de cultura, não dissemos já: o que aquilo precisava era de uma bomba nuclear em cima! ”

    Já disse eu , por exemplo , que uma bomba nuclear sobre Jerusalém eliminava de uma vez uma data de problemas , sabendo que é inimaginável . Uma coisa é o que diz um simples gajo que escreve num blog obscuro ou que manda umas larachas na mesa do café entre amigos e outra é o que diz o presidente de um Estado Soberano , o Amadinejad por exemplo defendia para quem o quisesse ouvir a eliminação de Israel. Não vês nenhum chefe de estado ocidental a defender coisas dessas seja para o que for.

    “Entretanto já lá despejamso de milhares e milhares de bombas nao nucleares! Em que é que isso é difere de alguns fanáticos muçulmanos expressarem o desejo de voltarem a conquistar a Ibéria?”

    Difere em que as bombas e invasões foram feitas por razões seculares , ou seja , domínio de recursos , obtenção de concessões , instalação de um governo amigável ou remoção de um hostil. O EI e outros querem fazê-lo ( se é para procurar razões além de serem simplesmente gajos que querem mandar) para espalhar a Fé e trazer o Reino de Deus na Terra. Podem não acreditar eles mesmos nisso , mas convencem milhares.

    “Parece-me que o problema está mais noutras areas: guerras, petroleo, nacionalismo, pobreza miserável, ingerências politico militares, jovens desempregados e sem rumo… Não quero parecer a Ana Gomes (também me irrita), mas parece-me que o Corão não revela quase nada quanto ao problema crescente que vivemos, nem para a sua solução. No máximo é uma desculpa, um pretexto.”

    Acredito que sim , que pode ser apenas um pretexto , e toda a gente sabe que há que encontrar pretextos para tudo , a base deste post é que o Corão se presta excepcionalmente bem a esse papel de pretexto , desculpa e justificação , e se não fosse com o que lá está escrito ia haver muito mais dificuldade em propagar o extremismo . Eles atraem jovens não só pelas injustiças , pela promessa de aventura , e pela defesa da sua comunidade , atraem-nos , treinam-nos e e mandam-nos para o combate porque os convencem de que estão a fazer a vontade de Deus e vão recolher as respectivas recompensas. Sem Corão não há fundamentalismo islâmico pelo que se queremos ver as causas não podemos esquecer essa, mesmo que lhe juntemos outras. E acho que é a mais importante porque é a que agrega tudo. Que a paz esteja contigo , um abraço.

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  4. Jo, não era minha intenção justificar nenhum fundamentalismo extremista islamico, como sabes bem que me metem nojo. Mas procuro sim, entendê-lo, porque se o raciocionio for só: eles são maus, sem escrupulos, eu sou bom vitima inocente, então não há nada mais a dizer. E às vezes o teu discurso parece-me tender para aí. Vê só uma parte, o que quer para justificar essa dualidade, e pronto, acaba sempre com razão. Só porque haver ali uns fanáticos que são maus isso não faz de toda sociedade ocidental ser boa e inocente e irresponsável nisto tudo. Nem vice versa. Trata-se só de ver o que se pode fazer para isto não escalar mais. E se escalar lá estarei do mesmo lado que o teu, que remédio. Mas vou tentar evitar contribuir para isso.

    Só o facto de ser “eles” contra “nós” já me fere nos meus “valores ocidentais”, ou seja na crença no individuo, e não em grupos, como cerne da vida e da sociedade. Isso (nós x eles) é tipico de discuros fundamentalistas, seja comunistas, islamicos, nazis, cristãos, etc. que pretendem sectarizar por grupos, e opô-los uns aos outros.

    De qualquer forma confundiste várias coisas que disse.

