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Fronteiras

Nunca fui daqueles que imagina um mundo sem fronteiras , não só me parece inviável como bastante  absurdo , e sempre foi para mim motivo de orgulho saber que Portugal tem as fronteiras mais velhas da Europa , talvez do Mundo. Acho que é preciso haver a noção objectiva de onde começa uma coisa e acaba outra , e quanto mais séculos passam em que um grupo pode dizer “nós somos estes assim assim e esta é a a nossa terra , vai daqui até ali , começa aqui e acaba ali”  mais estabilidade e hipóteses de sucesso tem esse grupo. Acho eu. 

Houve um tempo em que se passava uma fronteira simplesmente passando , hoje  estamos muito longe disso , a modernidade embrulhou tudo numa teia burocrática , a revolução nos transportes permite que  milhões de pessoas atravessem fronteiras constantemente , a sede de domínio  dos governos impôs quantos controlos conseguiu e  as tensões políticas reforçaram-nas um pouco por todo o mundo. Podemos conduzir de Lisboa  ao Báltico sem parar numa fronteira , o que é bonito , mas elas continuam lá , estão abertas mas não foram eliminadas , porque mesmo que isso fosse desejável era impossível. 

Já atravessei fronteiras  a pé , de táxi , de autocarro , de carro , de moto , de comboio , de camião  , de avião e , claro , de barco. Passar  uma fronteira nunca deve deixar ninguém indiferente ( excepto os que o fazem todos os dias ou perto) , é sempre uma promessa de algo novo a ponto de se concretizar, sempre uma transição e uma confirmação de distância , nem que seja a fronteira de Badajoz. Na volta , antes de finalmente pousarmos o saco no sítio a que chamamos casa e darmos por terminada a viagem  , há a entrada no país , o atravessar a fronteira que marca o momento exacto do regresso. Talvez a minha travessia de  fronteira   preferida tenha sido quando voltei a Portugal passando a pé a ponte de Valença do Minho num dia de Verão magnífico ,  regressando realizado e cheio de saudades . 

As fronteiras marítimas são mais largas e abertas por definição e  demoram  mais tempo a atravessar . Uma pessoa num avião começa a ver o solo  , passada meia hora  está dentro de um edifício e passada uma  está nas ruas do país a que chegou. De barco às vezes começamos a ver a costa para só  pisar terra e sar  à rua no dia seguinte.  Começa-se a atravessar a fronteira ainda antes de chegar Às 12 milhas que marcam as águas territoriais  de um país e o processo só termina em determinado porto de entrada , com graus muito diversos  de burocracia , controlo e corrupção. Já perdi a conta às vezes que cheguei aos EUA vindo do estrangeiro e amarrei um barco sem ver nenhum agente de nada até ao dia seguinte e numa repartição  a quilómetros de onde o barco ficou , sem quebrar regra nenhuma . Nessas circunstâncias as fronteiras parecem  muito porosas , mas é  ilusório. Uma excepção  foi em 2002 , entrávamos na Baía de Chesapeake vindos de França no auge  da paranóia securitária e a 30 milhas fomos sobrevoados por caças , a 20 milhas veio um helicóptero interrogar-nos e a 5 milhas veio uma vedeta da Guarda Costeira inspeccionar-nos. Claro que manter este nível era incomportável e essas medidas foram sendo muito relaxadas , mas eles continuam a ver bem quem navega nas suas águas e a poder ir lá num instante se quiserem , coisa que Portugal não pode fazer e é pena. Por contraste também já algumas  vezes entrei e saí de determinados países sem dar cavaco às autoridades e sem ninguém me ligar nenhuma ,  não é uma prática recomendável mas às vezes a alternativa é inviável . E é claro que dá uma certa satisfação , como é fácil de perceber.

Os portugueses que queiram ir aos EUA só  têm que preencher um formulário simples online , pagar 12€ ou perto ,  não precisam de visto a menos que queiram entrar no país num iate particular , nesse caso já é diferente. Venho do consulado americano  onde me renovaram o visto B1B2 sem complicações , a seguir ao meu certificado profissional e ao passaporte é o documento  mais imprescindível no meu trabalho e nunca é uma coisa que se possa dar como garantida , pelo que fiquei satisfeito por ver essa questão resolvida.

Está um belíssimo  dia em Lisboa , tenho  aí amigos que  vou ver  , entretanto há-de cair uma transferência  que vai finalmente fazer a minha conta bancária sair dos dois  miseráveis dígitos em que se arrasta há tempo demais , tenho agora que ver como é que vou para Malta , o meu Rofe já é visita comum na esquadra das Lajes e anda feliz da vida , enfim , coisas boas do mês de Maio.

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