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Tomar o quê?

Um dos pequenos prazeres da vida é ver pessoas de quem não gostamos a ser enxovalhadas em público , aconteceu outra vez e fartei-me de rir. Então o Francisco José Viegas , intelectual sério e escritor premiado que até foi Secretário de Estado neste governo (o tempo suficiente para perceber que não tinha estofo e atempadamente adoecer)  , indignou-se com uma das últimas e mais imbecis medidas anunciadas  : a ideia ridícula de ter gente a fiscalizar o cidadãos para controlar se pedem ou não facturas quando saem dos estabelecimentos.Este juntar algumas das piores coisas que  o Estado faz aos cidadãos numa só medida , tipo 4 em 1 , é quase inacreditável. A maioria das pessoas , incluindo as que aceitam que o Estado precisa desesperadamente de receitas e que a economia paralela prejudica a economia formal , acha que esta fiscalização e eventual multa ao consumidor por não querer , não se lembrar ou não precisar de uma factura para toda e qualquer coisa que consuma , é uma coisa que não lembra o diabo , ou ao careca da troika .  Parece-me que as multas recolhidas não chegariam para pagar os salários dos fiscais e o processamento das mesmas , e ajudaria a aumentar a raiva do povo contra o Estado em geral e o governo em particular , mas isso nunca foi impedimento para se implementarem medidas.
 Vai daí o FJV escreve no seu blog , em mais palavras , que se um fiscal das finanças o abordar a respeito da facturinha ele , entre outras coisas , lhe pedia para ir  tomar no cú
 Não acho que o FJV se deva abster de criticar um governo do qual fez parte , antes pelo contrário . Também não acho que ele devesse evitar o vernáculo , especialmente sendo Portista , pessoas às quais se dá necessariamente mais folga nesse campo . Ele escreve no seu blog  como cidadão , e até podia chamar ao eventual fiscal das facturas ,  e ao seu Secretário de Estado ,  filho de um comboio de putas sifilíticas  que  eu achava bem porque até aprecio o vernáculo e acho bom que se refresque o discurso e haja veemência. 
Agora , o tomar no cú confundiu-me , porque não sou do Norte mas sendo um português normal o vernáculo faz parte da línguagem corrente desde garoto e não vejo nada de mal nisso , nunca disse aos meus sobrinhos “isso não se diz” , digo “isso não se diz à frente da mãe!” . Parece-me é que que o FJV queria dizer “ mando-o é levar no cú!” , que tenho a certeza que é a fórmula corrente em Portugal desde para aí o Gil Vicente . O FJV queria dar uma pincelada de realismo à sua diatribe anti fiscal , mas como é um literato lido por muito milhares ( o que é excelente senão isto não tinha tanta graça) , resolveu tentar soar como um gajo normal chateado e usar  um termo mesmo forte mas que não fosse assim tão violento e cru como “vai mas é levar no cú”, termo que se calhar até é ofensivo para as minorias adeptas da práctica , e decidiu escrever um mais suave pedia-lhe para ir tomar no cú , coisa que nenhum português alguma vez disse , a menos que se estivesse a fazer entender a um brasileiro . Como é que um homem que até frequenta o Estádio das Antas e já leu toneladas de livros pode querer-nos convencer que usou a expressão “tomar no cú” como um desabafo ou um excesso de linguagem? Que telenovelas é que ele anda a ver? Emigrou para o Brasil e em poucos meses o vernáculo brasileiro sobrepôs-se a mais de 50 anos de tuga? Não foi um desabafo , foi um pretensiosismo de um homem que escreveu um livro sobre cerveja sem saber o que é uma grade de cerveja e aqui queria parecer mesmo irreverente e zangado , autenticidade zero.

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