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Quarentões

Faz uma semana que estou de regresso ao continente e tal como esperava tem sido um respirar fundo , um conforto e uma recuperação muito bem vinda. Faço parte dos priviligiados que mantêm um quarto em casa dos pais , em Portugal felizmente o número é grande , tenho um amigo inglês que  voltou a casa dos pais 3 meses depois de ter alugado o seu primeiro apartamento e o seu quarto já estava transformado em escritório.É uma vantagem cultural e social enorme dos Europeus do Sul , quase inexistente no Norte mas que por cá se desvaloriza ou pelo menos não se aprecia como devia , parece-me.

Tendo tempo nas mãos e pouco para fazer  tenho-me dedicado a ver amigos , porque faz muita falta  poder estar com quem conhecemos  e nos conhece desde garoto. Já estava a ficar saturado de saber quem é  toda a gente e não conhecer ninguém e de toda a gente saber quem eu sou mas ninguém me conhecer . Estava igualmente a ficar maluco por ver todos os dias as mesmas pessoas e os mesmos carros , estar sempre , constantemente à procura dela , sempre a inventar , a fazer filmes e sempre cheio de nervos , porque aquela terra , aquela ilha , é pequena demais para nós dois.

Os meus melhores amigos , que o são há 20 anos ou mais , são meia dúzia  . Desses seis dois estão felizes com mulheres  e filhas , os outros quatro são uma desgraça como eu . Na troca de histórias de guerra o que eu acho interessante é que vinte anos depois pouco mudou , mas agora nós já percebemos. Esqueçam lá as piadas com os livros de 6000 páginas chamados “Como entender as mulheres” , nós sabemos perfeitamente como , quando e porquê , nós sabemos o que é que as mulheres querem , o que é que as move e sabemos perceber as reacções mais inesperadas e aparentemente inexplicáveis ,   isto porque passámos pelo menos 20 anos a levar porrada ( e a dar alguma , há que admiti-lo) e agora chegamos aqui sozinhos na mesma mas muito , muito mais espertos. Podemos cometer erros antigos , porque infelizmente a paixão ainda pode chegar do nada e cegar um homem , e sofremos com isso , mas pelo menos sabemos sempre o que é que está em jogo , e conhecemos bem as regras e opções que temos. Já não há aquele “porquê??!!!” angustiado da juventude, aquela sensação de estar a sofrer uma injustiça cósmica , aquele ressentimento , nada disso. Assim que o machado se levanta para nos cortar o pescoço parece que vemos logo expostas todas as leis da física que gerem a queda do machado , percebemos a inevitabilidade do movimento , e até perdoamos ao carrasco com um encolher de ombros porque no fundo sabemos que não podia ser de outra maneira , por mais que nos custe.

Talvez esteja a generalizar , talvez eu e os meus amigos não sejamos tão representativos do quarentão comum como isso , talvez , como noutras coisas , eu ache que sei mais do que realmente sei e esteja a extrapolar  indevidamente.De qualquer maneira é sabido que a Humanidade se divide em duas categorias : os que conseguem extrapolar a partir de dados incompletos.

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