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Soares Explica

  Aviso prévio : este post é chato e comprido como a espada do D.Afonso Henriques , é mais irrelevante que o costume , e dedicado ao Dr.Mário Soares ,  que não há meio de se calar e me enerva profundamente de cada vez que leio as aleivosias , deturpações e mentiras que escreve e diz.
-Tenho a impressão que há jornalistas a entrevistar o dr Soares só  por causa das bojardas que o homem manda  , e esperam que seja na sua entrevista que a  senilidade  se manifeste sem margem nenhuma de erro  e que os seus amigos e família se vejam finalmente obrigados a restringir-lhe o acesso antes que haja um embaraço maior , tentando assim preservar dignidade para o funeral de Estado que vai ter um dia . 
Aumentem-lhe a medicação, tirem-lhe o telemóvel e façam-no passar mais tempo com os netos porque  as declarações públicas do dr Soares já há muito que deixaram de aproveitar ao País. Ás vezes leio as entrevistas e declarações dele nos jornais para ver os comentários dos leitores , que são sempre um fartote de riso , 90% deles desancam o homem em termos que vão desde o  cívico até ao insultuoso , e eu duvido muito que o dr.Soares alguma vez se desse ao trabalho de ir ler aquilo, para ter uma medidazinha do que as pessoas acham dele. Acho que ele ainda não percebeu que esta crise , entre outros efeitos positivos , pôs as pessoas a fazer mais contas e  perguntas , a ver mais gráficos e números e datas , declarações e acções passadas de políticos e governantes , a pesar tudo e a fazer um julgamento , a tentar perceber de onde vem e para onde vai o dinheiro do Estado. O dr. Soares , por mais que lhe pareça que não porque passa o dia a falar com  aduladores , não tem simpatia nenhuma para além daquela que ficou expressa nos votos das  presidenciais de 2006 ,  convenhamos que  14% de aprovação é pouco para um Pai da Pátria. O país há muito que se fartou do dr.Soares , só os jornalistas é que não.
A última entrevista foi para o I ,  ponho aqui as partes que achei mais interessantes como prova da minha embirração com o senhor e  suas ideias e fazendo modestamente o contraditório que ele nunca tem , por ser ele .
O senhor doutor escreveu esta semana que “quando não há dinheiro não se paga”. Defende que Portugal devia dizer “não pagamos” aos credores externos? Mas isso não punha em risco os pagamentos do Estado? 
Parece-me ser evidente o que disse. Quando não há dinheiro não se paga . Foi o que se passou com a Argentina, entre outros países, e nem por isso o povo ficou pior. Ora as dívidas que temos são tantas (e os juros tão altos) que creio que não poderemos pagar. Mas, se soubermos dizer que não pagamos, é óbvio que os portugueses darão um suspiro de alívio. A pobreza começa a desaparecer bem como o desemprego. É preciso é não termos medo de o dizer, com coragem e altivez. 
Passar um calote com coragem e altivez , e depois de renunciar a pagar aos credores , toca a a regar e podar as árvores onde cresce o dinheiro . É de uma leviandade aterradora , a conclusão de que se as dívidas atingem um certo volume , não se pagam , é como pensam os banqueiros corruptos  que ele tanto critica , já para não falar da inferência “a pobreza e o desemprego começam a desaparecer” , hipótese no mínimo  dúbia. E “nem por isso o povo ficou pior” é mentira , como qualquer argentino que não seja político nem milionário lhe poderia explicar. 
Portugal devia, então, fazer o que a Argentina fez com o FMI? 

As situações são diferentes, mas é um facto que o exemplo da Argentina nos pode ajudar a ter coragem. Por outro lado, o FMI muda muito, como se tem visto. 
Ou seja … quer dizer , bem , é diferente , porque tudo muda e as circunstâncias são diversas , por isso não digo “não pagar como a Argentina”, porque se calhar acontecia como na Argentina , digo só “não pagar”… Eu acho que não é por mal, ele é que não sabe mesmo o que sucedeu na Argentina . 
Essa posição não correria o risco de nos atirar para fora do euro?

