De saída

Tenho voo para Lisboa na quinta feira e ando angustiado com o tempo, a previsão não me deixa descansado quanto à hipótese de o avião cancelar. Se o voo cancela encrava-me a vida toda a começar pela ligação para a Croácia no outro dia, esperemos que haja uma aberta e que os pilotos da SATA sejam competentes e destemidos como de costume.

Os últimos dias têm sido cheios, não só tenho as ovelhas todas para distribuir pelas pastagens como organizar quem me olhe por elas por quinze dias, e tenho também os jardins que tiveram que levar um avanço para não estarem uma selva quando regressar. A tempestade Helene deitou-me uma arvore abaixo, que por sua vez fez cair um muro, e destruiu-me metade da minha plantação de milho ( 4 pés ) dando-me assim trabalho extra que era coisa que não precisava . Trabalho com o muro e a arvore, o milho é uma brincadeira.

Restam-me dois dias de trabalho no restaurante, foi a coisa mais difícil que já fiz a vida toda, e já fiz muita coisa e tive muito emprego. Concluí que de tudo, o pior era todos os dias às seis não só pegar ao serviço como estar apresentável, ou o que a sociedade convencionou ser “apresentável”. Ora, das melhores coisas da minha vida aqui é que posso andar SEMPRE como me apetece e como estou à vontade, e isso era incompatível com servir a mesas num restaurante. Roupas limpas e pouco puídas, barba aparada,cabelo lavado e penteado e detalhes como certificar-me de que tinha as unhas limpinhas . Isto enervava-me bastante, não gosto de andar andrajoso nem sujo mas trabalho bastante na terra e com os animais e não sigo exactamente as regras urbanas de aparência, só faltam mais dois dias e é reposta a normalidade.

Foi uma experiência interessante, vi muita gente, gente demais. Vi que um cliente carrancudo e antipático pode deixar uma boa gorjeta e um cliente efusivo, a simpatia em pessoa e cheio de elogios nem sequer arredonda o troco, acho piada.  Todos os dias repeti o ritual de dar o vinho a provar, 99,9% das pessoas provava com a atitude de quem está a fazer os movimentos e não tem ideia nenhuma de mandar nada para trás, em 4 meses só um, um espanhol gordo que tinha escrito  glutão gastrónomo no corpo todo é que provou o vinho  vendo-se nitidamente que sabia o que estava a fazer.

Achei graça a perpetuar os papéis de género servindo sempre as senhoras primeiro e perguntava-me se as capazes e afins não têm nenhuma campanha em vista contra esta desigualdade flagrante.

Não achei graça nenhuma aos paizinhos sem mão nos filhos que nem sequer reparam que os seus rebentos estão a incomodar os restantes clientes, vi faltas de respeito gritantes, a última anteontem. Um grupo de portugueses tinha 4 crianças, estavam mais duas holandesas e soltou-se ali o diabo, foi confrangedor a ponto de outros clientes pedirem para mudar de mesa. Só então os papás se lembraram de pedir , atenção,  pedir aos meninos que fizessem menos barulho. A questão é que as pessoas com crianças estão tão habituadas a viver com aquele zumbido e algazarra como ruído de fundo que já nem notam, para eles os gritos e choros e confusão são o normal e não conseguem perceber que para os outros todos é muito incomodativo. Uma vergonha.

Ainda sobre as gorjetas, queria dizer que não acho que ninguém é obrigado a pagar mais do que a conta, e quando vivia nos EUA tive algumas discussões com a namorada por abominar a cultura da gorjeta obrigatória  (para ela 15% era mandatório em tudo) , mas também acho que arredondar o troco fica sempre bem. Se fomos bem servidos (e até o dizemos) podemos bem deixar os 30 cêntimos de troco.

E pronto, está feito.

Agora é fazer o saco de viagem , dar uma varredela à casa, deixar as instruções escritas para as pessoas que me vão olhar pelos animais e esperar uma aberta boa para levantar voo na quinta feira. Devia estar entusiasmadíssmo por voltar a Split, rever um dos meus barcos favoritos e ir navegar com dois velhos amigos mas é o costume dos últimos anos : vou a preocupar-me com o que fica aqui.