    1 – Islamismo e cultura: O que disse é que e evolução – para mim – não é progresso, é mera transformação. Os muçulmanos já tiveram brilhantes momentos, nomeadamente aqui na península Ibérica, e na Índia (os Persas). Momentos grandes de ciencia (cartografia, matematica, geometria, astronomia, arquitectura, canais de irrigação, etc. Até navegação!) e arte (poesia, literatura) e filosofia, etc, e religião, etc. Na Pérsia, onde dominaram grande parte do sub continente antes dos ingleses (dominaram até ao seculo xiiii , quando os ingleses tomaram o lugar deles), fizeram novas cidades, e tiveram reis que juntavam na corte todas as religiões, num grande sincretismo religioso, e também tiveram reis que eram sanguinários… Na pérsia (que não é arabe, e ainda hoje é o islamismo mais tolerante) desenvolveu-se uma forma de islamismo esoterico e mistico – que agora é perseguido – que influênciou vários grandes escritores ocidentais, entre os quais Fernando Pessoa. As aventuras Europeias para o Oriente não teriam sido possiveis sem os conhecimentos “cientificos” muçulmanos (que por sua vez não existiriam sem contacto com o mundo indiano e chinês). A decadência civilizacional do mundo muçulmano é recente. É acentuada nos ultimos 2 séculos, aqueles em que a nossa civilização “ocidental” desabrochou ( e desabrochou, também, à custa de explorar e dizimar muitas culturas por esse mundo fora, como sabes). E acentuou-se até à 2a GM, onde já não havia ali poder quase nenhum, especialmente em Africa e na arábia. Foi a queda do Império Britânico e o dinheiro do Petroleo que, aliado a nacionalismos, voltou a dar poder a esses povos. E olha que entretanto já há, pelo menos, 2 países muçulmanos com bombas nucleares… Por isso, dizeres que a civilização muçulmana nunca fez nada de significativo em termos de ciencia e artes, e cultura em geral, não faz sentido nenhum. Eles já tiveram momentos altos, e baixos, como os cristãos ocidentais, comos os chineses, etc. O facto de uma civilização ser rica e cientificamente superior, como os ocidentais têm sido nos ultimos 2 seculos, e os muçulmanos foram antes, não dá superioridade moral a ninguém. Mais ricos e cientificamente superiores nunca fez de ninguém um pacifista ou sequer um ser etico. Todas as grandes civilizaçoes foram agressoras…inclusive a ocidental, que continua a sê-lo.

    2 – centralização religiosa: Sobre a “centralização” do poder eclesiástico…cá também não há. Está tudo dividido. Mesmo aqui, em Portugal e sul da Europa, onde há uma grande maioria de crentes agrupados sob uma unica instituição (ICAR), vê que não há poder nem voz central alguma. Só há uma predominancia. Mas há jeovas, evangelicos de varios grupos, etc. E isso só entre cristãos. Mesmo em zonas como o Sul da Europa, muito homogénias em termos reliioso-culturais não há, nem nunca houve, voz unica religiosa.Nem mesmo quando o poder eclesiástico e politico estavam unidos na Coroa. De vez em quando surgia uma nova seita, e quando ela crescia em feis ou riqueza, a unica solução foi incorpora-las na ICAR. Se fores para o norte da Europa ou para as américas o panorama é ainda menos unido e centralizado. E noS mundoS muçulmanoS , com as suas particularidades, é igual. Há varios grupos e lideres, como sempre foi assim. Na “Índia” dos “Hinduismos” (desculpa o excesso de aspas, mas isto são mesmo tudo generalismos) a unidade e centralização religiosa é ainda menor…

    3 -Politica e agressividade: os “governantes ocidentais” não dizem que é preciso acabar com o Estado de Israel, mas intervêm militarmente por todo o médio oriente, e agora até nas ex républicas sovieticas. Como sabes, foram os governos ocidentais que estiveram na origem (fornecendo dinheiro e armas) as estes grupos de fanáticos, seja a “Al-Caeda” ou , agora, os do EI. Foram os governos Ocidentais que puserem e dispuseram o Xá da Pérsia. Foram os governos ocidentais que puseram e dispuseram o Sadam Hussuein. Foram os governos Ocidentais que instigaram as “primaveram arabes”, mataram o Kadafi (porque ele falou abertamente dos negocios dos franceses em afraica) com quem antes faziam negocios e de quem eram amiguinhos… São os Governos ocidentais que ainda a semana passada foram dar as condolencias ao novo Rei da Arábia Saudita, a teocracia Islamica mais radical à face da terra….Assim, não, não considero que os Governos coidentais, e os povos, por arrasto, sejamos coitadinhos inocentes, ou éticamente e moralmente superiores. Talvez sejamos mais espertos, ou mais hipocritas, ou mais bem sucedidos. Um pouco disso tudo. Estamos, na mó de cima. E ainda bem. Mas moralmente superiores não somos, e não preciso de me sentir superior a ninguém para dizer que os fanáticos islamicos são nojentos.

    O que te digo é o seguinte: eu não vou embarcar em discursos sectarios, a separar o “nós” e “eles”. Não preciso de me convencer que eles são nada, que são maus, etc, e que eu sou muito bom, bonzinho e vitima inocente. Não sou. Se isto tudo evoluir para uma guerra civilizacional é muito mau, e se não poder escapar lá estarei ao teu lado. Mas de mim só virão travões, não vou embarcar numa corrida nessa direção. Como agora está na moda dizer (quando ao nazismo x judeus) a falta de empatia (perceber o outro como igual, ou, se quiseres, como irmão) só ajuda ao radicalismo e suas barbaries.