 Não creio. Talvez seja, pelo contrário, uma forma de salvar o euro. Porque não se esqueça que o que nos acontece tem a ver muito com a situação da Grécia, da Espanha, da Itália e até da França, sem esquecer a Irlanda, Chipre e alguns outros estados da zona euro. O essencial para salvar o euro (e a União Europeia) é repor os mercados usurários a obedecer aos estados, e não o contrário. 
Não há mercados bons nem mercados maus , mas uma pessoa que nunca os percebeu nem quis perceber , achando sempre a Política superior à Economia e Finanças , não pode compreender isso. Este “repôr os mercados usurários a obedecer aos estados” leva a crer que alguma vez foi assim , e de facto foi : nos países do socialismo realizado , em que os mercados , usurários ou não , obedeciam de facto aos Estados . Correu bem , e ele gostava de repetir a experiência de ver o Mercado a obedecer ao Estado . Ainda não se pôs sequer a hipótese de que foi o Estado & seus avatares que falharam e nos trouxeram aqui  , não foram os mercados. Este querer subordinar os mercados aos Estados é simplesmente querer financiamento regular e garantido para os governos , por mais imbecis que sejam . 
Não se têm visto socialistas, e muito menos na direcção do PS, a defender o “não pagamos”. Discorda da direcção do PS, que acabou de enviar uma carta à troika a dizer que o PS “honrará os compromissos internacionais”?

 É verdade. A cumprir aquilo com que o PS, no tempo de Sócrates, se comprometeu, o que não tem nada a ver com a subserviência com que o actual governo se comportou desde que assumiu o poder. A troika hoje funciona como se fosse dona de Portugal e nos quisesse arruinar como estado-nação, o que é inadmissível para um estado que, como sabe, é o mais velho da Europa… 
Nisto dos Estados a velhice não é um posto , nem dá nenhuma autoridade ou vantagem moral especial . Antes pelo contrário, uma Nação tão velha como a nossa por esta altura já  devia ter aprendido a governar-se  sem ter que pedir auxílio internacional.
 Com esta correlação de forças na Europa, como é possível travar a austeridade? François Hollande parecia vir cheio de força, mas conseguiu muito pouco. Ainda acredita em mudanças na Europa no sentido de travar a austeridade? 

Acabar com a austeridade e pôr os mercados usurários a obedecer aos estados, como sempre aconteceu antes da crise (??) , é condição sine qua non para salvar o euro e a própria União Europeia. Penso que a Europa não pode autodestruir-se e que os seus dirigentes, apesar de incapazes, hão-de um dia ter bom senso e perceber o poço em que estão a cair. Hollande, é verdade, está em maiores dificuldades do que se esperava. 
 E com esta frase se descarta o optimismo e parvoeira  recente sobre a “via socialista francesa” , as alternativas à austeridade , os governos para as pessoas e tal, de que o Hollande era a uma luz guia. Qualquer pessoa medianamente atenta sabia que não havia retórica socialista que vencesse a realidade da França , mas ao dr.Soares basta dizer “está mais difícil que se esperava , próxima pergunta”.
Escreveu esta semana no “Diário de Notícias” que “elogiar politicamente Margaret Thatcher é um mau sinal para a Europa, que, a prosseguir, nos pode levar a um desastre de consequências imprevisíveis”. Esse desastre não está em curso já?

 É verdade. Thatcher, e o seu correligionário Ronald Reagan, foram quem lançou o neoliberalismo e o conceito imbecil de que o dinheiro vale mais que as pessoas. Além disso, destruiu os partidos europeus que fundaram a Europa: os sociais-democratas (ou trabalhistas ou socialistas) e os democratas-cristãos. E tentaram substituí-los por partidos ultraconservadores – em que as pessoas não contam e só o dinheiro é importante. Foi o que nos levou à crise actual – que é política, social, ética e ambiental, e ao tremendo desastre que está realmente em curso. O Presidente Cavaco Silva parece que não acredita que há crise e é por isso que se permite passar uma semana na Colômbia e no Peru. 
As décadas de prosperidade , o avanço e o nível de vida dos Ingleses e Americanos são irreleventes , e acha mau sinal elogiar uma mulher que foi onde poucas mulheres foram , enfrentou em guerra uma ditadura fascista e contribuiu para a queda do comunismo. O que vale é que os obituários e homenagens internacionais quando  ele morrer vão mostrar quem é que foi Estadista a sério , quem é que deixou legado e mudou o Mundo.
E é sempre um prazer ver pessoas às quais nunca , nunca faltou dinheiro para nada dizerem que o dinheiro não deve ser a principal preocupação. Por fim , criticar o Cavaco por ir à Colômbia e ao Peru é de uma desfaçatez  enorme . Critique o homem por tudo menos pelas viagens , porque fica ainda mais ridículo. Nós lembramo-nos bem da importância estratégica das Seychelles para Portugal.

 A Espanha está em crise, a Itália em crise económica e política, a Grécia à beira do caos. Não existem hoje, na prática, duas Europas – a dos pobres e a dos ricos? 