Estou radiante por o Verão ter chegado ao fim e estou muito optimista para este Inverno.

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Tenho passado o Verão todo a trabalhar todos os dias  e no fim deste mês vou levar um veleiro da Croácia para a Turquia, por isso estava a antecipar um Inverno muito tranquilo com as poupanças feitas, mas como sou um gajo muito racional comprei antes 23 ovelhas, para juntar às 12 que já tenho, estas são as primeiras 15.

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Eram de um amigo meu francês que cá vive há uns bons 30 anos. Vendeu a sua propriedade e também queria vender as ovelhas. Propôs-me comprá-las e, com o acordo dos novos proprietários das terras, continuar a usar as pastagens, e assim estas 15 ovelhas vêm com o uso de mais de 10 alqueires de relvas, perto de um hectare, espalhado por cinco parcelas.

Mas não é um hectare qualquer, é um hectare na Costa do Lajedo, basta ver a foto para se ter uma ideia da beleza do sítio. Um médico alemão reformado comprou e continua a comprar tudo quanto consegue ali, até ao mar, e já negociou com outros lavradores acordos semelhantes ao meu, vendem-lhe a terra e continuam a usá-la.  Fica toda a gente satisfeita, o alemão sem vizinhos e os lavradores com o uso das terras e com um capital que entra.

Já para o lado oposto do concelho “apareceu-me” outra oportunidade semelhante, outra propriedade de veraneantes estrangeiros que compreende uma terra de cerca de 600m2 e que estava brava, sai-lhes mais barato deixarem-me ter lá ovelhas e ocupar-me da terra do que periodicamente pagarem a alguém para limpar aquilo, e assim fiquei com espaço para mais algumas. Isto não são decisões economicamente racionais da minha parte, mas nesta coisa da criação das ovelhas há uma parte estética muito grande e uma coisa que se não é uma paixão é um gosto grande pela actividade e tudo o que a rodeia. Deixo aqui esta reportagem magnífica sobre cães pastores e criação de ovelhas no País de Gales, achei lindo.


<p><a href=”https://vimeo.com/21588266″>Graines de champions</a> from <a href=”https://vimeo.com/user6429190″>Asscot</a&gt; on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

Com isto tudo vou ficar com 35 ovelhas espalhadas por 3 freguesias, dia 27 vou-me embora por 15 dias e alguém vai ter que se ocupar delas…e do cão. Nestes 15 dias vou ter muito mais ainda que fazer e organizar, o tempo passa muito depressa.

Estou a atingir o ponto de saturação com os turistas mas é só porque trabalho todas as noites no restaurante, fora disso vejo um ou outro de vez em quando e não me incomodam nada. Agora que penso nisso “vejo um ou outro de vez em quando” pode-se aplicar a pessoas em geral na minha vida, especialmente no Inverno, que está a chegar.

 

PS : O SCP elegeu um novo presidente ontem, não sei se é o voltar de uma página negra da história ou se é mais um passo na degradação e  venda do clube. Só sei que ver o Varandas como presidente no culminar desta palhaçada toda foi  para mim um desses “virar de página” : de adepto fervoroso passei a simpatizante distante.

 

 

 

Vacinas

Aqui há uns meses um amigo ligou-me a saber sobre os requerimentos para ter uma criação de ovelhas formalizada e legalizada. A sua principal preocupação era saber se era obrigatório vacinar as ovelhas. Disse-lhe que nem sequer havia vacinas para ovelhas mas que não é obrigado a nada. A obrigação de fazer tratamentos sanitários às ovelhas vem de não as querer deixar morrer de parasitas, diarreias  ou infecções, porque a homeopatia e toda a gama de “medicinas alternativas”, por estranho que pareça, não funciona em animais, que por serem animais são imunes ao poder de sugestão.

Este amigo é da fornada de pessoal “alternativo” , que  se informa pela internet com o mesmo critério que um gato usa para escolher um sítio para se deitar, que nega a Ciência sem conseguir explicar em que consiste o método científico e que acredita em tudo desde que não venha de fontes tradicionais e verificadas. Uma publicação como a Nature , ou mais especializada ainda, divulga um estudo: é prontamente taxada de mercenária da indústria e porta voz de interesses obscuros. Um maluco numa cave da Califórnia explica  com a ajuda de três fotografias que os incêndios florestais são causados por raios espaciais enviados pelo governo:  há ali qualquer coisa que faz sentido. Fico fora de mim.