    Se calhar até estamos muito mais de acordo do que esta discussão pode fazer crer. Acho que uma discussão pertinente é: se os países ocidentais definiram os seus valores em Leis, nomeadamente nas Constituiçoes, e se proibe o nazismo (e nouros países com outro passado recente, o comunismo) por ser incompativel com os valores estabelecidos, talvez seja de fazer uma avaliação séria sobre qual Islamismo é aceitavel cá ter. Porque se o Xeique da Mesquita de Lisboa disser que no Islamismo dele as pessoas podem deixar de ser islamicas , e que a interpretação dele do Corão conduz à paz e condena o terrorismo, então é capaz desse Islamismo ser aceitavel netre nós. Casos ocntrário devia pura e simplesmente ser proíbido e erradicado, como o nazismo ( e o comunismo também) deve ser.

    Mas lá está… vai vir gente a argumentar, e bem, que estamos de braços dados com a Arábia Saudita, e aceitamos que eles espanquem publicamente um blogger por quase nada! Se calhar até enfrentariamos sanºoes economicas deles se fossemos assim tão fundamenalistas com os nossos valores…e não queremso arriscar isso. E a isso chama-se hipocrisia. E quem é hipocrita não tem valores, só interesses momentaneos. Putas…

    Se queremos argumentar com valores e ética temos de dar exemplo ético e moral. E o que se vê é o “ocidente” a ser muito… cego selectivo e…curvilineo.

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  5. Sobre as inovações tecnológicas e científicas não ignoro todas as contribuições dos muçulmanos , mas volto a dizer que por uma razão ou outra foram no passado remoto e tanto quanto sei acabaram há cem anos ou mais.
    Sobre a falta de centralidade , é verdade que não é só ao Islão que falta e provavelmente é uma razão mínima para tentar justificar a violência feita em nome de Deus.
    Sobre a superioridade , havemos de discordar sempre , com todos os podres e hipocrisias que tem o Ocidente , aqui podemos falar de tudo , contra tudo e por tudo e lá não , e isso , para mim , não tem outro nome. Não aceito o relativismo cultural , há coisas que são más em todo o lado e em todas as épocas. Não me revejo nem me identifico com os governos , não são os governos e os políticos que definem uma Sociedade.
    De resto , na história do nós/eles , acho que já tínhamos discutido isso aqui há uns tempos , eu não sou capaz de não fazer essa distinção e parece-me que vou sempre ter mais em comum com um norueguês do que com um iraniano.
    Não defendo a erradicação do Corão porque defendo a liberdade de consciência e culto e não tenho por costume defender coisas impraticáveis . Se o Xeque de Lisboa diz que no Islão dele as pessoas podem deixar de ser islâmicas , bom , então tudo depende da interpretação de cada um , é como um filme ou um romance e tem é que se deixar de falar em Islão para falar na multiplicidade de “islãos” ou “islões” e para mim tudo se torna ainda mais ridículo e insustentável . então não é suposto aquilo ser a Palavra de Deus? Estão a brincar comigo a sugerir que a Palavra de Deus é aberta às interpretações de cada um ou sou mesmo estúpido por não perceber que é mesmo assim? Se nem os crentes se entendem sobre o dogma e a doutrina , querem que eu respeite e tente entender essas religiões, com base em quê? Qual das interpretações , a boa ou a má? Que unidade de pensamento é que há , como é que me querem convencer de que uma religião é boa se ao lado está um gajo a afirmar que é tudo para morrer , como prescrito pela mesma religião? Devo respeitar o islamismo do Xeque Munir e desprezar o do Zawahiri e andar nisto de cada vez que o islão nos entra pela casa dentro? Há que pegar nos “textos sagrados” e ir escolhendo? Qual é o critério e de onde vem? É Deus que mostra ao Xeque Munir quais as partes boas e más do Corão? E onde é o que o Zawahiri vai buscar os critérios dele para ler o mesmo livro?
    Pois , nada nunca é absolutamente bom nem absolutamente mau , e é sempre possível com essa perspectiva viver em cima da cerca . A cada dia que passa tenho mais dificuldade em perceber as pessoas de Fé , tanto da fé boa como da fé má , para mim são ambas inexplicáveis e se calhar o melhor é calar-me de vez sobre o assunto e contentar-me com o facto de estar muito longe dessa salganhada toda. Mas que me irrita , irrita.