Não creio. Sempre vi a Europa como um conjunto de estados solidários entre si e em igualdade. A Grécia não está à beira do caos, pelo contrário: depois de receber o dinheiro indispensável para sobreviver, pediu uma indemnização à Alemanha, que lhe é devida desde a Segunda Guerra Mundial. Não há duas Europas, há só uma: a da zona euro. A pobreza e a riqueza variam constantemente. Exemplo: a Alemanha, como era previsível, começa a estar em maus lençóis. Os estados não se avaliam pelo dinheiro que têm, mas sim pela sua história e pela sua gente. Nesse sentido, Portugal não pode ser considerado um país pobre, bem pelo contrário.
 Se sempre viu a Europa assim , viu mal . Estados solidários entre si , talvez , enquanto o dinheiro jorrava dos malditos capitalistas e financeiros , vamos ver como é agora que as coisas apertam. Em igualdade , só se fosse entre a classe dirigente sustentada pelo dinheiro público à qual ele sempre pertenceu  , porque as pessoas normais sabem bem que são diferentes dos outros europeus e que há desigualdades a cada passo e a cada fronteira . E sobre a Grécia , é uma pérola este “ depois de receber o dinheiro indispensável para sobreviver” … receber de quem ? Ah , da Troika , como se fosse o seu mais legítimo direito depois de se ter desgovernado durante 20 anos. E agora a famosa indemnização de guerra , que o Dr.Soares entende por concedida por ter sido pedida, e é em si uma vergonha e desmente logo o modo como ele sempre viu a Europa . Os estados avaliam-se pela sua História , acredita o dr.Soares , um homem que nunca foi amigo de critérios objectivos e que idolatra a França , país que nos invadiu 3 vezes , mergulhou a Europa em guerra e a deixou de rastos.Ou se calhar para o dr.Soares a História começa quando ele nasceu.
 O senhor doutor defende há muito a demissão deste governo. Mas não defende eleições. No nosso sistema político, como é que isso se poderia resolver?

 Claro que é um governo sem ideias nem convicções, que faz só o que a troika lhe manda. É um governo moribundo, que paralisa o país e ainda não compreendeu que está a morrer, é odiado pela esmagadora maioria dos portugueses – por isso os ministros são vaiados quando surgem em público, fogem sempre – e não tem vergonha nem um mínimo de dignidade. É verdade que não defendo eleições porque no estado actual só virão complicar e não resolverão nada. Tudo depende, como se diz, do Presidente da República, que fala o menos possível e parece que julga que não há crise. Mas mais cedo ou mais tarde tem de assumir as suas responsabilidades. Veremos como. 
Aqui fala o politico consumado que não responde à pergunta , bastante lógica e simples: quer que o governo caia mas não quer eleições , como é, então? Veremos como.Não sei se veremos , mas eu gostava de saber que solução preconiza alguém que exige a queda do governo mas não quer eleições.
O Presidente da República devia chamar PSD, CDS e PS e pedir-lhes um acordo para apoiar um novo governo?

Agora é tarde. Devia ter pensado nisso quando o governo injuriou e tentou humilhar o PS, de todas as maneiras. Até que o líder do PS, António José Seguro, gritou: basta de humilhações! E disse – e bem, quanto a mim – que este governo está morto e tem de se ir embora antes de uma fatalidade. O Presidente Cavaco Silva devia lembrar-se da história do século xx. Por muito menos que isto foi morto D. Carlos, que aliás era um bon vivant e chamava ao seu país a “piolheira”… (…) 
Há muitos meses que o homem se desfaz em ameaças , avisa que o colapso pode ser amanhã e se desdobra em apelos mais ou menos velados à desobediência civil e a todas as formas de luta que se imaginem, legais ou ilegais . Este “por muito menos que isto” é abjecto , mesmo sem ir discutir as motivações do regicídio e as  maravilhas que a  I República trouxe ao País  , e para onde esta invenção de jacobinos e carbonários conduziu Portugal pelo seu falhanço : 40 anos de ditadura.

E quem poderia ser o primeiro-ministro de um governo apoiado por este parlamento? 

É uma pergunta a que não posso nem devo responder. Só o Presidente Cavaco Silva lhe poderá responder, se souber… 
Eu  sei mas não digo em público, com a frontalidade e coragem que sempre me caracterizaram.

Mas acredita que o Presidente da República alguma vez demitirá este governo?

 Ele praticamente já disse que nunca o fará. Se diz, é natural que cumpra. A menos que os factos imperativos o obriguem a mudar de posição. Como disse Sócrates – e bem -, este governo tornou-se um governo de iniciativa presidencial, o que representa para o Presidente da República uma enorme responsabilidade.