Hoje foi uma amiga que tem dois filhos pequenos, e a conversa começou pelas ovelhas.

– O que é que as tuas ovelhas comem?

-Erva , incenso, faia e no inverno um bocadinho de ração

-Que ração é ?

-É a 520, o que leva não sei, mas é industrial.

Passou a explicar-me que encontrou um fornecedor no continente que vende ração biológica . A diferença é grande: é só o dobro do preço fora o transporte.

– É que há cada vez mais pessoas a procurar alimentos biológicos.

Abstive-me de dizer que sim , é verdade que há cada vez mais pessoas com dinheiro que pensam que ganham anos de vida só por comer comida mais cara, também é um debate em que já não entro. Respeito e até  aplaudo as escolhas, especialmente as escolhas dos produtores e vendedores que facturam com rótulos como “sem químicos”, à conta da ignorância de quem interiorizou que “químico” é igual a “nocivo”. E lá voltou a conversa à mesma do outro:

-E as ovelhas são vacinadas?

-Não, não há vacinas para ovelhas, e é pena. Mas tens que lhes dar desparasitantes e às vezes antibióticos.

-Mas és obrigado?

-Se não queres que elas morram, és. Quando estão doentes têm que tomar medicamentos, senão morrem.

Olhei bem para ela a ver se a informação  registava, não me pareceu.

-Tu não vacinas os teus filhos?, perguntei

-Não

Tive um choque verdadeiro e deve-se ter notado na minha cara.

-Mas não os vacinas porquê?

-Estive a pesquisar e ouvi umas coisas…

-Ok, ok, mudamos já de assunto, não quero falar mais nisso.

E assim se fez. Muitas vezes é melhor desistir, sei bem que não ia mudar a opinião dela e que só a iria chatear, quando uma pessoa põe em risco a saúde dos seus filhos porque leu na internet que as vacinas causam autismo (como se o autismo não fosse uma condição que já está presente na fase de gestação) é porque tomou uma decisão e agora nada menos que uma emergência médica a fará reconsiderar. Chegada a emergência médica, vai deixar de lado as dúvidas e críticas à medicina contemporânea e vai exigir que se faça tudo o possível  para que salvem a sua criança.

Não fora o facto de as crianças não terem a culpa de ter pais com pouco discernimento e eu apoiaria a 100% uma resolução que fizesse as pessoas optar : se não acreditam na ciência e medicina moderna, prescindam delas, ponto final.

Há certamente casos de determinadas vacinas que provocaram determinadas reacções adversas em determinadas pessoas. Desta constatação a recusar as vacinas em bloco vai um salto de estupidez muito grande.

Actividades

No meu telemóvel vinha uma app que não se pode desinstalar e que ao que percebo serve para me monitorizar a  saúde. Pede-me que despeje para lá informação médica e física sobre mim para depois supostamente me ajudar a ser mais saudável. Dispenso a parte de enviar a minha informação para a nuvem para ser comprada e vendida e usada e abusada e sei, sem algoritmo, o que é que preciso de fazer para melhorar a minha saúde: exercício , alimentação adequada e moderação em todas as coisas. É o mesmo de que precisam todas as pessoas.  A aplicação também conta os passos que eu dou, sabe se vou a pé ou de carro e vai somando as distâncias percorridas. É por isso que sei que hoje entre as seis da tarde e as onze da noite andei 3,4kms , dentro do restaurante.

Restam-me 34 dias de trabalho ali e espero muito que quando chegar Junho do ano que vem eu possa dizer “obrigado mas não, obrigado” , porque tem sido uma experiência positiva mas daquelas que uma vez dá e sobeja. Nunca havendo garantias sobre o dia de amanhã, é sempre bom  aprender  a fazer uma coisa que não sabemos, especialmente se é alguma coisa com procura e facilidade de emprego. É bom, mas espero  que não tenha que desenvolver mais a minha competência como empregado de mesa e que depois de Setembro só entre em bares e restaurantes como cliente. Ou como amigo da casa ou, no caso deste em que trabalho agora, como fornecedor de cerveja e borregos, coisa que de resto já era e espero continuar a ser .