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  6. Jo ,

    Olha bem para o que dizes: “Não aceito o relativismo cultural” ” então tudo depende da interpretação de cada um , é como um filme ou um romance e tem é que se deixar de falar em Islão para falar na multiplicidade de “islãos” ou “islões” e para mim tudo se torna ainda mais ridículo e insustentável .”

    Então mas é obvio que isso é assim! TODOS os textos são interpretáveis, e todas as culturas são multiplas. O cristianismo é um conjunto bastante grande e diverso de religiões, e de cada uma delas podes extrair amor e ou ódio, que aliás é o que tem acontecido ao longa de história! Até cada pessoa é multipla! Agora irritas te por as coisas serem interpretáveis e multiplas e subjectivas? É obvio que não há unidade de pensamento. Nem é suposto existir. É por isso que somos orgulhosos de ser ocidentais não é? Porque compreendemos que no respeito pelas diferenças dos individuos está base da nossa força. E isso divide-nos, discute-se, luta-se, mas se é a nossa fraqueza também é a nossa força. Sem diferença nem existe mercado, nem liberdade, nem nada do que dizes sentir-te superior de ser “ocidental”.

    Se não é assim diz-me lá qual é que são os(TEUS) valores universais igualmente bons em todos lado e tempo?

    Reparas-te bem no que estás a dizer?

    Dizes que nao te defines pelos governos, mas falas do “nós”, e misturas uns poucos fundamentalismos islamicos com “os muçulmanos”. Ou bem que te defines por ti mesmo, ou se falas em “nós e eles” então abarcas tudo, inclusive o que os “nossos” governos fazem, com todas as hipocrisias que isso acarreta.

    Sentes-te ameaçado porque “o Islão” entrou no pela porta do ocidente (na tua porta que eu saiba ainda nao bateu) adentro 2 ou 3 vezes e matou uns quantos…mas não vês problema nenhum em o mesmo “ocidente” entrar pela porta do médio oriente continuamente, à lei da bomba, e matar aos milhares… Isso é o que eu chamo de : relativismo moral.

    Sinceramente não acho minimamente coerente o teu discurso, e parece-me que está tomado pela emoçao, pela vontade de separar-te e odiares o outro, pela sede de sangue. E tudo bem…tens todo direito de pensares o que queres, sei que és boa gente, e se fossemos obrigados a isso estariamos do mesmo lado. Podes mandar-me a boca de estar em cima da cerca, mas por enquanto não tenho de andar a “escolher” ir para as guerras que me queiram impingir. Mal por mal preferia fumar umas ganzas e rir-me…

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  7. Para mim “relativismo cultural ” é aceitar que umas coisas são positivas em determinadas culturas e noutras não , que há coisas que não aceitamos na nossa sociedade mas que são aceitáveis noutras . É isso que eu rejeito. Exemplifico outra vez com os cães , na China comem-nos , os muçulmanos piedosos não os têm como amigos e eu critico-os ambos por isso , não aceito que por se ser chinês se possa comer um cão .
    Quando digo algo como “as intervenções ocidentais nos países muçulmanos não são em nome de Deus” não as estou a justificar e muito menos a apoiar , estou a separá-las e distingui-las da violência em nome de Deus , são violência à mesma.
    Todos os textos são interpretáveis , eu sei , é por isso que não aceito nenhum texto como “sagrado” , se calhar estou a resvalar para o fundamentalismo ateu como costuma acontecer aos “recém convertidos”. Seja. Há que trabalhar nisso , tenho escolha e tenho os meios e capacidade para mudar o que for preciso.
    O único valor universal que reconheço , sem ter pensado ainda muito nisso , bom em todo o lado e em todo o tempo é a Liberdade individual . Tem os seus limites , é outra discussão só por si. Os que a defendem e permitem são meus amigos , os que estão contra ela são meus inimigos , onde quer que se encontrem . Uma vez que considero poder gozar essa liberdade na sociedade em que vivo considero-a superior a outras onde isso é impossível. Mais simples não sou capaz de o pôr. Agradeço-te a sério por esta conversa , apesar de ter uma certa pena que não aches o meu discurso minimamente coerente , agora encerramos o debate até à próxima em que nos encontrarmos pessoalmente , se nessa altura ainda nos apetecer falar disto . Ninguém melhora como pessoa nem percebe o mundo só por si e estou cansado de falar sozinho , correm-se muitos riscos. Grande abraço.

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  8. Pingback: Dos Refugiados | Ave de Arribação

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