Este raciocínio brilhante transforma qualquer governo em funções em governo de iniciativa presidencial : se não foi demitido pelo Presidente significa que governa por iniciativa do Presidente. Esplêndido , estas argumentações dão gosto , esta  foi ideia original do Sócrates , nota-se bem a filosofia absorvida nestes dois anos de estudo.

Mas se ganhasse as eleições acredita que o PS teria coragem de romper com a troika nos moldes que o senhor defende? 

Quanto a romper com a troika, além de Seguro ser um patriota, é evidente que terá de o fazer, mais cedo ou mais tarde… A troika é o maior inimigo de Portugal e quem manda na troika são os mercados usurários. 
Romper com a troika , evidentemente ,  mas não enquanto o pagamento das contas depender deles , mais cedo ou mais tarde vamos voltar aos mercados e então sim , podemos dizer que não pagamos , com altivez. Não sei se ele diz “mercado usurários” para os distinguir dos outros mercados monetários onde não há usura , ou seja , que não cobram juros . Se calhar há mercados que não cobram nem pagam juros , por nosso grande azar o dr.Soares não especifica e ficamos sem saber onde estão os mercados não usurários onde nos podemos financiar , e que obedecerão ao Estado, claro , ao responsável , benevolente e cumpridor Estado. 
Foi crítico do regresso de Sócrates à ribalta política. Mas depois acabou por aplaudir. Sócrates não virá fazer sombra a Seguro?

 É verdade o que diz. Mas quando o ouvi – com a clareza e a inteligência com que o fez – dei o braço a torcer. Aliás, escrevi um artigo sobre isso. Acho que, como se tem visto, não é essa a intenção de Sócrates. Aprendeu muito nos dois anos que passou em Paris. É hoje um outro homem, muito mais culto e ponderado do que era. Não é sua intenção fazer sombra a Seguro nem, como disse, ser primeiro-ministro ou Presidente. Quer continuar em Paris, com os filhos, porque sabe muito bem que atrás de tempo tempo vem… 
Claro , a memória é curta , a demagogia é uma ciência fácil , os Portugueses são um povo crédulo e em geral mal educado , atrás do tempo tempo vem e deixando passar tempo que chegue tudo lhe é possível.Atrás do tempo chegará um tempo em que os governos Sócrates serão uma memória distante em que que os Portugueses só verão a aparente prosperidade e nunca as suas consequências , e ele poderá vir governar-nos outra vez, com a bênção e unção do Pai da Pátria .Se Sócrates não quer ser governante , não quer fazer sombra a Seguro e quer continuar a sua vida em Paris ,  veio cá fazer o quê?
 Recentemente, o senhor doutor veio defender que tudo devia ser feito para preservar as boas relações entre Portugal e Angola. É indispensável Portugal virar-se hoje para os países africanos de expressão portuguesa?

 É verdade. É o que penso. Angola é um país irmão, onde trabalham mais de 100 mil portugueses. A guerra civil passou. Os tempos mudaram. Sinto, como patriota português, que devemos trabalhar com o governo, na medida do possível, porque Angola é um dos mais importantes estados africanos, sem esquecer Moçambique. Quanto a Angola, a guerra civil passou e o governo está a evoluir. Precisamos de o ajudar, se o entenderem assim. Estive ligado, como se sabe, à descolonização de Angola, de Moçambique e de todos os países africanos de língua portuguesa. Lutei pela paz em Angola, não por Savimbi ou por Agostinho Neto ou por José Eduardo dos Santos. Mas nunca tomei partido por um lado ou por outro, ao contrário do que alguns colonialistas quiseram acreditar. Honro-me de ser anticolonialista desde muito antes do 25 de Abril e sempre depois de Abril. Mas em guerra civil não podia – nem devia – tomar partido por nenhuma das partes. A CPLP não é a Commonwealth portuguesa, é muito diferente da inglesa. Veja-se que o Brasil, com muita honra, faz parte da CPLP e Londres nunca quis a América na Commonwealth… (…)
E pronto , termino com esta mentira sobre a razão da América não pertencer à Commonwealth , uma organização voluntária , como se alguma vez a hipótese tivesse feito sentido para alguém ou sido proposta a sério, como se na pertença houvesse alguma vantagem para a América e como se os Americanos alguma vez tolerassem a Rainha como Chefe de Estado.

Enfim , já ventilei o que tinha a ventilar .Ouvi dizer que o Aventar tinha publicado o livro “Contos proibidos , memórias de um PS desconhecido” , livro muito elucidativo sobre a integridade dos fundadores do nosso Socialismo e cuja re-edição foi impedida pelo Pai da Pátria & seus acólitos  , sempre e antes de tudo paladinos da liberdade , especialmente da sua . Já não está online , quem pode pode.

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