A cerveja está em pausa até Outubro. Tenho  um amigo do Faial  cá de visita com a família e muito contente por ao fim de tantos anos ia finalmente provar uma Ovelha Negra, esqueci-me completamente e vendi cedi o último lote a um amigo há poucos dias. Mandei-lhe há pouco uma mensagem a explicar e a pedir se não me devolvia uma só  que fosse para o outro provar. 20€, respondeu-me ele a rir, amanhã lá vou a casa dele buscar a última. A produção retoma no fim de Outubro, tal como o caminho para a comercialização.

O que não está em pausa nenhuma é o rebanho e a criação de ovelhas, agora tenho 12 mas nos próximos meses o efectivo vai passar a 36 por um conjunto de circunstâncias curiosas e, espero bem, felizes. Esperando voltar a falar sobre estes negócios de animais mais tarde e em detalhe, o que acontece é que vou comprar 8 ovelhas de um lavrador da Costa que está a liquidar a sua exploração e mais 16 de um amigo meu que vendeu as suas propriedades no mesmo sítio e me propôs, em conjunto com o novo proprietário, deixar-me o uso das pastagens todas, que somam mais do triplo das terras que tenho hoje.  Dessas 36 ovelhas espero guardar ao todo 18, entre vendas e abates, e com tudo isso a exploração vai finalmente ser economicamente viável, por outras palavras, deixo de perder dinheiro com as ovelhas como tem sido a história dos últimos 6 anos. Foram anos a criar condições, é assim. Além disso com 18 ovelhas distribuídas e alternando por 7 parcelas a necessidade de um cão torna-se muito mais evidente, a ver se o ano que vem é o ano do cão pastor. Este entusiasmo com 18 ovelhas deve parecer  cómico para os criadores do Alentejo ou da Serra da Estrela, já para nem falar da Nova Zelândia, mas há um valor bastante grande na pequena escala, especialmente num sítio com este onde isso é  quase uma inevitabilidade.

Com todas estas coisas só não me esqueço completamente do futebol e da política porque vou vendo e lendo pelas redes. Não me lembro de um começo de época que me despertasse tão pouco interesse, enojei-me tanto nestes últimos meses com o que se passou no Sporting que simplesmente não quero saber. Ainda não vi jogo nenhum nem faço grande conta de ver tão cedo. Se calhar foi o fim de uma “fase”, e o desgosto não é só com o Sporting, é com a podridão do futebol em geral. Se uma pessoa sabe que aquilo é podre e viciado mas  continua a consumir, alguma coisa está mal. Vou continuar  a ler os títulos, ver a posição na tabela e a ter  uma fé nos tribunais e na justiça que anda assim  entre  nula e  ténue.

Nestes últimos dias choveu alguma coisa, grande alívio e satisfação, estava tudo demasiado seco. Já cheira a fim de Verão, e ainda bem . O bote está varado na rampa, vai ser entretanto fabricado um novo mastro e talvez ainda se navegue este ano, já aconteceram coisas mais estranhas.

Uma  foto  publicada no facebook do Clube Náutico das Lajes do Pico, não sei quem é o autor mas é uma coisa de rara beleza.

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Foi a primeira e mais provável das 3 possibilidades, o mastro partiu e abandonámos a prova. Fomos os primeiros a fazê-lo de mais 10 que também entraram a reboque, as condições foram um bocado duras para toda a gente.

Os botes já estão encostados à muralha no porto das Lajes, tanto quanto sei as companhas foram, regressaram e  trabalharam em conjunto sem  ninguém se chatear, o pessoal divertiu-se na Semana do Mar , toda a gente aprendeu e pela  parte que me toca cá estou pronto a continuar.

Mesmo que os momentos bons sejam curtos e o trabalho e chatice sejam bastantes, fazer parte disto não tem preço.

