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Malta

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Cheguei a Malta ontem à noite , depois de uma escala em Bruxelas , dois dias antes da chegada prevista do barco , mas foi a data que me deram. Não me importam os atrasos , o contador já está ligado , apresentei-me ao serviço e não tenho culpa se o homem se enganou nos cálculos. 

Malta tem  mais ou menos metade do tamanho de S.Miguel e tem mais ou menos o triplo da população , vivem  aqui pessoas  há mais de 7 mil anos , passaram por aqui muitas gentes diferentes  e todas essas ocupações deixaram  marcas . O Maltês soa como árabe polvilhado de termos italianos e  ingleses e falado com a entoação do italiano e as pessoas também são uma mescla semelhante , excepto na religião , são esmagadoramente católicos , há uma igreja para cada mil pessoas , pode-lhes faltar muita coisa mas nesse departamento nunca houve problemas nem faltas. 

A ilha é ressequida e improdutiva , sempre viveu da sua posição estratégica e , com a chegada dos Ingleses , prosperou enormemente com as docas e estaleiros navais que assistiam toda a frota do Mediterrâneo e o tráfego de e para o Suez e mais além. Pouco depois da Segunda Guerra mundial os estaleiros e arsenais foram fechando , o Império Britânico e sua marinha foram desmantelados e acabou a actividade naval . Em 1964 tornou-se independente , e não produzindo nada tem que apostar tudo no turismo e contar com a força de trabalho bilingue e a tradição legal inglesa , que dá uma certa confiança às pessoas. 

Por duas vezes Malta esteve no epicentro da luta entre Ocidente e Oriente ,  a primeira durante o chamado Grande Cerco de Malta em 1565 quando os Otomanos quiseram retomar a ilha aos Cavaleiros da Ordem do Hospital ( entre os quais vários tugas) , e 6000 resistentes derrotaram mais de 40 mil atacantes num dos cercos mais épicos da História. Sobrevivem muitas fortificações desse tempo e uma pessoa com alguma imaginação pode ir-se  sentar no topo do Grand Harbour na fortaleza de Vitoriossa e visualizar as centenas de galés turcas a aproximar-se , as correrias pela cidade, os desembarques e repulsas , as traições e valentias , as glórias e misérias. Todos os Domingos numa das fortalezas há uma reconstituição de alguns desses episódios , amanhã vou lá ver .

A segunda ocasião em que Malta aguentou o Ocidente na balança foi contra os Nazis e os Fascistas italianos ,que não se pode dizer que são Orientais mas certamente eram  uma negação do Ocidente , pelo menos para mim. Quem tivesse Malta controlava a navegação no Mediterrâneo , por consequência o acesso ao Suez e ao Oriente , e os Ingleses não pouparam sangue nem tesouro , deles e dos Malteses , para defender a ilha. 

Ontem cheguei ao hotel passava das onze mas ainda tive que  sair , já estive cá duas vezes antes e ainda me lembro bem desta zona . Há sítios com nomes que parecem palavras mágicas , como  Marsaxlokk , e não muito longe daqui uma zona chamada St.Julian’s onde aos fins de semana à noite  há uma movida impressionante . Por um lado gosto de sair à noite , beber uns copos , ouvir música e ver mulheres bonitas , por outro andar por ali só me lembra do pouco que tenho a ver com essa gente toda. 

A marina é em Manoel Island ( chamada assim porque foi um Português Grão Mestre da ordem , António Manuel de Vilhena,  que a fortificou em 1726) , é pertinho do hotel e já lá fui  hoje  organizar mergulhadores para limparem o casco do barco na segunda feira e arranjar jerricans para levar mais combustível. Sabe bem estar de volta ao trabalho. 

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