Ah meu São Pedro

Escrevo aqui ( porto da Horta) isto hoje para deixar testemunho sem ser na degradação do FB: amanhã às 14h largamos na regata, a prova rainha da época. Arriámos há bocado para testar e dar umas voltas. O nosso mastro está estalado de alto a baixo e amanhã vai ser remendado. Há dois botes das Flores em competição e mais intrigas do que seria saudável. Amanhã só há três resultados possíveis: ou parto o mastro e abandono, ou não parto e chego à frente do nosso segundo bote, ou não parto o mastro, perco a prova e assim abandono o leme dos botes das Flores. Uma destas será amanhã, o vento é bom e espero uma regata linda.

Um bolo para a festa

Amanhã vou fazer um bolo de cenoura porque ganhei uma aposta. No princípio do temporada fez-se uma pool no restaurante sobre quantos clientes se iam servir a cada mês. Eu acertei no número, mas este é um tipo de aposta em que quem ganha, além de ver reconhecidos os seus dotes para previsões  e estimativas,  também leva no fim desse mês uma “coisa” para a cozinha, tipo pizza ou um bolo ou seja lá o que for. Uma comida. Eu acho bem, só tenho pena é de não ter percebido logo que quem ganhava é que trazia alguma coisa, é inovador e informou-me bem sobre a técnica a escolher para a minha previsão de Agosto.

Bom, pensei no que é que eu gosto e que esteja ao meu alcance fazer e decidi fazer uma torta de cenoura. Depois fui ver uma receita de torta de cenoura e decidi que o enrolar da coisa podia perfeitamente ser a desgraça de algo que até nem parece muito complicado, e optei por um bolo, é mais seguro.  Como não tenho forno, pedi no restaurante se me deixavam usar o de lá, e uma forma. Claro que sim. Depois pedi se também tinham alguma farinha que me emprestassem, e açúcar e fui até ao fim na rábula da Sopa da Pedra,  até eles se prontificarem a fazer-me o bolo. Ri-me muito mas  eles são alemães, não só não conheciam  a história do frade e da sopa da pedra como nem acharam assim muita piada quando lha contei, nem à minha brincadeira. Se os alemães dependessem do sentido de humor para o seu sucesso como povo e país estavam bem tramados.

No dia 9 é o aniversário do “patrão” e cozinheiro e o restaurante está fechado para uma grande festa. Não vou, não é que eu esteja a contar mas nos últims 68 dias passei lá 62 tardes, ainda me faltam 49 e não é propriamente o sítio onde eu queira ir passar o fim de tarde e a noite , tendo opção. O aniversariante, vejo-o todos os dias, vou levar umas Ovelhas Negras que reservei como prenda e dou-lhe um grande abraço na noite anterior, enquanto comemos o bolo de cenoura. A festa vai ser , como de costume, o encontro da comunidade imigrante e veraneante regular, 90% estrangeiros. Também com esse grande e alegre grupo por vezes me vacila a paciência, e cada vez tenho mais reservas quanto à maneira como está a evoluir o turismo.   Estou sinceramente à espera que este verão termine.

O meu cão costuma ir dar uns passeios à noite. Tem a sua volta regular que faz a maior parte das vezes em corrida e implica passar por umas casas. Nunca foi um problema antes , eu não gostava muito porque atravessava a estrada duas vezes mas à noite nunca há ninguém. Mas agora tenho um AL aqui ao lado  (a propriedade na qual sou jardineiro) , e o espectacular e bem mantido relvado tem também assadores e todos os turistas lá passam, com as suas criancinhas, tardes e noites.  É por aí que o Rofe passa a correr nas suas fugas , ontem lá se escapou e passados 30 segundos ouvi uns gritos terríveis vindos lá de cima e umas criancinhas a chorar. Depois não ouvi mais nada, vim à estrada, lá vinha o cão pela berma a caminho de casa. Tenho a certeza de que cão não magoou ninguém, deve ter apanhado um susto com os gritos do homem, que eu sei quem é, tem uma deficiência ou lesão mental qualquer , reagiu a ver um cão  como se o cão lhe estivesse a abocanhar a garganta. Ainda assim sei bem que há muitas pessoas com fobias e que o Rofe pode meter medo mesmo só por passar a correr. Têm que se acabar as escapadelas nocturnas.

Não há prémio para quem encontrar a ovelha nesta foto.

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